Por Bruno Reis | Segunda-feira, 21 Setembro , 2009, 15:57

Os partidários de Manuela Ferreira Leite mostraram-se muito preocupados, a respeito de um texto que escrevi para o DE, com o facto de Sócrates fazer muitos amigos para Portugal pelo Mundo, nomeadamente o Presidente da Venezuela, país onde vivem centenas de milhares de descendentes de Portugueses e para onde aumentaram as nossas exportações.

 

Afirmava no texto que a diplomacia económica de Sócrates e dos seus ministros ajudou a criar empregos em Portugal. E mantenho.

 

Eu não morro de amores por Chávez, mas a diplomacia é isto mesmo – colocar o interesse nacional em primeiro lugar. (Aliás, para quem gosta tanto da democracia à madeirense, não percebo qual é problema do PSD com Chávez, afinal também ele ganha eleições repetidamente.)

 
Mas, podemos estar certos que se MFL chegar ao poder não haverá o problema de arranjar muitos amigos pelo Mundo. O problema será mesmo o inverso.
 
Já imaginaram o impacto da Manuela das gafes no Mundo? Já imaginaram o que isso fará à imagem internacional de Portugal? É que no Mundo, na imprensa estrangeira e nas cimeiras internacionais, a Manuela das gafes não terá Pacheco Pereira para traduzir o que ela diz e procurar acobardar a imprensa com supostas distorções.
 
Se MFL chegar a chefiar o governo é bem provável que surjam logo notícias na imprensa internacional a sublinhar no perfil da nova líder portuguesa que ela acha que o casamento é para procriar, que não gosta de dar trabalho a imigrantes de Cabo Verde e da Ucrânia. Portanto muitos amigos não ganhará em África, nos PALOP, e no Leste Europeu. Como é bem possível que lembrem as suas afirmações sobre suspender a democracia por uns tempos para resolver uns problemas. Já imaginaram o impacto da “diplomacia” de Manuela Ferreira Leite nas nossas relações com Espanha?
 
MFL tem tudo para ser, se a deixarem, um George Bush ou um Berlusconi à portuguesa. Ou seja um líder atreito a gafes, que não hesita em fazer declarações insultuosas em relação a outros países - com ou sem intenção - e insistir teimosamente nelas. São sempre os outros que não a percebem. Espero bem que dia 27 de Setembro percebam o que está em jogo, e se consiga evita que seja Portugal a pagar o preço dos desvarios verbais de MFL. É que Portugal não é os EUA, ou mesmo a Itália, precisa de ter uma diplomacia exemplar. Uma coisa que Manuela Ferreira Leite não é de certeza é diplomática.

Por Bruno Reis | Quarta-feira, 02 Setembro , 2009, 23:02

 

Uma das imagens de marca do governo Sócrates é o computador Magalhães. Isso fica claro no mostruário do Jamais.

Ele é revelador do fomento duma mudança tecnológica da nossa economia; da aposta na modernização da educação pública; e da prioridade dada à diplomacia económica.

A reacção ao computador Magalhães também foi típica. Como é feito em Portugal, muita gente achou que ficava bem dizer mal. (Como o Jamais e alguns dos comentários de que o artigo foi alvo ilustram bem.)

Aparentemente, diziam os críticos, o Magalhães era "só" montado em Portugal. O Magalhães tinha bugs e tal...Ou seja, era como todos os outros computadores. Alguém teve algum computador das melhores marcas que nunca tenha dado problemas? Alguém ainda acredita que um computador é todo feito no mesmo sítio em vez de ter peças de todo o lado do mundo? Parece que há quem na oposição de direita ainda não tenha ouvido falar de globalização.

Alguém afirma que o Magalhães não funciona, e que os programas com problemas não foram corrigidos a custo das empresas respectivas? (Melhor do que com os meus programas de computador que não funcionam). Este computador pelo menos é montado cá em vez de ser apenas vendido por cá. Sobretudo, está acessível às crianças do ensino público a um preço que só as economias de escala de uma grande encomenda do Estado poderia permitir. Seria acaso melhor fazê-lo a uma empresa estrangeira? 

 

Era preciso um "projecto educativo" para enquadra o Magalhães e são as escolas e não as famílias que precisavam de computadores? Mas o que é isso tem a ver com os alunos terem computadores portáteis (ou seja, que podem ir da escola para casa e vice-versa)? E neste caso as famílias- sempre  tão centrais na educação para a direita - já não servem para nada? É preciso todo um projecto do Estado para as enquadrar? Claro que informatizar as escolas é importante, mas há algum governo que tenha feito mais para informatizar as escolas e o sector público em geral? (Simplex, Empresa na Hora, Casa na Hora?)

 

Mas sobretudo o que incomodou muita gente - e voltou a incomodar o Miguel Noronha do Jamais - foi ver Sócrates a promover o Magalhães na Cimeira Ibero-Americana, e o Presidente Chávez pegar no Magalhães. Ficava mal. Exportar para um candidato a ditador? Ora o Rei de Espanha não promove as empresas espanholas? Não o faz a Rainha de Inglaterra - com o seu selo em tudo desde compotas a cerveja escocesa [ver imagem] - ou o Presidente dos EUA? Isso é parolo? Ou será antes parolo, provinciano e prejudicial para a economia portuguesa ter este tipo de complexo de inferioridade? Será que esses países não exportam para a Líbia ou a Arábia Saudita, essas grandes democracias? A promoção e diversificação das nossas exportaçõs têm de ser uma prioridade estratégica do próximo governo. Foi uma prioridade de Sócrates. Ficámos esclarecidos pelo Jamais que um governo da Direita será demasiado fino para esse tipo de serviço à economia nacional. Promover as exportações não faz milagres? Pois não. Mas não acredito em milagres em política ou economia. Acredito, no entanto, que tentar promover produtos nacionais não é vergonha, é verdadeiro sentido de Estado, daquele que ajuda a criar empregos.

PS Estou de férias, de que fui arrancado para meter este poste e explicar que apesar do dizia o geralmente rigoroso Diário Económico fui eu e não o José Reis Santos que assinou este texto (em versão 0.1.)

Por Tiago Barbosa Ribeiro | Sexta-feira, 28 Agosto , 2009, 17:39

Página 29 do Programa de Governo do PSD:

 

«Defenderemos, como essencial ao interesse de Portugal, um multilateralismo efectivo, assente no respeito pela Carta das Nações Unidas e no primado daquela Organização nas relações internacionais».

 

Foi este partido que apoiou a invasão do Iraque. Foi este partido que aceitou tornar-se anfitrião da cimeira que desencadeou a guerra. É este partido que não tem vergonha.


Por Carlos Manuel Castro | Segunda-feira, 24 Agosto , 2009, 02:23

O Afeganistão produz 93% da matéria-prima para a heroína, o ópio extraído da papoula, e os estimados US$ 5 bilhões anuais obtidos com o comércio são a principal fonte de financiamento do Taleban

 

PCP e BE reclamam-se como a esquerda genuína e autêntica, mas na mania das verdades, como Ferreira Leite, encontram-se nódoas que desmentem os pretensiosos moralismos que tanto apregoam.

 

Se fossem uma esquerda fiel aos seus princípios seculares, uma das primeiras causas a abraçar seria a do internacionalismo (algo que o estalinismo castrou e entende-se, por este motivo, a posição nacionalista do PCP, mas não a trotskista lusitana do BE),

 

Porém, a visão míope e paroquial de ambas as formações conduz a uma postura de irresponsabilidade, desprezando, por um lado, um princípio caro à esquerda - o internacionalismo, e, por outro, a importância de uma intervenção das forças militares internacionais no Afeganistão, nas quais se inclui a portuguesa.

 

A condenação veemente que PCP e BE fazem à participação dos nossos militares no Afeganistão comprova o total sentido de compromisso que têm para com a Segurança e a Saúde Pública: desdém.

 

Há intervenções que são complexas, penosas até, mas indispensáveis para o nosso interesse nacional.


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