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SIMplex

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21
Ago09

Subsídios e o Rua Direita

João Galamba

No Rua Direita, o Carlos Martins escreve um post onde (diz que) prova que os subsídios são errados porque ineficientes. Para sustentar o seu argumento, recorre à ciência económica, apresentando um quadro com curvas da oferta e procura, e escreve o seguinte:

 

"No primeiro momento ("old price" e "old quantity"), a oferta e procura encontram-se livremente. As quantidades produzidas são as que optimizam a afectação eficiente de recursos da economia."

 

Os pressupostos do Carlos - que a situação inicial é eficiente, que o preço de mercado contém toda a informação relevante, em suma: que o mercado livre tem sempre razão - invalidam, a priori, e por definição, a possibilidade de subsídios e intervanção pública na economia. Ou seja, o Carlos não dá qualquer argumento contra os subsídios - à inovação, ao preço, ao investimentos -, ele limita-se a construir um contexto teórico - que não tem nada a ver com qualquer realidade histórica - que invalida a possibilidade teórica da solução que ele pretende criticar. Assim também eu, ó Carlos.

 

Se o Carlos tivesse optado por contemplar a possibilidade de falhas de mercado - externalidades e afins - o post deixaria de fazer sentido. Por outro lado, o Carlos diz que se limita a recorrer a uma verdade elementar da ciência económica. Tem razão. Só que "elementar", neste caso, não pode ser considerado um elogio. Por alguma razão este tipo de gráficos só são utilizados no primeiro ano de economia. No caso de uma economia real - dinâmica, complexa e caracterizada por falhas de mercado e assimetrias de informação - estes gráficos não servem para nada. Então quando acrescentamos a dimensão histórica de uma economia, o défice externo a necessidade de requalificar o tecido económico de um país,  "argumentos" destes tornam-se simplesmente risíveis.

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