Por Ana Paula Fitas | Quarta-feira, 12 Agosto , 2009, 08:54

A forma aparentemente bizarra de negação da realidade  que caracteriza a atitude política de Manuela Ferreira Leite é tudo menos inocente... defender até à exaustão a integração nas listas de candidatos a deputados à Assembleia da República de arguidos como António Preto e Helena Lopes da Costa é excessivamente grotesco e insultuoso para o eleitorado, de nada valendo o seu infantil recurso à desculpabilização com o que diz ter também já sido feito por outros partidos... para além de evidenciar a mentira pública do lema da sua campanha de há 2 meses, intitulada "Política de Verdade" deixando claro que, afinal, o que esta expressão significa aos olhos estrábicos do seu entendimento é que em política, de facto, vale tudo... mesmo a manipulação destituída de escrúpulos, assente em todo o tipo de argumentos e com plena e assumida ausência de uma programação política que não pode, no contexto da actual campanha do PSD, aspirar a qualquer tipo de credibilidade.

 

A demagogia é tal que, a par desta total negligência relativamente a valores e princípios elementares, o PSD vai até anunciar, segundo noticiou ontem a comunicação social televisiva, o alargamento da nacionalidade portuguesa à 3ª geração de imigrantes por "mera vontade", segundo diz, sem esclarecer que trabalho burocrático e que condicionalismos processuais estão implicados nesta proposta! Não há, a partir deste momento, condições para que os portugueses possam projectar no PSD qualquer expectativa legítima de boa-fé sobre a alternância política que este partido representa para um qualquer projecto de revitalização do país... haverá por certo defensores desta forma de estar na política mas, serão, seguramente, pessoas que, de uma ou outra forma, presumem vir a "tirar partido" dessa atitude ou, simplesmente, pessoas que reduzam o seu pensamento político à velha raiva cega contra "a esquerda"... é pena! Portugal merece seriedade política e quem avoca autoridades "morais", atenta contra a dignidade institucional do país e a inteligência dos eleitores... depois dos casos BPN/Dias Loureiro, Alberto João Jardim e das listas eleitorais, com a insistência imoralmente demagógica a que assistimos na retórica da líder do PSD, reforça-se a percepção de Baptista Bastos sobre o risco imponderável de uma prática económico-política em que vale tudo, subjacente a esta forma de estar na política que nos cabe, por dever de cidadania e respeito pela democracia, evitar.  

Ana Paula Fitas a 12 de Agosto de 2009 às 22:21
Caro Carlos Ferreira Dias,

Cabe-me antes de mais esclarecer que "suspeitos" não são arguidos e salientar que a diferença entre estes estatutos é verdadeiramente abissal... além, a propósito do exemplo que aqui apresenta, vale a pena lembrar que "uma mão não lava a outra" - menos ainda quando os termos da comparação são, pura e simplesmente, incomparáveis. De qualquer modo, obrigado pelo seu comentário.

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