Por João Galamba | Domingo, 23 Agosto , 2009, 12:36

Já  tinha falado da entrevista de Ferreira Leite neste post, mas importa explorar em maior detalhe a sua política económica. Ferreira Leite diz que vai por o Estado a pagar a tempo e horas (o PS, com "pagar a tempo e horas", já se propõe reduzir o prazo médio de pagamentos para 30 dias), diz que vai apostar nos investimentos de proximidade (o PS já investe em escolas, hospitais e requalificação urbana), disse que não ia avançar com os grandes investimentos (aqui há uma diferença) e reduzir impostos — taxa social única e IRC. Para além dos grandes investimentos — TGV, aeroporto (?), auto-estradas —, Ferreira Leite limita-se a dizer algo semelhante ao Partido Republicano Americano: para que a economia cresça é necessário um choque fiscal. Independentemente do PSD já o ter proposto no passado — e de não ter cumprido a promessa —, quando olhamos para a situação estrutural do país, esta estratégia não faz muito sentido. Vejamos porquê. É sabido — e, contrariamente a alguns dos seus apoiantes, Ferreira Leite concorda  — que Portugal precisa de requalificar a sua economia e apostar no sector exportador. Não se percebe em como é que medidas que não descriminam entre sectores da economia — é preciso não esquecer que Ferreira Leite considerou que apostas em sectores específicos são arbitrárias e devem ser abandonadas— podem contribuir para transformar o paradigma produtivo português. Ferreira Leite não disse — aliás, rejeitou — que ia incentivar o investimentos nas tecnologias x ou y; disse apenas que ia contribuir para reduzir os custos de todas as empresas, quer elas produzam meias de lycra, texteis ou tecnologia solar, suponho. Para Ferreira Leite, como, aliás, para alguns dos seus apoiantes, quem decide o que produzir são as empresas, esquecendo-se que todas as empresas desenvolvem a sua actividade em contextos e de acordo com incentivos definidos pelo Estado. Pelos vistos, isto é irrelevante. Concluo que Ferreira Leite olha para economia portuguesa do seguinte modo: Portugal tem um problema de competitividade, baixo crescimento, défice externo, mas não vê a qualquer inter-ligação entre esses problemas e o paradigma produtivo que caracteriza a economia portuguesa. Mais (e pior): ao achar que basta reduzir custos através de um choque fiscal, esse sim arbitrário e cego, Ferreira Leite está apenas a dizer uma coisa: o nosso caminho é a redução de custos — baixar os custos associados ao factor trabalho. E assim nada faz para que Portugal abande o paradigma económico que nos conduziu aos desequilíbrios actuais. Assim não vamos longe.


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