Por João Galamba | Domingo, 13 Setembro , 2009, 03:15

Em 2003, Ferreira Leite dizia que o TGV era um investimento estruturante e fundamental para a economia portuguesa. Dado que, hoje, Ferreira Leite diz que é preciso crescer, dado que tal requer investimento (público ou privado, não interessa), em que medida é que o nosso endividamento justifica um adiamento da construção do TGV? Alguém me consegue explicar como é que algo fundamental e estruturante o deixa de ser apenas porque o País está endividado? Assumindo que Ferreira Leite não quer (intencionalmente) agravar a recessão, só há uma possibilidade: o argumento de Ferreira Leite sobre o TGV não tem nada a ver com o endividamento. A posição de Ferreira Leite tem de ser a seguinte: o TGV já não é estruturante nem fundamental — hoje, amanhá, sempre. Quanto muito, o TGV é um luxo a que nos permitiremos quando fomos ricos, isto é, o TGV já não tem qualquer relação com  a questão da competitividade da economia portuguesa.

 


Por João Galamba | Segunda-feira, 07 Setembro , 2009, 16:17

Ferreira Leite acha que Portugal tem custos salariais elevados. Vejamos alguns dados:

 

1- Produtividade do trabalho em Portugal em 2005: 65,5% da média comunitária; 64,6% da Alemanha

 

2- Custo da mão-de-obra em Portugal em 2005: 49,6% da média comunitária; 41,6% da Alemanha

 

3- Os custos unitários do trabalho em Portugal são 75,72% da média da UE.

 

Perante estes dados será razoável dizer que Portual não é competitivo porque tem custos de trabalho elevados? A resposta e obviamente não. A razão da falta de produtividade justifica-se pelo padrão de especialização da economia portuguesa — que o PS tem tentado alterar. Para o PS, falta de competitividade significa falta de investimento, em pessoas e infra-estruturas. Para o PSD, falta de produtividade significa custos elevados...

 

Ferreira Leite só teria razão se pretender colocar Portugal a competir com países como a China, a India ou o Paquistão. Parece-me óbvio que Portugal tem custos do trabalho mais elevados do que este tipo de países. Só não me parece que Portugal possa ter grande futuro apostando nesse tipo de concorrência. Ferreira Leite aparentemente discorda e parece determinada a apostar numa economia em que a única vantagem competitiva sejam os salários baixos...

 

ps: importa recordar que há economistas próximos do PSD (Vítor Bento, Joao César das Neves) que defenderam mesmo uma redução dos salários como medida para aumentar a nossa competitividade...


Por Carlos Manuel Castro | Sexta-feira, 28 Agosto , 2009, 23:02

(...) be clear .... in government, we'd always stand up for the passenger.

High Speed Rail

But there's one really big change I want to talk about today.

So often in this nation's history, new transport links have helped push forward progress and prosperity.

In the 19th century it was the steam locomotive.

In the 20th, it was our motorways and airports.

In today's world, I believe it can be high speed rail.

Earlier this year, the UK's first 68 mile stretch of high speed rail opened from the Channel Tunnel.

That's great - but it's thirty years behind France.

By 2020, the European high speed network will have reached 15,000km .....

...... linking major cities as far away as Sweden, Italy and Poland.

Well I believe the time has come for us to start catching up

.... to lay the foundations for a high speed future for Britain.
The benefits are clear.

 

Num comentário publicado mais a baixo, o Hugo (Mendes) chamava a atenção para a projecção do TGV entre Londres e Glasgow.

 

É interessante tomar conhecimento desta proposta no Reino Unido, pois há um ano, uma deputada conservadora, Theresa Villiers, acusava o Governo trabalhista britânico de estar aquém no que diz respeito ao investimento na alta velocidade (como acima se comprova). Até porque, como o argumento lógico que apresenta, os comboios têm sofrido evoluções ao longo dos séculos. E, como diz Villiers, os novos transportes fazem progredir e avançar as comunidades que apostam nos novos modelos.

 

No Reino Unido, a oposição, com mais objectividade, acusa o Governo de fazer pouco em matéria de TGV. Tendo, também, em consideração o panorama europeu. Do qual nenhum país, seja membro ou não da UE, se pode dissociar. Cá, a oposição não quer o TGV.

 

Este é um investimento, como se pode deduzir das dinâmicas que o TGV está a gerar na Europa, que não pode ser adiado. Mas, ao fim e ao cabo, esta postura dos diversos partidos portugueses nesta eleição legislativa, face ao TGV, é clarividente quanto a quem quer futuro e desenvolvimento para Portugal e quem pretende atraso e estagnação.


Por Carlos Manuel Castro | Sexta-feira, 28 Agosto , 2009, 00:16

                    

 

Vários países europeus já apostaram, e continuam a investir, no TGV.

 

Do ponto de vista geográfico, podemos observar que no lado ocidental há uma lacuna. A única, a do nosso País. Que o PS quer terminar e a oposição faz questão de manter.

 

A ter em conta, ainda, o apoio e entusiasmo da Comissão Europeia. Um meio de transporte mais rápido e amigo do ambiente.

 

Há uma dimensão ecológica nesta matéria amiúde esquecida, mas não pode ser desconsiderada. Se queremos, efectivamente, contribuir para a melhoria do ambiente.

 

Por outro lado, no final do século passado, o debate que a oposição ainda hoje não quer realizar em Portugal sobre este assunto, de encarar o TGV como motor de desenvolvimento, já movimentava e dinamizava a Europa Central.


Por João Galamba | Domingo, 23 Agosto , 2009, 12:36

Já  tinha falado da entrevista de Ferreira Leite neste post, mas importa explorar em maior detalhe a sua política económica. Ferreira Leite diz que vai por o Estado a pagar a tempo e horas (o PS, com "pagar a tempo e horas", já se propõe reduzir o prazo médio de pagamentos para 30 dias), diz que vai apostar nos investimentos de proximidade (o PS já investe em escolas, hospitais e requalificação urbana), disse que não ia avançar com os grandes investimentos (aqui há uma diferença) e reduzir impostos — taxa social única e IRC. Para além dos grandes investimentos — TGV, aeroporto (?), auto-estradas —, Ferreira Leite limita-se a dizer algo semelhante ao Partido Republicano Americano: para que a economia cresça é necessário um choque fiscal. Independentemente do PSD já o ter proposto no passado — e de não ter cumprido a promessa —, quando olhamos para a situação estrutural do país, esta estratégia não faz muito sentido. Vejamos porquê. É sabido — e, contrariamente a alguns dos seus apoiantes, Ferreira Leite concorda  — que Portugal precisa de requalificar a sua economia e apostar no sector exportador. Não se percebe em como é que medidas que não descriminam entre sectores da economia — é preciso não esquecer que Ferreira Leite considerou que apostas em sectores específicos são arbitrárias e devem ser abandonadas— podem contribuir para transformar o paradigma produtivo português. Ferreira Leite não disse — aliás, rejeitou — que ia incentivar o investimentos nas tecnologias x ou y; disse apenas que ia contribuir para reduzir os custos de todas as empresas, quer elas produzam meias de lycra, texteis ou tecnologia solar, suponho. Para Ferreira Leite, como, aliás, para alguns dos seus apoiantes, quem decide o que produzir são as empresas, esquecendo-se que todas as empresas desenvolvem a sua actividade em contextos e de acordo com incentivos definidos pelo Estado. Pelos vistos, isto é irrelevante. Concluo que Ferreira Leite olha para economia portuguesa do seguinte modo: Portugal tem um problema de competitividade, baixo crescimento, défice externo, mas não vê a qualquer inter-ligação entre esses problemas e o paradigma produtivo que caracteriza a economia portuguesa. Mais (e pior): ao achar que basta reduzir custos através de um choque fiscal, esse sim arbitrário e cego, Ferreira Leite está apenas a dizer uma coisa: o nosso caminho é a redução de custos — baixar os custos associados ao factor trabalho. E assim nada faz para que Portugal abande o paradigma económico que nos conduziu aos desequilíbrios actuais. Assim não vamos longe.


Por Carlos Manuel Castro | Domingo, 09 Agosto , 2009, 23:33

Se há dias referi o início da construção da auto-estrada entre Bragança e Vila Real, como uma das boas marcas de investimento no interior do País deste mandato, dos últimos quatro anos fica bem patente um forte investimento num distrito do litoral, de grandes potencialidades mas ainda marcado por várias fragilidades: Setúbal.

 

Se a decisão de localizar o futuro aeroporto, em Alcochete (apesar de ficar entre os concelhos do Montijo e Benavente), é um dos principais pontos, não menos importante é a projecção da nova travessia do Tejo, que vai retirar os municípios do Barreiro e da Moita da encruzilhada geográfica, em termos de acessibilidades, em que se encontravam há décadas.

 

Ainda no norte do distrito, destaque para a abertura, por empenho deste Governo, do há muito pretendido Metro Transportes do Sul, a funcionar em Almada e Seixal e já tem prevista ampliação.

 

No centro, mais propriamente em Palmela, realce para a determinação do Ministério da Economia em manter a Auto-Europa em Portugal, uma das nossas pérolas industriais, bem como a sul, em Sines, a aposta no porto, que se quer de excelência mundial.

 

Há quem não queira ver marcas deste mandato governativo, em especial o PCP, que domina o Poder Local neste distrito, mas a obra e as marcas estão bem à vista de todos nós: emprego, riqueza, competitividade, mobilidade, acessibilidades.

 

P.S.- Outros investimentos no distrito, apostando na melhoria das acessibilidades.


Por Carlos Manuel Castro | Quinta-feira, 06 Agosto , 2009, 15:27

Não raras vezes se fala do isolamento do interior, da sua perda de competitividade em relação ao litoral, mas tudo fica por palavras, sem consequência.

 

Ora, este mandato governativo marca uma nova era, na coesão territorial e aproximação do litoral ao interior.

 

Apesar do ponto nem sempre merecer  grande atenção, especialmente nos meios urbanos litorais, é de realçar a construção da auto-estrada Bragança - Vila Real.

 

Agora, todos os distritos passam a ter auto-estrada. Algo que o distrito de Bragança, o único do País que ainda não tinha um único quilómetro, passa a ter... 35 anos depois da conquista da Liberdade, como bem disse José Sócrates, acerca deste novo troço, esta é a "auto-estrada da Justiça".


Por GWOM | Quarta-feira, 29 Julho , 2009, 07:30

 

Se já foi estatisticamente demonstrado que o aumento da despesa do Estado não provoca uma expulsão (crowding-out) do investimento privado, será próprio de uma política de verdade defender que há projectos que necessitam de ser repensados para dar lugar aos operadores económicos privados?


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