Por José Reis Santos | Segunda-feira, 26 Outubro , 2009, 13:24

 

Hoje tomou posse o XVIII Governo Constitucional. Um governo liderado por José Sócrates que, depois do resultado das eleições legislativas de 27 de Setembro, foi indigitado pelo Presidente da República a apresentar solução governativa. Essa era a intenção do Simplex, quando publicámos o nosso primeiro post no dia 20 de Julho. Nesse dia apresentámos no nosso manifesto inicial as nossas intenções em defesa do projecto que o PS tinha colocado em marcha quatro anos e meio antes.

 

A este post seguir-se-iam mais 1285, publicados por uma equipa de 40 autores; uns conhecidos bloggistas, outros estreantes nestas andanças; uns militantes do Partido Socialista, outros (muitos) independentes; uns ilustres figuras das nossas praças públicas, outros desconhecidos do grande público. A nós nada disso interessou. Quem tinha ou não cartão, quem tinha ou não visibilidade, quem tinha ou não cargo A ou B. Interessava promover o debate político – sempre de forma crítica e construtiva – e defender o projecto político que, em nossa opinião, melhor defendia o progresso para o País – o projecto do PS.
Nos dois meses de existência na blogosfera a defender o voto no Partido Socialista atraímos mais de 200.000 visitas, publicámos 1285 posts que suscitaram 6645 comentários. Conseguimos entrar e ganhar o debate político na blogosfera portuguesa (continuamente dominada pela direita e pela extrema esquerda) e fomos mesmo uma das atracções da campanha eleitoral.
Hoje este projecto finda. A tomada de posse do XVIII Governo Constitucional materializa e consagra as nossas intenções. Atingimos o objectivo a que nos propusemos. Plenamente.
Assim, resta agradecer a todos os quantos tornaram isto possível, a todos os nossos leitores e comentadores e à nossa extensa equipa (Ana Paula Fitas, Ana Vidigal, André Couto, Bruno Reis, Carlos Manuel Castro, Carlos Santos, Diogo Moreira, Eduardo Graça, Eduardo Pitta, Gonçalo Pires, Guilherme W. Oliveira Martins, Hugo Costa, Hugo Mendes, Hugo Sousa, Irene Pimentel, José Reis Santos, João Coisas, João Constâncio, João Galamba, João Paulo Pedrosa, João Pinto e Castro, Leonel Moura, Luís Novaes Tito, Mariana Vieira da Silva, Miguel Abrantes, Miguel Vale de Almeida, O Jumento, Palmira F. Silva, Paulo Ferreira, Pedro Adão e Silva, Pedro Aires Oliveira, Porfírio Silva, Rogério da Costa Pereira, Rui Herbon, Rui Pedro Nascimento, Simplex, Sofia Loureiro dos Santos, Tiago Barbosa Ribeiro, Tiago Julião Neves, Tomás Vasques e Vera Santana). 
Por fim, e como não podia deixar de ser, deixamos a composição do XVIII Governo Constitucional:
Primeiro-Ministro: José Sócrates
Ministro da Presidência: Pedro Silva Pereira
Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros: Luís Amado
Ministro de Estado e das Finanças e da Administração Pública: Fernando Teixeira dos Santos
Ministro da Defesa Nacional: Augusto Santos Silva
Ministro da Administração Interna: Rui Pereira
Ministro da Justiça: Alberto Martins
Ministra do Ambiente e do Ordenamento do Território: Dulce Pássaro
Ministro da Economia, da Inovação e do Desenvolvimento: José Vieira da Silva
Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas: António Serrano
Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações: António Mendonça
Ministra do Trabalho e da Solidariedade Social: Maria Helena André
Ministra da Saúde: Ana Maria Teodoro Jorge
Ministra da Educação: Isabel Alçada
Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior: Mariano Gago
Ministra da Cultura: Gabriela Canavilhas
Ministro dos Assuntos Parlamentares: Jorge Lacão
 
Ana Paula Fitas, Ana Vidigal, André Couto, Carlos Manuel Castro, Carlos Santos, Eduardo Graça, Eduardo Pitta, Guilherme W. Oliveira Martins, Hugo Mendes, Irene Pimentel, José Reis Santos, Luís Novaes Tito, Mariana Vieira da Silva, Miguel Abrantes, O Jumento, Paulo Ferreira, Porfírio Silva, Rui Herbon, Rui Pedro Nascimento, Sofia Loureiro dos Santos, Palmira Silva, Tomas Vasques. João Constâncio, Miguel Vale de Almeida, Tiago Julião.  

Por José Reis Santos | Terça-feira, 22 Setembro , 2009, 23:56

No primeiro dia, os activists realizaram diversas iniciativas de campanha.

O largo do coreto, em Carnide, serviu de palco para o primeiro contacto directo com a população.

Após a acção, o grupo almoçou na Cidade Universitária, seguindo, depois, para Telheiras, para mais uma acção de campanha.

Nestas acções, os candidatos a deputados: Celeste Correia, Manuela Gonçalves e José Reis Santos, foram acompanhados pelos activists, que se mostraram bastante interessados e empenhados.

Os primeiros momentos, além de permitirem um conhecimento de Lisboa, têm sido importantes para os actvists tomarem uma noção mais concreta do sistema político nacional.

Hoje, mais seis activists chegaram a Portugal, vindos da Hungria e Espanha, juntando-se à comitiva, no final do dia.

Amanhã, o dia começa no Café Nicola, no Rossio, às 11 horas, com um encontro com o porta-voz do PS, João Tiago Silveira, e candidatos a deputados do PS pelo círculo de Lisboa.

 

[pode ver mais aqui]


Por José Reis Santos | Segunda-feira, 21 Setembro , 2009, 18:39

No próximo dia 27 o país vai a votos. Está em causa prosseguir com o conjunto de reformas progressistas que tem modernizado Portugal ou romper com as mesmas. Escolher entre José Sócrates e Manuela Ferreira Leite; os únicos candidatos ao cargo de Primeiro-ministro (uma vez que os restantes Partidos Políticos apenas procuram a representação parlamentar - aliás já assegurada).

Em qualquer país do mundo é a oposição que tem a obrigação de demonstrar porque deve ser Governo. Tem de apresentar propostas alternativas que melhorem a governação do país e lideres que projectem uma visão definida do futuro. Por sua vez, os Governos devem procurar manter o rumo das suas boas políticas e rever algumas áreas menos conseguidas. Foi o que o PS fez. Ora o PSD - que tinha a obrigação de nos convencer que pode fazer melhor que o PS - não nos apresentou nem um programa convincente, nem uma equipa de confiança, nem uma líder com uma visão para o país. E nestas condições, não julgo que a oposição mereça o nosso voto.

[hoje no Diário Económico]


Por José Reis Santos | Sexta-feira, 18 Setembro , 2009, 19:08

 

Queríamos escrever este post mais para a próxima semana, quando começarmos a receber activistas de toda a Europa, mas como a Sábado de ontem deu destaque ao assunto, decidimos antecipar a nossa comunicação. Em causa o convite, por parte dos activistas portugueses do Partido Socialista Europeu (PES activists Portugal), a militantes de outros partidos socialistas, sociais-democratas e trabalhistas do espaço Europeu. Assim, neste post exponho, resumidamente, o que são os PES activists; qual o historial do PES activists Portugal e que iniciativa é esta que estamos a organizar.
 
O intercâmbio eleitoral organizado pelo PES activists Portugal
O Partido Socialista é – hoje – um partido inserido no espaço europeu. Faz parte do Partido Socialista Europeu [PES – Party of the European Socialists] que é, de longe, o mais bem organizado e estruturado partido político que actua na esfera política europeia. 
Em 2006, no Congresso do PES, foi lançada uma nova e inédita iniciativa: os activistas do PES (PES activists), dinâmica que procurava potenciar as relações entre os mais de 2 milhões de militantes socialistas, sociais-democratas e trabalhistas que tem militância activa por essa Europa fora. Depois do Porto, os activistas começaram a organizar-se. Em alguns países decidiu-se por estruturas formais, noutros por núcleos informais. Há países com onde os activistas se organizaram nacionalmente, outros onde foram potenciados os grupos locais. Há de tudo, como se pode perceber.
A história dos PES activists em Portugal é construída de avanços e recuos. Decidido desde o dia 1 a ter uma denominação nacional (daí PES activists Portugal), rapidamente desenvolvemos um trabalho que apostou na qualidade dos nossos conteúdos e no alargar da nossa rede nacional e da nossa influência (no universo do PES e no mundo dos activistas). Entre outras iniciativas, promovemos uma série de debates sobre assuntos europeus (de onde destacamos uma importante conferência sobre o «childcare»), associamo-nos a diversas iniciativas do Partido Socialista (nomeadamente Universidades de Verão de várias Federações) e divulgámos o nosso trabalho em diversos Congressos Partidários (nacionais e federativos). Aproveitámos ainda para estabelecermos uma relação privilegiada com a Delegação Portuguesa no Parlamento Europeu, bem como com o Departamento de Relações Internacionais do PS.
Mas o nosso trabalho e contributo de maior folgo foi, sem dúvida, a construção das propostas apresentadas pelo PS para o Manifesto comum que o Partido Socialista Europeu colocou a votos na recente eleição europeia. Nesta iniciativa trabalhámos com as diversas estruturas do PS (Delegação Portuguesa no Parlamento Europeu, Juventude Socialista, Departamento Nacional das Mulheres Socialistas, diversas Federações do PS, Grupo Parlamentar do PS na Assembleia da República), com a sociedade civil (diversas associações e sindicatos) e ainda com a sociedade académica (junto de diversas Universidades). No total recolhemos mais de 70 propostas, de Ministros a Deputados, de Militantes anónimos a dirigentes nacionais, de académicos a sindicalistas, de Eurodeputados a assistentes e assessores. Foi um processo muito participado (que pode ser consultado aqui), cujo produto foi este. Deste paper saíram algumas das propostas que o PES apresentou aos europeus, no passado mês de Junho.
Este é algum do nosso historial, onde não realçamos a nossa presença activa em diversos encontros promovidos pelo PES, como no Congresso do Porto, nos Conselhos de Sofia e de Madrid, nos Fórum dos activistas de Viena e de Dublin e outras reuniões e encontros.
Entretanto, os nossos colegas europeus (amigos, companheiros e camaradas) foram desenvolvendo uma série de encontros de natureza eleitoral, para os quais eram convidados activistas com o propósito directo de auxiliarem em acções de campanha. Estas «campaign Exchanges», ou intercâmbios eleitorais, são hoje um clássico no mundo dos activistas do PES. Já estivemos no porta-a-porta em Dublin, aquando da última eleição geral na Irlanda; em Paris a auxiliar a eleição presidencial de Segolene Royal, na Roménia a auxiliar o PSD (local), em Espanha a garantir o segundo mandato de Zapatero, e um pouco por toda a Europa aquando das eleições de Junho.
Foram vários os activistas portugueses que já se envolveram nestes intercâmbios, e agora é a vez de retribuirmos o convite. E para o efeito lançámos um convite aos nossos amigos europeus que, mesmo com tão pouco tempo de decisão, responderam em massa. Recebemos mais de 60 respostas (individuais e de diversos grupos) e seleccionámos quase 30 activistas. A selecção obedeceu a critérios geográficos, de género e à prática de «first came first served», que é como quem diz «os primeiros e inscreverem-se tem lugar». Assim, e a partir da próxima segunda-feira, vão começar a chegar a Lisboa alemães, romenos, húngaros, bósnios, espanhóis, belgas, polacos, austríacos e gregos. Vêem a Portugal para contribuir para que o nosso governo progressista continue o seu bom trabalho. Sabem que a Península Ibérica é, hoje, uma referência da social-democracia europeia, com a dupla Sócrates - Zapatero a somar pontos em todas as frentes, em especial as sociais, e querem participar activamente na defesa das nossas ideias e ideais.
Esta iniciativa, inédita na vida política portuguesa, coloca o PS na vanguarda política europeia; relembra que a União Europeia é uma realidade e que já não faz sentido olharmos para a política apenas como um espaço de acção nacional (como alguns querem ainda fazer crer). Hoje, com 20 anos de integração europeia, sabemos que grande parte das decisões que nos afectam são tomadas em Bruxelas, o tempo dos isolacionismos acabou. E é com muito gosto, e algum prazer, que verificamos que tantos cidadãos e cidadãs dessa Europa fora querem vir a Portugal para connosco lutar pelo nosso futuro.
Eu irei coordenar esta iniciativa, que como disse começará na próxima segunda-feira. E em breve vos daremos mais detalhes.    

Por José Reis Santos | Sexta-feira, 18 Setembro , 2009, 16:42

Na tradição deste blog, publico hoje um excelente texto de autoria do João Almeida Santos (que recentemente entrou na blogosfera aqui). A todos recomendo a sua leitura.

 

O «Bloco» e a classe média.  Para onde vai o Bloco de Esquerda?


É claro: o Bloco de Esquerda ambiciona substituir-se ao PS como força de governo alternativa à direita. Francisco Louçã não se cansa de o repetir. Não se alia a ele, quer substituir-se-lhe. É natural e legítimo. É esta a vocação dos partidos políticos. Mas não sei se é a dos movimentos. Esta opção tem, todavia, um problema, que passo a enunciar. O PS corresponde a um espaço de valores, de ideais e de programas que vem sendo definido como socialismo democrático ou social-democracia, onde a liberdade (individual) ocupa uma posição decisiva ao lado da igualdade, entendida como igualdade de condições e de oportunidades, onde ao Estado cabe garantir os bens públicos essenciais. Este espaço político tem uma longa história e nele tem vindo a reconhecer-se uma faixa muito consistente dos eleitores de meio mundo. É por isso que os partidos socialistas se têm constituído como as verdadeiras forças alternativas quer à direita quer às esquerdas igualitaristas e radicais. Este espaço está lá, não é uma construção mental ou um resultado artificial do consumismo eleitoral. Está lá e, sendo a identificação concreta dos cidadãos com este espaço variável, não o é suficientemente de modo a mudar a distribuição essencial da representação política. As variações mais significativas têm-se verificado sobretudo em conjunturas muito especiais, com lideranças fracas e titubeantes, em períodos de crise ou, então, motivadas por fracturas, muitas vezes graves, como aconteceu em França ou em Itália. Mas, no essencial, o espaço sempre continuou a ser ocupado por estes partidos.

 
«Partidos-âncora» e »Partidos-charneira»

Poderia fazer um raciocínio equivalente para a direita moderada, democracias cristãs, republicanos ou conservadores. E elencar casos em contexto histórico: democratas e republicanos, trabalhistas e conservadores, democracias cristãs e sociais-democratas, socialistas e populares. A história dos partidos nos últimos 60 anos dá-nos bem conta desta bipolarização essencial. Mas dá-nos também conta da emergência de «partidos-charneira», que nunca conseguiram ocupar o lugar dos «partidos-âncora», acabando por aliar-se com eles. Os liberais e, depois, os verdes, na Alemanha. Os socialistas em Itália, aliados da direita, desempenhando o PCI o papel de «partido-âncora» da esquerda moderada. Os liberais em Inglaterra, embora prejudicados pelo sistema eleitoral inglês. Em França, a bipolarização verificou-se também entre o PS e os gaullistas ou os liberais da UDF, de Giscard’Estaing. Em boa verdade, só em 1981, com Mitterrand, esta se viria a concretizar. Em Portugal, o CDS/PP tem assumido algumas vezes a função de «partido-charneira» (com o PSD e, uma vez, com o PS) e Paulo Portas não esconde esta sua vocação, assumida também como aspiração. Mas o mesmo não acontece à esquerda: nem com o PCP, pela sua rigidez político-ideológica, nem com o «Bloco», embora até possa parecer plausível, pelas suas características, uma sua aspiração a «partido-charneira», à esquerda.


«Middle-class»

Mas a verdade é que estes grandes espaços político-ideológicos, de centro-esquerda e de centro-direita, de que falo, estão lá, não são invenções de iluminados, correspondem a sentimentos fundamentais perante a vida de grandes faixas das populações, em ambientes politicamente estáveis. Correspondem a uma relação complexa com a vida que envolve muitas variáveis, sobretudo aquelas variáveis que resultam das experiências microcomunitárias (da família à aldeia, ao bairro, à freguesia). Uma relação avessa aos experimentalismos sociais, cheia de mediações e de rituais quotidianos de convivência, amiga da estabilidade e das microcomunidades naturais, pouco propensa a radicalismos e com uma dose razoável, e saudável, de individualismo proprietário. Estes espaços não se reconhecem no experimentalismo social nem se identificam com os voluntarismos construtivistas, sejam eles de esquerda ou de direita. Hoje, muitos designam estes espaços como lugar onde respira politicamente a «middle class», a nova classe média.


Que modelo de desenvolvimento?

Ora, perante isto, como pode o Bloco aspirar a substituir-se a um partido que vem mantendo, ao longo da sua história recente, uma representação política tão consistente, como o PS, com cerca de 35% do eleitorado, em média, nos últimos 35 anos, ou seja ao longo de todo o arco desta III República? Como consegui-lo, mantendo esta monumental indefinição identitária do Bloco de Esquerda, que começa logo na sua caracterização como partido ou como movimento e que termina por não conseguir definir uma identidade diferente daquela que sempre foi, afinal, própria dos partidos socialistas, nem capitalistas nem burocráticos? Louçã diz-se republicano, laico e socialista. Precisamente. Não se diz revolucionário. Mas isto quer dizer que ele pretende promover o verdadeiro Partido Socialista Reconstruído? Como consegui-lo, mantendo aquela dualidade corpórea das suas tendências internas, mais radicais, que, mantendo-se como partidos/movimentos autónomos (falo sobretudo do PSR e da UDP), se exprimem também como «Bloco», virtual frente destacada para a democracia burguesa? Como consegui-lo, mantendo um projecto político fortemente fragmentário, com propostas isoladas que não conseguem referenciar um concreto modelo de desenvolvimento, a não ser por via negativa? Taxar os ricos, acabar com os offshores, democratizar a economia (eufemismo para designar a superação da propriedade privada dos meios de produção), nacionalizar bancos, seguradoras e empresas de energia, castigar o capital financeiro, impedir administrativamente os proprietários de gerir livre e eficazmente as suas empresas (sem as transformarem em instituições de solidariedade social), acabar com os benefícios fiscais à classe média, na poupança, na saúde e na educação, etc., etc., são propostas, mesmo assim, insuficientes para determinar um modelo de desenvolvimento, nem capitalista nem burocrático. Como insuficiente é identificar-se como proprietário de causas que, afinal, são comuns ou transversais aos outros partidos (emancipação da mulher, luta contra as discriminações, defesa do eco-sistema, igualdade de género, luta contra o racismo…), pela simples razão de serem causas civilizacionais. Finalmente, como consegui-lo, persistindo na obsessão de federar todos os descontentamentos, gritando sempre pelos direitos e nunca pelos deveres ou colocando os deveres sempre dum lado e os direitos sempre do outro?
 

Tabloidismo político

Mantendo tudo isto, não consigo compreender como é que um partido (ou movimento) destes pode ocupar uma faixa eleitoral maioritária na nossa democracia. Tanto menos se compreende que Louçã, nas inúmeras entrevistas em que se vai desdobrando, diga cada vez menos, ou seja, praticamente nada, sabendo-se, afinal, cada vez menos de um partido que aspira a crescer cada vez mais. A não ser que essa seja uma mera táctica eleitoral, mero tabloidismo político em busca de audiência (eleitoral). Louçã fala de agendas escondidas. Mas ele vai mais longe: esconde a sua identidade política atrás de um enorme reposteiro de medidas avulsas de inspiração anticapitalista, proto-socialista ou vagamente comunista. Mais: Louçã diz não querer crescer à custa do eleitorado comunista, mas sim do eleitorado socialista, imaginando que esse eleitorado possa um dia vir a reconhecer-se num movimento/partido sem identidade ou com identidade escondida, lá onde se cimentam todas as tendências do imenso caldeirão ideológico submerso, federando descontentamentos e exibindo apenas uma «ideologia do negativo».

Ora eu não creio que a história dê razão a Louçã e aos pequenos taumaturgos que pululam no «Bloco». Também não creio que, com esta identidade submersa, possa representar uma classe média que, apesar da sua maior instabilidade ideológica, da sua mobilidade profissional e patrimonial, dos seus interesses corporativos conjunturais e do seu nomadismo cultural, se rege por padrões de estabilidade, de segurança, de liberdade e de complexidade existencial algo incompatíveis com o movimentismo político-ideológico e fracturante do «Bloco».

Tudo isto, independentemente das fracturas internas que sobreviriam se o «Bloco» renunciasse ao seu ADN, como partido do descontentamento, sendo chamado às responsabilidades governativas, e das ondas de choque que uma sua acção política reformista (nem iconoclasta nem revolucionária)  desencadearia nos grandes grupos sociais com fortes interesses corporativos instalados.

Noutro lugar («Para onde vai o Bloco de esquerda?») designei por «angústia feliz» as dores por que um bloco em crescimento já está a passar, a começar pela crescente afasia identitária do líder. Imaginemos o que não seria se ele crescesse eleitoralmente muito mais.

Mesmo assim, a pergunta que cada vez mais será feita é esta: será capaz o «Bloco» de descer ao compromisso, viabilizando uma solução governativa de esquerda sem correr o risco de implodir? Esta, a pergunta. Este, o desafio. Esta, a angústia.

 


Por José Reis Santos | Segunda-feira, 14 Setembro , 2009, 21:08

 

Chegado de Dublin onde estive no II Fórum dos activistas do Partido Socialista Europeu – onde mais de 300 activistas de toda a Europa estiveram reunidos para debaterem política europeia e apoiarem a campanha pelo «Sim» no referendo ao Tratado de Lisboa (que é referendado no próximo dia 2 de Outubro)* -, verifico que o nível do debate em Portugal continua baixo, e muito por culpa da estratégia do principal partido da oposição.
Já há algum tempo que tinha chegado à conclusão que o PSD não iria fazer campanha. Não tinha programa, não tinha equipa, não tinha ideias. Eram constantes as contradições das suas afirmações e a articulação táctica com os constantes ataques pessoais ao nosso Primeiro-Ministro. Para quem defendia uma Política de Verdade, era muito pouca a Política e menos ainda a verdade. Aqui, neste blog colectivo, temos escrito por diversas vezes a denunciar estes factos. Denunciamos as contradições das afirmações da líder do PSD, esmiuçamos o seu não-programa, e alertamos para a incongruência e a perigosidade das suas pseudo-propostas.
Vejo agora, com simpatia, que corre pela net uma compilação de algumas das mais polémicas declarações de Manuela Ferreira Leite. Este é um óptimo trabalho, pois compila algumas das pérolas da senhora. É ainda importante este vídeo porque preserva a memória da vida recente da candidata do PSD, expõe as suas incongruências e denuncia a falta de seriedade de quem se candidata ao cargo de Primeiro-ministro.
Deixo o vídeo e questionem-se: merece esta mulher ser Primeiro-Ministro? E depois digam da vossa justiça.
 

* regressarei mais tarde ao tema dos activistas do Partido Socialista Europeu.


Por José Reis Santos | Sexta-feira, 04 Setembro , 2009, 02:04

O recente episódio da TVI -Manuela Moura Guedes tem contornos muito estranhos. Já toda a gente bem informada sabia em Julho de que a senhora pivot do Jornal de Sexta ia lançar algo sobre o Freeport justamente em Setembro, para cumprir com o calendário eleitoral. Já toda a gente sabia que a dita senhora (e companhia) ia lançar toda a lenha na fogueira para queimar José Sócrates, porque lhe apetecia (a ela e ao marido). E já toda a gente sabia que o PSD ia cavalgar atrás da agenda noticiosa criada pela jornalista da TVI. Coisas da Política de Verdade (lá diz o ditado popular que «quem não tem cão… »).

 

Claro que para a oposição dita «governamental» pouco interessava a validade e o teor dessa verdadeira campanha difamatória da ex-cantora / groupie dos anos 80; assim como pouco interessa qualquer ideia de proporcionar um debate eleitoral informado e civilizado em torno do que se pretende para o país. Para o PSD o que importa é dominar a agenda mediática, não com propostas ou ideias para Portugal, mas spinando insinuações, comentando boatos e fabricando fait divers. Disto já todos nos tínhamos apercebido.
A novidade da season não é, portanto, o conteúdo do discurso do PSD (que nunca houve), mas a forma do mesmo. Vale tudo para denegrir a imagem do Primeiro-ministro, mesmo recorrer à imbecilidade e ao ridículo e, quando todos os partidos políticos – sem excepção – pedem explicações à Prisa pelo sucedido, o PSD decide enveredar por uma estratégia de ataque pessoal infundado e insinuador, com contornos ridículos de falta de lucidez e percepção. Afinal, parece que foi hoje lançado o programa do PSD. E até é curtinho, como alguns pediam e resume-se a uma ideia: cavalgar a onda de fumaça que diariamente criam ou potenciam.
Reparem: num dia como o de hoje, com tanta insinuação, quando todos os partidos políticos exigem um esclarecimento cabal da entidade «promotora» do escândalo o que faz o PSD? Assume uma postura de Estado? Não? Assume e respeita a separação entre a esfera pública e a económica? Não. Prefere comparar o estado da nossa democracia actual – e da nossa liberdade de expressão – com o do PREC.Ninguém reparou que o que este senhor disse é uma barbaridade. Quase apetece lhe perguntar «onde é que estava no 25 de Abril?». É verdade que muito se opina sobre as férias que muitos senhores de outro regime tiraram entre 1974 e os anos 80 (tem havido muitas reportagens recentes sobre o assunto) e, sem querer acusar o senhor porta-voz do PSD de alguma adesivagem, estranho a falta de memória histórica de tão prestigiado e destacado elemento da corte laranja. Então não deve o país a liberdade conquistada após o 25 de Abril ao PS? Não é este Partido o principal responsável para que haja hoje liberdade de expressão em Portugal? Tem alguma ideia esse senhor do que é viver num regime sem liberdade de expressão? Decerto que não terá televisão, ou então não acompanha nenhum dos programas de debates que correm por essa TV fora… Adiante. Vive de fumaça este PSD.
Não fossem estas declarações suficientemente infames, logo veio o eurodeputado-emigrado-mas-que-afinal-não-sai-de-cá apelar ao um levantamento popular. Bem, se ao senhor do Porto lhe falta história, o novo delfim excede-se nas invocações colectivas e decide-se, vejam lá, apelar a uma nova Maria da Fonte… Vá lá, podia ter pedido a alguns amigos que se mudassem as bandeiras em todos os estádios de futebol… Claro que depois de gastas estas pérolas os senhores da laranja terão poucas munições para comentarem (em directo) a esperada e já quasi-anunciada e, dizem, acordada saída de José Manuel Fernandes do Público. Talvez uma intervenção da NATO em Portugal, deixo a sugestão. Mais fumaça não dá.
Agora novamente num tom mais sério. São, naturalmente inaceitáveis as declarações de destacados dirigentes do PSD. Espera-se muito mais de quem quer ser governo. E ainda mais preocupante é que comentam – com pouquíssima informação - assuntos do foro íntimo de uma empresa privada (não deviam esses senhores, como liberais novecentistas que apregoam ser, defender uma clara separação entre o foro político e o foro económico?). Afinal, para quem pretende defender o privado face ao público estranha-se o rápido comentário político sobre um assunto da competência exclusiva de uma empresa privada; mas enfim, com tanta fumaça decerto serão poucos os atentos a estas contradições contra-natura do discurso liberal do PSD - que deixam aliás bem claro quem é que se está a tentar aproveitar deste episódio, colocando inclusivamente no ar a ideia de uma concertação MMG-Freeport-PSD.
Claro que a questão fulcral em todo este affair – que nada tem a ver com a governação do país ou com as propostas para o governar no futuro - é então a de saber quais as razões que levaram a administração da TVI a tomar esta decisão a três semanas das eleições. Há ainda pouca informação disponível e, neste momento, todas as leituras são extemporâneas. Para o necessário esclarecimento deste caso, é exigível e urgente, que a administração da TVI esclareça publica e cabalmente quais os motivos que levaram a esta decisão. Entretanto, vão-se posicionando mais um par de bandarilheiros pelos lados da São Caetano à Lapa…

Por José Reis Santos | Segunda-feira, 31 Agosto , 2009, 15:24

O discurso político em Portugal desilude. Esquiva-se com agilidade ao debate sério e construtivo. É demasiado ad hominem e personificado, corriqueiro mesmo.

A caça ao voto tudo parece permitir, mesmo dizer verdades hoje que ontem acusávamos de serem mentiras.

Esquecemos com demasiada facilidade qual o desígnio que nos impele a querer participar nos processos da política, a ser decisores e a ter a oportunidade de contribuir para a melhoria da vida das pessoas. Ser cidadão-eleito, membro do governo ou autarca é - ou devia ser - um acto nobre de humilde recato. "Servir o Estado e os Outros", era o lema dos que sentiam o apelo colectivo de querer participar na gestão da Res Publica. Servir os outros, e não os próprios, era condição virginal de uma Administração competente e altruísta, que pretende apoiar a construção de uma sociedade próspera e solidária, onde todos os cidadãos tenham direito a um conjunto de oportunidades que lhes permita a procura da sua felicidade individual.

Já não sei em que página da História estes conceitos se perderam, mas hoje abundam os casos dos seus contrários. Os velhos almanaques das virtudes republicanas saíram com demasiada facilidade das prateleiras das bibliotecas dos agentes do poder, sendo substituídos por conceitos ‘pret a porter' de desgaste rápido e de consumo imediato.

No campo das ideias, um bom governo não tem de ter cor partidária. É composto por um conjunto eleito de Bons Homens, sábios ungidos de virtudes cívicas, que tratam - com recursos ilimitados - de assegurar a felicidade da sua comunidade. No mundo real a escassez de recursos implica que governar significa fazer escolhas - muitas vezes baseadas em ideologias -, desenhar futuros e traçar rumos.

Como frequentemente nos recordavam os pais fundadores da República Americana, nenhum homem devia ter a responsabilidade última da gestão dos assuntos públicos, por esta ser manifestamente superior às suas capacidades. Governar nunca foi, assim, um acto só; e por isso é tão importante seleccionar quem nos rodeia, em quem depositamos a nossa confiança, e quem escolhemos para apresentar aos eleitores e ao país. Portugal tem hoje uma sociedade qualificada e bem informada que sabe apreciar as opções políticas que lhe são oferecidas. Sabe que estamos longe do mundo das ideias e dos virtuosismos clássicos. É exigente consigo e reivindica qualidade dos seus governantes. Na República ideal os políticos têm vergonha do mau candidato e os princípios suplantam o amiguismo e a partidarite. Na nossa República requentamos políticos gastos e tudo é aceite. Com toda a tranquilidade.

 

Publicado hoje no Diário Económico


Por José Reis Santos | Sábado, 22 Agosto , 2009, 01:06

Não tive a oportunidade de ver ontem a entrevista de Manuela Ferreira Leite na RTP1. Estava, na mesma altura, com mais 35.000 pessoas, numa acção de campanha; a assistir ao começo da campanha europeia do Sport Lisboa e Benfica, que não correu mal.

 

Parece, pelo que fui lendo, que nada de novo foi apresentado pela líder do PSD. Aparentemente todas as soluções mágicas virão no tal «Programa» (que já assume verdadeiros contornos sebastianicos). Mas (ainda) não é disso que vos queria falar. Queria saber que apreciação teceu a líder laranja sobre a construção das suas listas, afinal «a» questão mais intensamente debatida no verão laranjinha. É que, admito, tem-me feito alguma confusão a contradição entre o discurso e a prática do PSD. Primeiro prometem «Verdade» e rigor; depois recrutam para as suas listas pessoas com vários problemas (graves) com a justiça. Onde anda, então o critério?

 

Já tínhamos percebido que a escolha de António Preto e de Helena Lopes da Costa tinha sido por razões pessoais. Também já tínhamos chegado à conclusão de que estas escolhas não tinham sido nada pacíficas no mundo laranja, levantando mesmo muita polémica dentro do PSD (a diversos níveis). Aliás, a sensação que na altura tive – confirmada no afastamento primário dos «passos coelhistas» das listas – foi de que MFL tinha construído uma lista deputados com base nas suas relações pessoais, passando a ideia de que de tudo o que a rodeia assenta numa dinâmica personalista; pouco interessando a equipa ou o projecto para o país. Amiguismo e caciquismo à antiga, portanto.

É aliás, julgo, a razão que impediu que o Paulo Marcelo se tenha demitido da Comissão Política do PSD depois de escrever isto e isto. Como é que alguém com as suas responsabilidades, que demonstra publicamente a sua viva e total discordância com a condução do processo de feitura das listas de deputados, não leva até às últimas consequências a sua indignação? Não fazê-lo legitima a escolha que critica, naturalmente; e desrespeita no caminho o patamar de rigor e de qualidade que traçou. Se tivesse Princípios (assim mesmo com letra capitalizada) nos quais verdadeiramente acreditasse tinha batido com a porta. Não o fazendo, torna-se cúmplice e compincha. Outro.
Regressando à entrevista, parece que Manuela Ferreira Leite acha que as acções de António Preto são irrelevantes; e desvaloriza-as. Não devia. Não devia porque descredibiliza o estado da política portuguesa que, com todos os seus defeitos, ainda consegue produzir bons actores e protagonistas (e em todos os quadrantes políticos). Não devia porque em Portugal se tem assistido a uma renovação – ainda que lenta e gradual – da classe política portuguesa, que agora tem de atingir um maior nível de exigência. Não devia porque mostra-se refém do pior que a baixa política partidária tem para oferecer, numa adaptação gasta da pior política novecentista. Mas parece que é desta cepa que MFL quer vindimar. Resta-nos impedir, para o bem da vida democrática portuguesa, que este ensaiado enredo queirosiano seja posto em cena. Para o bem de todos.

Por José Reis Santos | Sexta-feira, 21 Agosto , 2009, 19:59

O Simplex elege Portugal como prioridade

 

cloud - simplez

 

Enquanto que o «Jamais» elege João Galamba como prioridade

 

 

 

[excelente trabalho do Vasco Barreto no Aparelho de Estado]


Por José Reis Santos | Quinta-feira, 20 Agosto , 2009, 18:10

 

Gostei de ler este recente texto do Pacheco Pereira na Sábado. Fala de blogosfera, spin, dirty tricks e tal. Nada de estranho, afinal temas bem caros ao candidato do PSD por Santarém. Adianta, para consolidar o seu argumento, que o recente sucesso do Simplex é mais um exemplo de como nos dias de hoje o combate político se deslocou para o espaço virtual. Aí estamos de acordo. Com o sucesso do Simplex, que hoje domina a blogosfera política; e de acordo com a importância das novas formas de comunicação na actividade política contemporânea.
Depois, Pacheco Pereira avança com a tese do profissionalismo. Do Simplex, entenda-se. Como um dos autores desse projecto colectivo, devo admitir a lisonja de receber um piropo desses do «Pai da blogosfera portuguesa». Eu também acho que estamos a fazer um bom trabalho, bem profissional, de que é exemplo o que temos publicado no blog e noutras publicações (como, por exemplo, o Diário Económico). De facto, caro Pacheco, aqui promovemos a qualidade, o bom discurso e a elevação do debate. Temos conseguido manter, é verdade, um nível bem elevado , o que é difícil de conseguir. Obrigado pela consideração.

Por José Reis Santos | Quarta-feira, 19 Agosto , 2009, 00:40

É impressão minha ou a recente entrevista de Ferro Rodrigues ao Expresso apresenta-o como putativo candidato do PS às próximas presidenciais? Na minha opinião seria um óptimo candidato, e despoletaria um cenário muito interessante.

Pelas pontes que o ex-secretário-geral socialista constrói nas esquerdas à esquerda do PS colocaria imediatamente pressão nessa zona política, preocupada quase em exclusivo em atacar o PS «de Sócrates», e confrontaria BE e PCP na sua estratégia anti-PS. Estariam BE e PCP dispostos a apoiar este candidato do PS e confirmar que é só «deste PS» que bloquistas e comunistas fogem? Ou será que é mesmo do PS, seja ele qual for?

No actual momento pré-eleitoral sabemos que o PS é o único partido de esquerda que pode aspirar ao Governo do país e que têm sido sistematicamente afastadas as possibilidades de coligações à esquerda. Assim, e uma vez que o sistema eleitoral português (ainda) é proporcional – e bem –, e se BE e PCP nunca admitem soluções governativas conjuntas com o PS, este tem sempre de liderar governos a solo (em maioria, preferencialmente – por questões de governabilidade -, ou em minoria). Não há outras hipóteses para se ter governos à esquerda em Portugal.

A questão é, então, saber se PCP e BE (em especial este), que se desmarcam de um governo com o PS, apoiarão uma candidatura socialista para a Presidência, admitindo para o efeito uma aliança com o PS; o que a se verificar, se apresentaria um pouco contraditório. É que se a intenção dos comunistas e dos bloquistas é contribuir para uma política de esquerda em Portugal, e impedir um regresso da direita ao poder (sic), e uma vez que o sistema político português é dominado legislativamente pelo Governo (e pelo Parlamento), não faria mais sentido apoiar uma solução governativa? É que o Presidente apenas «influencia», não governa.

A não ser que essa esquerda, a tal esquerda à esquerda, apenas queira ter «influência», e não responsabilidade na vida política portuguesa. E sinceramente, já não há paciência para essa fuga ao compromisso. Mais vale uma (nova) maioria PS.

 

[também aqui]


Por José Reis Santos | Segunda-feira, 17 Agosto , 2009, 02:58

A querida Ana Margarida Craveiro recomendou-me recentemente esta leitura de Verão. Tudo fruto (acho) deste comentário que eu fiz ao seu artigo no Diário Económico onde, de entre outras considerações, lancei o desafio de se debater a questão da identificação da população para efeitos civis e estatais. Este é um debate muito esquecido na sociedade portuguesa, de filosofia política, e que remete para a questão das funções do Estado e para a reflexão sobre que informação deve ter o Estado acerca dos seus cidadãos e/ou residentes? É ou não preciso (e necessário) um registo civil da população, tipo Bilhete de Identidade ou Cartão do Cidadão? Se sim, que informação deve conter? Se não, porquê?

 

Imagino que, perante a sugestão da Ana, ela esteja inclinada para defender uma visão minimalista do papel do Estado. Eu não tenho essa opinião. Como julgo ser mais interessante, nesta altura, fomentar este importante debate, permite-me, Ana, responder à tua sugestão com outras duas, um livro e um filme.

 

Primeiro um livro, «The Nazis Census», um estudo que aborda a questão dos censos produzidos na Alemanha Nazi, e apresenta uma leitura da questão sobre o prisma do totalitarismo e do autoritarismo. Neste caso, um regime «fascista» utilizou o Estado, os seus recursos, para construir e manipular uma base de dados da sua população para efeitos maléficos.

 

 

 

Depois um filme, «The Baader-Meinhof Complex», que retrata a história do famoso grupo terrorista de extrema-esquerda alemão dos finais dos anos 60 e inicio dos 70. No filme é abordada - en passant - novamente a questão do uso dos recursos do Estado, agora democrático, para a identificação da sua população, mas agora procurando responder a questões securitárias e policiais. É um bom filme, dentro da linha da nova vaga de filmes memorialistas alemães, que nos obriga a uma reflexão mais densa acerca da sociedade contemporânea; tocando em temas como o papel do Estado, a Liberdade de Expressão (e os limites da mesma) ou a natureza do terrorismo moderno (as suas razões, tácticas e ideologia).   

  

 

Bom, já me alonguei, e não queria; mas quero ainda devolver o beijinho com_paixão à Ana, e desejar-lhe boas leituras.


Por José Reis Santos | Sábado, 15 Agosto , 2009, 12:25

A vida política é muito exigente. Obriga a desenvolver uma capacidade de análise da sociedade complexa, pois não são todos os que conseguem articular todas as variáveis de maneira a conseguirem construir um discurso e uma prática que produza as transformações desejadas para que o progresso social seja efectivo e real. Depois há que gerar ideias, programas, que expressem e apresentem as medidas que, a aplicar, procedam à mudança. Há quem desenhe este processo às abertas, há ainda quem os prefira esconder. Há sempre quem procure tudo esconder.

Há ainda que seleccionar líderes, formar e constituir equipas. Por defeito sistémico, Portugal não escolheu um modelo presidencialista ou unipessoal, o que quer dizer que votamos (com excepção da Presidência da República) em listas. Uma vez mais, há quem dedique a esta variável especial atenção, escolhendo colaboradores de qualidade, dando-lhes visibilidade. Há também quem esconda o jogo até à última e procure refúgio na figura do líder.

É então desta boa articulação triangular que se promovem candidaturas eleitorais: um candidato, uma equipa e um programa. E não basta conseguir apenas uma das variáveis, como alguns por vezes pretendem, porque o conjunto apresenta-se uno. Deixar para a última a apresentação das listas e dos programas é desrespeitar o direito dos cidadãos-eleitores de tomarem conhecimento prévio sobre os diversos projectos políticos.

A táctica do refúgio no cabeça-de-lista, que parece estar a fazer escola no PSD, é do mais redutor e medroso que existe em política, pois subverte a natureza dos actos eleitorais em democracia, não permitindo o acesso à informação completa. Procuram enganar os eleitores e proporcionar-lhes apenas espectáculo de luzes e brilho – ou qualquer outra coisa sem consistência -, para que não se saiba nem se veja o que anda por detrás das mascaras que apresentam, sejam elas um Paulo Rangel, um Pedro Santana Lopes ou um 31 qualquer.

Manuela Ferreira Leite tem usado e abusado destes preceitos. Tudo esconde. Imagina que é-lhe suficiente somente aparecer. Não respeita os eleitores. E pior, Santana Lopes parece estar-lhe a seguir os passos, uma vez que ainda esperamos saber alguma coisa sobre as suas listas para Lisboa. Estará a replicar a estratégia da avestruz da sua líder ou somente a esconder dos lisboetas a escolha da equipa que pretende que (des)governe a cidade? Ou esperem, será que o que Santana Lopes quer evitar é (mais) interferências de Manuela Ferreira Leite? É que ao marcar a Comissão Política Distrital para aprovação de listas para domingo à noite, deixa – de facto – muito menos espaço de manobra para a líder do PSD (e para os seus cães-de-fila alfacinhas) meterem a colher na sopa. Será MFL a «razão burocrática» que se referia Carlos Carreiras, Presidente da Distrital laranja de Lisboa? A ser é um sério upgrade para a senhora, porque abandonaram as acusações de ditadora e autoritária (para não lhe chamar «fascista», como dizia o outro).


Por José Reis Santos | Sexta-feira, 14 Agosto , 2009, 19:55

O sucesso do Simplex e a recente moda das blogconf levou recentemente a que a imprensa tradicional dedicasse mais atenção ao ocorre na blogosfera. O interesse não é de agora, entenda-se (basta recordar a quantidade de articulistas da praça que vieram dos blogues). Agora é apenas mais intenso e complexo. Hoje promovem-se conferências políticas só para blogues, com transmissão online. Hoje há blogues que preenchem páginas de jornais diários, alguns de grande responsabilidade – como o caso do Diário Económico; e foram já várias as reportagens especiais publicadas sobre o tema, do Diário de Notícias à Sábado ou ao Expresso. A verdade é que está na moda explorar a blogosfera política.

Foi isso que a revista Visão fez, no seu último número, e para tal requereu alguns comentários junto de um conjunto alargado e plural de jovens intelectuais (e blogers). Entre eles estava o Rui Tavares, e as suas declarações caíram mal a alguns. Vamos por partes.

Em teoria, o que o Rui disse é verdade. Há realmente quem se aproveite do espaço que conquista na blogosfera para promoção pessoal. Há também quem não se consiga afastar dos discursos oficiais dos partidos que representam ou dizem/julgam representar. Há ainda quem goste tanto do som da sua voz, da cor da sua escrita que – esses sim – devem escrever e declamar rodeados de espelhos e acólitos. Há ainda quem não encaixe em nenhuma destas tipologias, e se limite a «ser ele mesmo», e escrever sobre o que lhe interessa. Há de tudo, portanto. É uma questão de cabeça e de carapuça, e de interpretação.

Eu pessoalmente estou convencido que o Rui tinha um alvo definido quando lhe foi solicitada a opinião. Diz o artigo da Visão, citando o Rui Tavares: «os blogues de apoio a partidos têm "a doença comum do aparelhismo partidário": "São escritos por pessoas interessadas nas suas carreiras políticas e destinam-se a ser lidos como a voz do dono, transformando vozes próprias em deputados de terceira fila."». Referia-se, como me parece óbvio, ao caso do Jamais. Eles sim, simples correias de transmissão, mal oleada, de uma voz se nexo e propósito. Eles sim, representam a interpretação primária da política 2.0. Reúnem um conjunto de acólitos em torno de um não-projecto.

Aqui no Simplex, tocamos numa outra partitura. Aqui a qualidade da nossa pluralidade é mandamento. Não obstante irmos todos votar PS em Setembro, são muito poucas as vidas que daqui se cruzam com a do Partido (e eu até sou uma dessas). Por isso não entendi, na altura, o que o Rogério escreveu sobre o Rui; assim como não entendo o que o Bruno hoje escreve, sobre o mesmo assunto. Não entendo a necessidade que tiverem de se virem justificar, não entendo como não decifraram o destinatário da declaração, e não entendo ainda como não vem na pessoa (e na personna) do Rui um elemento nosso, e o trataram como um «deles» (sejam «eles» o que forem).

O Rui, e com isto termino, faz parte da um grupo sociológico cada vez mais consistente que gravita entre a «ala direita» do bloco e a «ala esquerda» do PS. Um grupo progressista - se quisermos - que procura promover em Portugal, como um discurso de exigência, as reformas necessárias que permitam que mais gente viva melhor, com mais igualdade de oportunidades, mais direitos, liberdade e cosmopolitismo (frase do Miguel Vale de Almeida, segunda-feira no DE). O Rui é, portanto, um dos nossos, e não «deles». Pode não ir votar PS, mas não me importo. Importo-me mais com o que tenho com ele em comum (que é muito), do que dele me separa (que, por vezes, nem é assim tanto).

Bem sei que ainda somos uma democracia jovem, uma meia-democracia, como refere o Bruno Reis, mas temos de perder a mania de por tudo nos picarmos e de tudo nos defendermos. São muitos os casos em que – em política – nos agarramos ao que nos separa, e não ao que nos une; e, apesar da política partidária viver em torno do que nos afasta, a política para o país tem de ser construída em torno do que nos agrega. No resto, venha de lá essa carapuça.


Por José Reis Santos | Quinta-feira, 13 Agosto , 2009, 18:25

Não tenho por habito comentar o que escrevem os nossos adversários do Jamais, mas o texto de hoje do Diário Económico de autoria da Ana Margarida Craveiro é por demais humorístico e contraditório para passar sem um par de observações.

Comecemos pela ideia de uma sociedade «sem papéis». Não sei se influenciada pela recente vertente anarquista do 31, mas a verdade é que esta questão não se coloca na sociedade portuguesa, que se habituou desde há muito a tomar preocupações de registo dos seus cidadãos (para o ano comemora-se o centenário do registo civil). Admito que o o tema levante um bom debate, académico ou teórico, mas sem quaisquer efeitos práticos ou políticos. Nesta linha, estranhe depois que o PSD só tenha recentemente descoberto que o cidadão é, também, um ser abstracto. Enfim, é afinal um conceito já com algumas centenas de anos de existência, mas ao qual o PSD é bem-vindo. Chegam tarde, mas chegaram. A instauração do registo cívil em Portugal, com a I República é afinal a consagração desses príncipios.

Bom, que se avance. Depois usa o chavão da moda - «pessoas primeiro» - para anunciar o seu argumento, mas depois avança com a tal ideia inovadora – e vinda de um não-programa do PSD – de um cidadão abstracto. Como é? As pessoas são cidadãos concretos ou abstracções? E não podem ser as duas? Não sei, pergunto. Um pouco contraditório, não? Depois avança com uma crítica feroz à redução do cidadão a números fiscais, reconhecendo de imediato a responsabilidade cavaquista na condução desse processo. Admito que achei bem curiosa esta passagem vinda de uma apoiante de Manuela Ferreira Leite; com a qual concordo, acrescento. Há de facto muitas responsabilidades a apontar à tal «direita tecnocrata cavaquista», que ameaça agora um comeback que é necessário impedir. Aí Ana, estamos de acordo.

Ainda no mesmo texto, a Ana consegue transformar a não apresentação de propostas por parte do PSD numa produção pensada e visionária. «É para um contexto muito real que as políticas públicas do PSD serão delineadas», escreve, sem se importar que colocar para um futuro incerto a exposição das mesmas é esconder das pessoas informação essencial em vésperas de um acto eleitoral da importância das próximas legislativas. Afinal, não é para as pessoas que o PSD trabalha? Cheguei mesmo a julgar que sim, mas logo me recordei que afinal esse Partido esconde das pessoas o que pretende para o país. Contraditório, não?

Por último, só mesmo o azar de procurar colar o PS à crise e à incapacidade de a resolver, e publicar um texto com esse teor no dia exacto onde foi anunciado o fim da recessão económica em Portugal. Esta foi má sorte. As outras não. Enfim...


Por José Reis Santos | Quarta-feira, 12 Agosto , 2009, 21:06

Em Setembro de 1942 Salazar assumiu as responsabilidades da condução do difícil processo de construção da lista de 90 nomes. A acreditar no relato de Franco Nogueira, o Presidente do Conselho está «emagrecido, as feições estão marcadas, o rosto macilento e afilado, a face encovada, e o cabelo está agrisalhado». Não, não o confundam com outra senhora.

A feitura de listas, ao contrário do que se possa pensar, foi um processo complicado. No total, e para os 90 deputados finais, foram indicados – nos diversos passos do processo - cerca de 250 nomes. E estes provinham de diversas fontes, pessoais e institucionais. O Presidente da Assembleia Nacional, da Legião Portuguesa e da União Nacional apreciaram o trabalho dos deputados de 38-42, e sugeriram que fulano A ficasse e sicrano B saísse. Foi o primeiro filtro. Depois, houve diversas indicações «pessoais», originadas no ciclo íntimo do Presidente do Conselho; negociações com a Causa Monárquica e com outras facções do regime. Por fim, e depois de «ouvir», decidiu tudo sozinho. À boa maneira autoritária-conservadora (estou a ser politicamente correcto). E não, não o voltem a confundir com outra senhora.

Bem sabemos como a arte de construir listas para lugares de eleição política pode ser complexa, mas há coisas que não mudam mesmo. Há quem oiça e respeite as estruturas e as indicações do Partido; há quem prometa ouvir e acabe por intervir de forma ditatorial e autoritária. E agora já não sei se me estou a referir a esta senhora ou à outra.

 

[também publicado na Sábado]


Por José Reis Santos | Quarta-feira, 12 Agosto , 2009, 00:59

A estratégia do PSD para as legislativas só tem plano A: concentrar o poder nos mais fieis, tolerar uma aliança julgada impossível com o candidato a Lisboa, abrir uma pequena janela florida para a sua direita e compensar alguns bons nomes da irreflectida expulsão do Parlamento Europeu. Pelo meio rompe com outros apoios, indispensáveis a quem pretende o poder. Alguns dos que trabalham no terreno.

Tudo bem, se o PSD for o partido mais votado. Na noite eleitoral juntar-se-lhe-iam os agora descontentes e nas semanas seguintes todos os ansiosos do poder, ficando de fora apenas uns tantos, poucos, a lamber feridas. O acordo com o CDS seria rápido e se a união lograsse ser maioritária teríamos a reedição do cenário que Sampaio solicitava nos idos de Junho de 2004. Os protagonistas seriam os mesmos, o Povo já os conhece. Se ainda os respeita, é outra coisa. Teriam pelo menos lugar garantido até Setembro de 2011. O que difícilmente teríamos era o mesmo Presidente. A esquerda de maioria aritmética que não política, encurralada, romperia o cerco escolhendo um candidato comum, que fizesse coincidir a aritmética com a política. Governo de coligação de direita, Presidente de coligação de esquerda, daria pólvora.

Mas pode bem acontecer que o PSD seja o mais votado e não consiga maioria com o CDS. Se o Presidente o encarregasse de formar governo, sem garantias de pelo menos a abstenção de dois partidos à esquerda, o projecto dificilmente passaria e a criança governo saltaria para o colo presidencial.

Restaria sempre o famigerado bloco central. Mas com que autoridade se bateria por ele o Presidente, visto como uma segunda escolha? E com que respeito seria ele acatado pelos excluídos? A partir daí, os cenaristas perdem-se no nevoeiro, até mesmo na tempestade.

Tamanho esforço de romper com a oposição interna (Plano A) pode não lograr o reconhecimento do eleitorado, na muito provável hipótese de o PS ter mais votos. Com um PSD minoritário, empobrecido, encostado à direita. Onde está então o Plano B? A liderança seria questionada de imediato e provavelmente cairia em semanas, roída pela crítica interna. A esquerda agradeceria e também o Presidente, cuja margem de manobra actual se alargaria e a perspectiva de reeleição se confirmaria.

Concluindo, à Drª Manuela Ferreira Leite não resta outro futuro político que não seja levar o PSD a ser o partido mais votado. Mas para o obter dos Portugueses tem de dizer ao que vem, o que lhes oferece. Por enquanto só tem rostos, por sinal quase os mesmos do desastre de 2004-2005. Falta-lhe um programa, que termine com a nebulosa actual, a esconder opções que parecem crueis, mesmo que envergonhadas. Venha o programa.


António Correia de Campos, in Diário Económico

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Por José Reis Santos | Terça-feira, 11 Agosto , 2009, 19:45

A ilegalidade marialvista recentemente cometida – e assumida – pelo 31 da Armada demonstra de forma exemplar a falência do discurso político da direita em Portugal.

De facto, já nos tínhamos apercebido da falência do Jamais, projecto que nunca conseguiu arrancar e que se colou demasiado à partidarite ferreirista; e da falta de coerência no discurso de exigência que por vezes pinta as intervenções de MFL (apresentar uma lista com arguidos é mesmo demais). Também já tínhamos visto que parte da estratégia de combate político da direita passa por uma fuga ao debate e por uma evasão constante à apresentação de propostas concretas e de programas de governação.

Já tínhamos percebido que o momento criado por Paulo Rangel nas eleições europeias tinha-se esfumado; que parte do grupo activo que animou o Papa Mayzena fora limpo do Jamais; e que o PSD – e a direita – estava a perder em toda a linha do combate político. Assim, e perante este cenário, havia que desviar as atenções, procurar quebrar o momento que o PS atravessa e criar novo foco de ruído. E o que foi inventado? Uma entrevista marcante com MFL? Não. A apresentação do programa do PSD? Não. O afastamento das listas de António Preto e de Helena Lopes da Costa? Também não. O melhor que se arranjou para desviar as atenções da formação das listas do PSD, da falta de programa da Manuela Ferreira Leite, foi uma ilegalidadezita marialva.

Assim, depois de a direita ter desistido do debate político, e mesmo blogosférico, assistimos agora – e com algum desplante – ao patrocino pelo desrespeito pelos símbolos das instituições da República, à pratica de roubo, e à glorificação da tontaria como elemento central do discurso e do combate político. Bem sei que tudo vale para captar a atenção da comunicação social; bem sei que há partidos que julgam que a política se faz ocupando tempos de telejornais, dando entrevistas ou procurando a graça fácil. Mas, sinceramente, muito mais era de esperar duma área política que quer governar o país, e de um conjunto de rapazes que – por vezes – se querem passar por gente séria.

«São tontos», podem alguns dizer, numa linguagem desculpabilizadora. Então que como tontos sejam tratados. E deixem as coisas sérias para quem acha que o País merece respeito. (e inclusive que deixam a direita séria não ser confundida com um bando de bombos encapuzados).


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