Por Tiago Julião Neves | Sexta-feira, 25 Setembro , 2009, 05:31

 

Hoje é dia 25 de Setembro e é também o Earth Overshoot Day de 2009.

 

É o dia a partir do qual usámos todos os serviços ecológicos disponíveis num ano.

 

É o dia em que começamos a pedir emprestado capital natural às gerações futuras.

 

É o dia do ano em que a humanidade começa a viver acima das suas possibilidades.

 

Em 2009 bastaram 9 meses para gastarmos os recursos que o Planeta produz em 12 meses. A partir de hoje e até 31 de Dezembro estaremos todos a viver a crédito.

 

 

Karen Christensen é capaz de ter razão quando diz que "temos vivido no planeta Terra como se estivéssemos a fazer uma paragem de um dia num hotel barato".

 

Em Portugal há quem pense que o TGV é fundamental, há quem aposte nas energias renováveis e há quem acredite que a mobilidade eléctrica é o futuro. Também há quem discorde disto tudo e diga que é um devaneio de ricos.

 

Eu concordo que já perdemos demasiado tempo!

 

Eu voto PS!

 


Por Tiago Julião Neves | Sexta-feira, 25 Setembro , 2009, 04:38

Portugal é no contexto da EU27 o primeiro País a avançar com um Programa para a Mobilidade Eléctrica de âmbito nacional, mérito de um Governo que soube antecipar a importância estratégica da integração das políticas de ambiente, energia e transportes.

 

Importa que esta consciência se articule também com as políticas de ordenamento do território e de urbanismo de forma a materializar padrões sustentáveis de ocupação e uso do solo, evitando a dispersão de actividades no território.

 

O Programa para a Mobilidade Eléctrica, o Plano Tecnológico para a Energia, o Plano Nacional de Acção para a Eficiência Energética e a Estratégia Nacional para a Energia ilustram uma estratégia de investimento integrado e estruturante, onde a mobilidade eléctrica a par das energias renováveis constituirá pilar robusto do desenvolvimento económico do País no longo prazo.

 

Resolução do Conselho de Ministros nº 20/2009 de 20 de Fevereiro

Aprova o Programa para a Mobilidade Eléctrica em Portugal;

 

Despacho nº 13897/2009 de 8 de Junho de 2009

Constitui o Gabinete para a Mobilidade Eléctrica em Portugal (GAMEP)

 


Por Tiago Julião Neves | Sexta-feira, 25 Setembro , 2009, 02:43

 

Portugal é no contexto da EU27 o primeiro País a avançar com um Programa para a Mobilidade Eléctrica de âmbito nacional, mérito de um Governo que soube antecipar a importância estratégica da integração das políticas de ambiente, energia e transportes.

 

As sinergias com as energias renováveis permitirão carregar as baterias do veículo eléctrico com a energia eólica produzida à noite e vender à rede o excesso durante o dia. Mais concorrência, rede mais eficiente e mobilidade com menores custos sociais e ambientais.

 

Em 2011 com 1.350 pontos de carregamento compatíveis com todos os veículos eléctricos e vários incentivos à sua aquisição, Portugal reforça a liderança na área das novas tecnologias, aspecto estruturante do modelo de desenvolvimento económico e social defendido pelo PS.

 

O projecto mobi-e incentiva a actividade económica de elevado valor acrescentado, promove a inovação e a integração tecnológica, cria emprego qualificado e abre caminho às novas formas de mobilidade sustentável.

 

Publicado hoje no Diário Económico

 


Por Tiago Julião Neves | Terça-feira, 22 Setembro , 2009, 00:02

Aparentemente alguém andou a distorcer factos, a criar atritos e a gerir suspeições

em benefício de determinado partido político à beira das eleições.

 

Alguém andou a brincar com o tempo e com os portugueses...

 

...mas o tempo é lixado!

Tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac...

 

Quando a Presidência acertar o fuso horário gostávamos de ouvir as explicações.

 


Por Tiago Julião Neves | Sábado, 19 Setembro , 2009, 19:36

É fundamental reconhecer a relação entre os limites do crescimento económico e a capacidade de regeneração do planeta, resistindo à quimera da sacralização da tecnologia. Este momento é decisivo e existe um sério risco de destabilizarmos definitivamente o conjunto de equilíbrios complexos que regem a vida na terra.

 

Necessitamos de uma gestão sensível e cautelosa que evite ilusões sobre:

-        A capacidade de carga do planeta;

-        A devastação causada pelo Homem;

-        O potencial regenerador da tecnologia;

-        O custo de adiar o combate às alterações climáticas.

O Relatório Stern e o IPPC fornecem ampla informação sobre estes aspectos, abordados também na revisão dos 30 anos do icónico "Limits to Growth".

 

 


Por Tiago Julião Neves | Sábado, 19 Setembro , 2009, 00:37

“Current trends in energy supply and consumption are patently unsustainable – environmentally, economically and socially – they can and must be altered”.

 

A frase não é de um ecologista radical, mas do director executivo da Agência Internacional de Energia no lançamento do World Energy Outlook 2008. Nobuo Tanaka e a publicação de referência da AIE anunciam o que muitos sabem, mas poucos parecem aceitar, que o tempo do desperdício energético está a chegar ao fim.

 

O crescimento económico e demográfico das economias emergentes, da Índia ao Brasil, agravou a pressão sobre recursos cada vez mais escassos e fez disparar a procura mundial de energia. A oferta responde e na China o crescimento anual da produção de electricidade apenas, equivale a inaugurar duas centrais por semana.


 



Por Tiago Julião Neves | Domingo, 13 Setembro , 2009, 05:53

Ela teve uma vida de estudo, uma vida académica, uma vida profissional, muitas conferências, muitas coisas escritas, experiência governativa... e agora voltou para nos livrar dele! 

 

 

Defensora da liberdade e da transparência (quando não aceita que lhe questionem uma certa seriedade política ou quando pede para se silenciarem incertas manifestações de camaradas espanhóis), baluarte da rectidão moral (quando reabilita Santana, incensa Jardim ou convida António Preto) esta personagem está muito além da plasticidade das palavras, do nevoeiro da dúvida e da escorregadia realidade factual.

 

Aquilo que diz e faz não importa. O que importa é aquilo que acha que disse e fez. Se há provas cabais que a desmentem, isso também não importa. Em MFL a essência não importa, ela é suprema e inatingível. O que importa é a substância cósmica, é a intuição sensível e o enlevo de sensações. MFL flui numa nuvem de sublimação ética e infinita elasticidade que lhe permitem reinventar continuamente a realidade.

 

Se MFL se exalta com a exposição pública das suas incongruências, lida mal com a insistência de jornalistas e adversários políticos, isso também não importa. MFL quer um cheque em branco devemos dar-lhe claro um destes... 

 

A proliferação de declarações contraditórias num tão curto espaço de tempo relativamente a temas tão diversos e importantes como a privatização da saúde e da educação, a importância da alta velocidade, ou as auto-estradas SCUT também não interessam. Só os medíocres é que analisam factos, os grandes políticos odeiam os espanhóis e desconfiam dos órfãos.

 

Ver aqui o debate entre José Sócrates e Manuela Ferreira Leite.


Por Tiago Julião Neves | Sexta-feira, 11 Setembro , 2009, 03:07

 

Este excelente post do Carlos Santos desmonta cabalmente a estratégia de suicídio económico que o PSD propõe para Portugal. A obsessão de MFL com o défice, com a aniquilação do Estado e com a castração do investimento público quando se regista uma brutal contracção da procura privada, equivale a insistir jogar roleta russa com o tambor cheio.

 

É simples, básico e elementar, mas MFL não sabe ou não quer saber. Deve ter uma intuição. A minha diz que alguém lhe devia oferecer uns fascículos de economia da Planeta Agostini. Enquanto os fascículos não chegam, o Paul Krugman deixou uma dica na sua coluna de opinião no New York Times. O artigo chama-se "Is Obama relying too much on tax cuts?" e foi certamente encomendado pelo Sócrates pois assenta que nem uma luva a MFL. Aqui fica um excerto:

 

"Let’s lay out the basics here. Other things equal, public investment is a much better way to provide economic stimulus than tax cuts, for two reasons. First, if the government spends money, that money is spent, helping support demand, whereas tax cuts may be largely saved. So public investment offers more bang for the buck. Second, public investment leaves something of value behind when the stimulus is over."

 

O Carlos conclui afirmando que o programa económico do PSD "pavimenta o caminho para um colapso social. E alimenta os votos do extremismo de esquerdas radicais que são sempre mais fortes quando o neoliberalismo toma o poder e rasga o tecido social". Dá que pensar não dá? Sobretudo porque é verdade. Quer castigar o PS? É fácil, vote na direita reaccionária e recebe de brinde a esquerda radical.


Por Tiago Julião Neves | Quarta-feira, 09 Setembro , 2009, 18:19

A sacralização da tecnologia conjugada com a ignorância cultural das elites e das classes dirigentes é uma receita desastrosa. A humanização da sociedade requer um bailado de disciplinas em pé de igualdade, das ciências à história e da filosofia à cultura.

 

A aposta na cultura e nas ciências sociais é tão essencial como o (excelente) investimento feito na área da ciência e da tecnologia pelo actual Governo. Ambas devem informar as políticas públicas e em conjunto contribuem para sociedades mais justas e equilibradas.

 

O PS já reconheceu que poderia ter feito mais pela cultura e assumiu que esta será uma preocupação central nos próximos quatro anos.

 “A cultura constituirá, na legislatura de 2009/2013, uma prioridade do Governo do PS, no quadro das políticas de desenvolvimento, qualificação e afirmação do País.

São três os nossos compromissos centrais:

• Reforçar o orçamento da cultura durante a legislatura, de modo a criar as condições financeiras para o pleno desenvolvimento das políticas públicas para o sector;

• Assegurar a transversalidade das políticas culturais, garantindo a coordenação dos ministérios e departamentos envolvidos em políticas sectoriais relevantes para a cultura;

• Valorizar o contributo decisivo da criação contemporânea para o desenvolvimento do País, fomentando a constituição de redes ou parcerias, e promovendo o aumento e diversidade das práticas culturais, através de políticas transparentes de apoio aos criadores, à formação de públicos e a uma maior interacção entre cultura, ciência e educação.”

Programa do Partido Socialista, pág. 55

 

A especialização exagerada em fases formativas é errada porque nos desumaniza. Permitir que relações humanas onde a confiança e a empatia são fundamentais (como na relação médico-doente) se reduzam a relações tecnológicas é grave. Combater a hiper-especialização precoce é prevenir o risco de viver numa sociedade de técnicos competentíssimos, mas adultos disfuncionais, seres unidimensionais política e socialmente inaptos.

 

Precisamos de indicadores quantitativos como o número de consultas, mas também de indicadores qualitativos que acomodem aspectos complexos em time-frames  mais longos. A saúde física e mental que se reflecte no bem-estar das pessoas parece-me um excelente exemplo dessa necessidade. À semelhança de outros países europeus, deveríamos incorporar a Psicologia no SNS porque vivemos num mundo cada vez mais acelerado que dificulta a interiorização das vivências diárias e onde os complexos sobre a importância da saúde mental não devem ter lugar.

 

Também algumas terapias holísticas e alternativas (medicina chinesa, reiki, acupunctura, ayurvédica, homeopatia, etc.)  deveriam eventualmente ser integradas no SNS, porque a medicina ocidental tradicional é insuficiente na resposta a muitas das doenças modernas. Não falo de susbstituição mas de complementaridade em tratamentos específicos e da importância de sacudir o monopólio da medicina tradicional, obrigando-a a competir e a actualizar-se permanentemente.

 

Ciência, prática ou cultura: fundamental é ter humildade e fomentar a diversidade do conhecimento, avaliando os processos e os resultados.


Por Tiago Julião Neves | Quarta-feira, 09 Setembro , 2009, 05:39

 

Nas últimas décadas assistimos a uma crescente sacralização da ciência nas sociedades ocidentais. O espaço deixado vago pela desilusão de gerações urbanas e cosmopolitas com as religiões tradicionais foi progressivamente infiltrado pelos extraordinários progressos científicos alcançados pela humanidade.

 

A permuta da fé tradicional por outra de matriz tecnológica em que sobressai a facilidade de dominar a natureza inicia-se ao ritmo de missões lunares, de computadores 48k e de operações de coração aberto. As religiões dominantes perdem o monopólio do sagrado e a ciência inicia uma marcha triunfal. O Homem descobre que não precisa de Deus para descodificar o genoma nem da sua bênção para navegar no ciberespaço.

 

Aplaudo a aparente libertação, mas trocar Deus pelo iPod pode ter graves consequências se à ciência se atribuir lugar divino. Assumir que o futuro colectivo depende mais de desígnios externos (cientistas iluminados) do que do somatório das nossas acções individuais, infantiliza e desresponsabiliza a espécie humana.

 

 

 

Nas alterações climáticas por exemplo, não há volta a dar, a tecnologia só não chega e Deus pode chegar atrasado. Neste caso pregar a salvação pela ciência é extremamente perverso porque escamoteia a real necessidade de alterar hábitos individuais insustentáveis, no muito curto prazo. É fundamental não nos iludirmos com devotos do culto tecnológico como Lomborg, e assumirmos de forma consciente e solidária o ónus político de medidas tão impopulares quanto urgentes, porque o custo de não agir já será várias vezes superior no futuro, conforme atestam o Relatório Stern e o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas.

 

É claramente mais agradável acreditar no milagre dos biocombustíveis do que andar mais a pé e de transportes públicos. Sacrificar bem-estar imediato em nome de medidas duras cujos efeitos só serão visíveis num futuro distante acarreta custos políticos óbvios para o governo que as adoptar, mas é também uma marca de responsabilidade governativa.

 

O Governo PS (que não é perfeito) tem dado passos consistentes no sentido de alterar a matriz científico-tecnológica da nossa sociedade através da aposta em bolsas de investigação e desenvolvimento, mas também em áreas chave como as energias renováveis e a mobilidade eléctrica. É apenas o início de um caminho longo e incerto, que não dispensará afinações de rumo e alterações aos comportamentos individuais. Mas o fundamental é que o rumo central está traçado a caminho da sustentabilidade e representa uma forma de ver o Mundo onde se reconhece a existência de limites, que acredito é a mais correcta ética, política, social, ambiental e economicamente.

 

A ciência e a tecnologia são elementos fundamentais de um futuro sustentável em conjunto com muitas outras disciplinas do saber. As tecnologias actuais não merecem um papel sagrado, até porque seria uma deselegância para com a "enxada", tecnologia de ponta do neolítico, mãe da agricultura e das trocas comerciais que nos permitiram acumular riqueza para um dia termos direito à Cérelac e ao MIT.

 

 

Nota: Para evitar aproveitamentos informo que apoio o excelente e pioneiro investimento realizado pelo Governo PS em matéria de ciência e tecnologia ao longo dos últimos 4 anos, o que não considero de todo incompatível com a crítica ao papel quase divino da ciência na sociedade contemporânea ocidental.


Por Tiago Julião Neves | Quarta-feira, 09 Setembro , 2009, 05:33

Depois de ler os comentários na imprensa e na blogosfera sobre o debate de ontem, veio-me à memória esta imagem batida...


Por Tiago Julião Neves | Terça-feira, 08 Setembro , 2009, 01:42

"Fuck them! Fuck them! fuck them!" grita entusiasmado o Sr. Alberto João.

Mas nem sempre foi assim...

 

Antes do PS chegar ao poder, este afável sexagenário era um homem triste. Apesar de viver numa bela ilha cheia de sol, o Sr. Alberto João sofria em silêncio por não saber falar inglês.

 

Agora, graças ao Novas Oportunidades e a muita dedicação o Sr. Alberto João voltou a ser feliz! Ainda são só duas palavrinhas, mas com mais um esforço chegará às três, quatro e um dia quem sabe... talvez Shakespeare.


Por Tiago Julião Neves | Segunda-feira, 07 Setembro , 2009, 18:37

De acordo com MFL não há "asfixia democrática" na Madeira porque "quem legitima o poder é o voto do povo e não está ninguém aqui por imposição, é em resultado dos votos", acrescentando que "há asfixia democrática no continente" onde "todos os jornalistas, todos os empresários, muitas das pessoas da sociedade civil, percebem que estão sob algum tipo de chantagem".

 

Notícia publicada no Público de hoje, jornal que se suspeita ter sido adquirido overnight por sociedades secretas ligadas ao PS via uma offshore de bivalves nas Bahamas.


Por Tiago Julião Neves | Sexta-feira, 04 Setembro , 2009, 16:18

As últimas semanas mostraram ao país um novo e arrojado PSD, um partido que corajosamente rejeita o logro da discussão de ideias e envereda destemido pela fascinante selva da intriga e da suspeição. A novela MMG é apenas a mais recente aquisição.

 

Esta delta force da guerrilha ideológica sabe que os factos não interessam e que as ideias são a arma dos fracos. Um ataque pessoal bem medido ao estilo Palin-McCain e é sucesso pela certa.

 

Ergueram um véu de ignorância (que de original não tem nada) e esperam que este os abrigue da lama que projectam e disfarce a mediocridade dos líderes que os conduzem.

 

Sugiro que deixemos o PSD moralista e cínico a brincar sozinho e nos concentremos na discussão de propostas para a sociedade, economia, ambiente e cultura nos próximos 4 anos. Se tivermos intervenientes dignos que apoiam outros partidos óptimo! Senão ao menos teremos cumprido o nosso dever.


Por Tiago Julião Neves | Quinta-feira, 03 Setembro , 2009, 17:11

A bicicleta é a nova rotunda!

Está quase tudo por fazer na área da mobilidade urbana sustentável em Portugal e o automóvel continua a usurpar a legítima posição das pessoas no topo da hierarquia das políticas de desenvolvimento urbano.

 

Algo está mal quando a grande ideia do candidato do maior partido da oposição à principal Câmara do pais é brincar novamente às toupeiras para facilitar a entrada de mais carros na cidade. Claro que o túnel do Marques é óptimo a curto prazo mas tem um custo de oportunidade enorme, representa  um erro conceptual grave e em breve estará esgotado.

 

As nossas urbes são poluídas, congestionadas e stressantes devido à depressiva conjugação da ausência de políticas integradas de transporte e urbanismo, níveis de serviço sofríveis, sociedade civil resignada e vontade política servil em relação ao automóvel.

 

A cidade portuguesa flui ao ritmo do buzinão, com parques onde não se pode pisar a relva e onde os carros adormecem no passeio. Mas isso não é uma inevitabilidade como comprovam Zurique, Bergen ou Copenhaga, urbes agradáveis e cosmopolitas desenvolvidas a pensar nas pessoas.

 

É fundamental alterar o paradigma de mobilidade das cidades portuguesa porque o modelo actual está esgotado como se depreende dos elevados níveis de poluição atmosférica, visual e sonora, e da desgovernada ocupação espacial. As deslocações urbanas submetem os nossos cidadãos a uma violência quotidiana desnecessária que se reflecte na fadiga e no stress das pessoas que habitam nas grandes cidades e sobretudo na sua periferia.

 


Por Tiago Julião Neves | Terça-feira, 25 Agosto , 2009, 04:18

Na excelente série Flight of the Conchords, o incompetente Murray, manager em part-time da banda de Bret e Jemaine, tem no seu gabinete um poster do turismo da Nova Zelândia que bem poderia ser o lema do PSD para as próximas eleições.

 

 

Ao contrário deste magnífico país que apresenta razões de sobra para o visitar, votar no PSD actual é uma odisseia bem mais complicada para o eleitor consciente que admira um debate de ideias inteligente e provocador.

 

Existe na esquerda e na direita esclarecidas uma extrema desilusão com a derrocada intelectual em curso no PSD, partido que já deu no passado contributos bem mais valiosos do que aqueles que dele hoje se podem esperar. A fuga interesseira de Durão precipitou a queda no abismo que Santana e Menezes escavaram, e as ténues esperanças depositadas em Ferreira Leite foram defraudadas com episódios graves como a reabilitação de Santana, o silêncio sobre Alberto João e a inclusão de António Preto e Helena Lopes da Costa nas listas do PSD.

 

A permanente estratégia de crítica destrutiva, os silêncios misteriosos e a miséria franciscana das ideias apresentadas são motivos para ter muito medo e pouco respeito por este PSD.

Na sua mais recente entrevista MFL teve o descaramento de falar em asfixia democrática em Portugal, escamoteando o facto do seu principal foco ser precisamente na Madeira, desgovernada por um político boçal, populista, homofóbico e prepotente que desrespeita sistematicamente as mais altas instituições da República. Tolerar Alberto João no PSD é o mais nefasto exemplo da submissão do interesse nacional ao interesse partidário oportunista.

 

A ideia de que o programa de governo do PSD cabe numa folha A4 (ao melhor estilo nouvelle cuisine política) é também ofensiva porque denota falta de empenho, falta de ideias, e de certeza pouco respeito pelos eleitores. Um programa não são promessas, são objectivos que servem de roadmap ao partido que tiver o privilégio de formar governo. Se a visão estratégica do PSD para a próxima legislatura cabe numa folha A4, alguém não fez o trabalho de casa.

 

A tardia apresentação do programa mistério além de dificultar a realização de um debate aprofundado sobre as ideias que o PSD defende para Portugal na próxima legislatura, revela sobretudo desconsideração pelos seus apoiantes e pelos eleitores em geral.


Em suma, penso que alguém devia explicar a MFL as diferenças entre um programa político e a constituição da equipa de futebol do próximo domingo, essa sim cabe numa folha A4 e deve ser guardada em segredo até à última.


Por Tiago Julião Neves | Sábado, 22 Agosto , 2009, 16:41

Aparentemente o meu post anterior suscitou a alguns a ideia de que a aposta nas energias renováveis nos isenta de investir na redução dos consumos supérfluos ou na aposta em larga escala na eficiência energética. Nada mais errado! Estes são aspectos absolutamente prioritários que devem ser incentivados em conjunto com as energias renováveis e a alteração de comportamentos se quisermos ter o vislumbre de um futuro sustentável.

 

Se as apostas específicas deste governo na área das renováveis foram as melhores ou se os níveis de subsidiação foram os mais adequados são questões demasiado complexas para debater num único post. Certamente houve opções menos felizes, mas parece-me fundamental que o governo PS tenha efectuado uma escolha em prol das energias renováveis, face a cenários alternativos como o nuclear ou a proliferação de centrais dependentes de combustíveis fósseis. Convém também compreender se as críticas mais acérrimas têm por base os méritos ou deméritos das opções técnicas aprovadas, ou os interesses que favorecem ou contrariam.

 

A aprovação de legislação exigente sobre eficiência energética para os edifícios novos é um passo fundamental para reduzir o desperdício, mas é igualmente crucial apresentar uma estratégia ambiciosa para a reconversão do parque habitacional existente. O apoio a soluções do tipo fotovoltaico e solar-térmico ao nível residencial podem ter aqui um papel muito importante, que é reforçado pelo facto de uma central solar fotovoltaica não ter ganhos de eficiência significativos face à mesma capacidade instalada em residências. Significa isto que os projectos das centrais fotovoltaicas de Serpa e da Amareleja (as maiores do mundo) são aventuras megalómanas? Penso que não, porque a importância destas centrais extravasa em muito a relevância da energia efectivamente aí produzida: são projectos de marketing nacional que colocam Portugal no mapa das energias renováveis e na linha da frente de um sector que movimenta biliões de euros e cresce a um ritmo exponencial. 

 


Por Tiago Julião Neves | Sexta-feira, 14 Agosto , 2009, 17:21

A decisiva aposta do actual governo nas energias renováveis revela uma visão estratégica e um sentido de oportunidade que podem conduzir à alteração do paradigma energético português nas próximas décadas. Esta decisão abre caminho a um vasto conjunto de oportunidades a nível económico, social e ambiental cujo bom ou mau aproveitamento terá consequências profundas e duradouras na sociedade portuguesa.

 

O investimento em energias renováveis permite aumentar a segurança de abastecimento, reduzir a importação de energia do estrangeiro, aliviar o défice da balança de pagamentos, e reduzir a exposição à volatilidade de preços dos recursos não renováveis.

 

A diversificação inerente à promoção das energias renováveis cria condições para o desenvolvimento de um cluster tecnológico de futuro, capaz de gerar emprego qualificado e com elevado potencial exportador. Enquanto a descentralização da produção que está associada às energias verdes possibilita que a criação de emprego e a geração de riqueza sejam repartidas de forma mais homogénea pelo território nacional.

 

O apoio às energias renováveis deverá ser gerido criteriosamente, de forma a evitar a criação de rendas desnecessárias em tecnologias verdes já competitivas, que venham a onerar excessivamente o contribuinte ou o consumidor. Incentivando também a inovação, pesquisa e desenvolvimento em áreas emergentes como a biomassa ou a energia geotérmica.

 

Apesar do entusiasmo com as energias renováveis é fundamental agir com a mesma determinação no combate ao desperdício, na promoção da eficiência energética e na gestão da procura. É crucial agir ao nível da alteração de comportamentos dos consumidores, o que só é possível se se compreender bem a dinâmica da procura, agindo sobre ela em vez de a tomar sistematicamente como um dado rígido ao qual a oferta continuamente se ajusta.

 

Vencer o desafio energético aproveitando integralmente o potencial das energias renováveis exige uma estreita articulação das políticas de energia, urbanismo e transportes. A adopção de soluções de mobilidade suave, híbrida e eléctrica terá porventura ainda maior impacto ao nível energético que as energias renováveis.

 

Não basta inovar tecnologicamente, é essencial mudar hábitos e comportamentos insustentáveis enraizados há décadas na sociedade portuguesa. A promoção de tecnologias, equipamentos, edifícios e meios de transporte mais eficientes, e a adopção de hábitos mais sustentáveis são passos fundamentais rumo à indispensável redução da intensidade energética da nossa economia, garante de competitividade internacional e de crescimento sustentável.

 

Artigo Publicado no Diário Económico.


Por Tiago Julião Neves | Segunda-feira, 27 Julho , 2009, 20:07

É de saudar a disponibilidade de José Sócrates para dialogar com duas dezenas de bloggers das mais variadas tendências políticas. Seria interessante contar com Manuela Ferreira Leite numa iniciativa semelhante para termos oportunidade de discutir as propostas do PSD.

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Por Tiago Julião Neves | Sexta-feira, 24 Julho , 2009, 15:18

 

Atravessamos uma crise mundial sem precedentes e Portugal é um país pequeno e periférico na cauda da Europa. Somos também um país com um tremendo potencial, que pode inovar e crescer em áreas chave se soubermos aproveitar as oportunidades de renovação que acompanham esta crise.

 

Podemos escolher um líder à medida do país que temos ou um líder à medida do pais que queremos. A escolha é entre continuar agarrado à imperial a insultar o árbitro ou saltar para o campo para ajudar a equipa.

 

Da bancada as coisas parecem sempre fáceis e eu não quero um Portugal de bancada. Quero uma equipa com uma visão pragmática, moderna e reformadora da sociedade. Quero uma liderança sem medo de fazer escolhas arrojadas e correr riscos, capaz de apostar em projectos estruturantes e com coragem para reformar paradigmas obsoletos.

 

Esta equipa irá certamente errar em várias ocasiões, mas só não erra quem não faz escolhas e Portugal precisa absolutamente de fazer opções e também precisa de aprender a gerir os fracassos pontuais, que são matéria-prima das vitórias futuras.

 

A estratégia de imobilidade do PSD, não respirar a ver se o Tyrannosaurus passa ao lado, não colhe apoio por estas bandas, porque acredito que Portugal não se pode dar ao luxo de não agir. As escolhas serão por vezes fracturantes, mas as repercussões sociais, ambientais e económicas da inacção defendida pelo PSD são com certeza muito piores e eu prefiro continuar a respirar a confiar na distracção do réptil.

 


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