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SIMplex

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19
Ago09

A Oposição Silenciosa

Palmira F. Silva

O Enviesamento de confirmação (confirmatory ou confirmation bias) é o tipo de pensamento selectivo que caracteriza aqueles que têm  tendência para procurar informação que confirme a sua opinião já formada e ignoram tudo o que contradiga essa opinião.  Esta tendência, já descrita no século XVII por Francis Bacon, o «pai» do método científico moderno, é alternativamente designada por Demónio de Morton, um «demónio que é melhor que uns óculos de lentes cor de rosa» e faz as pessoas por ele possuídas «sentirem-se moralmente superiores».

 

Este demoníaco enviesamento de confirmação tem dois corolários, a perseverança das crenças (belief perseverance) e o efeito primeira impressão ou regra dos 15 segundos, como foi baptizada pelo perito em marketing e comunicação  Michael Shea. A conjugação de ambos tem como resultado que, na «Guerra pelas nossas mentes», a aposta na imutabilidade das primeiras impressões sobre um determinado assunto é uma das 22 leis, também imutáveis, do marketing. 

 

O lema dos clássicos de Al Ries e Jack Strout, «o marketing é uma guerra em que o concorrente é o inimigo e o cliente é o terreno a ser conquistado», foi aparentemente seguido à letra no caso Belemgate, em que se tentou conquistar o público via enviesamento de confirmação. Que o Governo era o inimigo a abater nesta campanha laranja já era explícito há muito - e só isso justifica que, a menos de mês e meio das eleições que vão decidir os próximos anos de governação, ainda não tenhamos sido agraciados pelo PSD com um programa eleitoral, apenas com umas linhas programáticas opacas e redondas. Mas se percebo que queiram explorar o enviesamento de confirmação sobre o que tem sido explorado ad nauseam por ilustres representantes do PSD, que vivemos um estado pidesco e sem liberdade de expressão, não consigo entender porque razão quem elaborou a campanha pense que o público português é completamente acéfalo.

 

Estou a falar em concreto da notícia que faz a primeira página do Público de hoje, que continua a palhaçada de ontem, agora contando, com pompa e circunstância, que um adjunto de Sócrates foi incluído, sem nenhuma «explicação natural», o que quer que esta naturalidade queira dizer, na comitiva presidencial que protagonizou há cerca de um ano a visita à Madeira da nossa vergonha. Ultrapassa-me completamente que alguém considere relevante, pior, que alguns considerem «pidesco», que esse referido «infiltrado» sem vergonha se tenha sentado, «sem ser convidado, na mesa de outros membros da comitiva». Mas acima de tudo, face ao desmentido veemente da informação supostamente veiculada por um espião que veio de São Bento, só posso  pensar que nos tomam a todos por parvos querendo vender-nos uma sequela de má qualidade da  Oposição Silenciosa, congeminada agora por um qualquer Alfaiate de Belém!

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