Por João Galamba | Terça-feira, 22 Setembro , 2009, 02:42

Não deve explicações aos Portugueses? Haja vergonha.


Por Ana Vidigal | Domingo, 13 Setembro , 2009, 11:37

 

 


Por Tiago Julião Neves | Domingo, 13 Setembro , 2009, 05:53

Ela teve uma vida de estudo, uma vida académica, uma vida profissional, muitas conferências, muitas coisas escritas, experiência governativa... e agora voltou para nos livrar dele! 

 

 

Defensora da liberdade e da transparência (quando não aceita que lhe questionem uma certa seriedade política ou quando pede para se silenciarem incertas manifestações de camaradas espanhóis), baluarte da rectidão moral (quando reabilita Santana, incensa Jardim ou convida António Preto) esta personagem está muito além da plasticidade das palavras, do nevoeiro da dúvida e da escorregadia realidade factual.

 

Aquilo que diz e faz não importa. O que importa é aquilo que acha que disse e fez. Se há provas cabais que a desmentem, isso também não importa. Em MFL a essência não importa, ela é suprema e inatingível. O que importa é a substância cósmica, é a intuição sensível e o enlevo de sensações. MFL flui numa nuvem de sublimação ética e infinita elasticidade que lhe permitem reinventar continuamente a realidade.

 

Se MFL se exalta com a exposição pública das suas incongruências, lida mal com a insistência de jornalistas e adversários políticos, isso também não importa. MFL quer um cheque em branco devemos dar-lhe claro um destes... 

 

A proliferação de declarações contraditórias num tão curto espaço de tempo relativamente a temas tão diversos e importantes como a privatização da saúde e da educação, a importância da alta velocidade, ou as auto-estradas SCUT também não interessam. Só os medíocres é que analisam factos, os grandes políticos odeiam os espanhóis e desconfiam dos órfãos.

 

Ver aqui o debate entre José Sócrates e Manuela Ferreira Leite.


Por Tiago Julião Neves | Segunda-feira, 07 Setembro , 2009, 18:37

De acordo com MFL não há "asfixia democrática" na Madeira porque "quem legitima o poder é o voto do povo e não está ninguém aqui por imposição, é em resultado dos votos", acrescentando que "há asfixia democrática no continente" onde "todos os jornalistas, todos os empresários, muitas das pessoas da sociedade civil, percebem que estão sob algum tipo de chantagem".

 

Notícia publicada no Público de hoje, jornal que se suspeita ter sido adquirido overnight por sociedades secretas ligadas ao PS via uma offshore de bivalves nas Bahamas.


Por Palmira F. Silva | Sábado, 05 Setembro , 2009, 11:05

 

Há uns tempos escrevi um post na jugular que aborda o que se pensa ter sido a primeira guerra da propaganda, com os resultados, catastróficos, que podem ser apreciados em San Giminiano na Toscana. Esta forma de combate político medieval, assente na maledicência e destruição do trabalho do oponente, deu um contributo não despiciendo para que a cidade que era um dos mais florescentes centros italianos à época seja hoje uma pequena vila medieval com interesse apenas turístico.

 

Naquele que se pensa ser o primeiro cartaz de propaganda da História,  os apoiantes do papado romano acusavam os seus rivais seculares, os gibelinos, de promoverem o «pecado» considerado mais herético, «o agir contra natura, desarmonia, e falta de sentimento de comunidade». Por outras palavras, os guelfos, assentes na mitologia então dominante, lançavam um boato infundado sobre os seus oponentes políticos e acusavam-nos de fomentarem o colapso civilizacional.

 

Os últimos episódios da politiquice nacional, em que, à falta de ideias, se ululam, com estridência e grandes rasgos de vestes, acusações análogas - com o intuito de obnubilar a discussão e induzir enviesamento cognitivo no eleitorado -, fizeram-me recordar estes métodos de propaganda política. Em particular, fizeram-me recordar as consequências deste tipo de irresponsabilidade política.

 

Lançar suspeições totalmente infundadas em todas as direcções e esperar que pelo menos algumas peguem, não é debate político admissível no século XXI, muito menos na grave situação em que o país se encontra. Que ficará certamente certamente mais grave se continuarmos o que comentadores sortidos se devotaram ontem em todas as televisões: discussão de boatos e teorias da conspiração em vez de debate de ideias. Se não pretendermos pôr em causa o futuro do país, importa recentrar no que é realmente importante. E importa sobretudo recordar as lições da História e ter presentes as torres de San Giminiano...


Por Tiago Julião Neves | Sexta-feira, 04 Setembro , 2009, 16:18

As últimas semanas mostraram ao país um novo e arrojado PSD, um partido que corajosamente rejeita o logro da discussão de ideias e envereda destemido pela fascinante selva da intriga e da suspeição. A novela MMG é apenas a mais recente aquisição.

 

Esta delta force da guerrilha ideológica sabe que os factos não interessam e que as ideias são a arma dos fracos. Um ataque pessoal bem medido ao estilo Palin-McCain e é sucesso pela certa.

 

Ergueram um véu de ignorância (que de original não tem nada) e esperam que este os abrigue da lama que projectam e disfarce a mediocridade dos líderes que os conduzem.

 

Sugiro que deixemos o PSD moralista e cínico a brincar sozinho e nos concentremos na discussão de propostas para a sociedade, economia, ambiente e cultura nos próximos 4 anos. Se tivermos intervenientes dignos que apoiam outros partidos óptimo! Senão ao menos teremos cumprido o nosso dever.


Por Tiago Julião Neves | Terça-feira, 25 Agosto , 2009, 04:18

Na excelente série Flight of the Conchords, o incompetente Murray, manager em part-time da banda de Bret e Jemaine, tem no seu gabinete um poster do turismo da Nova Zelândia que bem poderia ser o lema do PSD para as próximas eleições.

 

 

Ao contrário deste magnífico país que apresenta razões de sobra para o visitar, votar no PSD actual é uma odisseia bem mais complicada para o eleitor consciente que admira um debate de ideias inteligente e provocador.

 

Existe na esquerda e na direita esclarecidas uma extrema desilusão com a derrocada intelectual em curso no PSD, partido que já deu no passado contributos bem mais valiosos do que aqueles que dele hoje se podem esperar. A fuga interesseira de Durão precipitou a queda no abismo que Santana e Menezes escavaram, e as ténues esperanças depositadas em Ferreira Leite foram defraudadas com episódios graves como a reabilitação de Santana, o silêncio sobre Alberto João e a inclusão de António Preto e Helena Lopes da Costa nas listas do PSD.

 

A permanente estratégia de crítica destrutiva, os silêncios misteriosos e a miséria franciscana das ideias apresentadas são motivos para ter muito medo e pouco respeito por este PSD.

Na sua mais recente entrevista MFL teve o descaramento de falar em asfixia democrática em Portugal, escamoteando o facto do seu principal foco ser precisamente na Madeira, desgovernada por um político boçal, populista, homofóbico e prepotente que desrespeita sistematicamente as mais altas instituições da República. Tolerar Alberto João no PSD é o mais nefasto exemplo da submissão do interesse nacional ao interesse partidário oportunista.

 

A ideia de que o programa de governo do PSD cabe numa folha A4 (ao melhor estilo nouvelle cuisine política) é também ofensiva porque denota falta de empenho, falta de ideias, e de certeza pouco respeito pelos eleitores. Um programa não são promessas, são objectivos que servem de roadmap ao partido que tiver o privilégio de formar governo. Se a visão estratégica do PSD para a próxima legislatura cabe numa folha A4, alguém não fez o trabalho de casa.

 

A tardia apresentação do programa mistério além de dificultar a realização de um debate aprofundado sobre as ideias que o PSD defende para Portugal na próxima legislatura, revela sobretudo desconsideração pelos seus apoiantes e pelos eleitores em geral.


Em suma, penso que alguém devia explicar a MFL as diferenças entre um programa político e a constituição da equipa de futebol do próximo domingo, essa sim cabe numa folha A4 e deve ser guardada em segredo até à última.


Por João Constâncio | Domingo, 16 Agosto , 2009, 12:00

Na quinta-feira, quando saiu a notícia de que o PIB cresceu 0,3% no último trimestre, pensei que MFL iria ficar sem discurso. Até esse momento, o seu discurso tinha apenas quatro ideias: 1) Portugal está em crise, 2) A causa dessa crise são as políticas do Governo, 3) essa crise não tem nada que ver com a crise internacional, 4) Sócrates é um aldrabão. Como conciliar estas ideias com o facto de Portugal ter sido um dos únicos cinco países europeus a apresentar algum tipo de crescimento económico desde o afundamento geral em Setembro de 2008? Como negar toda e qualquer relação (mesmo que ténue) entre as políticas do Governo e o facto de Portugal ter sido um dos últimos países europeus a entrar em recessão económica e um dos primeiros a apresentar sinais de recuperação? Certamente MFL não ignora que haver crise resulta de não haver crescimento económico? Certamente também não ignora que o desemprego só baixará se passar a haver crescimento económico? Não, claro que não ignora — ela própria tem afirmado repetidamente que os problemas do País (incluindo o desemprego) só se resolvem quando forem criadas condições para que haja crescimento económico.  Como MFL não disse nada na quinta-feira, concluí que tinha ficado mesmo sem discurso. Só lhe restava a ideia de que Sócrates é um aldrabão. Não que isso seja pouco. Pelo menos enquanto o caso Lopes da Mota não estiver encerrado, há toda uma bolha mediática que pode continuar a ser explorada até ao dia das eleições. Mas ter apenas isso é diferente de dispor de um discurso que articule um raciocínio e que apele directamente à carteira dos Portugueses: “é do facto de Sócrates ser um aldrabão que resulta, infalivelmente, a crise em que o País se encontra”. Na sexta-feira, quando saiu a notícia de que o desemprego subiu para 9,1% no último trimestre, MFL falou. Sem dúvida que precisou de muito sangue frio. Não é qualquer um que consegue dizer que os números do PIB se explicam pela evolução da crise internacional, mas o números do desemprego se explicam pela evolução da crise nacional. MFL já estava habituada a insistir na ficção de que a crise internacional e a crise nacional são duas coisas separadas. Mas agora acrescenta que os números do PIB e os números do desemprego também são coisas separadas. E isto é realmente novo. Afinal, a nossa crise não tem nada que ver com o crescimento económico, visto que este flutua exclusivamente em função da crise internacional e diz respeito apenas à crise internacional. Afinal, a nossa crise é apenas uma crise de falta de emprego, que não está relacionada com a falta de crescimento económico (pois, se estivesse, estaria relacionada com a crise internacional). Afinal, não há qualquer relação entre o emprego e o crescimento económico. O facto de o desemprego ter aumentado menos neste trimestre do que no anterior é irrelevante; o facto de os números do desemprego tardarem sempre a acompanhar os do PIB, também (visto que nem há relação entre eles). Tudo isto configura uma teoria económica heterodoxa, e o Português em que MFL costuma exprimir-se também não ajuda a esclarecer a subtileza da sua análise, mas eu atrevo-me a dar uma ajuda. É assim: 1) Portugal está em crise, 2) A causa dessa crise são as políticas do Governo, 3) essa crise não tem nada que ver com a crise internacional, 4) Sócrates é um aldrabão.

Veja o vídeo: http://noticias.sapo.pt/info/artigo/1011745.html

 


Por João Galamba | Sexta-feira, 07 Agosto , 2009, 01:33

Em resposta a este meu post, o Rodrigo Adão da Fonseca escreveu:

 

"É perfeitamente possível ser-se "democrata" e aspirar a um papel secundário do Parlamento. Aliás, em Portugal, o Parlamento tem vindo claramente enquanto instituição a perder o respeito dos eleitores, por contraposição ao Presidente da República que é no nosso quadro democrático a figura mais respeitada (...) tenho de aceitar que no quadro da democracia portuguesa, é na instituição "Presidente da República" que reside, actualmente, a dignidade e a garantia do Regime. E é essa a opinião, também, da maioria dos portugueses. Julgo até que seria bastante positivo que no próximo ciclo político houvesse uma forte aproximação entre o Presidente da República e o Governo, não apenas uma "cooperação estratégica", mas uma forte cumplicidade institucional e pessoal entre ambos, a bem do país e da coesão necessária para enfrentar as difculdades que se avizinham"

 

O Rodrigo Adão da Fonseca confunde popularidade do presidente da república com apoio ao presidencialismo ou apoio ao reforço dos poderes presidenciais. Será que nunca lhe ocorreu pensar qual a razão que leva os portugueses a gostar tanto dos nossos presidentes? Deixo-lhe aqui uma pista: ausência de poder executivo. E, já agora, uma aposta: no dia em que Portugal tenha um regime presidencialista, a popularidade de um presidente abandona os níveis de embevecimento actuais. É certinho como o destino.


Ver mais... )

Por João Galamba | Quinta-feira, 06 Agosto , 2009, 01:31

Os apoiantes de Ferreira Leite podem aplaudir a lista apresentada pelo PSD. Também podem dizer que é decepcionante — a crítica não é incompatível o estatuto de apoiante. O que não podem é dizer que é irrelevante e escrever, como o João Gonçalves, assumindo o papel de vanguarda (iluminada, claro) da plebe: "Experimente perguntar às pessoas fora deste circuito mediático-intelectual em que todos nós mais ou menos navegamos, o que é que as pessoas pensam do Parlamento e da deputação nacional". Defender que as listas (e o programa) são irrelevantes porque "o povo está-se nas tintas para essas coisas",  é todo um programa. E é um programa que qualquer democrata tem a obrigação de repudiar de forma veemente. Aqui não há a posição do partido A ou B: para um democrata, certas instituições são sagradas. A pergunta que a Sofia deixou ao João Gonçalves (e a todos que pensam como ele), é fundamental:  "Se descrê do regime, porque pactua activamente?"

 

Antecipando uma crítica: os ironistas e os cínicos vêem em toda a reacção apaixonada um exemplo de histeria.  Mas, para um democrata, o compromisso para com as instituições constitutivas da vida democrática não é compatível com ironia ou com cinismo para com essas mesmas instituições. Sei que o João Gonçalves gosta muito de Richard Rorty e de Peter Sloterdjik; tenho a certeza que nunca os entendeu.


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