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SIMplex

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27
Ago09

Expectativas frustradas ou In Rasgo Veritas?

Palmira F. Silva

Apenas hoje tive oportunidade de ver na íntegra a entrevista de Manuela Ferreira Leite a Judite de Sousa, no site da sua campanha. Vários pontos da entrevista pareceram-me contraditórios, nomeadamente a justificação da inclusão de arguidos nas listas de candidatos.

 

Não percebo como é possível que uma líder que não se pronuncia sobre "casos de justiça" e não faz "cálculos políticos" por questões de princípios, abdique, aparentemente, desses princípios  em relação à notícia mor da silly season, as hipotéticas escutas presidenciais. Ou quiçá boatos sejam mais relevantes que "casos de justiça" e por isso em relação a boatos o  que é realmente importante são questões «sensoriais» e não de princípios. 

 

Mas o que realmente me baralhou foi o tema programa do PSD. E não estou a falar na menorização da cidadania dos eleitores, que aparentemente não podem ser distraídos nas férias com coisas de somenos importância como os programas que elucidam as políticas que os partidos apresentam às eleições de 27 de Setembro.  Não, o que me baralhou foi o programa na 1º pessoa, enfatizado com um «Não vai estar no programa nada que eu não tenha dito antes».

 

 

Pensava eu na minha ingenuidade que um projecto político deveria passar pelo partido, em particular numa altura de crise em que mais que nunca importa definir com cuidado um rumo estratégico  para o país. Mas não, depois de ter negado a participação de assessores do presidente e de ter informado ter ouvido centenas de pessoas, admitiu que as "grandes expectativas" sobre o programa eleitoral podem sair "muito frustradas" porque se reduzirão ao que ela, Manuela Ferreira Leite, tem andado a dizer nos últimos tempos. 

 

Devo confessar que nunca tive grandes expectativas sobre o programa do PSD, mas esta entrevista deixou-me francamente preocupada: parece que o PSD abdicou de fazer um programa para ganhar as eleições e se devotou exclusivamente a calculismos políticos que garantam que o PS as perde. Ou seja, suspeito que o programa a divulgar mais logo será apenas uma reedição do repudiar, rasgar e romper com umas medidas avulsas e inconsequentes para inglês ver, e não um plano estratégico que nos permita sair da crise.

 

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