Por Sofia Loureiro dos Santos | Sábado, 15 Agosto , 2009, 22:18

 

Para quem ainda tivesse dúvidas, o BE e o PCP, pelas vozes de Fernando Rosas e de Jerónimo de Sousa, na sequência da entrevista de Ferro Rodrigues, confirmaram a indisponibilidade de ambos para fazerem qualquer coligação com o PS, pré ou pós eleitoral.

 

Para quem ainda pensa que o voto à esquerda do PS pode levar a um governo de coligação com os partidos de esquerda, pode render-se à realidade: votar no BE ou no PCP é aumentar a possibilidade de haver um governo de coligação de direita.

 

Para quem ainda pudesse sonhar com uma coligação entre as esquerdas plurais, fica a saber que a pluralidade está dentro do PS, pois os partidos à sua esquerda são monolíticos, não compreenderam que o tempo não volta para trás, mantendo o conforto da oposição por oposição, que  não serve o país nem os seus cidadãos.

 

Nas próximas legislativas quem quiser um governo de esquerda votará PS, quem quiser um governo de direita terá quatro partidos à escolha: PSD, CDS, BE ou PCP.

 

Nota: Também aqui.
 


joana freitas a 16 de Agosto de 2009 às 01:13

Exma. Sofia:

O seu «post» é tão falso, erróneo e descabido que, como a Prof. Irene Pimental ainda não poude responder a esta questão que lhe coloquei, acho indispensável colocá-la a si.

Trata-se do seguinte: o comunista Vítor Dias, em artigo publicado no sítio da CDU, procedeu a uma desmontagem do chamado «voto útil» no PS com base nas seguintes três asserções de natureza, julgo eu, objectiva:

(...) 1. Para voltarem a governar o país, PSD e CDS precisam de votos neles e devia meter-se pelos olhos adentro que votos nas forças à esquerda do PS (designadamente na CDU) não são votos no PSD e CDS e sempre serão votos que lhes faltarão para obterem a maioria absoluta de que carecem, do que só pode decorrer a evidência notória que votar CDU em nada favorece um regresso do PSD-CDS ao governo;

2. Ao contrário do que tanta gente julga, é uma falsidade de todo o tamanho supor que o que determinará a formação do governo subsequente às eleições é saber qual é o partido mais votado. Imaginemos, por exemplo, que o PSD até fosse o mais votado mas, caso como CDS não formasse uma maioria absoluta, bastava o PS assim querer e nunca um governo PSD-CDS veria a luz do dia. Inversamente, imaginemos que o PS era o partido mais votado mas que havia uma maioria absoluta PSD+ CDS. Nesse caso, alguém duvida que quem formaria governo não seria o PS mas a coligação pós-eleitoral PSD- CDS ?.»

3. Assim sendo, fica claro que o que determinará a possibilidades ou variantes de curso governativo pós-eleitoral é o tipo de maioria numéricas multipartidárias que saiam dos resultados eleitorais.(...)

Mais tarde em polémica, no sítio do Público, aquele comunista foi ainda mais claro e, numa quarta asserção, asseverou que, de um ponto de vista da ARITMÉTICA eleitoral, quaisquer deslocações de votos dentro de um «campo» (PS, CDU e BE) nâo tem a menor incidência ou reflexo NO RESULTADO DO OUTRO «CAMPO)» ( PSD OU PSD SOMADO COM O CDS).

Senhora Sofia:por favor, faça V. Exª os circunlóquios que quiser e os contorsionismos de texto que he aprouverem, mas por favor, se preza um real debate de ideias e um verdadeiro esclarecimento das questões, NÃO DEIXE DE, EM RELAÇÃO A CADA UMA DAS ASSERÇÕES, DE DIZER SE ESTÃO CERTAS OU ERRADAS E, NESTE ÚLTIMO CASO,ORQUÊ.

Este mesmo apelo continua em cima da mesa para a Prof. Irene Pimentel.

Espero que compreendam as duas que esta não é uma matéria que consinta a pessoas com intervenção política activa e elevado nível intelecual fugir aos «quesitos» concretos ou ficarem caladas.

Sofia Loureiro dos Santos a 16 de Agosto de 2009 às 01:27
Joana Freitas

O problema da formação de governo é a seguinte:
1. Se o PS for o partido mais votado e não houver acordos à esquerda nem à direita, é possível que o orçamento não passe na Assembleia;
2. Se O PSD for o partido mais votado é possível que faça uma coligação com o CDS - já o afirmou.
3. Se o orçamento de um eventual governo PS não passar, acha que o Presidente vai chamar o BE e o PCP a formar governo? E se o fizer, acha que passa na Assembleia?
4. E se o governo PSD/CDS também não passar que preconiza? Dissolução da Assembleia? Bloco Central? Governo de salvação nacional inspirado por Cavaco Silva?

joana freitas a 16 de Agosto de 2009 às 13:04

Agradeço a atenção e presteza da resposta. Mas lembro é que eu lhe havia aqui deixado o repto para que nãi deixasse de, EM RELAÇÃO A CADA UMA DAS ASSERÇÕES, DE DIZER SE ESTÃO CERTAS OU ERRADAS E, NESTE ÚLTIMO CASO,PORQUÊ.

Verifico agora que a Sofia fugiu disso como o Diabo da Cruz.

Tenho portanto de concluir que aquelas quatro asserções (fundamentais sobre a questão do dito «voto útil» no PS) são exactas, rigorosas e verdadeiras.

E, assim sendo, eu e qualquer poessoa de bom senso só pode concluir que a sua afirmação de que «quem quiser um governo de direita terá quatro partidos à escolha: PSD, CDS, BE ou PCP.» se trata provavelmente da falsidade mais grosseira e ofensiva em toda a sua intervenção na blogosfera.

Agora vou ver se a Profª. Irene Pimentel já arranjou tempo para responder à mesma questão...

Sofia Loureiro dos Santos a 16 de Agosto de 2009 às 15:10
À Joana Freitas, ao Ademar Ferreira e ao Vítor Dias (3 nomes para os quais eu não juraria que corresponderiam a 3 pessoas…):

Embora a fugir da cruz como o Diabo, ainda olho para trás de vez em quando. Assim esclareço o seguinte:

“3. Assim sendo, fica claro que o que determinará a possibilidades ou variantes de curso governativo pós-eleitoral é o tipo de maioria numéricas multipartidárias que saiam dos resultados eleitorais. (...)”

Esta maioria é aquela que não poderá assegurar governo pela indisponibilidade dessas mesmas forças partidárias. Porque se anunciam desde logo indisponíveis?

“(…) de um ponto de vista da ARITMÉTICA eleitoral, quaisquer deslocações de votos dentro de um «campo» (PS, CDU e BE ) não tem a menor incidência ou reflexo NO RESULTADO DO OUTRO «CAMPO)» ( PSD OU PSD SOMADO COM O CDS).”

Se a aritmética eleitoral fosse infalível Santana Lopes não teria saído do governo – é mais importante a aritmética política, essa aritmética que o PCP tão bem usa para tentar seduzir o eleitorado a votar num partido que promete a mudança de políticas há cerca de 30 anos, mas que prefere o caos à responsabilidade de promover a mudança.

joana freitas a 16 de Agosto de 2009 às 17:10
Está visto que as suas respostas desconversam.

Continua não ser capaz de dizer que os 4 raciocinios ontra o «voto útil» no PS são falsos.

Também não é capaz de demonstrar em que é que mudanças dentro de um campo influenciam o resultado do campo da direita.

Vai buscar o caso Santana Lopes que como é sabido foi demitido pelo PR e conmvocadas novas eleições.

Não é capaz de demonstrar em que que é deslocações de votos do PCP e do BE para o PS impediriam o PSD+CDS de terem uma maioria absoluta ,se os ventos estiverem para aí virados.

E, sobretudo, não faz a mínima demonstração de que votar PCP ou votar BE seja favorecer o regresso de um Governo de direita.

Nestes pontos, a Sofia Loureiro dos Santos não reflecte, não rebate nem debate apenas exprime um dogma mental do qual não quer sair ( e depois dognáticos são os do costume).

Assina Joana de Freitas
B.I. 3541272
Nº Contribuinte 178521987

António da Silva a 16 de Agosto de 2009 às 22:33
Desconversar teria sido responder que, fosse essa identificação final credível, só ficaria mesmo a faltar era o número de militante...

Conversar seria citar o emérito camarada Álvaro Cunhal quando certo dia respondeu na RTP a Judite Sousa que, se a ela lhe assistia a liberdade de fazer as perguntas que entendesse, a ele, e, por extensão, à Sofia Loureiro dos Santos, lhe assistia a liberdade de responder da maneira que entendesse...

Joaquim Amado Lopes a 16 de Agosto de 2009 às 13:25
E que tal deixar cada português votar no projecto (ideologia, programa, pessoas e historial) que mais se aproxima do seu ideal e deixar os cálculos para depois?

Não seria isso mais respeitador do ideal democrático? E dos eleitores?

A.Teixeira a 16 de Agosto de 2009 às 15:53
Leia-se atentamente o comentário anterior e recorde, quem ainda se lembre, como ele seria decerto classificado de "contra-revolucionário" se tivesse sido escrito em Março ou Abril de 1975, em pleno PREC...

Quando escrito por "um nome" verosimilmente próximo do PCP, não deixa de ser irónico lê-lo, quando nos recordamos daquilo que os comunistas quiseram fazer então da vontade popular...

manuelmgaio a 16 de Agosto de 2009 às 03:51
E a lógica é uma batata!

Francisco Cavaco a 16 de Agosto de 2009 às 11:12
E viva a teoria do CAOS se o PS não for sufragado com maioria absoluta, o pais para os empresários fogem, os professores deixam de dar aulas, os médicos deixam de dar consultas, voltamos ao PREC os SUV voltam a aparecer etc.
Doutora a democracia é a arte de conviver com a vontade do povo e os partidos tem que ser capazes de negociar e de flexibilizar posições para que não existam vencidos nem vencedores para que possamos ter um governo estável de preferência de esquerda.

Francisco Cavaco a 16 de Agosto de 2009 às 11:20
Drº estas posições do bloco são pura retórica, quando chegar a altura eles negoceiam, pois os eleitores do bloco não compreenderiam que eles enjeitassem a possibilidade de influenciar a politica do governo.
Quanto ao PCP acredito que não vão negociar pois são feitos de outra massa tem um eleitorado mais fixo,e tem magoas muito antigas com o PS.
E agora uma pergunta, numa negociação todas as partes tem que ceder em sua opinião com pontos de partida tão divergentes na maior parte dos assuntos diga lá onde é que o PS poderia ceder.

Fábio Dionísio a 16 de Agosto de 2009 às 12:56
Essa da "oposição pela oposição" é boa. Quer então dizer-nos que apenas se serve o país, e os cidadãos, estando no poder ou fazendo arranjinhos (em troca de lugarejos insignificantes) com quem nele, circunstancialmente, se encontra. Falando em conforto...é isso a arte da Política?

Sofia Loureiro dos Santos a 16 de Agosto de 2009 às 13:08
Fábio Dionísio

Ultrapassa a minha compreensão que os partidos à esquerda do PS clamem que é necessário mudar de políticas e que, com a hipótese de poderem ter uma palavra a dizer sobre a mudança dessas mesmas políticas pelo voto popular, gritem aos 4 ventos que não querem responsabilizar-se por assumirem as suas convicções.

Tenho do exercício do poder uma visão menos redutora do que uma "troca de lugarejos insignificantes". É isso que pensa que os membros do PCP e do BE fariam com o poder?

closer a 16 de Agosto de 2009 às 13:19
Finalmente a Sofia disse algo com que concordo: são coisas que ultrapassam a sua compreensão

Fábio Dionísio a 16 de Agosto de 2009 às 13:41
Em primeiro lugar, não faço a mais pequena ideia do que os membros do PCP e do BE fariam com o poder (julgo que aqui você se refere a lugares no governo) mas desconfio que num governo com esta maioria do ps, não teriam condições políticas para fazer algo diferente do que até aqui foi feito: por isso mesmo não faz sentido pensar em coligações que serviriam apenas à continuação das actuais políticas do governo PS e, pior ainda, à destruição do PCP e do BE enquanto alternativas reais para uma ruptura de esquerda. Em segundo lugar, reafirmo que a acção e a influência de uma força política não se define, simplesmente, por estar ou não estar no poder (julgo não ser necessário explicar porquê). Assim, sou obrigado a afiirmar que a "oposição pela oposição" (que você parece desprezar) - sempre sustentada numa alternativa radical à actual política e em propostas concretas - que tanto o programa do BE quanto o do PCP contém - são um serviço ao país e aos cidadãos e cidadãs, por muito longe que estas os deixem longe do "poder". E já agora, bem pode clamar que votar no BE e no PC é aumentar a probablilidade da direita, que não a do PS, voltar ao poder, que esses votos são sempre votos na esquerda: que aumentam o "poder real" da esquerda no parlamento (que de resto, é apenas um dos locais, talvez nem o mais importante, onde a esquerda precisa crescer e ganhar força).

Zé António a 16 de Agosto de 2009 às 17:35
Então e os orfãos de esquerda votam em quem?

portela menos 1 a 16 de Agosto de 2009 às 22:57
Uma das soluções para a governação do país passa por, à esquerda, BE+ PCP terem tantos, ou mais, votos como o PS.


a respeito de insultos, o que tem a dizer a este fair-play? :

Sofia Loureiro dos Santos a 16 de Agosto de 2009 às 15:10
À Joana Freitas, ao Ademar Ferreira e ao Vítor Dias (3 nomes para os quais eu não juraria que corresponderiam a 3 pessoas…):

antónio lains galamba a 17 de Agosto de 2009 às 23:10
e eu que pensava que 0o pacote laboral era obra do ps!!! afinal deve ser de um dos outros partidos, da direita, claro!
é caso para dizer: mai nada!

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