Por João Galamba | Quinta-feira, 20 Agosto , 2009, 15:49

O Tomás respondeu ao meu post, aqui e aqui, mas não descreve correctamente a minha posição nem, parece-me a mim, as opções que estão em discussão. Sobre isto, duas breves notas:

 

1-Proteccionismo: ao contrário do que diz o Tomás, eu nunca disse que o proteccionismo era bom; limitei-me a contestar a definição de proteccionismo pressuposta nos seus posts e a dizer que, aceitando os termos avançados pelo Tomás, então toda e qualquer iniciativa do Estado seria, por definição, proteccionista. A título de exemplo, mencionei a aposta pública na educação e na formação profissional, que, como é óbvio, contribuem positivamente para a produtividade a empresas nacionais, o que, ceteris paribus, e se, mais uma vez, aceitarmos a definição de proteccionismo do Tomás, constitui uma forma de subsídio ao tecido produtivo nacional. Em suma: aceitando a definição de proteccionismo do Tomás, todas as políticas públicas de requalificação do país seriam ilegítimas;

 

2-Escolhas individuais vs. escolhas públicas: quando o Tomás escreve "o João parte do princípio de que se não houver uma "estratégia de desenvolvimento pública", não há estratégia de desenvolvimento. Eu parto do princípio de que as estratégias de desenvolvimento individuais, cuja existência o João nega, são preferíveis a estratégias de desenvolvimento públicas". Eu não disse isto. Aliás, até escrevi que o Tomás tem uma estratégia de desenvolvimento: a estratégia liberal. Por outro lado, o Tomás atribui-me uma dicotomia - privados de um lado, estado do outro - que eu rejeito. Por muito que o Tomás diga o contrário, o PS (e eu) não é o BE ou o PCP. Dar incentivos para que os privados ajam desta ou daquela maneira, isto é, interferir com os incentivos dos agentes económicos, ou procurar investir em infra-estruturas que reduzam os custos associados à situação periférica de Portugal não são políticas que substituam a iniciativa privada. Ao contrário do BE e do PCP, o PS procura formular políticas públicas que transformem o contexto onde os privados fazem as suas escolhas. Ou seja, como escreve o Hugo Mendes num artigo publicado no Diário Económico, o PS limita-se a reconhecer uma coisa muito simples: a acção do estado e a iniciativa privada são complementares e não, como defende o Tomás, um jogo de soma nula. Qualque pessoa que reconheça que existem falhas de mercado, como externalidades ou bens públicos, sabe que a dicotomia pressuposta pelo Tomás é falsa. 


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