Por Palmira F. Silva | Domingo, 20 Setembro , 2009, 11:06

Imperdível a crónica de Ferreira Fernandes no Diário de Notícias de hoje, a propósito do nacional-achismo, certamente o responsável para que, em Agosto, o Público decidisse transformar suspeições com "explicações grotescas"  (provedor do Público dixit) em manchetes sensacionalistas. Diz o cronista no seu «Ele acha, logo existe»:

 

«Não venham cá com os vossos factos que eu tenho as minhas suspeitas - eis Portugal cada vez mais assim. Já tínhamos os inspectores da Judiciária que falhavam uma investigação sobre factos e acabavam a vender livros sobre as suas suposições. Isso era a prática corrente - as vitórias morais no futebol eram a expressão mais popular dessa tendência. Há semanas, uma líder partidária, Manuela Ferreira Leite, decidiu dar base programática à coisa: "Eu não quero saber se há escutas ou não, eu não quero saber se há retaliações ou não, o que é grave é que as pessoas acham que há." O nacional-achismo passou a doutrina oficial.»

 

E já que estamos em achismos, acho que o último parágrafo é realmente importante, porque se fosse real o tal clima de medo, a tal asfixia democrática com que o PSD substituiu um programa vazio e a total falta de ideias, não floresciam tantas teorias achistas, sem qualquer sustentação...

 

«Como se sabe, o achismo vive numa nebulosa e alimenta-se de leves impressões - tivesse sido encontrado um pequeno facto e lá ia a tese de Belém por água abaixo. Felizmente, podemos continuar a achar, a suspeitar, a desconfiar. É um modo de vida como outro qualquer. Só peca quando descamba para a sua variante de apontar o "clima de medo que se vive." A frase destrói a tese. Se houvesse mesmo um clima de medo, eu acho, suspeito e desconfio que não havia tanta gente a apontá-lo.»


Por Ana Vidigal | Sábado, 12 Setembro , 2009, 22:27

 


Por João Galamba | Terça-feira, 01 Setembro , 2009, 14:17

O Rodrigo Adão da Fonseca escreve hoje, no Diário Económico, um artigo importante para perceber a estratégia económica do PSD. E a estratégia é: o governo não deve ter qualquer estratégia de desenvolvimento. Simples e claro. Mas errado, tendo em conta a situação económica e os desequilibrios estruturais do país.

 

Escreve o Rodrigo: "O PSD defende um modelo económico que desonera as empresas, em especial, as PME, mas num plano de igualdade de oportunidades, com medidas transversais que aproveitam a todos". O meu problema com esta passagem é que ela é neutra entre soctores de actividade e entre opções estratégicas, isto é, torna-se irrelevante se apoiamos empresas que produzam bens de elevado valor acrescentado, sectores com elevado potencial exportador, industrias que apostem em baixos salários ou industrias que pretendam investir em capital humano e na qualificação dos seus trabalhadores. O que o Rodrigo diz — e o PSD também — é que, de um ponto de vista político, não interessa o que as empresas façam, desde que se comportem como empresas. Esta estratégia — cega, indiferenciada — não responde de forma minimamente satisfatória a um desafio fundamental: como contribuir para mudar o paradigma produtivo português, demasiado dependente de baixos salários e de produtos com baixo valor acrescentado que tem sido o principal responsável pelo nosso atraso económico?



Por Eduardo Pitta | Terça-feira, 01 Setembro , 2009, 12:28

O João Miguel Tavares, insuspeito de simpatia pelo PS, comenta hoje no Diário de Notícias duas passagens do programa eleitoral do PSD:

 

«Há um ponto muito importante no programa eleitoral do PSD que a comunicação social não tem valorizado devidamente. Encontra-se na oitava página do auto-intitulado "Compromisso de Verdade", e garante que um futuro governo liderado por Manuela Ferreira Leite vai "consagrar a possibilidade de amortização do goodwill para efeitos de IRC, na aquisição de empresas em actividade, bem como do reporte de prejuízos mesmo que o capital da empresa seja transaccionado em mais de 50% (sem necessidade de requerimento ad hoc )." O que é que isto quer dizer? Eu não faço ideia. Mas que é sintomático, é. E explico porquê.

 

É que quando chegamos à parte das promessas sobre Justiça, encontramos esta frase singela: "Daremos real combate à corrupção a todos os níveis, e reforçaremos a repressão do enriquecimento injustificado no exercício de funções públicas." E nada mais é dito. Fazendo as contas, temos então um programa eleitoral que dedica 254 caracteres a amortizar o goodwill para efeitos de IRC (certamente o sonho de milhões de portugueses) e 143 caracteres a atacar a corrupção a todos os níveis, esse problemazito insignificante. Eu diria que há um certo défice de goodwill quando se trata de especificar medidas em matérias realmente incómodas e relevantes, e que são parte fundamental do cancro que mina a competitividade do País. [...]»

 


Por Ana Paula Fitas | Sábado, 29 Agosto , 2009, 20:33

O apoio de Pina Moura ao programa do PSD não deve surpreender ninguém. Pina Moura veio assumir o que já de há muito se percebera estar presente nas escolhas subjacentes ao seu percurso profissional. Seduzido pelo fascínio dos grandes negócios e do mundo do dinheiro que ignora e minimiza, nas suas prioridades, o domínio social em que se move o mundo real dos cidadãos dolorosamente marcado pelo desemprego e o empobrecimento da qualidade da vida, o testemunho de Pina Moura vem subscrever afinal, um programa político que mais não é do que o Manifesto dissimulado do neo-liberalismo reeditado à maneira portuguesa, no contexto de um mundo que assumiu, com a crise, a dúvida sistemática sobre a utilidade e adequação do mercado sem regulação. O programa do PSD é, para além da ambiguidade vaga de uma demagogia populista e insidiosa, um apelo ao ressuscitar de receitas gastas e prejudiciais ao recuperar de uma economia que só com um planeamento tranquilo e coordenado pode consolidar a tímida convalescença que se anuncia.

 

(Este post foi também publicado nos blogues: A Nossa Candeia e Público-Eleições 2009)


Por Palmira F. Silva | Sábado, 29 Agosto , 2009, 10:53



Logo na sua prioridade máxima, a economia, podemos ler no programa do PSD um ponto 15 referente a energia. Este ponto, tirando as políticas energéticas do actual governo que prometem continuar (estas aparentemente não rasgam nem repudiam), é um conjunto vazio de propostas em que se debitam uma série de termos que estão no ouvido do eleitorado, alguns em sintaxes que me deixam perplexa, outros, como os biocombustíveis, que espero sinceramente sejam apenas buzz words lançadas inconsequentemente.

 

Tal como no resto do programa, parece-me no entanto que o PSD, por uma razão que não percebo nem vem inscrita em nenhum lado, considera que o facto de ser governo seria q.b. para que os cidadãos, e em particular as empresas privadas, alterassem drasticamente os comportamentos. Por isso, considera não ser necessário apresentar qualquer proposta nem linha de acção concretas num programa que assume que o futuro do país assenta exclusivamente na mão da iniciativa privada que, num passe de mágica, só porque o PSD é governo, vai fazer milagres por motu proprio.

 


Por Sofia Loureiro dos Santos | Sexta-feira, 28 Agosto , 2009, 22:22


Não é fácil analisar o programa do PSD em matéria de saúde, porque é curto e pouco específico. Mas é claro e transparente no que se refere à redução do papel do Estado.

 

O PSD aposta no mercado para melhorar o acesso aos cuidados de saúde, usando incentivos para hospitais / unidades de saúde para diminuir as listas de espera cirúrgicas; aposta no aprofundamento da rede de cuidados primários e continuados, no rastreio e referenciação da doença.

 

Propõe-se privilegiar o aumento da pluralidade na prestação de cuidados de saúde pelo aumento do papel fornecido pelo mercado privado e introduzir uma separação (...) funcional, e porventura, orgânica, entre o financiamento, a prestação e a regulação da saúde, que permita simultaneamente a maior abertura ao mercado concorrencial e a melhor clarificação das relações entre os sectores público, privado e social. (...)

 


Por Mariana Vieira da Silva | Sexta-feira, 28 Agosto , 2009, 15:02

Depois de lido o Programa e ouvido o discurso de Manuela Ferreira Leite podemos concluir: o PSD não quer ser Governo e Manuela Ferreira Leite não quer ser Primeira-Ministra. 

A candidatura do PSD, com aquele Programa, parece ser uma candidatura a um Gabinete de Estudos. Vejamos: reanalisarão o TGV, estudarão a introdução do plafonamento na segurança social, estudarão soluções para a carreira e avaliação de professores, reavaliarão as parcerias público-privadas na saúde. E, entretanto, pedem-nos para esperar.

 

Soluções de governo? Respostas para a crise? Não. O PSD ainda tem de estudar.


Por Eduardo Pitta | Sexta-feira, 28 Agosto , 2009, 11:40

Estou pasmado com o programa eleitoral do PSD. Em futura edição revista, o documento configuraria o programa de um hipotético governo de Manuela Ferreira Leite — ou, segundo consta com cada vez mais insistência nos círculos que contam, de um governo chefiado por Eduardo Catroga —, ontem apresentado. Será por isso que Marques Mendes insistiu na necessidade de o partido divulgar, antes das eleições, a composição do governo-sombra do partido?

 

[...] Propondo menos Estado, o PSD não diz como fazê-lo. A vacuidade permite todas as possibilidades. Despedir 40% dos funcionários públicos, o que significaria acrescentar 300 mil desempregados ao meio milhão que já temos? Reduzir vencimentos? Congelar pensões de aposentação? Privatizar a Caixa Geral de Depósitos? Extingir 50 institutos públicos? Extinguir a ADSE? Reduzir as discrepâncias entre corpos especiais (médicos, magistrados, professores, militares, diplomatas, etc.) e o regime geral? Abolir as tenças dos funcionários do ministério das Finanças? Abrir mão das golden shares? Privatizar a distribuição de água? [...]

 

Ler o resto aqui.

 


Por Ana Vidigal | Sexta-feira, 28 Agosto , 2009, 00:06

                                O planeta laranja apresentou hoje o programa...


Por Palmira F. Silva | Quinta-feira, 27 Agosto , 2009, 19:49

Se o programa do PSD em relação ao Ensino Superior público é um reconhecimento de que trabalhamos tão bem que assumiu como sua a nossa missão, as poucas linhas que debitou sobre ciência, ou antes, em relação a investigação, desenvolvimento e inovação, são um louvor às políticas do PS na área. Mas o etc. que inscrevem nas parcas linhas que ao tema devotam indica que não fazem ideia do que este etc. significa.

 

Por outras palavras, embora implicitamente reconheçam o óbvio, que é necessário um choque tecnológico que aproxime Portugal das economias do conhecimento, não fazem a mínima ideia como é que se promove o ambicionado «sistema estruturado de inovação científica e tecnológica». Poderiam perguntar como se faz ao PS, cujas políticas são responsáveis pelos progressos absolutamente fantásticos que conhecemos nos últimos anos - e que a Graça Carvalho, felizmente, conseguiu não serem  «rasgadas» ou «repudiadas» durante os governos Durão e Santana Lopes.
 


Por Palmira F. Silva | Quinta-feira, 27 Agosto , 2009, 19:31

E afinal é um bocadinho mais que uma página A4. Infelizmente, os pontos para que já olhei, ensino superior e ciência, são constatações da realidade já existente, sem uma única proposta ou ideia concreta ou nova. Na realidade, apenas o primeiro parágrafo suscita alguns comentários porque a prosa restante  poderia ter sido inspirada na página de qualquer Universidade ou Escola. Ou seja, o ponto 5 da prioridade Educação traduz aquilo a que normalmente nos referimos como a nossa «missão», para a qual o único incentivo que precisamos é autonomia que a permita cumprir e que não nos estrangulem a nível de Orçamento de Estado ou de burocracia.

 


Por Hugo Mendes | Quinta-feira, 27 Agosto , 2009, 18:46

 

“o combate à pobreza tem estado sempre na dianteira das politicas sociais [do PSD]”

(MFL discurso de apresentação do programa)
  

A sério? Atente-se nos anos em que o combate à pobreza e às desigualdades sofrem um atraso: 

                                             
                                                                ***
 
Objectivo do PSD inscrito no seu programa:
«melhorar a eficácia do rendimento social de inserção»
(p.15)
  
A sério?
Porque será então que em Janeiro de 2005 o prazo médio de pagamento do Rendimento Social de Inserção aos seus beneficiários estava nos 184 dias (o que compara com os 60 dias em Novembro de 2008)? E porque será que a percentagem de beneficiários com contrato de inserção estava, no mesmo mês de 2005, em 28% (estava em 88% em Novembro de 2008)?

 


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