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SIMplex

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20
Ago09

Exportações

Hugo Mendes

O André Abrantes Amaral e o Tiago Moreira Ramalho responderam a este meu post escrito ao sabor da pena e com uma dose porventura excessiva de ironia. Entretanto, o debate prosseguiu com intervenções do João Galamba e do Tiago, mas vou tentar regressar ao post inicial. Este é um debate importante, vamos lá tratá-lo com a dignidade que merece.

 

O Tiago concorda com o facto de que o país precisa de exportar mais. Confesso que é um avanço positivo na discussão, dado que o André discorda: «O país não precisa de exportar, principalmente, não precisa de exportar bens que já não interessam aos outros».
Descontando a ideia (que ninguém defendeu) que precisamos de exportar coisas que não interessam aos outros - se os bens não interessam aos outros, não são comprados, e não há viabilidade comercial; não defendi a política de subsídio a lame ducks –, o país, André, precisa de exportar mais.
 
Isto é fácil ver pelo gráfico seguinte (os dados são, para a maioria dos países, de 2003; se alguém tiver os dados que permitam uma comparação para um ano mais recente, agradecia que mos fizesse chegar)
 
 
O gráfico mostra que Portugal comporta-se como se fosse uma França ou uma Espanha ou uma Itália e tivesse um mercado interno gigantesco. Portugal devia estar junto das outras economias de pequena dimensão, que enriqueceram pela via da exportação de produtos especializados e de qualidade. Desta nossa fraca orientação para o exterior vêm dificuldades de aprendizagem e de crescimento das empresas, e, naturalmente, um grande défice externo (que sabemos ser também explicado pela nossa dependência energética). Parece-me que o André será sensível a estes problemas.
 
Sobre o bicho papão do “proteccionismo” e os apoios às exportações, volto a escrever mais logo.