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SIMplex

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20
Ago09

Nota sobre "folhetim" do Tomás Belchior (2)

João Galamba

Perguntei: Será verdade que os preços de mercado contêm toda a informação relevante e que, por isso, os subsídios são injustificados?"

 

E o Tomás respondeu:  "Sim, em determinadas condições. Condições que, obviamente, não se verificam hoje em dia (...) No caso do sistema de preços, o que interessa é garantir que os preços contêm a informação relevante e não complementar a informação "irrelevante" com outro tipo de informação "irrelevante"."

 

A lógica desta frase é análoga aquelas em que se diz que crise financeira não tem nada a ver com liberalismo porque nunca existiu um mercado puro. Assim é fácil: como todos os preços estão, e estiveram, "distorcidos", isto é, como nunca houve sistema de preços exclusivamente definidos por mecanismos de mercado (?), culpa-se o estado por andar desde o início dos tempos a impedir que a perfeição liberal visse a luz do dia.

 

Curiosamente, este tipo de argumentos é formalmente equivalente aos que dizem que o comunismo (o verdadeiro) nunca existiu e que criticam o mundo existente a partir da perspectiva utópica - literalmente "utópica", isto é, a partir de lado nenhum - de um ideal. O meu maior problema com o argumento do Tomás é que ele pressupõe a existência (ou melhor, a possibilidade) de um mercado puro. O problema é que o Tomás esquece-se que todos os mercados existem em contextos impuros, isto é, em contextos criados e sustentados pelo estado e por escolhas colectivas. A ideia de que existe algo a que podemos chamar "Mercado Puro" ou "Preços não Distorcidos" é uma abstracção teórica sem qualquer relevância prática. 

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