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SIMplex

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12
Ago09

As listas da outra senhora

José Reis Santos

Em Setembro de 1942 Salazar assumiu as responsabilidades da condução do difícil processo de construção da lista de 90 nomes. A acreditar no relato de Franco Nogueira, o Presidente do Conselho está «emagrecido, as feições estão marcadas, o rosto macilento e afilado, a face encovada, e o cabelo está agrisalhado». Não, não o confundam com outra senhora.

A feitura de listas, ao contrário do que se possa pensar, foi um processo complicado. No total, e para os 90 deputados finais, foram indicados – nos diversos passos do processo - cerca de 250 nomes. E estes provinham de diversas fontes, pessoais e institucionais. O Presidente da Assembleia Nacional, da Legião Portuguesa e da União Nacional apreciaram o trabalho dos deputados de 38-42, e sugeriram que fulano A ficasse e sicrano B saísse. Foi o primeiro filtro. Depois, houve diversas indicações «pessoais», originadas no ciclo íntimo do Presidente do Conselho; negociações com a Causa Monárquica e com outras facções do regime. Por fim, e depois de «ouvir», decidiu tudo sozinho. À boa maneira autoritária-conservadora (estou a ser politicamente correcto). E não, não o voltem a confundir com outra senhora.

Bem sabemos como a arte de construir listas para lugares de eleição política pode ser complexa, mas há coisas que não mudam mesmo. Há quem oiça e respeite as estruturas e as indicações do Partido; há quem prometa ouvir e acabe por intervir de forma ditatorial e autoritária. E agora já não sei se me estou a referir a esta senhora ou à outra.

 

[também publicado na Sábado]

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