Por Rogério Costa Pereira | Quinta-feira, 24 Setembro , 2009, 16:53

Não vou recorrer aos lugares-comuns em que sempre aparentam converter-se os discursos genéricos sobre opções de  voto, limitando-me a remeter para o manifesto e para todos os meus posts. Lamentavelmente, não tive tempo para me debruçar como pretendia sobre os temas que mais me tocam, designadamente a Justiça.

 

Dito isto, aqui termino a minha participação no SIMplex, acrescentando que foi um prazer integrar este projecto e e-privar com todos aqueles que o compuseram.

 

Retorno à  jugular - que terá agora o azar de voltar a contar comigo a tempo inteiro -, e será nessa veia maldita que, de futuro, apreciarei o que me apetecer apreciar - incluindo os resultados das legislativas do próximo Domingo.

 

PS - Obviamente, não se explicou!

 

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Por Rogério Costa Pereira | Segunda-feira, 21 Setembro , 2009, 23:36

Embora esteja demasiado aborrecido para escrever um post sobre o assunto do dia e apesar de todas as razões que me ocorrem para a escolha do timing da decisão me deixarem ainda mais zangado, não posso deixar de dizer umas palavras, em forma de exigência.

 

O que eu exijo - de exigir - é que Cavaco se explique, que diga de uma vez (já o devia ter feito) se sabia ou não sabia. E se não sabia qual a desculpa para não saber. Não pode é insinuar à sexta (com aquela da falta de ingenuidade - dele e da jornalista) o que insinuou e despedir à segunda. O que é que aconteceu nestes três dias? Que Cavaco, no seu interesse (coisa que não me interessa), não podia tomar esta atitude depois das eleições é óbvio - seria crucificado -, e até admito que não tivesse elementos para a tomar em Agosto. Eu quero apenas conhecer a razão de Cavaco ter despedido hoje o assessor de 25 anos. Só isso. E, como já perdeu o argumento de não querer imiscuir-se na campanha, terá que o fazer amanhã. É que um Presidente - e este em que votei - não serve para fazer o controlo dos danos do seu umbigo, mas dos do país.

 

Aguardo.


Por Rogério Costa Pereira | Sábado, 19 Setembro , 2009, 02:31

Demasiado ocupado com o meu tacho – os prazos judiciais recomeçaram a contar –, não tenho tido tempo para escrever por aqui. Mas as notícias do dia – deste dia – ressuscitam qualquer um, maltratando todas as desculpas de bom trabalhador.

Como fiz questão de "avisar", votei em Aníbal Cavaco Silva nas últimas presidenciais – assim como, desde que tenho tempo (na acepção do de vida) para ir às urnas, votei sempre em Aníbal Cavaco Silva. Hoje, 18 de Setembro de 2009, sinto um sabor a podre. Como se as “minhas” “vividas” (assim mesmo, com quatros aspas) urnas de voto se tivessem transformado nas do tipo que albergam corpos e levam terra e água benta em cima. Ad aeternum.

Começo pelas questões de deontologia jornalística – e é triste quando a propósito de um Presidente da República se começa por aqui. Será legítimo a um jornal revelar a fonte de outro jornal? Será que a fonte de um jornal obriga outro jornal – no sentido de este não poder fazer notícia da sua revelação?

Ouvi hoje, entre a sala e a cozinha, José Manuel Fernandes dizer a Ana Lourenço, na SICN, qualquer coisa como “em tempo de eleições somos mais cuidadosos”. Nem me vou dar ao trabalho de me armar em Pacheco Pereira e recolher uma boa centena de exemplos que seriam prova cabal do tal “cuidado” – coisa que até pode ter uma leitura curiosa, que me dispenso de escalpelizar. José Manuel Fernandes, em tempo de eleições, mantém-se igual a ele próprio, como quem tem uma missão. "Cuidadoso". O tal “cuidado” que levou o Público a manter em carteira uma cacha durante ano e meio (“cuidado”, que ainda não é a altura), o tal “cuidado” que levou – lembro-me avulso – o Público a destacar, esta semana, na edição online, as “surpreendentes” declarações do líder da JSD, em detrimento da “bomba” do dia (os votos a 25 euros). O mesmo “cuidado” que leva José Manuel Fernandes a twittar como quem cavalga sem freios – anunciando o que vem por aí, como se se abeirasse o apocalipse (mas são notícias de virar de esquina) –, como se o futuro (dele? do mundo? stricto sunsu?) dependesse disso. Exactamente o mesmo “cuidado” que levou José Manuel Fernandes a anunciar, aquando da intervenção do Provedor do jornal (Público) na semana passada, que a verdade – uma espécie à la – havia de vir ao de cima. E veio, mas via Diário de Notícias.

Soube-se hoje que José Manuel Fernandes, com tanto “cuidado”, vai sair do Público depois das autárquicas. A notícia está mal dada. O Público é que vai sair de José Manuel Fernandes, que este já acumulou penas suficientes (amores, amores e odios), daquelas que entroncam as asas, para ir longe. Quiçá além fronteiras.

Voltando à questão das fontes. Como é óbvio, as fontes são pessoais e intransmissíveis e só obrigam a quem delas se serve. A revelação da fonte de um jornal por outro jornal não só é admissível, como pode ser recomendável – ainda para mais quando as fontes são como que uma espécie de trombetas do diabo (na acepção queirosiana - lembram-se do Palma Cavalão? Do nosso vizinho Dâmaso?). Desmascará-las é dever de ofício jornalístico. E este caso das “escutas” é o melhor exemplo. Marcelino está de parabéns – é preciso ter tomates.

Ouvir hoje José Manuel Fernandes – jornalista feito notícia – agoniou-me. O homem parecia que tinha acabado de cair num planeta sujo, com o dever de o limpar – e sozinho. Quem o ouvisse, sem o conhecer, quase que acreditaria na dor que lhe invadia a alma. A deontologia, ai a deontologia (aquela de que nos “alembramos” nas horas más).

E Aníbal Cavaco Silva? Nada a apontar. Votei, enganei-me, retracto-me. O problema foi meu. É meu! À minha consciência acrescentou-me uns quilos – o Presidente. Ao dizer que não se intromete, fá-lo. Pelo simples facto de o dizer. Mas, como que de aviso, atira que depois das eleições falamos. E a minha consciência entra em obesidade mórbida. Falaremos sim. Eu e uns milhões – que a explicação que a excelência ora não deu fica em débito.

(também na Jugular)


Por Rogério Costa Pereira | Terça-feira, 15 Setembro , 2009, 11:40

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Por Rogério Costa Pereira | Domingo, 13 Setembro , 2009, 00:01

Segundo Ferreira Leite, Alberto João Jardim (ao encabeçar a lista de deputados pela Madeira) não se está a candidatar a dois lugares ao mesmo tempo, uma vez que o lugar de presidente do governo regional da Madeira não é um lugar electivo, ergo, Jardim, apesar de já ter declarado ficar na Madeira, não é um falso candidato. Se assim fosse, de acordo com a senhora da política da verdade, "também um de nós [JS e MFL] é falso candidato porque um de nós será PM". Ou seja, de acordo com MFL, Jardim é tão obviamente falso (candidato), que é verdadeiro - pois se toda a gente sabe que ele sempre foi cabeça de lista. Não perceberam? Eu também não.  De resto, isto nem sequer chega a ser ideia peregrina. Isto é quando um e um são três. Mais, isto é fazer de nós parvos.

  

"Eu não estou aqui para defender os interesses dos espanhóis, eu estou aqui para defender os interesses dos portugueses".

Esta "coisa" à la Manuel Monteiro, preferida por Ferreira Leite a propósito do interesse dos espanhóis em entrar com o TGV por Portugal adentro, quase que se auto-comenta. Ainda assim, avanço - à laia de desabafo - com uma aposta:  se o PSD ganhar as eleições, a suspensão do TGV não durará 9 meses. E a MFL tem (tinha) o dever de o dizer - de ser sincera. A Europa não pode parar em Badajoz. Aliás, MFL, com todos os - no seu dizer - "meros" acordos de princípios que assinou quando esteve no Governo, a esse propósito, sabe-o bem.

 

O resto do debate foi a caça ao indeciso. O resultado não foi estrondosamente óbvio (desde logo porque não estou indeciso e custa-me entrar nessa pele), mas parece-me que MFL, apesar de ter feito o seu debate menos mau, mostrou que não está preparada para conduzir Portugal. E, menos ainda - o discurso a propósito do TGV mostra-o bem -, para conduzir Portugal na Europa. Um Primeiro Ministro tem que saber o que diz. Esta espécie de guerra declarada aos espanhóis, espécie de afronta pateta ao urgente iberismo - à laia de "orgulhosamente sós" -, mostra bem que MFL vive noutros tempos.

 

As cartas estão lançadas, vamos a votos.

 (também na jugular)

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Por Rogério Costa Pereira | Sexta-feira, 11 Setembro , 2009, 22:44

Dia 27 voto PS. Não voto num PS "depois logo se vê, é conforme...". Não voto num PS que se alia ao PP e ainda menos voto num PS que se alia ao Bloco. Não voto no bloco central, não porque abomine o ideal, mas porque nunca como hoje a minha ideia para o país se afastou tanto daquilo que o PSD - "este PSD" - defende.

Voto PS maioritário, voto PS minoritário - não vou além disso. Não voto em alianças para evitar o "papão" da ingovernabilidade. Voto em eleições daqui a quatro anos, mas não me repugnam eleições daqui a dois.

Acredito no programa - em sentido lato - do partido em que voto, não ponho a cruz em miscelâneas mal paridas e à pressa. Quando as moções de censura vierem, os PRD's dos tempos que correm se explicarão ao país. E cá estaremos de novo, se necessário for.

 

O que me faz estar aqui, mais que tudo, é a luta contra o eterno "começar do zero" - coisa que parecemos aceitar - este país -, de forma impávida e relaxada, como se nos estivesse na massa do sangue. Não está! É altura de parar com as chicotadas psicológicas à 3ª jornada.  É tempo de parar com sebastianismos de virar de esquina. O caminho é este. Dia 27 voto PS.

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Por Rogério Costa Pereira | Sexta-feira, 11 Setembro , 2009, 21:42

- Eu uso gravata e você não.

- Eu não uso gravata e você sim.

 

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Por Rogério Costa Pereira | Terça-feira, 08 Setembro , 2009, 22:04

Ficámos todos a conhecer muito bem o programa do Bloco (com e sem ironia) - e conhecer o programa do Bloco é importante para quem pensa(va) votar Bloco. Desta vez - e pela primeira vez -, verificou-se um vencedor claro: Sócrates. E nem sequer foi à tangente. 7 a 1, eu diria - Sócrates fez a Louçã o mesmo que Manuel Fernandes fez àquela defesa do Benfica.

 

Foi muito engraçado ver Louçã levar a maior tareia da sua vida. Ficou gravado. Não, meu caro, não foi um comboio. Foi como que um feitiço.

 

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Por Rogério Costa Pereira | Terça-feira, 08 Setembro , 2009, 18:08

"(...) A Senhora Dr.ª Manuela Ferreira Leite, a Quem muito prezo e respeito e que tenho pena que não esteja aqui para ouvir isto, faria um grande Serviço ao partido, não se candidatando.

Não tem hipóteses de ganhar 2009.

Se a Senhora Dr.ª Manuela Ferreira Leite, ou outros de certo modo exóticos, persistem em ir para a frente, representarão, todos, sem excepção meras facções do partido.

Com o risco de fazerem o Partido implodir, na sequência das eleições internas. Não tenham ilusões!

E nisso eu não entro. Como não entro nisso de facções. Estou como o poeta: «Sei que não vou por aí»

A responsabilidade está do Vosso lado!”

 

Alberto João Jardim, excerto do discurso ao Conselho Nacional do Partido Social Democrata, em 24 de Abril de 2008 (publicado no Jornal da Madeira)


Por Rogério Costa Pereira | Sábado, 05 Setembro , 2009, 22:22

O debate de hoje foi incomum. Não houve manigâncias notórias, a coisa soou a conversa de café. Jerónimo esteve bem, não entrou com falta de ar, nem o ar lhe faltou durante a troca de ideias - nada semelhante a um Portas com respiração incompleta. Ousou até ir além da mítica k7. Sócrates esteve praticamente perfeito. O estilo "ó Jerónimo de Sousa, confesse lá, que ninguém nos ouve", assentou-lhe muito bem. E as respostas (confissões) serviram-lhe. E ao país. Não porque encomendadas, mas porque Jerónimo, "olhos-nos-olhos", foi incapaz de negar, de forma audível, a valia das políticas sociais do Governo. A postura de Sócrates em relação ao caso TVI foi esclarecedora: a decisão, questionável, não lhe pode ser imputada. E Jerónimo, que parece trabalhar com factos e provas, não se fez Louçã.

Este debate não se ganhou - dum lado e doutro ter-se-ão ganho votos, sim, mas a partidos ausentes.

 

(em estéreo na jugular e no Eleições 2009)

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Por Rogério Costa Pereira | Sábado, 05 Setembro , 2009, 01:11


Por Rogério Costa Pereira | Sexta-feira, 04 Setembro , 2009, 22:07

Trocaram os primos, mas a  história é a mesma, certo? O outro era magro, este é gordo. O outro estava na China, este anda por Angola. Brilhante. Segue-se o quê? O primo metrossexual que vive no meio dos Ye'kuana?

 

(em estéreo na jugular)


Por Rogério Costa Pereira | Sexta-feira, 04 Setembro , 2009, 20:40

O gordo, o gordo. Brutal! Mas que estocada violenta, alguém me chegue o fenistil.


Por Rogério Costa Pereira | Sexta-feira, 04 Setembro , 2009, 20:39

soltem as chaimites!


Por Rogério Costa Pereira | Sexta-feira, 04 Setembro , 2009, 15:40

Ainda a notícia do cancelamento do Jornal de Sexta da TVI mal tinha aterrado e já os do costume diziam "o óbvio". Que, face ao desagrado já manifestado por Sócrates em relação ao tipo de “informação” veiculada nesse telejornal, a decisão de o cancelar reveste carácter político e que Sócrates teve intervenção no assunto.

No entanto, mesmo os mais fanáticos concederão que esta é uma má notícia para o PS, uma vez que, sendo aparentemente tão do seu agrado, não se livrará das suspeitas de que esteve por trás deste cancelamento; suspeitas que carecem de qualquer fundamento (sendo um erro aliás discutir este caso numa perspectiva partidária, pois trata-se de um acto de gestão interno de uma empresa privada).

Ora, o que levaria Sócrates a dar tamanho tiro no pé, levantando esta imensa poeirada? Nada, como é óbvio. Provocar a troca de duas ou três edições do Jornal de Sexta - com mais do mesmo - por três semanas de “asfixia democrática” seria uma péssima estratégia.

O spot alusivo ao Jornal de Sexta, as declarações de Moura Guedes ao DN ("Só se fossem muito estúpidos é que me tiravam do ar!"), e a ameaça de mais peças sobre o Freeport, são demasiados factos para um só dia. Há muitas contas e leituras ainda a fazer.

Mas a questão fulcral é a de saber quais as razões que levaram a administração da TVI a tomar esta decisão a três semanas das eleições – exactamente agora, quando essa decisão só pode penalizar o PS e Sócrates.

 

Publicado no Diário Económico (adaptação deste post)


Por Rogério Costa Pereira | Sexta-feira, 04 Setembro , 2009, 10:50

 

Ai rapariga, rapariga, rapariga
Que só dizes disparates, disparates, disparates
É tanta asneira, tanta asneira, tanta asneira
Que p'ra tirar tanta asneira não chegam cem alicates.

Mas tu não sabes, tu não sabes, tu não sabes
Que isso de dar um beijinho já é um costume antigo
Ai quem te disse, quem te disse, quem te disse
Que lá por dares um beijinho tinhas de casar comigo.

Oh chega cá...
Não vou.
Tu és tão linda...
Pois sou.
Dá-me um beijinho...
Não dou.

 

Ler o resto da análise )

 

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Por Rogério Costa Pereira | Quinta-feira, 03 Setembro , 2009, 23:23

Quando é que a famosa "peça sobre o Freeport, com dados novos e, como sempre, documentados” vai para o ar? Ou aquilo era um exclusivo do telejornal da Manuela Moura Guedes, em relação ao espaço de informação da TVI extra-telejornal da Manuela Moura Guedes? Será possível que "a peça" não seja emitida amanhã? Será possível que tenham a ousadia de permitir que a suspeita se mantenha?  Será possível? (esta da repetição aprendi num debate que vi ontem ) Haja decoro!

 

(em estéreo na jugular)

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Por Rogério Costa Pereira | Quinta-feira, 03 Setembro , 2009, 16:00

Ainda a notícia mal tinha aterrado e já os do costume diziam "o óbvio". Que, face ao enfado já manifestado por Sócrates em relação ao tipo de “informação” veiculada pelo Jornal de Sexta, a decisão de o cancelar reveste carácter político. Daí a pensar que Sócrates tem alguma coisa a ver com isto é um saltinho.

No entanto, mesmo os mais fanáticos concederão que esta é uma péssima notícia para o Partido Socialista, uma vez que, sendo aparentemente tão do seu agrado, não se livrará das suspeitas atrás enunciadas – de que esteve por trás do cancelamento.

Ora, o que raio levaria Sócrates a dar tamanho tiro no pé, levantando agora esta imensa poeirada? Nada, como é óbvio. A não ser que tivesse ensandecido. Provocar a troca de duas ou três edições do Jornal de Sexta, com mais do mesmo – ali trabalha-se em exclusividade temática , por três semanas de “asfixia democrática” e de “ai Jesus que nos amordaçam” seria digno de um perfeito idiota.

Ouvi hoje, na TSF, que a TVI estava a passar um spot alusivo ao Jornal de Sexta, em que começava por se ver a famosa tirada de Sócrates em relação àquele tipo de telejornal – apelidando-o de "travestido" –, e se terminava (no spot) com a declaração de princípios de que a linha editorial do dito jornal não seria alterada – cito de memória e do que ouvi na rádio, posto que não vi o dito spot. Acordo com a Manuela Moura Guedes a dizer que "Só se fossem muito estúpidos é que me tiravam do ar!". Oiço agora a oportuna declaração de que haveria mais uma peça sobre o Freeport na forja. Há aqui muita coisa – demasiada! –, muitas contas a fazer e raciocínios a desenvolver.

Mas a questão fulcral é a de saber quais as razões que levaram a administração da TVI a tomar esta decisão a três semanas das eleições – exactamente agora, quando essa decisão só pode penalizar o PS e Sócrates.


(em estéreo na jugular)

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Por Rogério Costa Pereira | Quinta-feira, 03 Setembro , 2009, 00:01

Estes pequenos debates, como toda a gente reconhecerá, não esclarecem praticamente nada. 45 minutos são manifestamente insuficientes para qualquer coisa que pretenda ir além da mera tentativa de produzir um ou outro sound bite que fique no ouvido dos indecisos. Partindo deste pressuposto, parece-me que o resultado do "debate" de hoje se saldou por uma vitória tangencial de Sócrates, com Paulo Portas a marcar um golo na própria baliza.

O "debate" começou com Sócrates a não conseguir esconder alguma irritação com a entrada demagógica de Portas - à Portas. Como ambas as coisas eram naturalmente expectáveis - a sensibilidade à demagogia e a demagogia -, está visto que o "debate" começou com Sócrates a dançar a música de Portas. Também não percebi que raio pretendeu Sócrates quando repescou, naquele contexto, a estória do Iraque. Podia ter falado em tripas à moda do Porto que o efeito era o mesmo.

No entanto, Portas - sobrestimando-se e fazendo o inverso a Sócrates - teve a infeliz ideia de se atrever a entrar na política dos factos tal e qual. E aí deu-se o sketch do "Votou ou não votou?". Sócrates, percebendo o que o adversário lhe tinha dado de bandeja, não largou mais o osso. Visto de fora, passou claramente a ideia de que Portas foi apanhado em falso. E como Sócrates - rato - pisou algumas vezes a ferida (com a ajuda - ainda - das mal sucedidas tentativas de Portas em explicar-se), acabou por se verificar um muito ligeiro desequilíbrio final.

Como debate, e colocando-me na pele do indeciso que precisa de ser esclarecido - "esclarecido" -, a coisa valeu pouco mais que nada. Esclareceu nada, valeu zero. Para quem goste da peleja pela peleja, e vote por aí - por estes arremedos de disputa de ideias, impostos pelos tempos e por outros fenómenos -, Sócrates ganhou à tangente. De resto, nem precisava. Um mero empate bastaria.

O que hoje se passou é a prova de que dois debates, de 90 minutos cada, entre os dois candidatos a Primeiro-Ministro, teriam sido a solução ideal. Mas Manuela Ferreira Leite - no lugar dela faria o mesmo - parece que não quis. Restam-nos estas coisitas de fundo negro.

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