Por Tomás Vasques | Sexta-feira, 18 Setembro , 2009, 15:48

Os argumentários políticos estão cada vez mais afanados. O PSD passou meses à sombra dos ataques políticos de Francisco Louçã e do BE ao primeiro-ministro, seguindo a «estratégia» de que quanto mais o BE subisse eleitoralmente mais possibilidades o PSD teria de ganhar as eleições. Manuela Ferreira Leite, no debate com Francisco Louçã, disse meia dúzia de vezes que estava de acordo com o dirigente do Bloco. Agora, depois de tanta simpatia derramada sobre a extrema-esquerda (por oportunismo táctico), é que, quase a mijarem-se pelas calças abaixo, vêm alertar contra o perigo «revolucionário» de um governo PS-BE. O PSD pode dormir descansado, como no passado, porque o PS tem história, tem memória e encabeçou, só para exemplo, a grande jornada pela liberdade e pela democracia na Fonte Luminosa.


Por Tomás Vasques | Sexta-feira, 11 Setembro , 2009, 00:30

Por estes dias começou um novo ano lectivo. Com normalidade. Sem qualquer escarcéu. Mas é bom recordar que no último ano lectivo antes deste governo foi um pandemónio: «A situação é obviamente complicada. Estou informado em detalhe, falei com o ministro da Presidência, com o ministro dos Assuntos Parlamentares e com a própria ministra» dizia Santana Lopes, à margem da sua participação na 59 ª Assembleia-geral da ONU, em Nova Iorque, como se estivesse iminente uma guerra nuclear. «Em breve, a senhora ministra da Educação e outros membros do Governo irão falar sobre este tema», afirmava ainda o primeiro- ministro, em desespero, enquanto a ministra Maria do Carmo Seabra declarava que «saberia tirar as devidas ilações caso a lista com a colocação dos professores não fosse divulgada até ao final do dia». Como se não fosse ela a responsável pela situação. Os professores só foram colocados muitos dias depois do início oficial do ano lectivo. Só se passaram quatro anos. E como tudo isto está diferente.


Por Tomás Vasques | Domingo, 16 Agosto , 2009, 19:45

... quem não se sente não é filho de boa gente.


Por Tomás Vasques | Quinta-feira, 13 Agosto , 2009, 20:22

A deputada do BE Helena Pinto terá afirmado a semana passada que “o Partido Socialista tem um programa que é secreto”. Ora, sendo público o programa do PS, a afirmação é uma encenação própria da liturgia e da cultura política da extrema-esquerda.

Mas, comecemos pelo princípio. O BE (uma coligação de extrema-esquerda, unindo personagens e grupos irredutivelmente desavindos nos anos 70 e 80) é o fenómeno político mais relevante desta década. Desde logo, pela capacidade de unir vaidades pessoais e sectarismos de grupo que se anavalhavam nas estreitas e envelhecidas vielas ideológicas que frequentavam. Em segundo lugar, pelos resultados eleitorais e pelo fascínio sobre a juventude que tal convergência produziu. E, finalmente, porque souberam enfeitar a sua matriz ideológica e política e os objectivos estratégicos com fitinhas coloridas, como se de uma prenda de Natal se tratasse.

O invólucro assim enfeitado – que vai da defesa dos animais ao ambiente, das zonas uraníferas ao combate à corrupção – tem lastro para fidelizar o seu eleitorado nuclear (o que opta em função da matriz ideológica) e, ao mesmo tempo – pela transversalidade das «causas» – atrair os descontentamentos, as vinganças e os revanchismos: do PSD, do CDS e, sobretudo, do PS (os que se sentem penalizados por medidas do Governo, sejam professores ou magistrados). O BE repete, hoje, o papel que coube ao PRD há mais de vinte anos: o de tubo de escape de desenfados e pecados. Não faltam sequer coincidências no «discurso» moralista. E, tal como aconteceu com o PRD, também hoje há militante do CDS e padres católicos a abraçarem o BE.

Contudo, o BE não tem nenhuma prenda de Natal para oferecer aos portugueses. Tal como o PCP, o BE só concebe uma sociedade «justa» sem grupos económicos, sem economia de mercado, sem iniciativa privada. Querem repetir as receitas falidas e enterradas nos escombros do muro de Berlim. «A todos o que é de todos» – não é um slogan de ocasião; é todo um programa. Começaria pelo controlo da actividade bancária (afim de estrangular a actividade económica) e um vasto plano de nacionalização dos sectores estratégicos («energia, água, transportes públicos, vias de comunicação, entre outros»), como consta no seu programa. Depois, se lhes fosse permitido, iria por aí fora. Mais cedo ou mais tarde entrariam pelos supermercados a fixar o preço do pão e do leite. Hoje, sabemos onde estes caminhos desembocaram: na miséria, no desemprego e na privação das liberdades.

Há descontentamentos, vinganças e revanchismos eleitorais que podem custar muito caro e durante muitos anos.

 

Publicado no Diário Económico.


Por Tomás Vasques | Sábado, 08 Agosto , 2009, 23:07

O verdadeiro Programa do PSD está aqui sintetizado. É tudo quanto têm para dizer. É de uma pobreza confrangedora, de um humor coxo e politicamente manco.


Por Tomás Vasques | Terça-feira, 04 Agosto , 2009, 23:01

As listas de candidatos a deputados pelo PSD ainda não foram aprovadas em última instância, o Conselho Nacional do partido. No entanto, durante o dia de hoje, a comunicação social, usando as suas fontes, foi lançando nomes, para este ou para aquele distrito. Nomes certos e nomes rejeitados. Em princípio dou pouco crédito a este antecipado baile da cadeira. Mas quando leio, em blogues que defendem o PSD, que as listas de deputados não contam para nada porque o parlamento é insignificante, fico perplexo. E o meu crédito em relação às «fugas de informação» aumenta. Como aumenta a minha preocupação, sobretudo pelo desprezo que apoiantes do PSD revelam quanto à importância dos deputados, do Parlamento e, consequentemente, da democracia.


Por Tomás Vasques | Domingo, 02 Agosto , 2009, 16:51

 Francisco Louçã é o BE. No processo de construção e consolidação do «partido» do «socialismo do Século XXI», o grupo trotskista de Louçã – o PSR – meteu no bolso os maoistas de Fazenda e os ex-comunistas de Portas. O que é natural, já que os outros atravessavam uma «crise de identidade» ideológica e política, enquanto Louçã se mantinha fiel, como sempre, ao seu «mestre» e à Internacional trotskista. Fazenda e o seu grupo, sem Mao Tsé Tung e Henver Hodja, perderam o rumo «revolucionário»; Miguel Portas, sem a disciplina férrea do PCP, entrou em «transição». O que aqui releva é o gato escondido com Louçã de fora. Muitos dos eleitores do BE, armados do «romantismo de esquerda» não param para pensar no que é essencial: que tipo de sociedade é que o BE deseja construir. Louçã, ao longo destes últimos 40 anos, e sobretudo nos últimos 10 anos, em declarações e entrevistas, já disse tudo o que tinha a dizer: nacionalizar os sectores estratégicos da economia, a começar pelo sistema financeiro e, assim, fazer depender do Estado toda a Economia; acabar com os ricos e com o lucro das empresas privadas; «aprofundar» a democracia participativa, o que interpretado à moda de Moscovo, dos anos 20, de Havana, nos anos 60, ou em Caracas nos dias que correm, significa os «comités de bairros» a perseguirem todos os que se opõem ao «regime», enquanto as instituições democraticamente eleitas, como o Parlamento, vão definhando no processo. O «socialismo do século XXI» é uma mera adaptação à «realidade concreta» de um processo de soviétização da sociedade portuguesa. Não há meio-termo, por muito que almas bem intencionadas se esforcem. O argumento de que o BE é uma facção do «socialismo de esquerda» e é parte da «esquerda democrática» é areia nos olhos. Mas, o pior, é que, quem hoje contribui para o crescimento eleitoral do BE, amanhã – se os amanhãs pudessem cantar – seriam os primeiros a amaldiçoar a sua sorte, como aconteceu em Havana e hoje está a acontecer em Caracas.  

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Por Tomás Vasques | Terça-feira, 28 Julho , 2009, 19:14

A minha pergunta, em nome do SIMplex, feita ao primeiro-ministro: é consensual que a Cultura foi tratada, por este governo, como um parente pobre. Não só quanto a dinheiro, mas enquanto estratégia. Há mais de 10 anos que muitas vozes dentro do PS reclamam uma dotação de 1% do OGE para a Cultura. A manter-se assim, perde dignidade o cargo de Ministro e um Secretário de Estado chega para gerir o cargo. Pergunto: o próximo governo socialista, eleito nas eleições de 27 de Setembro, vai alterar esta situação? Passe a imodéstia, esta foi uma das perguntas mais contundentes e objectivas feitas no final de tarde ontem no Encontro de bloggers com José Sócrates. Isto demonstra que, aqui no SIMplex, votamos pela positiva. Votamos no Partido Socialista e em José Sócrates porque queremos um Portugal melhor. Em todas as áreas. Sabemos o que queremos e sabemos quem melhor está preparado para o alcançar. É uma atitude diferente do que por aí circula, sobretudo à direita. Não sabem o que querem, apenas sabem o que não querem. É pobre, muito pobre.


Por Tomás Vasques | Terça-feira, 28 Julho , 2009, 02:31

Realizou-se ontem, ao fim  da tarde, o BlogConf – uma «conferência de imprensa» entre José Sócrates e 20 bloggers, onde participei em representação do SIMplex. Saliento, desde logo, 3 aspectos: primeiro, a iniciativa, com um dos principais candidatos a primeiro-ministro, é inédita entre nós e representa, para além da atenção aos «novos mundos», um exigente desafio à sua adversária mais directa, a líder do PSD; segundo, a pluralidade dos participantes (fiquei ladeado – e bem – por João Gonçalves (Portugal dos Pequeninos) e Rodrigo Moita de Deus (31 da Armada); terceiro, a disponibilidade e a entrega do secretário-geral do PS para responder, durante quase 4 horas, a todas as questões colocadas. Se Paulo Querido, o moderador, não tivesse terminado a sessão ainda teríamos ficado mais uma ou duas horas na segunda volta de perguntas-respostas. Antes de passar às questões concretas, à síntese das perguntas e respostas, que reservo para posts seguintes, sintetizo: José Sócrates mostrou convicção nas propostas que faz, uma linha de rumo coerente para o desenvolvimento e a modernização de Portugal e, sobretudo, uma percepção nítida, mesmo que apenas legível nas entrelinhas, do que não correu melhor na sua governação. Tudo isto, caldeado por um optimismo e uma crença indispensáveis para transpor as dificuldades que nos assolam. O que aqui fica, em síntese, e em genérico, documentarei em concreto amanhã.

PS: desculpem-me o atraso destas notícias.

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Por Tomás Vasques | Terça-feira, 21 Julho , 2009, 02:22

Este blogue – o Simplex – surgiu ontem. Nele se juntaram pessoas que vivem e pensam de modo diferente, mas unidas à volta de uma ideia, como se escreve no Manifesto: «que o Partido Socialista ganhe as eleições de 27 de Setembro próximo, de preferência com maioria absoluta. Só ele pode contribuir decisivamente para que Portugal se mantenha na vanguarda política do século XXI.» Esta iniciativa, normal em democracia, despertou engulhos, sobretudo da parte daqueles que, depois das eleições europeias, engravidaram. O que é normal. Uns referiram-se ao aparecimento deste blog de apoio ao Partido Socialista com fair play democrático, o que é de louvar; outros, menos propensos à elegância democrática, sentindo-se «ameaçados» pelo debate de ideias, descarregaram a bílis, e zurziram ao jeito de quem lhes falta razão: «idiotas úteis» – escreveram uns, com raiva; bando de «rapazes e raparigas» – escreveram outros, encrespados. Ao lê-los, diverti-me: reagiram como se o chão lhes fugisse debaixo dos pés ou o céu lhes tivesse caído em cima da cabeça. Quase abortaram. Por tão pouco. Apenas o manifesto de uns quantos, onde estão homens e mulheres que travaram muitas lutas ao longo da vida, que decidiram apoiar o Partido Socialista nas próximas eleições legislativas. É a democracia, estúpido! - Diria o outro.

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Por Tomás Vasques | Segunda-feira, 20 Julho , 2009, 17:58

 

Quer queiramos quer não, a crise que nos bateu à porta, por via do sub-prime, e que atingiu em primeiro lugar o sistema financeiro antes da economia real, inédito em todas as crises anteriores (e foram mais de 30 nos últimos 250 anos), ainda está longe do seu fim. Mesmo que a actual crise já tivesse «batido no fundo», como alguns optimistas nos dizem, a experiência diz-nos que, a ser assim, ainda faltam quase dois anos para a economia real se recompor, o desemprego abrandar e o consumo reagir positivamente. Até lá é preciso governar atendendo às circunstâncias, sobretudo em matéria de investimento público e de sensibilidade social. Ora, quem não conhece as circunstâncias: o PSD, pela boca da sua líder, já demonstrou que está a leste de tudo isto, quando classificou esta crise – uma das mais profundas de sempre - como um «abalozinho» (e não nos venham exigir «interpretação especial» para as suas palavras, porque aqui há ignorância ou má-fé, e mais nada); quem não tem norte, nem rumo em relação ao investimento público; e, quem, quanto à sensibilidade social, não tem uma ideia, tendo a líder do PSD afirmado que «não há nenhuma medida anunciada por este Governo qual a qual discorde», governar significaria o desastre, sobretudo para quem mais sofre as consequências desta crise. A incapacidade de resposta por parte do PSD transforma-o num perigo para os portugueses, caso ganhasse as próximas legislativas. O desvario e as suas consequências seriam de tal ordem que, três meses depois, já estavam a dar o dito por não dito, e a proclamar que o «abolozinho» era, afinal, a maior crise dos últimos dois mil anos. Nós temos memória!


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