Por Eduardo Graça | Quinta-feira, 24 Setembro , 2009, 20:43

 

A direita clama contra a censura que põe nos outros para esconder a sua vernácula vocação censória. É um velho e conhecido truque que, quase sempre, resulta nos momentos de desencanto. Se ascenderem ao poder os “impolutos”, e impunes, herdeiros do Miguelismo contemporâneo, acharão crime em tudo mesmo no que, para honrar os princípios da honra republicana, tenham feito os seus adversários para defender a liberdade e, por consequência, os defender também a eles. Cuidemos, pois, de prevenir esse risco votando no Partido Socialista.    
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Por Sofia Loureiro dos Santos | Segunda-feira, 07 Setembro , 2009, 22:01

 

É impossível não comentar a extraordinária afirmação de Manuela Ferreira Leite sobre a ausência de asfixia democrática na Madeira. Mas o mais fantástico foi a justificação:

 

"quem legitima o poder é o voto do povo e não está ninguém aqui por imposição, é em resultado dos votos"

 

Então Sócrates não foi eleito? Ou será que Manuela Ferreira Leite duvida das eleições de há 4 anos?

 

A credibilidade de Manuela Ferreira Leite e do PSD acaba-se rapidamente com este tipo de declarações. O aproveitamento que fez do caso TVI, muito bem desmontado por Carlos Santos, resulta em reacções como a de Daniel Proença de Carvalho, que distingue entre liberdade de expressão e atentado ao bom nome, difamação e acusações na praça pública.

 

Saíram as primeiras sondagens para as legislativas. Há ainda muito para fazer.

 

Nota: Também aqui.

 


Por Leonel Moura | Domingo, 06 Setembro , 2009, 19:59

Há uma coisa que não posso deixar de dizer sobre esta ideia da asfixia democrática. Não sou militante do PS, sou assumidamente libertário, vulgo anarquista, com um comportamento e até alguns livros publicados sobre o assunto. Como artista preciso do máximo de liberdade, sob o risco de não conseguir desenvolver uma actividade e, já agora, uma ambição que está por sua natureza para além das convenções e daquilo que é aceite.

Do que conheço, e já conheço alguma coisa, nem o PS enquanto organização, nem a vasta maioria dos socialistas com quem me fui cruzando nas curvas da vida, alguma vez reagiram mal à minha condição de artista e anarca. Pelo contrário, nunca vi um partido mais aberto à diferença, mais tolerante, mais empenhado nas novas coisas e nas novas ideias. Há comprovadamente uma cultura da liberdade instalada no PS que não vejo nos outros partidos, da direita ou da dita esquerda, salvo rarissimas excepções. Há, para além disso, neste PS de Sócrates uma genuína vontade de acompanhar o que efectivamente vai fazendo o mundo de hoje e do futuro. Uma abertura, uma ambição, uma respiração que só pode favorecer o país e os portugueses. Não encontro isso em mais partido nenhum. Confirmo sim, todos os dias, a asfixia do medo, do conservadorismo, da demagogia.

Por isso sobre asfixias estamos conversados.

 


Por Eduardo Pitta | Sexta-feira, 04 Setembro , 2009, 11:47

Juan Luis Cebrián, patrão da Prisa, empresa espanhola que detém a TVI, terá mandado acabar com o Jornal Nacional que MMG fazia às sextas. O director-geral da TVI opôs-se, mas não levou a melhor. A ter sido assim, como afirmam os media nacionais, foi uma interferência directa e abusiva na campanha eleitoral portuguesa. Verdade que nenhum patrão admite que um subalterno lhe chame estúpido. Mas uma acção disciplinar não pode traduzir-se em interferências editoriais. Isto tem de ser explicado.

 

Se é verdade que a TVI tem prontas peças jornalísticas sobre novos desenvolvimentos do caso Freeport, ou sobre o que seja, devia tê-las posto ontem no ar. No limite, caso a hierarquia o impedisse, essas cachas deviam ter sido passadas à concorrência. Não podem é dizer: a Manuela não está, as notícias ficam na gaveta. A TVI não é uma banda rock de garagem que fica inibida de ensaiar porque o pai do baterista, irritado com o barulho, desligou a corrente.

 

Estamos todos à espera de ver essas cachas. Nem que seja no You Tube.

 


Por Sofia Loureiro dos Santos | Quinta-feira, 03 Setembro , 2009, 21:38

 

Realmente hoje é um dia de que a democracia não se pode orgulhar. A total irresponsabilidade perigosa de José Aguiar Branco e de muitas outras personalidades ao acusar José Sócrates e o PS de terem forçado a demissão de Manuela Moura Guedes, é um desrespeito total pelas regras de um estado democrático.

 

É inaceitável que se levantem este tipo de suspeitas e calúnias gravíssimas sem que haja qualquer resquício de factos que comprovem as acusações.

 

A última pessoa a ganhar com esta demissão é, precisamente, José Sócrates. A decisão de demitir Manuela Moura Guedes, que conduzia um programa em que se praticava muita coisa, mas não jornalismo, muito menos jornalismo de investigação, é da competência da administração da empresa. Manuela Moura Guedes até já tinha afirmado que se a nova administração a demitisse era muito estúpida. Por coincidência Manuela Moura Guedes tinha uma reportagem fantástica sobre o caso Freeport.

 

 


Por Irene Pimentel | Quarta-feira, 26 Agosto , 2009, 16:18

Claro que jamais utilizaria a História para comparações abusivas com a realidade actual. Sou atenta ao contexto.

 
Se o fizesse, vir-me-ia logo à cabeça a forma como o Partido Comunista Alemão contribuiu para a subida de Hitler ao poder, ao erigir os sociais-democratas como «sociais fascistas». Claro que, ao ser criado o primeiro campo de concentração em Dachau, foram lá encarcerados tanto sociais-democratas como comunistas, mas o mal já estava feito. Upsss! Do que me fui lembrar e até estou a dar ideias!
Não, nem o salazarismo foi idêntico ao nacional-socialismo, nem este voltará com essa vestimenta.
 
Nunca disse, ao contrário do que com toda a desfaçatez afirmam defensores de Manuela Ferreira Leite (curiosamente de partidos que eu julgaria oporem-se ao PSD), que a candidata a primeira-ministra de Portugal seria «salazarista», ou até um «Salazar» revisitado(a), que quereria voltar instaurar uma ditadura no nosso país. Aliás se houvesse qualquer perigo de isso estar a acontecer em Portugal, eu própria não estaria a participar numa campanha eleitoral e enveredaria certamente por outro meio de luta.
Não, não penso que algo de terrível esteja para acontecer após 27/9.
 
E se eu dissesse tal tremendo disparate, ou estaria a ser oportunista (o que esforço por não ser) ou a padecer de grave anacronismo (o que é grave numa historiadora). Além disso, se eu estivesse a dizer esse tremendo disparate, estaria a ter a mesma atitude dos que eu critico: aqueles que dizem que vivemos num período de «asfixia democrática» e os que chamam «fascista» a tudo (sem saber o significado da palavra e do conceito), mas que, quando o «perigo fascista» se aproxima, não sabem detectá-lo.
Não, não penso que haja qualquer perigo, nem que se esteja a viver num período privado de liberdade.
 

Por Palmira F. Silva | Segunda-feira, 24 Agosto , 2009, 14:31

O presidente de todos os portugueses, que nunca se engana mas que aparentemente teve muitas dúvidas sobre as capacidades das mulheres e sobre os motivos (fúteis) que as levam à decisão por uma IVG, voltou a ter dúvidas aquando da promulgação de um diploma que diz respeito à chamada «moral e bons costumes».

 

Desta vez,  querendo quiçá dar uma ajudinha nas escolhas eleitorais que se avizinham, Cavaco, em vez de apenas endereçar recados e recomendacões  descabidas acerca da aplicação de uma lei da nação, que por acaso até fora aprovada em referendo, resolveu rejeitar, sem pejos mas com muitos moralismos, o Decreto n.º 349/X, legislação francamente inócua como refere o Eduardo, que pretendia alterar a lei das Uniões de Facto.

 

Não sei se Cavaco pretende acabar com a pouca vergonha de a esmagadora maioria dos portugueses optar por se «amancebar» em vez de casar, mas os argumentos com que justifica a sua decisão de não promulgar o diploma, no mínimo tão ridículos como as recomendações moralistas no caso da lei do aborto, apontam nessa direcção. Ou seja, sob o pretexto de estar muito preocupado com os desejos dos que não optaram pelo casamento, o presidente parece considerar que só são dignos de protecção jurídica os casais que decidam (ou possam) viver em comum sob os auspícios de um papel passado no notário. Diria aliás que a chave da rejeição se encontra neste último parênteses...


Por Eduardo Pitta | Segunda-feira, 24 Agosto , 2009, 12:10

Ou muito me engano, ou a manchete de hoje do Correio da Manhã vai dar o tom da campanha que aí vem    Espiões alastram nos serviços públicos. Afinal, o que é que se passa?

 

Ler mais aqui.


Por Irene Pimentel | Sexta-feira, 21 Agosto , 2009, 23:03

 

 
Não assisti à entrevista de Manuela Ferreira Leite, mas li hoje na imprensa que a senhora que se está a candidatar a chefe do governo de Portugal, e que até já ganhou as eleições (pelo que afirma), diz que se está a viver um clima «de asfixia democrática», em que «as pessoas têm medo de se pronunciar contra o Governo porque têm medo de retaliações» e que o «sentimento e o clima que existem no pais é de que as pessoas estão a ser controladas», além de que, desde «o 25 de Abril (PREC incluído, digo eu), só com este Governo é que existe a ideia de retaliação» (Público, 21 de Agosto de 1009, p.4).
Peço que a putativa “futura primeira-ministra” de Portugal dê exemplos do que afirma, porque, não tendo dado pela terrível situação referida, não deixo de me preocupar que, até 27/9/2009, se possa estar a viver a uma situação parecida com a que se viveu no nosso País até 25 de Abril de 1974.
Declaração de interesse (s): pessoalmente, abominei o que se passou até Abril de 1974 e faço questão que não se repita. Caso contrário – se não der os exemplos pedidos – poderei pensar que, com comparações abusivas, Manuela Ferreira Leite estará a relativizar situações de falta de liberdade, o que – sabe-se há muito, pela História – não é a melhor arma contra potenciais futuros ataques à democracia. E não qualifico de burguesa (a democracia), porque não conheço outra.

Por Ana Paula Fitas | Sábado, 08 Agosto , 2009, 19:31

... permitam-me!... hoje é um dia especial. Morreu Raul Solnado. O seu significado para o povo português transcende todos os considerandos... a minha homenagem fica AQUI.


Por Sofia Loureiro dos Santos | Quarta-feira, 05 Agosto , 2009, 21:26

 

As próximas eleições são para a Assembleia da República. Na nossa democracia representativa os partidos apresentam os seus candidatos, filiados ou simpatizantes, aqueles que os dirigentes partidários julgam mais capazes de defender os interesses e os projectos do seu partido.

 

Pode discutir-se a reforma do sistema eleitoral, a representatividade dos partidos, a obrigatoriedade do voto. Podemos ser mais idealistas, pensando que é apenas o interesse dos cidadãos que importa aos dirigentes partidários. Podemos ser mais cínicos, achando que há muito mais interesse pessoal que público, corporativo, económico, etc. Podemos balançar entre estes dois extremos, aplaudindo uns e desiludindo-nos com outros.

 

Mas não me parece aceitável que alguém que apoie um partido concorrente a estas eleições parlamentares escarneça da importância do parlamento, o defina como uma excrescência desnecessária, transformando os anseios e os problemas dos eleitores, da tal sociedade civil que se agrupa, que faz campanha, que debate, numa imensa brincadeira de mau gosto. Mesmo sabendo que há muitos deputados incumpridores, faltosos, oportunistas, venais, há muitos que levam a sério os seus mandatos.

 


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