Por João Pinto e Castro | Sexta-feira, 25 Setembro , 2009, 23:44

Há quatro anos, eu não sabia muito bem o que esperar do primeiro-ministro José Sócrates. Agora, acho que o resultado foi muito melhor do que tinhamos direito a esperar, sobretudo dadas as circunstâncias extremamente difíceis da governação, agravadas desde o Verão de 2007 pela avassaladora crise internacional.

Mais, considero que tivemos o melhor governo em 35 anos de democracia.

Também a presente campanha foi uma das melhores e mais entusiásticas de sempre. Poucas vezes, como agora, se discutiram tanto os programas dos partidos, a poucos sobrando dúvidas acerca do muito que distingue uns dos outros. Os debates foram tão esclarecedores como o podem ser nestas circunstâncias. Os eleitores interessaram-se e estão mobilizados para votar.

Neste domingo, não somos apenas chamados a votar num rumo para o governo do país. Está também em causa saber o que pensamos sobre a tentativa de degradação do debate democrático que o PSD sistematicamente protagonizou nesta legislatura.

No dia 27 de Setembro, é indispensável que o voto popular traduza uma clara condenação da política suja que emporcalha a vida pública e boicota o debate racional e civilizado.

Vocês sabem o que está em jogo.

 

 


Por João Pinto e Castro | Sexta-feira, 28 Agosto , 2009, 18:30

 

Mais um extracto da entrevista de Louçã ao Jornal de Negócios de 4ª feira:

P - Esta "desprivatização" da Galp e EDP seria um confisco ou uma compra?

R - Há várias formas possíveis. De Gaulle nacionalizou sem indeminização.

Reparem na subtileza. Se algo grave suceder, o responsável terá sido De Gaulle, não Louçã. (Poderia ter lembrado Vasco Gonçalves, mas, no momento, só lhe ocorreu De Gaulle.) Louçã não se pronuncia directamente pelo confisco: "há várias formas possíveis", constata o homem de ciência. Mas, se até o reaccionário do De Gaulle confiscou...


Por João Pinto e Castro | Sexta-feira, 28 Agosto , 2009, 10:11

Interrogado pelo Jornal de Negócios sobre qual a medida mais urgente para combater a crise se assumisse a liderança do governo, Louçã respondeu:

"A primeira prioridade, porque são precisas medidas de injecção de actividade económica, seria um plano de reabilitação urbana dirigido a uma parte das 500 mil casas que estão desocupadas. Isso envolveria cerca de 2.500 milhões de euros de gastos públicos, 1,5% do produto."

Adoro o rigor da proposta. "Uma parte das 500 mil casas" quantas casas será? Se fossem mesmo 500 mil, o "plano" corresponderia a gastar não mais que 5 mil euros por casa, o que daria para pouco mais que pintar as paredes e mudar as lâmpadas.

 


Por João Pinto e Castro | Quinta-feira, 27 Agosto , 2009, 22:40

 

 

Louçã defende na sua entrevista de ontem ao Jornal de Negócios a nacionalização da Galp e da EDP, e explica: "Pretendemos que os serviços estratégicos de energia e de comunicações sejam públicos." Se é essa a ideia, esqueceu-se de mencionar as empresas de telecomunicações, de transportes e de auto-estradas.

Mais adiante, porém, Louçã precisa o seu pensamento. Os grandes grupos portugueses estão acoitados em sectores onde não há (ou há pouca) concorrência. Ora, não faz sentido deixar à iniciativa privada sectores de monopólio natural. Simpatizo, com reticências, com esta linha de raciocínio.


Por João Pinto e Castro | Sexta-feira, 21 Agosto , 2009, 12:22

Gente traiçoeira foge da própria sombra. Vigaristas temem emprestar dinheiro à mãe. Conspiradores farejam intrigas em toda a parte.

Assim como és, assim verás o mundo. O artigo de Pacheco Pereira na Sábado é o involuntário auto-retrato de alguém demasiado versado nas manhas da baixa política.
PP imagina que, se alguém faz algo, só pode ser a troco de dinheiro ou poder. Homem, fuja das más companhias.
No mundo real há muita generosidade e muita bonomia. Pessoas de todas as inclinações ideológicas intervêm na vida pública por sentido ético, para passarem um bom bocado, para revelarem os seus dotes, para agradarem aos amigos, e por aí fora. Mas – que se lhe há-de fazer? – PP, o pobre PP, só conhece as outras.
Se a mulher a dias de PP colaborasse no Simplex, decerto escreveria sob pseudónimo.

Por João Pinto e Castro | Quinta-feira, 20 Agosto , 2009, 22:29

Pedro Sales (Twitter): "Para usar palavras MFL, não é preciso saber se o PSD foi responsável pela roubalheira no BPN, basta a sensação. Isto tem potencialidades..."


Por João Pinto e Castro | Quinta-feira, 13 Agosto , 2009, 13:19

 

A recessão começou em Portugal mais tarde e acabou mais cedo.

Como justificará agora o PSD a sua teoria de que o país estava pior preparado para enfrentar a crise mundial do que os seus parceiros da UE?

Há acontecimento assim, fatais para teses alucinadas sustentadas em argumentos sem sustentação sólida.

Depois disto, resta-lhes tentar ressuscitar o "caso" Freeport.


Por João Pinto e Castro | Quarta-feira, 12 Agosto , 2009, 13:40

Luis Campos e Cunha, muito angustiado com o estado do país, não encara a possibilidade de votar no PSD porque "tem um discurso muito centrado na questão orçamental. Mesmo sem ter feito uma análise custo-benefício, ele assegura-nos que, para além da questão orçamental, há outros grandes problemas, como, por exemplo, a língua portuguesa e a presença de Portugal no mundo.

Esta declaração é algo estranha, porque Campos e Cunha gasta praticamente toda a sua entrevista ao i de ontem a falar sobre sobre questões orçamentais. Pensando melhor, talvez fosse boa ideia votar na Drª Manuela.


Por João Pinto e Castro | Segunda-feira, 10 Agosto , 2009, 16:07

Maria Clara Murteira, professora na Universidade de Coimbra e especialista em Economia das Pensões, critica hoje em entrevista ao Jornal de Negócios a reforma da Segurança Social do Governo socialista.

In nuce, o seu argumento é este: se as dificuldades do sistema resultam "do abrandamento do crescimento económico e do desemprego, do recurso sistemático à antecipação da idade da reforma e do envelhecimento populacional (...) por que é que a única solução encontrada foi a redução do nível de pensões?"


Por João Pinto e Castro | Sábado, 08 Agosto , 2009, 14:10

Fazer oposição não é fácil, principalmente quando o mundo está tão complicado e o governo não pára quieto.

A ideia do PSD era aproveitar as dificuldades do país para desmantelar a segurança social, o ensino público e o serviço nacional de saúde. Porém, com a ressaca do liberalismo interesseiro que se seguiu à crise despoletada pelo subprime, esse programa perdeu os escassos atractivos que tinha, pelo que vai ser preciso inventar outra coisa.

Ora inventar outra coisa dá muito trabalho. É preciso estudar muito, falar com entendidos, debater em profundidade, experimentar novas ideias, apresentá-las aos cidadãos, recolher as suas reacções e por aí fora.

Depois, os principais figurões do PSD estão sempre muito ocupados com negócios muito importantes, que lhes deixam pouco tempo disponível. A prova é que quase só o Pacheco Pereira tem vagar para fingir que lê livros.

Tanto empreendedorismo em larga escala deixa-lhes pouco tempo para se inteirarem dos problemas que afligem não só as piquenas e médias empresas como também os piquenos e médios cidadãos.

Sejamos compreensivos. O PSD merece uma nova oportunidade para aprender a fazer oposição.


Por João Pinto e Castro | Quarta-feira, 05 Agosto , 2009, 02:58

 

Por razões que me escapam, o Diário Económico de 3ª feira achou boa ideia ouvir o desaparecido Cardoso e Cunha acerca dos prejuízos do sector público empresarial em 2008.

Declarou ele que, no seu modo de ver, elas "estão fora das preocupações de racionalidade económica e são altamente sujeitas a gestões incoerentes e não justificadas". A terminar, desabafou: "Rezemos para que um dia possa haver em Portugal um Governo competente e com condições políticas para actuar racionalmente".

Caso estejam esquecidos, este Cardoso e Cunha foi dirigente do PSD, ministro da Agricultura e Pescas, Comissário Europeu, Comissário da Expo-98 e Presidente Não Executivo da TAP, cargos para os quais foi nomeado por Cavaco Silva ou Durão Barroso.

Nos tempos livres encetou uma ousada obra empresarial nos sectores da agricultura, da pecuária e do turismo, mais tarde alargada a Moçambique e à Guiné.

Dando provas de "racionalidade económica" e "coerência de gestão" a toda a prova, ferrou calotes de grande dimensão aos bancos Santander-Totta, Caixa de Crédito Agrícola, Banco Português de Investimento, Caixa Geral de Depósitos e Banco Comercial Português.

Em 2005, o Tribunal de Comércio de Lisboa declarou a falência pessoal de Cardoso e Cunha na sequência do processo que lhe foi movido pelo Santander-Totta.

O Professor Cavaco Silva sempre revelou grande sensatez na escolha dos seus colaboradores mais próximos.


Por João Pinto e Castro | Quarta-feira, 05 Agosto , 2009, 01:44

Se por acaso as coisas nos próximos tempos corressem de feição ao PSD, o país poderia vir a ser comandado por uma autêntica equipa maravilha. Imaginem só:

 

Presidente da República: Cavaco Silva

 

Primeira-Ministra: Manuela Ferreira Leite

 

Presidente da Assembleia da República: Guilherme Silva

 

Presidente da Câmara de Lisboa: Santana Lopes

 

Ministro das Finanças: Miguel Frasquilho

 

Ministro dos Negócios Estrangeiros: Aguiar Branco

 

Governador do Banco de Portugal: Tavares Moreira

 

Presidente da RTP: Pacheco Pereira

 

Seleccionador nacional: Carlos Queiroz

 

(Encaro esta última situação como particularmente preocupante.)


Por João Pinto e Castro | Terça-feira, 04 Agosto , 2009, 12:12

A ideia fixa da canzoada é comer e procriar, mandatos supremos da sobrevivência e reprodução da espécie. O cão pode ser o melhor e mais dedicado dos amigos, mas nem ao dono suporta que lhe toque quando está a comer. Arreganha ameaçadoramente a dentuça se lhe mexem na gamela, guarda até à morte o covil onde oculta o osso, marca ciosamente o território para dar a conhecer aos intrusos o perigo que correm caso se atrevam a violá-lo.

Se os cães fizessem eleições, as suas disputas centrar-se-iam, estou certo, nos temas mais queridos ao PP: promoção da natalidade a todo o custo; execração da homossexualidade; diabolização da interrupção da gravidez; hostilização dos imigrantes; condenação do auxílio aos mais fracos e fragilizados; obsessão com a segurança; multiplicação das polícias. Por outras palavras: expandir e proteger a nossa matilha num mundo onde ao homem é reservado o papel de lobo do homem.

A esta animalização da vida social proponho eu que se chame a zoo-política.
 


Por João Pinto e Castro | Terça-feira, 04 Agosto , 2009, 01:02

É muito provável que, nas próximas eleições, os partidos da esquerda obtenham, em conjunto, uma votação bem acima dos 60%.

Porém, sendo também possível que o PS não consiga a maioria absoluta, não é óbvio que a esquerda possa tirar vantagem de uma maioria tão dilatada.

Já se sabia que não se pode contar com os comunistas para formar governo. Ficámos recentemente a saber que, enquanto Louçã mandar, tampouco o Bloco estará disponível para coligações ou negociações, tentações do demo que não têm cabimento  no seu vocabulário.

De modo que há quem se entusiasme com a eventualidade de um governo de bloco central patrocinado pelo Presidente da República.

Imaginemos, porém, que, mesmo sem maioria absoluta, o PS se abalança a formar um governo com um programa susceptível de concitar um vasto apoio entre independentes de esquerda.

Como poderá Louçã justificar a oposição sistemática do Bloco a um tal executivo? Como conseguirá manter unido o seu grupo parlamentar durante quatro anos? Como evitará a deserção de apoiantes cansados de uma actividade política sem sentido útil visível para além da exibição mediática dos dirigentes do BE?

A novela Joana Amaral Dias, concebida, escrita e representada por Francisco Louçã, é um sinal antecipado do seu receio de fuga de muita gente insatisfeita com o beco sem saída de uma política orientada pelo rancor e pelo ressentimento.

O Bloco vai ter que portar-se como gente crescida, exigência tanto mais evidente quanto maior for a sua votação. Não há futuro para os meninos da Terra do Nunca.

Ou viabiliza uma solução governativa de esquerda, ou viabiliza uma solução governativa de direita. Game over.


Por João Pinto e Castro | Quarta-feira, 29 Julho , 2009, 11:46

A economista Teodora Cardoso publicou na revista "Economia Pura" de Janeiro/ Fevereiro de 2006 um actualíssimo artigo intitulado "A Obra de Cavaco Silva, a Ciência Económica e a Política".
Nele, recorda-nos que, em 1980, para tentar ajudar o candidato da AD Soares Carneiro a ganhar as eleições presidenciais, Cavaco Silva, então Ministro das Finanças, valorizou o escudo, conseguindo uma descida instantânea dos preços dos produtos importados. Ao mesmo tempo, proibiu as empresas de energia e transportes de repercutirem nos seus preços os aumentos do petróleo resultantes do segundo choque petrolífero. Para terminar, cancelou parte da dívida pública através da reavaliação da reserva de ouro do Banco de Portugal, inscrita no Orçamento do Estado como receita extraordinária.
Em resultado, a dívida externa disparou para níveis nunca antes alcançados. Mas, como as respectivas estatísticas não foram publicadas durante dois anos, só em 1983 o país tomou conhecimento da gravidade da situação. Entretanto, obviamente, o mago das finanças já se pusera ao fresco.
Que estas coisas se tenham passado e que o seu autor tenha emergido de tais peripécias com a reputação incólume, eis o que só se explica pela imprensa saloia que tinhamos e continuamos a ter.


Por João Pinto e Castro | Terça-feira, 28 Julho , 2009, 10:57

- Eu gosto de os ouvir - disse o padre. - Falam assim, mas, em chegando a ocasião, vão todos votar nele como carneiros.
O Brasileiro encolheu os ombros e sorriu, como confirmando o dito..
- Pois havemos de ver o que será! - berrou o Sr. Joãozinho. - Isso é consoante cá umas coisas.
- A falar a verdade - disse o Pertunhas - não tem pago muito bem ao círculo o nomeá-lo há tantos anos seu deputado; só essa teima agora em querer obrigar o povo a enterrar-se no cemitério!
- Essa, a falar verdade! - disse um lavrador.
- Quero ver se lá me hão-de enterrar a mim! - disse ameaçadoramente o Sr. Joãozinho, como se esperasse, ainda depois da morte, impor as suas vontades à força de murros e de pragas. 


 


Por João Pinto e Castro | Quinta-feira, 23 Julho , 2009, 14:58

António Carrapatoso e Joaquim Goes sublinham que, ao apresentarem o balanço que o Compromisso Portugal faz do desempenho do actual Governo, o fazem enquanto cidadãos interessados nos destinos do país e não enquanto, respectivamente, Presidente Executivo da Vodafone e Administrador do BES.

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Por João Pinto e Castro | Quinta-feira, 23 Julho , 2009, 00:25

Um dos meus queridos amigos Ladrões manifestou-se um tanto indisposto pelo apelo do Simplex ao voto no PS nas próximas legislativas.

Relembra-nos ele que estamos, afinal, a apoiar "o mesmo [PS] que, por razões eleitorais, chumbou no parlamento o projecto-lei pela igualdade de acesso ao casamento civil por parte de pessoas do mesmo sexo; que estrangulou financeiramente as Universidades e aprovou cursos de mestrado em gestão e manutenção de campos de golfe; que aprovou, contra toda a oposição e parte do seu partido, um Código do Trabalho que retira direitos e benefícios aos trabalhadores mas foi incapaz de aprovar medidas efectivas contra a corrupção; que inventou os PIN para poder desafectar largas parcelas de reserva ecológica nacional e entregá-las à especulação imobiliária e ao apetite dos grandes grupos económicos; que se deixou envolver em trapalhadas com o Freeport, o TGV, o novo aeroporto, o terminal de contentores de Alcântara."

Embora não pareça, sou um sujeito muito influenciável. Dei por isso comigo a pensar que, se calhar, votar PS talvez não seja boa ideia.


Por João Pinto e Castro | Segunda-feira, 20 Julho , 2009, 17:52


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