Por Miguel Vale de Almeida | Quarta-feira, 22 Julho , 2009, 18:58

As crónicas de Rui Tavares são do melhor que a imprensa portuguesa oferece. Ele é mesmo uma das poucas vozes originais e inovadoras - além de escrever com uma clareza que não é comum. A crónica de hoje no Público, todavia, é quase críptica. Estranhei. Não é costume no Rui. Sendo um texto sobre a dinâmica psicológica dos debates políticos, sobre como a partir de um certo momento se exageram as posições antagónicas, numa guerra de posição em detrimento da discussão dos conteúdos, o subtexto é na realidade sobre como PS e PSD se parecem entre si; sobre como as distinções entre ambos serão meramente cosméticas e retoricamente exageradas durante a campanha eleitoral. Esta postura - a ideia da semelhança entre PS e PSD, em parte certeira mas em parte já ideia feita - deveria começar a ser pelo menos questionada. Ela dura há praticamente 30 anos, desde que, por alturas do 25 de Novembro, se deu a cisão entre o PS e o resto da esquerda. Se há críticas justas - e há - em relação ao PS, ao seu papel, ao centrão, etc., há também qualquer coisa de antigo na persistência acrítica desta visão do mundo político, desta classificação que estabelece a linha de ruptura entre o PS e os partidos à sua esquerda em vez de a estabelecer entre o PS e a direita. Não será já altura de questionarmos isto? Melhor: de fazermos algo? De se estabelecerems pontes e diálogos entre o PS (há muitos PS, e não só as facções e correntes organizadas, muitas pessoas diferentes) e as muitas e diversas pessoas que se situam politicamente entre o PS e os partidos à sua esquerda - partidos onde também há pessoas e correntes e sensibilidades muito diferentes, parte delas alheias já a essa velha história que medeia entre o 25 de Abril e o 25 de Novembro? Pessoas que criam, pensam, agem, intervêm, opinam, aderem a associações e movimentos sociais, ora simpatizam com certas propostas do Bloco, ora com algumas do PS, mas sempre sentem a frustração de que há uma clivagem velha entre ambos os campos - uma clivagem que não é só de políticas, é também de… “cultura”? Pela parte que me toca gostava de tentar ajudar a fazer isso. Mas sempre pensei que o Rui seria também uma excelente pessoa para o fazer - sobretudo agora que, com a crise, muita coisa há-de mudar nas práticas políticas das esquerdas. (em estereo)

 

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