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SIMplex

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12
Ago09

Luzinha ao fim do túnel para Campos e Cunha

João Pinto e Castro

Luis Campos e Cunha, muito angustiado com o estado do país, não encara a possibilidade de votar no PSD porque "tem um discurso muito centrado na questão orçamental. Mesmo sem ter feito uma análise custo-benefício, ele assegura-nos que, para além da questão orçamental, há outros grandes problemas, como, por exemplo, a língua portuguesa e a presença de Portugal no mundo.

Esta declaração é algo estranha, porque Campos e Cunha gasta praticamente toda a sua entrevista ao i de ontem a falar sobre sobre questões orçamentais. Pensando melhor, talvez fosse boa ideia votar na Drª Manuela.

Por outro lado, ele não sente curiosidade pelo programa do PS, "por manter os grandes projectos". Nós sabemos que os "grandes projectos" são uma espécie de monomania de Campos e Cunha, embora surpreenda o facto de, entretanto, ter retirado o novo aeroporto de Lisboa da lista das obras demoníacas.

O ex-Ministro das Finanças propõe-nos desta vez um argumento novo e profundamente original contra o TVG: se o Estado português investir no TGV, vai reduzir a sua capacidade para fazer investimento público. Esta, confesso, pôs-me a pensar.

Na mesma entrevista, Cunha queixa-se muito da política e dos políticos, dizendo que se sente escaldado. Como se sabe, Campos e Cunha alega ter saído do Governo por discordar do TGV. Ora, sucede que os investimentos no novo aeroporto de Lisboa e no TGV estavam previstos no programa do governo que ele integrou. Que foi ele fazer para o executivo se o PS se comprometera perante o eleitorado com algo que tanto lhe repugnava? A política é, de facto, uma coisa incompreensível.

Apesar de desgostado com a situação política, Campos e Cunha aprecia a actuação do Presidente da República e admite que o bloco central, que lhe desagrada por princípio, pode vir a ser uma boa solução. Afinal, ele vê uma luzinha ao fim do túnel.



 

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