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SIMplex

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19
Ago09

Da entrevista de Ferro Rodrigues às alianças à esquerda.

José Reis Santos

É impressão minha ou a recente entrevista de Ferro Rodrigues ao Expresso apresenta-o como putativo candidato do PS às próximas presidenciais? Na minha opinião seria um óptimo candidato, e despoletaria um cenário muito interessante.

Pelas pontes que o ex-secretário-geral socialista constrói nas esquerdas à esquerda do PS colocaria imediatamente pressão nessa zona política, preocupada quase em exclusivo em atacar o PS «de Sócrates», e confrontaria BE e PCP na sua estratégia anti-PS. Estariam BE e PCP dispostos a apoiar este candidato do PS e confirmar que é só «deste PS» que bloquistas e comunistas fogem? Ou será que é mesmo do PS, seja ele qual for?

No actual momento pré-eleitoral sabemos que o PS é o único partido de esquerda que pode aspirar ao Governo do país e que têm sido sistematicamente afastadas as possibilidades de coligações à esquerda. Assim, e uma vez que o sistema eleitoral português (ainda) é proporcional – e bem –, e se BE e PCP nunca admitem soluções governativas conjuntas com o PS, este tem sempre de liderar governos a solo (em maioria, preferencialmente – por questões de governabilidade -, ou em minoria). Não há outras hipóteses para se ter governos à esquerda em Portugal.

A questão é, então, saber se PCP e BE (em especial este), que se desmarcam de um governo com o PS, apoiarão uma candidatura socialista para a Presidência, admitindo para o efeito uma aliança com o PS; o que a se verificar, se apresentaria um pouco contraditório. É que se a intenção dos comunistas e dos bloquistas é contribuir para uma política de esquerda em Portugal, e impedir um regresso da direita ao poder (sic), e uma vez que o sistema político português é dominado legislativamente pelo Governo (e pelo Parlamento), não faria mais sentido apoiar uma solução governativa? É que o Presidente apenas «influencia», não governa.

A não ser que essa esquerda, a tal esquerda à esquerda, apenas queira ter «influência», e não responsabilidade na vida política portuguesa. E sinceramente, já não há paciência para essa fuga ao compromisso. Mais vale uma (nova) maioria PS.

 

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