Por Sofia Loureiro dos Santos | Segunda-feira, 28 Setembro , 2009, 15:13

 

 

Apesar de tardarem os prometidos cargos, as devidas prebendas e os mais que certos ganhos, sabe-se lá em que géneros ou moeda, que muitos bloguers e comentadores afirmaram que estariam à minha espera, não me arrependo de ter feito parte deste projecto SIMpleX.

 

Aqui nos cruzámos provenientes de várias profissões e áreas políticas com um objecto: intervir civicamente na campanha eleitoral de forma a motivar as pessoas a votarem no Partido Socialista.

 

O PS ganhou esta batalha e muitas outras se avizinham. Desde a constituição do governo às difíceis negociações parlamentares que se adivinham nesta próxima legislatura, os tempos que aí vêm pronunciam-se difíceis, exigentes, mas muito interessantes.

 

Às vezes com dificuldade, porque a revolta perante comentários abjectos e provocações estúpidas era impetuosa, este foi um espaço de liberdade e de discussão de políticas, ideias, defesa da governação anterior e exposição de alternativas pouco credíveis ou mesmo inexistentes que, espero, tenha contribuído para o esclarecimento de quem nos leu.

 

A todos os colegas do SIMpleX agradeço esta partilha e, quem sabe, talvez nos encontremos noutras lutas.

 

Nota: Também aqui.
 

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Por Sofia Loureiro dos Santos | Sábado, 19 Setembro , 2009, 12:56

 

A vida privada dos políticos, a forma como se vestem, os filmes que vêem, as comoções que os comovem são matéria totalmente acessória, anedótica, frívola, que fica bem nas revistas cor-de-rosa ou em pequenos apontamentos humorísticos de pé de página.

 

A confusão entre o público e o privado, o julgamento da capacidade e competência dos políticos, a que se convencionou chamar figuras públicas para justificar a intrusão mais indecente numa informação a que temos direito, é a marca da mediatização e da ditadura da imagem.

 

São disso exemplos a forma como foram comentadas os programas a que os líderes partidários se sujeitaram Como nunca o viu, com excepção de Manuela Ferreira Leite, honra lhe seja feita, a importância e relevância da prestação dos mesmos líderes nos programas do Gato Fedorento, que quase suplantam e importância os debates eleitorais a que assistimos nas televisões, assim como as notícias das aplicações financeiras de Francisco Loução e outros militantes do BE.

 

Embora perceba que há declarações que abram a porta a este tipo de escrutínio, não me parece lícito nem relevante que os líderes partidários tenham que ver as suas vidas privadas expostas. Para isso eles próprios têm que a respeitar e não cederem à tentação de serem simpáticos, apelativos ou intelectuais. Todos sabemos que a política é um espectáculo, mas não precisa de ser um mau espectáculo.
 

Nota: Também aqui.

 


Por Sofia Loureiro dos Santos | Domingo, 13 Setembro , 2009, 15:52

 

 

Ontem acabaram os debates televisivos entre os líderes dos principais partidos políticos. Ao contrário do que esperava, pelo espartilho, pela forma e pelo tipo, foram muitíssimo interessantes.

 

Descontando a promoção feita pelas estações televisivas e rádios, como se estivessem a motivar as claques para os vários jogos de futebol, houve uma grande atenção aos debates, o que demonstra que as pessoas estão interessadas e preocupadas com o desfecho destas eleições, que estas eleições são sentidas como muito importantes, que há um regresso à disputa ideológica entre direita e esquerda tendo todos os protagonistas procurado explorar e acentuar os pontos de divergência.

 


Por Sofia Loureiro dos Santos | Domingo, 06 Setembro , 2009, 19:14

 

A blogosfera entrou definitivamente nos meios de debate, propaganda, informação e manipulação nas campanhas políticas. Individualmente ou em grupo, todos podemos opinar, ler outras opiniões, debater ideias e comentar as ideias diferentes.

 

Estas eleições são muito importantes pois está a discutir-se qual a estratégia para o futuro do país, com visões opostas em termos de desenvolvimento, modelos económico, de apoio social e de funções do estado, para citar alguns.

 

Por isso se assiste ao agrupamento de pessoas que apoiam campos opostos, na tentativa de fazer da união a força, de criar espaços de verdadeiro debate e esclarecimento de ideias.

 


Por Sofia Loureiro dos Santos | Terça-feira, 01 Setembro , 2009, 22:51

 

 

Da entrevista de Judite de Sousa ao Primeiro-ministro:

  • O Primeiro-ministro esteve bem, seguro e descontraído. O ataque a Manuela Ferreira Leite, usando o slogan da verdade foi certeiro e muito apropriado, ao lembrar o embuste de nomear como cabeça de lista pela Madeira Alberto João Jardim, Presidente do Governo Regional e confesso absentista ao Parlamento Nacional, depois da campanha cerrada contra as duplas candidaturas do PS para as europeias.
  • A asfixia democrática foi bem esgrimida, acusando Manuela Ferreira Leite de punir os seus colegas de partido por delito de opinião (exclusão de Passos Coelho das listas). Não gostei muito da repetida suspensão da democracia, frase obviamente retirada de contexto.
  • Explicou muito bem a falta de seriedade da comparação entre o país de há 4 anos e o país de hoje, para quem se esquece dos indicadores existentes na 1ª fase da legislatura, e para quem quer fazer crer que a maior crise mundial desde há muitos anos foi apenas um abalozito de terra. As energias renováveis voltaram à ribalta, talvez um pouco repetidas de mais.
  • Defendeu bem as reformas na educação. Foi cuidadoso com as políticas de combate ao desemprego, defendendo o investimento público. Esteve muito bem ao afirmar que a crise ainda não acabou, mas que já eram visíveis os resultados das acções anticrise do governo.
  • Respondeu muito bem às perguntas sobre o fim da cooperação estratégica com o Presidente da República, assim como sobre o caso Freeport. Não esclareceu quais as alianças poderá propor e ainda bem. O PS deve apresentar-se sozinho, com uma solução governativa própria.
  • Judite de Sousa, a certa altura, deixou de ter perguntas para fazer, o que deu a José Sócrates oportunidade de tempo de antena.
  • Podia ter acabado com um pouco de humor à pergunta gira de Judite de Sousa.

Resumindo: José Sócrates assume uma atitude confiante, de alguém que sabe que tem um enorme desafio pela frente, preparando-se para o vencer; Manuela Ferreira Leite comporta-se como se soubesse antecipadamente que não terá a confiança da maioria dos cidadãos.

 

Nota: Também aqui.

 


Por Sofia Loureiro dos Santos | Segunda-feira, 31 Agosto , 2009, 21:24

Em 27 de Setembro vamos escolher um parlamento e um governo.

 

Não é uma escolha qualquer, como não o são todas as escolhas. Mas talvez desde há muitas legislaturas, esta é uma escolha entre duas opções políticas, entre duas visões da sociedade, entre duas opções para o futuro.

 

De um lado está a esquerda democrática, representada pelo PS, com dinamismo e investimento na inovação, com valores de solidariedade e tolerância intra e inter geracionais, que acredita que na igualdade e no direito à felicidade de todos os homens, que pratica o multiculturalismo e a reinserção social, que aposta na dignidade e no valor dos princípios que fundam a democracia, que tem no Estado Social o garante da manutenção e da evolução de uma sociedade coesa, assumindo como suas as funções sociais (educação, saúde e segurança social) e as funções da justiça, da segurança e defesa nacionais.

 


Por Rogério Costa Pereira | Segunda-feira, 31 Agosto , 2009, 11:07

"Não gosto dos meus pés."

 

Carolina Patrocínio continuando a condicionar a campanha da oposição

*

Uma entrevista dada ao programa Alta Definição, cuja banal lógica é a de revelar aspectos privados e anedóticos das celebridades, levou a Carolina para uma candura que se tornou alvo de aproveitamento político. Diga-se que seria impossível escapar, porque o tema dos caroços, da empregada e da batota é demasiado sumarento e lúdico para não ser usado nos ataques a Sócrates. Até no PS se deu espaço à distorção e aos preconceitos. Agora, surgiu a notícia de que teria sido aconselhada a não dar entrevistas. Tendo em conta que é o Público a servir a informação, tem menos credibilidade do que a minha vizinha do 4º andar. Mas pode muito bem ser verdade, o seu silêncio vai nesse sentido. Se for, a pessoa que lhe deu o conselho tem de tirar férias em Setembro e só voltar em Outubro. Porque este é o melhor momento possível para a Carolina falar.

Ver mais... )

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Por Sofia Loureiro dos Santos | Domingo, 30 Agosto , 2009, 17:47

 

 

José Sócrates está a fazer da lei das uniões de facto uma bandeira para a próxima legislatura, pegando no veto do Presidente da República como desafio para afirmar a modernidade do PS em oposição aos partidos de direita e aos escrúpulos presidenciais. Na verdade esse veto existiu precisamente para separar as águas entre a visão de esquerda e de direita em relação à noção de família, até porque, tal como Rogério da Costa Pereira explicou, a lei que foi para promulgação e a já existente são muito semelhantes, pelo menos para uma leiga.

 

No entanto considero que o PS deveria avançar para a legalização do casamento civil para os casais homossexuais, tal como vem no seu programa - Remover as barreiras jurídicas à realização do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo (pág. 76).  Se todos os casais, independentemente do sexo dos noivos, tiverem livre acesso à figura jurídica do casamento, em condições de igualdade, deixa de haver razão para aproximar o casamento das uniões de facto ou de as transformar num protocasamento.

 

Nota 1: Ler também José Simões, Vasco M. Barreto, João Vasco e Ana Matos Pires.

 

Nota 2: Também aqui.

 


Por Eduardo Pitta | Domingo, 30 Agosto , 2009, 13:10

Acabo de fazer aqui um best of da segunda quinzena do SIMplex. As omissões traduzem essa baliza temporal.

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Por João Paulo Pedrosa | Segunda-feira, 24 Agosto , 2009, 15:43

"Já tive a minha dose de problemas com "fontes de Belém". Denunciei-as por estarem a colocar sob anonimato notícias nos jornais que depois não confirmavam oficialmente, criando embaraços aos editores mais crédulos. O chefe da Casa Civil, Nunes Liberato, brindou-me com uma queixa aos meus empregadores. É distinção que me honra e faz curriculum. Fiquei agora a saber que "as fontes de Belém" estão não só secas de confirmações, mas estão a secar a dignidade informativa à sua volta." [Mário Crespo, JN]


Por Rogério Costa Pereira | Quarta-feira, 12 Agosto , 2009, 01:26

Anda para aí meio mundo muito abespinhado porque os 31s provavelmente terão direito a umas pequenas chatices à conta da brincadeira de ontem. Bah! Que falta de pachorra, quer para os sisudos de ontem quer para as virgens escandalizadas de hoje. Os rapazes sabiam que o que se propunham fazer não era legal (aliás se fosse perdia a piada toda), a eventualidade de haver consequências era mais que previsível. So what? re-bah!


Maria João Pires, jugular

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Por José Reis Santos | Quarta-feira, 12 Agosto , 2009, 00:59

A estratégia do PSD para as legislativas só tem plano A: concentrar o poder nos mais fieis, tolerar uma aliança julgada impossível com o candidato a Lisboa, abrir uma pequena janela florida para a sua direita e compensar alguns bons nomes da irreflectida expulsão do Parlamento Europeu. Pelo meio rompe com outros apoios, indispensáveis a quem pretende o poder. Alguns dos que trabalham no terreno.

Tudo bem, se o PSD for o partido mais votado. Na noite eleitoral juntar-se-lhe-iam os agora descontentes e nas semanas seguintes todos os ansiosos do poder, ficando de fora apenas uns tantos, poucos, a lamber feridas. O acordo com o CDS seria rápido e se a união lograsse ser maioritária teríamos a reedição do cenário que Sampaio solicitava nos idos de Junho de 2004. Os protagonistas seriam os mesmos, o Povo já os conhece. Se ainda os respeita, é outra coisa. Teriam pelo menos lugar garantido até Setembro de 2011. O que difícilmente teríamos era o mesmo Presidente. A esquerda de maioria aritmética que não política, encurralada, romperia o cerco escolhendo um candidato comum, que fizesse coincidir a aritmética com a política. Governo de coligação de direita, Presidente de coligação de esquerda, daria pólvora.

Mas pode bem acontecer que o PSD seja o mais votado e não consiga maioria com o CDS. Se o Presidente o encarregasse de formar governo, sem garantias de pelo menos a abstenção de dois partidos à esquerda, o projecto dificilmente passaria e a criança governo saltaria para o colo presidencial.

Restaria sempre o famigerado bloco central. Mas com que autoridade se bateria por ele o Presidente, visto como uma segunda escolha? E com que respeito seria ele acatado pelos excluídos? A partir daí, os cenaristas perdem-se no nevoeiro, até mesmo na tempestade.

Tamanho esforço de romper com a oposição interna (Plano A) pode não lograr o reconhecimento do eleitorado, na muito provável hipótese de o PS ter mais votos. Com um PSD minoritário, empobrecido, encostado à direita. Onde está então o Plano B? A liderança seria questionada de imediato e provavelmente cairia em semanas, roída pela crítica interna. A esquerda agradeceria e também o Presidente, cuja margem de manobra actual se alargaria e a perspectiva de reeleição se confirmaria.

Concluindo, à Drª Manuela Ferreira Leite não resta outro futuro político que não seja levar o PSD a ser o partido mais votado. Mas para o obter dos Portugueses tem de dizer ao que vem, o que lhes oferece. Por enquanto só tem rostos, por sinal quase os mesmos do desastre de 2004-2005. Falta-lhe um programa, que termine com a nebulosa actual, a esconder opções que parecem crueis, mesmo que envergonhadas. Venha o programa.


António Correia de Campos, in Diário Económico

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Por Rogério Costa Pereira | Segunda-feira, 10 Agosto , 2009, 15:24

"José Manuel Fernandes escreve hoje um editorial que, numa primeira leitura, me fez suspeitar da minha literacia, numa segunda da minha sanidade mental, até que percebi que não tinha lido mal nem estava a imaginar coisas." (ler o resto)

Maria João Pires, Jugular


Por Rogério Costa Pereira | Segunda-feira, 10 Agosto , 2009, 14:54

"Listas Cuidadas

O PSD - dizem-me - preparou as listas com cuidado. Por um lado houve a negociação política (...).

Depois há a visão estratégica (...).

Por fim, a "ética": o assento parlamentar, assim como a condução autárquica, precisam de revelar a nobreza da política e a noção de serviço. Excluir assim os que querem meros trampolins, ou os suspeitos e os condenados em processos judiciais, parece natural.

Todos os partidos deviam adoptar as mesmas regras. De sobrevivência."

Nuno Rogeiro, Relatório minoritário, 6 de Agosto, revista Sábado

 

Isto deve ter sido escrito antes da revelação pública das listas, mal posso esperar pelo próximo relatório minoritário.


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