Por Ana Paula Fitas | Sábado, 19 Setembro , 2009, 23:21

Hoje, em Coimbra, no comício do Partido Socialista, Manuel Alegre confrontou o país com a demagogia inerente ao artifício demagógico de Manuela Ferreira Leite que se tem insurgido contra uma "asfixia democrática" que o olhar da líder do PSD reconhece em Portugal e não vê na acção de Alberto João Jardim... seria ingénuo pensar que o recente slogan de Manuela Ferreira Leite não resultara de um cálculo político elementar que tomara em consideração a presumida desavença de Manuel Alegre em relação ao PS... porque foi Manuel Alegre quem, num outro contexto e em relação a realidades específicas e datadas, evocara um certo "clima de medo" que só uma estratégia partidária de direita, com débeis fundamentos e paupérrimo gosto, poderia pensar em evocar para sua defesa contra a Esquerda... Por isso, foi importante a intervenção de Manuel Alegre que ergueu, poética e forte, a sua voz poderosa contra a manipulação... De forma clarividente, Manuel Alegre foi a Coimbra dizer que Portugal foi grande quando foi universal e não quando esteve "orgulhosamente só" e explicou, de forma clara e oportuna, que a asfixia democrática é, nada mais nada menos, do que a asfixia social a que conduz a pobreza resultante da aplicação de políticas de direita, valorizadoras do liberalismo e redutoras da acção social do Estado. Por isso e porque "quando se esvazia um direito social, estão a enfraquecer-se os direitos políticos", defendeu que  "Portugal precisa de um governo de esquerda e a esquerda possível é o Governo PS"  contra "a direita dos interesses", enunciando o desafio que se nos coloca nas eleições que se aproximam: "Recusar um Estado mínimo para os pobres e um Estado máximo para os poderosos"... desta intervenção deveria o PSD retirar uma lição: a de que o plágio, nomeadamente descontextualizado, é abusivo e pode fazer com que "o feitiço se volte contra o feiticeiro" porque só o original sabe defender com lisura as suas deduções porque só ele conhece a intencionalidade da sua enunciação... e é à Esquerda, com o Partido Socialista, que, neste momento, se impede a sujeição dos portugueses à anunciada asfixia democrática que tanta experiência de uso tem já na Ilha da Madeira. 

 

(Este post tem publicação simultânea no A Nossa Candeia e no Público-Eleições 2009)


Por João Galamba | Segunda-feira, 14 Setembro , 2009, 12:58

O extraordinário Nuno Gouveia ensaia mais uma pirueta, tentando transformar uma declaração autoritária e anti-democrática de Ferreira Leite ("sinto-me pressionada e não gosto de manifestações e petições que envolvam camaradas de Sócrates e autarcas espanhóis") em pressões ilegítimas da responsabilidade de José Sócrates.  É o spinning dos desesperados. Para o Nuno, Ferreira Leite teve toda a razão na história das manifestações e petições, porque, como toda a gente sabe, estas "manobras" foram "promovidas" pelo PS e não têm nada de espontâneo. Não interessa que os "camaradas da fronteira" e os  "espanhóis" lutem — democraticamente — por aquilo que entendem ser os seus interesses. Nuno Gouveia acha que isso é irrelevante porque é tudo "promovido" pelo PS. Para o Nuno  estas manifestações não são espontâneas, o que sugere bastidores pouco transparentes, maquievelismos de Elvas e estratégias sinistras para asfixiar Ferreira Leite e todos aqueles que amam a Liberdade. Em suma: as manifestações são mais um sintoma da asfixia democrática. O Nuno vê interesses sinistros (do PS, claro) em todo lado, o que indicia uma atitude algo paranoide. Só a custo e com muito sacrifício pessoal é que Ferreira Leite pode denunciar esta sinistra cabala. Louve-se a coragem da líder do PSD.


Por Leonel Moura | Sábado, 12 Setembro , 2009, 23:41

Um político, de um país Europeu, que faça um comentário sobre o país vizinho como aquele que Manuela Ferreira Leite proferiu, ou é de extrema-direita ou está acabado.

 


Por João Galamba | Quinta-feira, 10 Setembro , 2009, 13:15

Pacheco Pereira está enganado. O novo crime não é ir à Madeira. O "Crime" (a escolha de palavras de Pacheco Pereira é todo um programa) consiste em ir à Madeira  e dizer o que Ferreira Leite disse — e que, ontem, voltou a dizer — sobre asfixias democráticas, as de cá (tenebrosas) e as de lá (fantasiosas). "Crime" é branquear a forma como Jardim usa (e abusa) do poder na Madeira só porque isso pode dar uns votos. "Crime" é sacrificar "a Verdade" ao calculismo político mais rasteiro e oportunista. "Crime" é confundir democracia com voto popular. "Crime" é pôr em prática a teoria populista defendida por Isaltinos e Valentins de que a justiça é o voto do povo e de que, mais do que a lei, interessa o que as "pessoas sentem". "Crime" é Ferreira Leite dizer que o Governo de Jardim é um modelo a seguir. "Crime" é brincar com os Portugueses acenando com fantasmas irresponsáveis (cá) quando na Madeira há tiros a zepelins, seguranças privados que impedem deputados democraticamente eleitos de entrar no parlamento, atropelos aos legítimos direitos da oposição no parlamento e quejandos. "Crime" é o branqueamento do PR e do PSD aos despautérios de Jardim. "Crime é Ferreira Leite ter encenado um embuste retórico com um único objectivo: a conquista do poder. Já agora, Crime (sem aspas) é quando você acusa, difama e calunia sem provas. Já pensou nisso, Pacheco Pereira?


Por João Galamba | Domingo, 23 Agosto , 2009, 12:36

Já  tinha falado da entrevista de Ferreira Leite neste post, mas importa explorar em maior detalhe a sua política económica. Ferreira Leite diz que vai por o Estado a pagar a tempo e horas (o PS, com "pagar a tempo e horas", já se propõe reduzir o prazo médio de pagamentos para 30 dias), diz que vai apostar nos investimentos de proximidade (o PS já investe em escolas, hospitais e requalificação urbana), disse que não ia avançar com os grandes investimentos (aqui há uma diferença) e reduzir impostos — taxa social única e IRC. Para além dos grandes investimentos — TGV, aeroporto (?), auto-estradas —, Ferreira Leite limita-se a dizer algo semelhante ao Partido Republicano Americano: para que a economia cresça é necessário um choque fiscal. Independentemente do PSD já o ter proposto no passado — e de não ter cumprido a promessa —, quando olhamos para a situação estrutural do país, esta estratégia não faz muito sentido. Vejamos porquê. É sabido — e, contrariamente a alguns dos seus apoiantes, Ferreira Leite concorda  — que Portugal precisa de requalificar a sua economia e apostar no sector exportador. Não se percebe em como é que medidas que não descriminam entre sectores da economia — é preciso não esquecer que Ferreira Leite considerou que apostas em sectores específicos são arbitrárias e devem ser abandonadas— podem contribuir para transformar o paradigma produtivo português. Ferreira Leite não disse — aliás, rejeitou — que ia incentivar o investimentos nas tecnologias x ou y; disse apenas que ia contribuir para reduzir os custos de todas as empresas, quer elas produzam meias de lycra, texteis ou tecnologia solar, suponho. Para Ferreira Leite, como, aliás, para alguns dos seus apoiantes, quem decide o que produzir são as empresas, esquecendo-se que todas as empresas desenvolvem a sua actividade em contextos e de acordo com incentivos definidos pelo Estado. Pelos vistos, isto é irrelevante. Concluo que Ferreira Leite olha para economia portuguesa do seguinte modo: Portugal tem um problema de competitividade, baixo crescimento, défice externo, mas não vê a qualquer inter-ligação entre esses problemas e o paradigma produtivo que caracteriza a economia portuguesa. Mais (e pior): ao achar que basta reduzir custos através de um choque fiscal, esse sim arbitrário e cego, Ferreira Leite está apenas a dizer uma coisa: o nosso caminho é a redução de custos — baixar os custos associados ao factor trabalho. E assim nada faz para que Portugal abande o paradigma económico que nos conduziu aos desequilíbrios actuais. Assim não vamos longe.


Por João Galamba | Sexta-feira, 21 Agosto , 2009, 02:42

1- Sobre o "watergate-português", Manuela Ferreira Leite disse "Eu não quero saber se há escutas ou não, eu não quero saber se há retaliações ou não, o que é grave é que as pessoas acham que há" Por outras palavras, não interessa se a suspeita tem ou não fundamento; basta que a suspeita exista. É a política da verdade...intuida. Ferreira Leite não sabe, nem está preocupada em saber a verdade. Basta sentir — ou melhor, basta que os outros sintam. Deve ser isto que Ferreira Leite tem em mente quando diz que quer fazer política com as pessoas. Isto é puro populismo. E é preocupante;

 

2- A verdade de Ferreira Leite é que o PS está errado. A verdade de Ferreira Leite quase que cabia numa página A4. Quando confrontada com o conteúdo positivo da sua verdade, Ferreira Leite termina com algo mais ou menos assim: "a minha verdade não vai surpreender ninguém porque apesar de todos dizerem que eu não digo nada eu já disse tudo". Não perceberam? Eu também não. E fiquei ainda mais baralhado quando disse que as medidas de Sócrates são um desastre vindo depois dizer Sócrates copia todas as suas ideias. Baralhadíssimos? Pois;

 


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