Por Sofia Loureiro dos Santos | Sexta-feira, 14 Agosto , 2009, 16:03

 

A desertificação do interior do país é uma realidade que não tem parado de crescer com o proporcional alargamento das grandes capitais, a desumanização, o desenraizamento e a proliferação de guetos sociais.

 

Paralelamente não tem havido um redimensionamento da administração pública, adequando os serviços às reais necessidades, tendo-se iniciado uma reestruturação da distribuição do parque escolar e dos serviços de urgência e de maternidades que tendem a reflectir essa realidade, com os critérios de optimização e da qualidade dos serviços que se prestam.

 

É com tristeza que as freguesias e os concelhos mais afastados vêm partir os seus, sentindo-se abandonados à sua sorte. Mas o problema é que a ausência de emprego e de expectativas conduz a população a mover-se para o litoral, em busca de novas oportunidades.

 

A aposta nas novas tecnologias, na banda larga, na massificação e facilitação do acesso à internet, na flexibilização dos horários de trabalho com o recurso a teletrabalho nas áreas em que isso é possível, no desenvolvimento de teleconferências, nas consultas de referência por via electrónica, na partilha de dúvidas e de resolução de problemas pelo avanço da tecnologia informática, podem ser utilizadas para reanimar o interior desertificado.

 

Se houver boa acessibilidade rodoviária, se existirem transportes rápidos e pouco poluentes, facilitando a mobilidade dos cidadãos entre os centros e as periferias, é possível que haja migração de uma parte da população para cidades mais pequenas, com outro tipo de ofertas a nível de qualidade de vida, que multiplicarão actividades culturais, de comércio e de serviços. Será possível, num futuro próximo, viver calmamente numa cidade do interior e trabalhar em rede com parceiros em múltiplas localidades.

 

A aposta numa rede de transportes ferroviários, numa rede rodoviária de qualidade e nas novas tecnologias podem ser a chave para uma reunificação de todo o tecido nacional e uma enorme melhoria na qualidade de vida dos cidadãos.

 

Nota: também aqui.
 


henrique pereira dos santos a 14 de Agosto de 2009 às 17:17
Cara Sofia,
A questão central é a do emprego, estamos de acordo, mas não apenas em cidades (e vilas) mas o da efectiva ocupação do território que constitui o hinterland dessas cidades e vilas.
Duas políticas públicas são centrais nesta matéria: a política para o mundo rural e a política de conservação da natureza a da biodiversidade.
Qualquer delas dois desastres deste Governo (e dos anteriores, diga-se de passagem).
O Programa de Desenvolvimento Rural foi desenhado para apoiar as fileiras competitivas da produção agrícola, florestal e pecuária, em vez de ter sido desenhado para colmatar as falhas de mercado das produções com mais valias sociais importantes,com dificuldade de transformar essas mais valias em valor de mercado.
O resultado é que, por exemplo, 11% de todo o programa é enterrado em Alqueva (já depois de tudo o que para lá foi canalisado) e coisas que tais e falta o dinheiro para pagar os serviços ambientais que são produzidos por actividades do sector primário (um comentário lateral para dizer que o Governo tivesse uma verdadeira preocupação com o consumo sustentável de energia e de água Alqueva nunca teria a configuração que tem).
Esta óptica é uma óptica profundamente enraízada na tecno estrutura do Ministério da Agricultura que continua a olhar para o dinheiro do mundo rural como um recurso que tem como objectivo garantir o rendimento dos agricultores em vez de um recurso que permite pagar serviços ambientais (e outros) que o mercado não remunera convenientemente.
Só para dar um exemplo, seria normal que a produção de cabras em regime extensivo, o mais barato e eficiente sistema de gestão de combustiveis que nos permitem gerir inteligentemente o problema dos fogos, tivessem um regime de apoio que contasse com esta valia mas não só tal não acontece como o dinheiro do fundo florestal é gasto em sapadores que são manifestamente mais caros e menos eficientes que as cabras neste trabalho (basta pensar no que custa uma equipa de cinco pessoas e que quantidade de mato são capazes de retirar das matas num ano e comparar com um rebanho de cem cabras a comer todos os dias).
Da política de Conservação da Natureza acho que nem vale a pena falar de tal maneira ela é deprimente. Repito, não é de agora, vem de outros governos e dos srs. deputados acharem que é uma política menor, mas nunca como neste governo foi tão mal tratada, quando poderia ser uma das mais importantes fontes de emprego no mundo rural e na gestão do hinterland de cidades e vilas.
Mas mais que tudo há um problema de cultura que está subjacente ao seu post: todos nós desistimos de produzir no nosso mundo rural se não for nas condições ideais das lezírias, dos barros de Beja ou das estufas do Oeste e do litoral alentejano e sudoeste.
Onde outros países produzem produtos de nicho de elevado posicionamento do mercado nós insistimos na inviabilidade dos nossos sistemas tradicionais de produção e já só tentamos aguentar as cidades e vilas.
Mas tarde ou mais cedo o pagamento chega em fogos que serão, mais tarde ou mais cedo, socialmente muito dolorosos.
Fazer estradas para sítios onde não se produz não vale de grande coisa.
henrique pereira dos santos

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