Por Vera Santana | Quarta-feira, 02 Setembro , 2009, 20:22

 

Diz a Ministra da Educação em fim de mandato, terem existido problemas de comunicação entre o Ministério e os Professores do Ensino Básico e Secundário. Esta declaração, neste momento, pode ter várias leituras. Num primeiro momento a leitura recai sobre a constatação de um erro de forma conjugado com objectivos e conteúdos governativos considerados correctos. A reforma do Ensino Básico e Secundário – tal como foi pensada por este governo - sai, por conseguinte, ilesa desta afirmação de Maria de Lurdes Rodrigues.
 
Quanto à auto-apreciação da forma, pode significar um mea culpa e/ou um aviso ao Ministro ou Ministra que se segue. A ser um mero mea culpa, não posso deixar de o considerar tardio e extemporâneo. A ser um mero mea culpa considero-o ainda uma auto-injustiça, uma vez que um acto de comunicação implica a existência de, pelo menos, dois comunicantes, no presente caso os representantes dos Professores e a Ministra. A ser assim, a questão complica-se e o que parece ser um mea culpa é-o mas é também a constatação das dificuldades “maiores” em negociar com os Sindicatos dos Professores, o que acaba por se constituir como um duplo aviso à navegação: a reforma iniciada é para ser continuada; é necessário restabelecer a comunicação. Ora uma comunicação interrompida só pode ser restabelecida a partir do momento em que cada protagonista reconheça o(s) outro(s) nos seus direitos, deveres e especificidades. Neste acto de (in)comunicação de quatro anos temos, não dois, mas três protagonistas: o Ministério da Educação, os Sindicatos dos Professores e os Professores.
 
Os actos de comunicação entre estes três protagonistas têm sido sempre desiguais, devido a obstruções de vária ordem e a ruídos de várias naturezas. Mais do que ouvir a Ministra, os Professores ouvem os seus representantes, os Sindicatos, e agem com a raiva que estes lhes transmitem. Mais do que ouvir os Professores, no terreno, nas aulas, nas Escolas, a Ministra tem ouvido sobretudo os Sindicatos. Esta mediação, democrática e socialmente aceite, tem sofrido “ruídos” à comunicação, ao ser instrumentalizada por muitos dirigentes sindicais dos Professores com o objectivo principal de “destruir a maioria absoluta socialista”.
 
Não é difícil de efabular um quadro a partir de um cenário imaginário no qual a mediação sindical viesse a ser instrumentalizada pelos mesmos dirigentes dos Sindicatos para “destruir a maioria bloquista”. Porque as regras de acesso aos lugares de topo na carreira docente vão ter de assentar, sempre e para sempre, em avaliações e nunca mais em antiguidade. Porque a reforma do Ensino, nomeadamente a institucionalização da Escola a tempo inteiro não é um filme passível de fazer passar no sentido do passado.
 
Pode, por conseguinte, concluir-se ser a afirmação da Ministra um mea culpa e ser, sobretudo, um aviso a todos os partidos que se candidatam às eleições legislativas, Partido Socialista incluído: “atenção, o problema vai continuar!”
 
 
Nota
Acabo de ouvir os Sindicatos a rejeitarem liminarmente esta apreciação (que consideram “superficial”) da Ministra, o que reforça a minha tese. Quem avisa ... amigo/a é! Fiquem os políticos – de todos os partidos – cientes de que, para os Sindicatos, “a luta continua!”, independentemente da impossibilidade de a Escola voltar a funcionar a tempo parcial.

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