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SIMplex

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26
Ago09

Dos Currículos. dos Cábulas e da Falta de Educação

Bruno Reis

A cara Ana Margarida Craveiro (não lhe vou chamar nem doutora nem engenheira, é um hábito meu) voltou à carga com o Engenheirogate, provavelmente por influência dos maus ares da política de verdadeiro ataque pessoal em que tem assente a campanha do PSD.

 

Aparentemente para o Jamais e o PSD quem não é Engenheiro ou, suponho, Doutor (cabendo aqui explicar se se tolera o abuso de tal título por meros Licenciados) não pode falar de educação.

 

O que parece abundamente claro é que silêncio é realmente de ouro para o PSD e aos seus apoiantes. Geralmente o aluno cábula que não tem grande coisa para dizer prefere que os outros se calem para disfarçar.

 

Deixo de lado a questão de apenas em Portugal este questão ser levada a sério – um país ainda muitas vezes pronvicianamente obcecado não pela educação mas pelos títulos honoríficos que a mesma dá. Nem sequer vou perguntar se conhecem alguém que em Portugal que se intitule bacharel em Engenharia.
 
Surgem ainda assim uns problemazinhos com a tese do Jamais:
 
O tema da educação (e do Engenheirogate) tem sido divulgado insistentemente num jornal propriedade do engenheiro  Belmiro de Azevedo (que afinal creio que apesar dos seus muitos méritos também não é realmente engenheiro porque não está registado na Ordem dos Engenheiros) dirigido pelo director José Manuel Fernandes que (tão capaz quanto certamente é) não terminou a licenciatura... Será que o Público não pode segundo o Jamais falar de educação? (E significa isto que estará de volta a Censura e consequente asfixia democrática?)
 
Corre em Portugal que nas Universidades privadas abunda o facilitismo, as notas inflaccionadas e a falta de rigor na educação. Parece ser esse o pecado original que manchou Sócrates e impede o Primeiro Ministro de falar de educação segundo o Jamais. 
 
Mas se assim é, falta (tanto quanto sei) um estudo sério que o mostre. E se assim for,  faltaram sobretudo medidas nomeadamente dos governos do PSD e propostas nos seus programas eleitorais (irei ver com curiosidade no novo quando aparecer) para tal impedir ou corrigir. Aliás, bem ou mal,  foi com um governo PS que se fecharam universidades privadas.
 
Apesar de não ter frequentado, nem leccionado, nem dirigido uma Universidade privada não embarcarei na passagem de um certificado de incompetência genérica a todos os que por lá passaram.
 
Se alguém tem legitimidade para falar sobre educação pública em Portugal é certamente José Sócrates.As Novas Oportunidades, o reforço do investimento na educação e em particular no ensino professional, a aposta no premiar o mérito dos professores mais empenhados são representativas da preocupação do Primeiro Ministro em permitir o mais possível a toda a gente novas formações de qualidade ao longo da sua vida de trabalho; assim como de melhorar e investir no sistema de educação público. A valorização do capital humano é essencial para conseguirmos modernizar a nossa economia.
 
Parece que o Jamais e o conservadorismo atávico de alguma direita portuguesa prefere a aristocracia académica de titulares doutores e engenheiros, ao invés de se julgar as pessoas pelo seu mérito e pelo seu trabalho. Espanta-me ver a Ana nessa companhia. Mas espero bem que não se assista a esse regresso ao passado.
 
E já agora, não é a Direita que quer dar mais dinheiro público para a educação privada? A que título, se afinal um simples ano de passagem pela educação privada desqualifica o Primeiro Ministro de sequer falar sobre educação?

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