Por João Galamba | Segunda-feira, 07 Setembro , 2009, 16:17

Ferreira Leite acha que Portugal tem custos salariais elevados. Vejamos alguns dados:

 

1- Produtividade do trabalho em Portugal em 2005: 65,5% da média comunitária; 64,6% da Alemanha

 

2- Custo da mão-de-obra em Portugal em 2005: 49,6% da média comunitária; 41,6% da Alemanha

 

3- Os custos unitários do trabalho em Portugal são 75,72% da média da UE.

 

Perante estes dados será razoável dizer que Portual não é competitivo porque tem custos de trabalho elevados? A resposta e obviamente não. A razão da falta de produtividade justifica-se pelo padrão de especialização da economia portuguesa — que o PS tem tentado alterar. Para o PS, falta de competitividade significa falta de investimento, em pessoas e infra-estruturas. Para o PSD, falta de produtividade significa custos elevados...

 

Ferreira Leite só teria razão se pretender colocar Portugal a competir com países como a China, a India ou o Paquistão. Parece-me óbvio que Portugal tem custos do trabalho mais elevados do que este tipo de países. Só não me parece que Portugal possa ter grande futuro apostando nesse tipo de concorrência. Ferreira Leite aparentemente discorda e parece determinada a apostar numa economia em que a única vantagem competitiva sejam os salários baixos...

 

ps: importa recordar que há economistas próximos do PSD (Vítor Bento, Joao César das Neves) que defenderam mesmo uma redução dos salários como medida para aumentar a nossa competitividade...


Por João Galamba | Segunda-feira, 07 Setembro , 2009, 16:03

Ferreira Leite acha que Portugal não é competitivo porque tem custos laborais elevados. "Logicamente", defende que a estratégia de crescimento económico passa por reduzir os custos laborais. Ficamos a saber o que Ferreira Leite entende por competitividade: custos de trabalho reduzidos.

 

Seguindo a lógica de Ferreira Leite, Portugal deve abandonar todos os projectos de investimento em infra-estruturas, deve desvalorizar a requalificação dos seus trabalhadores, deve suspender a apoio ao I&D e não deve fazer apostas sectoriais com elevado valor acrescentado. Portugal deve abandonar tudo isto porque a verdadeira razão da nossa falta de competitividade reside nos elevados custos do factor trabalho em Portugal. Revelador.

 

Se Manuel Pinho cometeu uma gaffe (uma gaffe, atenção) dizendo que Portugal tinha custos de trabalho reduzidos, Ferreira Leite vai mais longe: ainda não são suficientemente baixos mas o PSD compromete-se em baixá-los mais. Ou seja, a gaffe de Pinho nao foi ter dito ao chineses que os nossos salários eram baixos; a gaffe de Pinho foi ter mentido aos chineses. Só Ferreira Leite pode prometer o que Pinho sugeriu. A Verdade da gaffe de Pinho é a estratégia económica de Ferreira Leite.

 

Resumindo: Ferreira Leite não acha que temos de produzir diferente; basta produzir mais barato.


Por Hugo Mendes | Domingo, 23 Agosto , 2009, 23:55

As discussões a quente têm sempre o risco de nos fazerem desviar do essencial. Aquela que nos últimos dias foi mantida com alguns membros do Jamais e da Rua Direita em torno dos benefícios dos subsídios à exportação (e ao desenvolvimento em geral) é muito interessante, mas vale a pena colocá-la no contexto que vivemos e naquelas que são efectivamente as propostas do PS para o tal "pacto para a internacionalização" (que se pode ler aqui entre as páginas 16 e 18).

 

Independentemente da utilidade do instrumento específico do "subsídio" - que eu defendi, nos contextos adequados e com os cuidados necessários -, é mais interessante ver o conjunto de instrumentos de política pública propostos no "Pacto para a internacionalização". É fácil compreender que o que se pretende é criar um quadro com múltiplos mecanismos de incentivo e de facilitação que auxiliem as empresas na procura de mercados internacionais.

 


Por Hugo Mendes | Quinta-feira, 20 Agosto , 2009, 12:51

Um dos mitos contemporâneos diz que a globalização torna o Estado social insustentável, sobretudo nos países pequenos. A direita regozija e a esquerda protesta, mas ambas aceitam a sua inevitabilidade. O mito, porém, não sobrevive à análise: as economias mais integradas no comércio internacional são as dos pequenos países - os mesmos que construíram os Estados sociais mais generosos. Parte da explicação é esta: a vulnerabilidade do mercado interno a choques exógenos incentiva à coordenação entre Governo, capital e trabalho, e favorece a construção de compromissos de classe e de instituições que protegem contra os humores do mercado.

 

A discussão é particularmente actual no momento em que o PS propõe ao país um duplo pacto: para o reforço da internacionalização da economia e para a expansão do Estado social. Os pactos complementam-se porque permitem aumentar a coerência entre os regimes de produção de bens transaccionáveis e de protecção das pessoas. Claro que é impossível copiar as instituições ou a trajectória dos países europeus pós-1945: em Portugal, a representação do capital e do trabalho é menos unificada; a taxa de sindicalização no privado é muito reduzida; grande parte dos empregadores e trabalhadores é pouco qualificada; o tecido económico tem bolsas de baixíssima produtividade. Sabemos, porém, que as instituições condicionam a acção dos parceiros, mas não a determinam. A escolha da estratégia é, por isso, decisiva.

 

A estratégia do duplo pacto aposta na definição dos clusters que merecem a aposta prioritária dos sistemas público e privado de inovação. Aposta em medidas de apoio à capacidade organizacional das firmas e à sua inserção em redes internacionais. Aposta na qualificação de pessoas ao nível do ensino superior e do secundário. Aposta em níveis elevados de contratação colectiva e moderada segurança laboral. Aposta em trabalhadores mais bem pagos; num país onde o salário mediano ronda os 700€ e cerca de 500.000 ganham o salário mínimo, é preciso prosseguir o aumento deste, medindo o impacto no emprego. É possível, porém, aumentar o rendimento do trabalhador se o Estado fornecer um complemento ao salário; a medida, que existe em inúmeros países, consta do programa do PS.

 

Os pactos não se complementam por acção da mão invisível do mercado, mas da mão visível do compromisso. O duplo pacto incentiva ao aprofundamento da coordenação cooperativa da economia, essa dinâmica negocial entre Governo, empresas e sindicatos, assente na concertação, na persuasão, e no incentivo - numa palavra, na política. Se alguns reduzem isto a “negociatas”, é porque lhe têm horror.

 

[artigo publicado no "Diário Económico" de hoje]

 


Por Hugo Mendes | Quarta-feira, 19 Agosto , 2009, 01:55

O PS propôs um pacto para a internacionalização das empresas portuguesas. O país precisa de exportar mais e ganhar competitividade através da produção dos bens transaccionáveis.

 

A grande prioridade do PSD, já se vê, é abrir os serviços públicos ao sector privado. A prioridade não é obrigar os grandes (e não tão grandes) grupos portugueses a mostrar o que valem lá fora. Não: o que interessa é abrir-lhes mercados altamente protegidos, como os das áreas da saúde ou da educação, onde possam fazer dinheiro fácil.

 

E não me venham com os clichés da "esquerda proteccionista" e da "direita que privilegia o risco". Nos dias que correm, não há estratégia mais proteccionista do que a que o PSD advoga.

 

Só me apetece parafrasear o João Rodrigues: «vão trabalhar para os sectores exportadores, malandros»!


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