Por Hugo Sousa | Quarta-feira, 12 Agosto , 2009, 09:44

Apesar dos sinais positivos recentes a crise económica ainda persiste.  É, como se sabe, a maior crise económica e financeira depois da grande depressão dos anos trinta.  Quando se faz esta afirmação, convém talvez referir que houve, no período pós-guerra bastantes crises financeiras, com maior ou menor impacto: as cinco maiores tiveram lugar em Espanha (1977), Noruega (1987), Finlândia (1991), Suécia (1991) e Japão (1992).  Mas houve outras, em diversos países: no Reino Unido (1974, 1991 e 1995), EUA (1984), Nova Zelândia (1987), Islândia (1985), Itália (1990), Grécia (1991), Alemanha (1977), Austrália (1989), Dinamarca (1987), França (1994).  As cinco maiores crises financeiras acabaram por ter implicações económicas muito mais significativas do que as restantes, basta mencionar a crise Japonesa que teve como resultado a tal década perdida para a economia asiática.  Kenneth Rogoff, economista Norte Americano, antigo quadro do FMI, actual professor em Harvard e de direita, estimou os custos para a economia  (em percentagem do PIB) das crises financeiras mais fortes: Os custos orçamentais na Suécia foram cerca de 6% do PIB, na Noruega em 1987, de 8%. Em Espanha (1977), o custo está estimado em mais de 16% e para o Japão, as estimativas são muitas e variadas, o custo cifra-se em mais de 20%. 

 

A crise mundial que estamos a atravessar é em muitos aspectos superior a qualquer destas.  Portugal, uma pequena economia aberta, que representa cerca de 0.35% do PIB mundial, foi apanhado no meio deste turbilhão que infelizmente tem dimensões que ainda nem sequer se conseguiram estimar. Estamos no meio de uma crise com uma dimensão nunca vista. E no entanto, a oposição insiste em relativizar a importância da situação internacional.  O que propõe a oposição para tentar inverter este quadro:  Exploremos dois tipos diferentes de propostas, as políticas em termos de protagonistas e as económicas.  Politicamente a direita propõe um quadro no mínimo duvidoso: candidata a Primeiro Ministro, aquela senhora que foi provavelmente das piores Ministras das Finanças da nossa história, aquela mesma que para alguns comentadores da nossa praça conseguiu criar uma imagem de rigor: ainda gostaria eu que me explicassem como é que alguém que para corrigir o défice público a única coisa que se lembrou foi vender ao desbarato património do Estado, já para não falar de certas negociatas, e que no final do seu mandato deixa o valor do défice praticamente duas vezes superior ao que encontrou, ainda consegue que alguns digam dela que tem rigor.  Mas se politicamente o PSD propõe aquela que foi uma péssima Ministra das Finanças, resolve também candidatar a Deputados aqueles que foram os "antigos" delfins de Cavaco Silva como Couto dos Santos (alguém por favor pode escrever sobre o que este senhor fez na AIP e sobre o estado em que a deixou!!), candidata o sem dúvidas, pior primeiro Ministro da nossa história à CML.  isto para já não falar de outros como António Preto. Sobre estes protagonistas, estamos conversados. É um "remake" do que era o Portugal no passado.  Mas o que propõe o PSD para que a pequena economia aberta que representa 0.35% do PIB mundial ultrapasse por si só a crise mundial que tem a dimensão que tem?  A única proposta que até agora consegui deduzir é cortar no investimento público (e sim, ok, a tal proposta de investir nas PME's mas aqui ainda não percebi bem os moldes da proposta)- Curiosamente, até Rogoff, um dos economistas mais de direita que conheço e acérrimo defensor do mercado livre, defende nesta altura o valor e papel do investimento público na economia e crescimento. Supõe-se que o PSD apresentará outras propostas mas ao que se sabe, a sua líder acha que ainda não chegou o momento.  O que propõe o PP?  Surpreendentemente, o PP também inova imenso: candidata a primeiro Ministro aquele que já tinha candidatado anteriormente, aquele que foi Ministro com a Dra. Ferreira Leite.  É o regresso ao passado, também aqui. Sobre protagonistas estamos também conversados. E sobre economia, para ultrapassar a tal crise?  Apenas consegui até agora depreender uma proposta: dinheiro para a agricultura.  Sem contestar a bondade da proposta, pergunto-me qual seria o efeito multiplicador na economia.  Sobre o PP estamos conversados.  E o PCP?  Sobre protagonistas, não vale a pena argumentar porque são os mesmos de há pelo menos 20 anos.  E as propostas? Sei de duas: nacionalizar a banca (sem comentários) e aumentar o salário mínimo, deduz-se que por decreto, para 600 euros.  Aqui a inovação está em que o PCP diz abertamente que a CGTP é incompetente: a CGTP assinou um acordo com os restantes parceiros sociais precisamente sobre o aumento do SMN em que se fixava o dito em 500 euros em 2011.  A inovação está em que o PCP ao fazer esta proposta diz que o que foi negociado e acordado com a CGTP era insuficiente e que a CGTP não tinha razão em assinar o acordo tendo como limite temporal 2011. Politicamente é interessante, em termos de economia voltar a um período em que o salário mínimo não é negociado e acordado entre os parceiros sociais mas é fixado arbitrariamente por decreto de lei é um erro colossal e um desrespeito pelos trabalhadores e pelo papel dos parceiros sociais.  E o BE? sobre protagonistas, uma vez mais, os mesmos, acho que também estamos conversados. Sobre propostas, com a excepção da reabilitação urbana...existem? Mas lá está, propostas nunca foi o objectivo do BE. Estamos também conversados.  E assim continuamos, com uma crise económica mundial, sim, mas sobretudo com uma crise terrível na nossa oposição.

 


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