Por João Pinto e Castro | Quinta-feira, 13 Agosto , 2009, 13:19

 

A recessão começou em Portugal mais tarde e acabou mais cedo.

Como justificará agora o PSD a sua teoria de que o país estava pior preparado para enfrentar a crise mundial do que os seus parceiros da UE?

Há acontecimento assim, fatais para teses alucinadas sustentadas em argumentos sem sustentação sólida.

Depois disto, resta-lhes tentar ressuscitar o "caso" Freeport.


Joaquim Amado Lopes a 13 de Agosto de 2009 às 15:13
(1) Não perguntei sobre o defict externo, perguntei sobre o endividamento externo (AKA dívida externa).
Para os que, ao contrário do João, não saibam qual é a diferença:
- deficit externo é a diferença entre exportações e importações; se importamos mais do que exportamos (consumimos mais do que produzimos), temos deficit externo (ou comercial);
- endividamento externo ou dívida externa é quanto devemos ao estrangeiro.

As duas coisas estão de certa forma ligadas. Se consumimos mais do que produzimos, temos que pedir dinheiro emprestado para pagar essa diferença.
Quanto mais pedimos emprestado, mais aumenta o que pagamos de juros dessa dívida.

Só para referência, a dívida externa ultrapassou em 2008 o valor recorde de 90% do PIB. Ou seja, 90% do valor de tudo o que é produzido em Portugal durante um ano não chegaria para pagar o que devemos ao estrangeiro.
Em 2005, a dívida externa era de cerca de 70% do PIB. E continua a aumentar.
Mais um recorde, mérito do Grande Líder.

(2) A redução no deficit externo deve-se também à baixa do preço do petróleo. Da mesma forma que o aumento no deficit externo de 2007 para 2008 se deveu ao aumento do preço do petróleo.

(3) E são muitas as pessoas que escrevem tolices e não se refugiam no anonimato. Por exemplo, a esmagadora maioria dos posts no Simplex são assinados.

João Pinto e Castro a 13 de Agosto de 2009 às 15:47
1. "As duas coisas estão de certa forma ligadas". Eufemismo; o endividamento é consequência do défice. Logo, a redução do défice é a via para diminuir o endividamento.
2. JAL percebe que a redução do défice em 09 se deve em parte à descida do petróleo, mas não percebe que o aumento do défice em 08 se deveu em parte à subida do petróleo. Aliás, a responsabilidade do nosso défice externo cabe no essencial à dependência energética, a qual está também em vias de diminuir significaticamente com o investimento em hídricas, solar e eólicas.
3. Suspeito que o Grande Génio JAL deve ter uma solução milagrosa para resolver os nossos problemas, mas, infelizmente, não quer apresentá-la.

Joaquim Amado Lopes a 13 de Agosto de 2009 às 17:23
(1) A minha solução para resolver os problemas começa por os perceber. E para os perceber temos primeiro que saber ler.
Por exemplo, eu ter escrito "Da mesma forma que o aumento no deficit externo de 2007 para 2008 se deveu ao aumento do preço do petróleo." e o João afirmar a seguir que "JAL (...) não percebe que o aumento do défice em 08 se deveu em parte à subida do petróleo." pode indicar que o João não sabe ler. Mas também pode significar que:
- na pressa de me contrariar não leu o que escrevi;
- como me referi ao Grande Líder de forma menos respeitosa, o que eu escreva é irrelevante para o João.

Seja qual fôr a situação, para resolver os problemas deve-se ir além da rama.

(2) O endividamento não é apenas produto do deficit comercial. Ou, de 2005 a 2008, o deficit comercial acumulado totalizou 20% do PIB?

O deficit comercial contribui para a dívida externa mas não é a sua única causa. Sendo uma das causas, a sua redução contribui para reduzir o AUMENTO do endividamento. Só contribuirá para reduzir o endividamento se passar de deficit a superavit.

(3) O investimento em energias alternativas é positivo em vários aspectos:
- maior independência energética;
- menos importação
- possibilidade de exportar energia (remota) e/ou tecnologia (menos remota)
- ambiente

É uma aposta que subscrevo e elogio. No entanto, não convém tomar a árvore pela floresta.
Qual é o peso que as hídricas, solar e eólicas poderão ter no total da energia consumida? Com que investimento e qual o custo de exploração?

Já agora, lembra-se de Foz Coa?

E voltamos à minha "solução" para resolver os problemas. É conveniente avaliar as opções e iniciativas pelo que elas realmente são, não pelo espectáculo das inaugurações e dos anúncios que não passam de propaganda.
Quantos projectos foram apresentados por este Governo como estruturantes e essenciais para o futuro de Portugal e não deram em nada?

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