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SIMplex

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23
Jul09

PORQUÊ ABSOLUTA

Eduardo Pitta

Uma das questões que mais divide a opinião pública relaciona-se com a necessidade de maiorias absolutas. Nos países em que a oposição (em particular a que aspira a ser governo) não dá tiros no pé, os acordos parlamentares pós-eleitorais permitem governar em minoria. Isso pode e deve ser feito à esquerda e à direita. Em Portugal, infelizmente, a experiência demonstra o contrário. Nos últimos quatro anos e meio, o PSD teve, para dizer o mínimo, um comportamento errático. Escolho ao acaso três momentos-chave: [1] a deriva populista que levou à demissão de Correia de Campos; [2] o laissez-faire na greve dos camionistas, já sob direcção da dra. Manuela; [3] a cumplicidade objectiva com a Fenprof no caso da avaliação dos professores, matéria hoje reduzida a uma burocracia sem sentido. Julga o PSD, se por hipótese remota chegar ao governo, que pode governar, como pretende a Fenprof, sem avaliar a competência científica dos docentes?

 

Se o resultado de 27 de Setembro for uma maioria relativa do PS, é possível que o PCP e o BE viabilizem o programa de governo, deixando Sócrates governar mais uns tempos, com toda a instabilidade daí decorrente. Mas se a maioria relativa for do PSD, supõe a actual direcção do PSD que o conjunto da esquerda (maioritário) permitirá a passagem de um governo seu? Lembram-se de Alfredo Nobre da Costa, primeiro-ministro do III Governo Constitucional (1978), imposto por Eanes, que o Parlamento fez cair ao fim de pouco mais de 80 dias?