Por Ana Paula Fitas | Segunda-feira, 03 Agosto , 2009, 00:00

Em Portugal, como aliás por toda a Europa, problematiza-se, debate-se e equaciona-se a identidade política da Esquerda, processo com o qual a direita se regozija (o caso mais recente veio de Itália), proclamando a inexistência de um projecto europeu de esquerda para a União Europeia ou sequer para a governação nacional de cada um dos países que a constituem... um contributo para a reflexão pode ler-se AQUI.


Por Irene Pimentel | Terça-feira, 28 Julho , 2009, 18:07

 

É extraordinário o que se lê por aí na blogosfera. Há uma sensação de anacronismo. Parece que estamos no PREC (naquilo que ele teve de pior, nomeadamente o sectarismo dos pequenos grupos, em que cada um que não pense como nós é colocado num campo inimigo). Engraçado também como o «politicamente correcto» invadiu o pensamento que alguns gostariam que fosse único! Em particular, é politicamente incorrectíssimo dizer que se vai votar PS, o que implica não estar na oposição (palavra sinónima de «bom», por contraposição ao «situacionismo» mau), uma vez que é esse partido que está no governo. Agora os maus da fita são os independentes, identificados como dependentes, tachistas, oportunistas, provocadores, cúmplices de um logro, idiotas úteis…
Hellooooo! Posso pensar, posso falar, posso ter uma opinião? Já agora, era bonito chamar os nomes às coisas. Dizer a quem são dirigidas as críticas, para que a/o criticada/o possa responder, sem que lhe digam que «não é consigo!»
 

Por Pedro Adão e Silva | Segunda-feira, 27 Julho , 2009, 15:59

Durante muito tempo, o “não merece, mas vote PS” do O’Neill foi a melhor forma de explicar os sucessos eleitorais relativos (literalmente) do PS. Agora já não o é. Depois de uma primeira maioria absoluta, o PS deixou de ser um partido que ocupava uma posição relativamente central e que por isso causava poucos anti-corpos da esquerda à direita para passar a ser um partido que governou, de facto, e com isso passou a centrar todos os descontentamentos. A experiência foi tão intensa que, hoje, sinal dos tempos, a “nacional situacionista” criou uma barragem tal que alguém que diga que vai votar PS tem antes de pedir desculpa. Não me é difícil fazer uma longa lista de coisas que gostava que este Governo tivesse feito diferente. Mas, eu, de facto, não peço desculpa: vou votar PS porque, ao contrário do que pensa o condutor moral Louçã, a política é mesmo uma negociação e só o PS é capaz de negociar um País onde modernização se combine com solidariedade. Ao mesmo tempo, só o PS o pode fazer ancorado na esquerda e envolvendo gente politicamente variada, que vai, a título de exemplo, do Miguel Vale de Almeida ao Luís Amado. Ora se calhar é mesmo isso que deve ser feito nos próximos anos: negociar mais e fazê-lo com gente mais variada.
 


Por Vera Santana | Domingo, 26 Julho , 2009, 19:34

Aqui deixo um possível eixo orientador de decisões, capaz de estruturar ideias para o acto de cidadania que é votar.

 

“Há, por fim, o dever da verdade. É também ele incondicional, do ponto de vista da ética absoluta (...) Para dizer a verdade, se existe um problema de que a ética absoluta não se ocupa, esse é o problema das consequências”. Desembocamos, assim, na questão decisiva. Impõe-se que nos demos claramente conta do facto seguinte: toda a actividade orientada segundo a ética pode ser subordinada a duas máximas inteiramente diversas e irredutivelmente opostas. Pode orientar-se segundo a ética da responsabilidade ou segundo a ética da convicção. Isso não quer dizer que ética da convicção equivalha a ausência de responsabilidade e a ética da responsabilidade, a ausência de convicção. Não se trata disso, evidentemente. Não obstante, há oposição profunda entre a atitude de quem se conforma às máximas da ética da convicção – diríamos, em linguagem religiosa, “O cristão cumpre seu dever e, quanto aos resultados da acção, confia em Deus – e a atitude de quem se orienta pela ética da responsabilidade, que diz: “Devemos responder pelas previsíveis consequências de nossos actos”. (Max Weber, A Política como vocação, 1918)

 

Voltarei a estas balizas. Para já, passo a bola a quem a quiser agarrar.

 

 

 

 


Por Palmira F. Silva | Domingo, 26 Julho , 2009, 09:49

Num post magnifíco, a Irene reproduz alguns dos argumentos da «utopia dos valores» que me fazem votar PS nas próximas eleições e que tentarei elaborar em próximos posts. Foi por uma questão de valores, utópicos alguns certamente, que sempre votei à esquerda, mas num primeiro post importa recordar que nestas eleições se discutem igualmente valores distópicos, manifestos em «discursos pessimistas, raramente "flertando" com a esperança».   

 

E como a distopia dá título ao post, nada melhor que invocar Sinclair Lewis, o primeiro escritor americano a ser galardoado com o Nobel da Literatura, que ficou conhecido pelas suas distopias intemporais que, paradoxalmente ou não, continuam a ser excelentes caricaturas das sociedades actuais. De facto, em vésperas de eleições, algumas das intervenções laranja recordam-me o Babbitt (1922) - uma sátira à cultura de «massas».  Ou antes, fazem-me pensar nos Babbits nacionais, figuras insípidas e convencionais, rodeada de outras figuras insípidas e convencionais, que vivem em negação, perdidos entre dois mundos e não aceitando que o mundo que gostariam de impor aos outros está morto para sempre.

 


Por João Galamba | Domingo, 26 Julho , 2009, 03:43

Neste post, o Miguel Morgado transforma as diferentes esquerdas numa super-entidade chamada A Esquerda, e confunde vontade de transformação política com uma espécie de plano quinquenal revolucionário. Para além da aglutinação pouco rigorosa das diferentes esquerdas, a crítica do Miguel é, sobretudo, uma apologia acrítica do conservadorismo — ou daquele liberalismo que reduz toda e qualquer intervenção do estado a um proto-totalitarismo.

 

O Miguel recorre a um velho truque da direita: tenta encostar a esquerda reformista à esquerda revolucionária. Segundo esta narrativa, a transformação social não é mais do que uma versão soft e reciclada das velhas utopias da esquerda revolucionária. Ou seja, a esquerda é toda igual: jacobina e perigosa.  Mas a crítica a uma visão estritamente revolucionária e voluntarista da política também tem uma enorme tradição de esquerda. A esquerda social democrata, por exemplo, sempre defendeu o reformismo gradual, sem necessidade de abandonar um horizonte utópico. Basta recordar a posição alguém como Habermas, que é fortemente progressista e rejeita categoricamente o conservadorismo que o Miguel implicitamente propõe.

 

O problema é que o Miguel parte de uma falsa dicotomia. O discussão relevante não é aquela que se limita a discutir abstracções formais como "transformar" vs. "conservar" ou "estado" vs. "sociedade civil". Se aceitássemos esta posição dicotómica, não saberíamos como distinguir entre investir numa vacina para curar a pólio e arregimentar a classe operária para implementar o comunismo, nem entre conceder subsídios para investir em energia e nacionalizar todo o aparelho produtivo, nem entre investir em educação e abolir a família burguesa. A questão que divide a esquerda reformista e a direita não pode ser aquela que o Miguel pretende, pois toda a política — e a de direita não é excepção — comporta necessariamente uma dimensão instrumental: algo tem de ser feito. Ou seja, não há acção política sem transformação social.

 

Contrariamente à sugestão do Miguel, aquilo que se opõe a uma visão tecnológica e burocrática do poder não é  um certo tipo de conservadorismo; é a democracia. (cont.)


Por Irene Pimentel | Sábado, 25 Julho , 2009, 14:03

 

 

Para além da acutilância revelada ao descortinar no texto críptico de Rui Tavares a tentativa de fazer crer que não há diferenças entre PS e PSD, o excelente post do MVA fez-me pensar. Em particular quando se propõe como objectivo tentar estabelecer «pontes e diálogos entre o PS (…) e as muitas e diversas pessoas que se situam politicamente entre o PS e os partidos à sua esquerda (…), parte delas alheias já a essa velha história que medeia entre o 25 de Abril e o 25 de Novembro».

Repentina e recentemente, alguns e algumas passaram a votar BE, reclamando-se precisamente de serem «derrotados do 25 de Novembro» e a criticarem votantes do PS de terem abandonado a «utopia». Não me referindo ao argumento frequentemente usado de que votam no BE, por este partido não ter hipóteses de ganhar as eleições, bem como ao facto de se julgarem proprietários da pureza ideológica, árbitros do «politicamente correcto» e donos até do pensamento de quem criticam, gostaria de lhes mostrar como estão equivocados relativamente ao que pensam que os outros pensam.

Veio-me desde logo à memória o distante ano em que Mário Soares ganhou a segunda volta das eleições presidenciais contra o candidato Freitas do Amaral, fazendo o quase pleno do que se considera «esquerda» (deixo para outra ocasião observações sobre a nomenclatura), alguma da qual teve que «engolir» o chamado «sapo». Eu não engoli sapo nenhum e fui então comemorar essa vitória para a rua. Nos dias seguintes, alguns surgiram a criticar o voto em Soares, muito contentes por serem «consequentes» e, suspeito, aliviados em segredo com o resultado eleitoral. Tendo vivido o 25 de Abril, o PREC e o 25 de Novembro, não me considero derrotada de nada. Ainda bem que as coisas correram como correram!

Quanto à «utopia», como se sabe célebre título da obra publicada por Thomas More, que remete para a raiz grega topos (local), precedido pelo prefixo de negação «u» ou «eu», significando «bem», foi entendida por esse autor simultaneamente como um lugar inexistente, ou «não lugar», e um «bom lugar». A República utópica não está em nenhum lugar porque é perfeita e a perfeição não é realizável na terra, embora possa sê-lo, na ordem política, em resultado da vontade e da acção do homem. Por exemplo, a enorme diminuição da mortalidade infantil em Portugal desde o 25 de Abril era uma utopia, mas que (só) foi possibilitada pela democracia.

Na Revolução Francesa, o modelo de pensar utópico ancorou-se na noção de que era possível o imediato triunfo da liberdade, igualdade e fraternidade, fazendo tábua rasa do passado. Sabe-se como esse momento crucial descambou por isso no terror e no total sacrifício de um dos objectivos, a liberdade, prefigurando aliás o totalitarismo do século XX. Na medida em que pretenderam situar a utopia num local determinado e num momento preciso, através transformação da humanidade e da fabricação de um Homem Novo (de raça ou classe pura), Hitler e Estaline criaram um inferno sobre a terra em que os piores crimes (meios) eram justificados em nome desse magno propósito (fim).

Desde o século XIX, a palavra passou por vezes a designar, de forma negativa, um projecto político ou social que não tinha em conta a realidade e era irrealizável ou irrealista, mas diversos autores deram-lhe porém uma conotação positiva: por exemplo, Lamartine disse que «as utopias são frequentemente verdades prematuras». Para entender as interpretações opostas – positiva e negativa – de utopia, há que situá-la relativamente ao «ideal» e à «ideologia», que tal como a «utopia» tem um lado positivo e outro negativo. Estes opostos podem porém complementar-se e a imaginação utópica pode ser ela própria o remédio para a patologia do pensamento ideológico, cego e estreito, devido à incapacidade deste conceber um «não lugar».

À «utopia dos factos», de natureza totalitária, porque reduz a existência complexa e contraditória dos homens a um programa redutor, pode-se contrapor a «utopia dos valores», que mantém «os ideais» como horizonte. Não estando ao alcance e podendo até não ser atingíveis, estes arrastam os homens para a acção. Embora consciente de que, ao pensar-se dessa forma a «utopia», se pode votar em diversos (mas não em todos) partidos candidatos às Legislativas, deixarei para um futuro «post» os argumentos, relacionados com a forma como se atinge (?) a liberdade, igualdade e solidariedade, que me fazem votar no PS.

 

 

 

 


Por João Galamba | Quinta-feira, 23 Julho , 2009, 03:31

No blog da SEDES, Vítor Bento acusa os defensores do TGV de praticarem Voodoo Economics nas suas análises custo-benefício. O que é o Voodoo Economics? É uma projecção que carece de objectividade. No caso do TGV — e, por implicação, em grande parte dos investimentos proposto pelo PS —o problema é que parte da rentabilidade esperada do projecto depende "de componentes da mais pura e arbitrária subjectividade”, como os "benefícios obtidos com a redução do tempo médio de viagem das travessias sobre o Tejo" , a "redução dos custos operacionais dos carros que dessa forma se consegue e pelo impacto positivo em termos ambientais", o "aumento de produtividade". Ficamos a saber que intangível e dificilmente quantificável são sinónimos de pura arbitrariedade. E ficamos também a saber que Vítor Bento defende uma bizarra e misteriosa metodologia  de análise de projectos, pois todas as avaliações dependem de interpretações subjectivas.

 


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