Por Tiago Julião Neves | Quarta-feira, 09 Setembro , 2009, 05:39

 

Nas últimas décadas assistimos a uma crescente sacralização da ciência nas sociedades ocidentais. O espaço deixado vago pela desilusão de gerações urbanas e cosmopolitas com as religiões tradicionais foi progressivamente infiltrado pelos extraordinários progressos científicos alcançados pela humanidade.

 

A permuta da fé tradicional por outra de matriz tecnológica em que sobressai a facilidade de dominar a natureza inicia-se ao ritmo de missões lunares, de computadores 48k e de operações de coração aberto. As religiões dominantes perdem o monopólio do sagrado e a ciência inicia uma marcha triunfal. O Homem descobre que não precisa de Deus para descodificar o genoma nem da sua bênção para navegar no ciberespaço.

 

Aplaudo a aparente libertação, mas trocar Deus pelo iPod pode ter graves consequências se à ciência se atribuir lugar divino. Assumir que o futuro colectivo depende mais de desígnios externos (cientistas iluminados) do que do somatório das nossas acções individuais, infantiliza e desresponsabiliza a espécie humana.

 

 

 

Nas alterações climáticas por exemplo, não há volta a dar, a tecnologia só não chega e Deus pode chegar atrasado. Neste caso pregar a salvação pela ciência é extremamente perverso porque escamoteia a real necessidade de alterar hábitos individuais insustentáveis, no muito curto prazo. É fundamental não nos iludirmos com devotos do culto tecnológico como Lomborg, e assumirmos de forma consciente e solidária o ónus político de medidas tão impopulares quanto urgentes, porque o custo de não agir já será várias vezes superior no futuro, conforme atestam o Relatório Stern e o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas.

 

É claramente mais agradável acreditar no milagre dos biocombustíveis do que andar mais a pé e de transportes públicos. Sacrificar bem-estar imediato em nome de medidas duras cujos efeitos só serão visíveis num futuro distante acarreta custos políticos óbvios para o governo que as adoptar, mas é também uma marca de responsabilidade governativa.

 

O Governo PS (que não é perfeito) tem dado passos consistentes no sentido de alterar a matriz científico-tecnológica da nossa sociedade através da aposta em bolsas de investigação e desenvolvimento, mas também em áreas chave como as energias renováveis e a mobilidade eléctrica. É apenas o início de um caminho longo e incerto, que não dispensará afinações de rumo e alterações aos comportamentos individuais. Mas o fundamental é que o rumo central está traçado a caminho da sustentabilidade e representa uma forma de ver o Mundo onde se reconhece a existência de limites, que acredito é a mais correcta ética, política, social, ambiental e economicamente.

 

A ciência e a tecnologia são elementos fundamentais de um futuro sustentável em conjunto com muitas outras disciplinas do saber. As tecnologias actuais não merecem um papel sagrado, até porque seria uma deselegância para com a "enxada", tecnologia de ponta do neolítico, mãe da agricultura e das trocas comerciais que nos permitiram acumular riqueza para um dia termos direito à Cérelac e ao MIT.

 

 

Nota: Para evitar aproveitamentos informo que apoio o excelente e pioneiro investimento realizado pelo Governo PS em matéria de ciência e tecnologia ao longo dos últimos 4 anos, o que não considero de todo incompatível com a crítica ao papel quase divino da ciência na sociedade contemporânea ocidental.


Por João Galamba | Terça-feira, 28 Julho , 2009, 02:52

Neste post, citei a seguinte frase de Sócrates "Há uma revolução tecnológica em curso. Portugal tem de escolher: arrisca ou fica passivamente à espera que algo aconteça", e perguntei qual a posição do PSD em reacção a isto.

 

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Por João Galamba | Segunda-feira, 27 Julho , 2009, 19:35

"Há uma revolução tecnológica em curso. Portugal tem de escolher: arrisca ou fica passivamente à espera que algo aconteça"

 

"produzimos nós ou importamos dos outros"

 

José Sócrates

 

Pergunta aos apoiantes de Ferreira Leite: qual a vossa resposta a isto? Rasgar? Parar? Têm alguma alternativa? é que são estas as questões decisivas que definirão o nosso futuro.


Por Bruno Reis | Domingo, 26 Julho , 2009, 00:06

Não me atreveria a responder a este jamé [sic] do Rodrigo Adão da Fonseca por vez da Sofia. No entanto, como no fundo e bem espremida este laranja diz que tudo o que a Sofia afirma é verdadeiro e bom, não há muito a que responder.  

 

Como simplex leitor atrever-me-ia (ainda assim) a dizer que não me parece que alguém na esquerda seja tão optimista que pense em dar computadores a analfabetos. Ou seja, e isto parece ser algo que alguma direita por alguma razão (falta de literacia?) tem dificuldades em perceber: o Magalhães pressupõe miúdos que saibam ler e escrever. Ou seja, uma (computadores) não é suposto substituir a outra (saber ler e contar). Literacia = bom. Literacia electrónica = também bom. 

 

Também não me parece certo ver um utópico optimismo de esquerda  no pensar-se que, em princípio, os médicos e outros profissionais da saúde são alfabetizados. (Até me parece que o PSD ou alguém por ele colocar isso em dúvida será talvez visto  como um insulto).

 

Mas o verdadeiramente importante do poste é a conclusão:

 

a competitividade não depende da "vontade política", nem do "investimento público", nem da "aposta em novas tecnologias". Depende, sim, de drivers pouco simpáticos para o socialismo centralizador. A competividade assenta na inovação dos agentes privados, na diminuição da carga fiscal, na educação, na libertação do tecido económico do peso da burocracia e, sobretudo, na livre concorrência, que não pode ser distorcida pelas intervenções governamentais ou dos agentes públicos.

 

Mas esperam lá... não foi a direita que andou, há dias, a massacrar o agente público conhecido por Governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, porque não interveio mais no BPN (depois do escândalo, claro)?

 

É sabido que a memória política em Portugal é curta, mas isto é um novo recorde.


Por Irene Pimentel | Sábado, 25 Julho , 2009, 14:03

 

 

Para além da acutilância revelada ao descortinar no texto críptico de Rui Tavares a tentativa de fazer crer que não há diferenças entre PS e PSD, o excelente post do MVA fez-me pensar. Em particular quando se propõe como objectivo tentar estabelecer «pontes e diálogos entre o PS (…) e as muitas e diversas pessoas que se situam politicamente entre o PS e os partidos à sua esquerda (…), parte delas alheias já a essa velha história que medeia entre o 25 de Abril e o 25 de Novembro».

Repentina e recentemente, alguns e algumas passaram a votar BE, reclamando-se precisamente de serem «derrotados do 25 de Novembro» e a criticarem votantes do PS de terem abandonado a «utopia». Não me referindo ao argumento frequentemente usado de que votam no BE, por este partido não ter hipóteses de ganhar as eleições, bem como ao facto de se julgarem proprietários da pureza ideológica, árbitros do «politicamente correcto» e donos até do pensamento de quem criticam, gostaria de lhes mostrar como estão equivocados relativamente ao que pensam que os outros pensam.

Veio-me desde logo à memória o distante ano em que Mário Soares ganhou a segunda volta das eleições presidenciais contra o candidato Freitas do Amaral, fazendo o quase pleno do que se considera «esquerda» (deixo para outra ocasião observações sobre a nomenclatura), alguma da qual teve que «engolir» o chamado «sapo». Eu não engoli sapo nenhum e fui então comemorar essa vitória para a rua. Nos dias seguintes, alguns surgiram a criticar o voto em Soares, muito contentes por serem «consequentes» e, suspeito, aliviados em segredo com o resultado eleitoral. Tendo vivido o 25 de Abril, o PREC e o 25 de Novembro, não me considero derrotada de nada. Ainda bem que as coisas correram como correram!

Quanto à «utopia», como se sabe célebre título da obra publicada por Thomas More, que remete para a raiz grega topos (local), precedido pelo prefixo de negação «u» ou «eu», significando «bem», foi entendida por esse autor simultaneamente como um lugar inexistente, ou «não lugar», e um «bom lugar». A República utópica não está em nenhum lugar porque é perfeita e a perfeição não é realizável na terra, embora possa sê-lo, na ordem política, em resultado da vontade e da acção do homem. Por exemplo, a enorme diminuição da mortalidade infantil em Portugal desde o 25 de Abril era uma utopia, mas que (só) foi possibilitada pela democracia.

Na Revolução Francesa, o modelo de pensar utópico ancorou-se na noção de que era possível o imediato triunfo da liberdade, igualdade e fraternidade, fazendo tábua rasa do passado. Sabe-se como esse momento crucial descambou por isso no terror e no total sacrifício de um dos objectivos, a liberdade, prefigurando aliás o totalitarismo do século XX. Na medida em que pretenderam situar a utopia num local determinado e num momento preciso, através transformação da humanidade e da fabricação de um Homem Novo (de raça ou classe pura), Hitler e Estaline criaram um inferno sobre a terra em que os piores crimes (meios) eram justificados em nome desse magno propósito (fim).

Desde o século XIX, a palavra passou por vezes a designar, de forma negativa, um projecto político ou social que não tinha em conta a realidade e era irrealizável ou irrealista, mas diversos autores deram-lhe porém uma conotação positiva: por exemplo, Lamartine disse que «as utopias são frequentemente verdades prematuras». Para entender as interpretações opostas – positiva e negativa – de utopia, há que situá-la relativamente ao «ideal» e à «ideologia», que tal como a «utopia» tem um lado positivo e outro negativo. Estes opostos podem porém complementar-se e a imaginação utópica pode ser ela própria o remédio para a patologia do pensamento ideológico, cego e estreito, devido à incapacidade deste conceber um «não lugar».

À «utopia dos factos», de natureza totalitária, porque reduz a existência complexa e contraditória dos homens a um programa redutor, pode-se contrapor a «utopia dos valores», que mantém «os ideais» como horizonte. Não estando ao alcance e podendo até não ser atingíveis, estes arrastam os homens para a acção. Embora consciente de que, ao pensar-se dessa forma a «utopia», se pode votar em diversos (mas não em todos) partidos candidatos às Legislativas, deixarei para um futuro «post» os argumentos, relacionados com a forma como se atinge (?) a liberdade, igualdade e solidariedade, que me fazem votar no PS.

 

 

 

 


Por Tiago Julião Neves | Sexta-feira, 24 Julho , 2009, 15:18

 

Atravessamos uma crise mundial sem precedentes e Portugal é um país pequeno e periférico na cauda da Europa. Somos também um país com um tremendo potencial, que pode inovar e crescer em áreas chave se soubermos aproveitar as oportunidades de renovação que acompanham esta crise.

 

Podemos escolher um líder à medida do país que temos ou um líder à medida do pais que queremos. A escolha é entre continuar agarrado à imperial a insultar o árbitro ou saltar para o campo para ajudar a equipa.

 

Da bancada as coisas parecem sempre fáceis e eu não quero um Portugal de bancada. Quero uma equipa com uma visão pragmática, moderna e reformadora da sociedade. Quero uma liderança sem medo de fazer escolhas arrojadas e correr riscos, capaz de apostar em projectos estruturantes e com coragem para reformar paradigmas obsoletos.

 

Esta equipa irá certamente errar em várias ocasiões, mas só não erra quem não faz escolhas e Portugal precisa absolutamente de fazer opções e também precisa de aprender a gerir os fracassos pontuais, que são matéria-prima das vitórias futuras.

 

A estratégia de imobilidade do PSD, não respirar a ver se o Tyrannosaurus passa ao lado, não colhe apoio por estas bandas, porque acredito que Portugal não se pode dar ao luxo de não agir. As escolhas serão por vezes fracturantes, mas as repercussões sociais, ambientais e económicas da inacção defendida pelo PSD são com certeza muito piores e eu prefiro continuar a respirar a confiar na distracção do réptil.

 


Por João Galamba | Quinta-feira, 23 Julho , 2009, 18:27

Já sabemos que Vítor Bento (e Abel Mateus) não percebe nada de análises custo benefício (como escrevi aqui, o João Pinto e Castro ali e o Carlos Santos acoli), pois acha que externalidades são "componentes da mais pura e arbitrária subjectividade", isto é, são uma treta. Também sabemos que Vítor Bento aconselha cautela, prudência e moderação. Mas — pasme-se — Vítor Bento insiste em dizer que Portugal tem de ser mais competitivo, isto é, tem de saber ultrapassar os seus constrangimentos estruturais. Como? É um mistério. Sabemos que não aprova os investimentos que visam diminuir a factura energética e modernizar as infra-estruturas do país. Se sabemos que rejeita tudo isto, o que nos resta? Tirando a ideia peregrina da redução dos salários, nada. Infelizmente, parece que alguma economia parece estar definitivamente condenada ao papel de lúgubre ciência.


Por Hugo Mendes | Quarta-feira, 22 Julho , 2009, 11:04

 Talvez o segredo mais bem guardado de uma eficaz política democrática seja a capacidade de fazer ou segurar alianças entre classes. A esquerda para-revolucionária desdenha a ideia de aliança transclassista porque saliva com a “luta de classes” dos bons contra os maus; a direita diz que as “classes” fazem parte do universo ficcional da sociologia de pacotilha. A esquerda democrática sabe, porém, que precisa da cooperação organizada e da mobilização colectiva dos “grandes números”.
Não serve, claro, qualquer aliança; por exemplo, a aliança entre as classes médias e as elites contra o Estado social, assente na exploração do ressentimento dos que de menos recursos dispõem e na protecção assimétrica dos benefícios dos mais ricos. A esquerda democrática necessita antes de uma aliança sólida entre as classes trabalhadoras e a classes médias, e para tal, precisa de lhes fazer crer que pertencem à mesma sociedade. É para isso que servem – entre outras coisas - serviços públicos tendencialmente universais que sejam capazes de responder às necessidades dos cidadãos-clientes com qualidade e universalismo. Precisa também de garantir às classes médias alguma estabilidade e segurança para evitar que, uma vez atacadas pelo medo de entrarem em trajectórias descendentes, se sintam ameaçadas pela concorrência dos mais pobres, e façam a tal aliança com as elites contra o Estado social. E precisa ainda garantir, para além de níveis de bem-estar objectivo decentes para os mais pobres, oportunidades relativamente constantes para que possam ter um emprego melhor, para adquirir uma casa, para “subir na vida” e “juntar-se às classes médias”. A única força política capaz de pensar e concretizar esta aliança de bem-estar que responda às preocupações e expectativas da grande maioria da sociedade é o Partido Socialista.


Por André Couto | Quarta-feira, 22 Julho , 2009, 09:50

Um grupo de amigos das manhãs de domingo não quis ficar atrás na moda dos manifestos. Tal como em 2005, surgem agora a querer saber, e bem, o que pensam os Partidos sobre a defesa e a protecção da instituição familiar fundada na complementaridade homem-mulher, sobre o respeito incondicional pela vida humana em todas as suas etapas, sobre o testamento vital ou as soluções para problemas sociais como o desemprego ou o combate à corrupção.

 

Da parte do PS têm tido resposta diariamente nas múltiplas sessões de esclarecimento que José Sócrates tem feito em tudo o que é canto do País.

Da parte do PSD parece que só lá para Setembro é que vamos ter mais notícias. Valha-nos o tempo em que a Dra. Manuela Ferreira Leite teve a bondade de nos deliciar com as suas opiniões, antes de perceber que o seu silêncio programático lhe rendia mais votos que a sua pro-actividade.

Disse-nos há parcos meses sobre as preocupações sociais que "aumentar o salário mínimo roça a irresponsabilidade" pelo que certamente não irá por aí. Em relação à família e à complementaridade homem-mulher, a Dra. Manuela simplificou dizendo que a "família serve para a procriação" e chega pois a complementaridade não interessa a ninguém. Em relação ao desemprego a Dra. Manuela, antes de se remeter ao sagrado silêncio disse-nos que não está interessada no "desemprego de Cabo Verde e da Ucrânia". Serão problemáticas, variadas e sempre secretas as reacções que terão a este ponto...
Quanto ao combate à corrupção é fácil: é recorrer aos famosos "seis meses sem democracia para se meter tudo na ordem".

E não é que, vendo bem, não faltam muitas respostas?


Por Bruno Reis | Terça-feira, 21 Julho , 2009, 20:35

É simplex, precisamos de um Governo do século XXI para lidar com os problemas do século XXI.

 

Precisamos de um reformismo pragmático forte. Precisamos de guarantir que esse reformismo é de esquerda. É feito com consciência social, como se viu ser o caso do PS, por exemplo, no rendimento mínimo, no complemento solidário de reforma, no aumento do salário mínimo, e na proposta recente de um apoio às famílias mais pobres.

 

Não se pode abandonar as classes médias. Mas um governo de esquerda progressista tem de governar sobretudo pelo progresso e não simplesmente pelos direitos adquiridos. (A aristocracia também os tinha aquando das revoluções liberais). Tem de governar pelos mais pobres e pelo reforço da igualdade de oportunidades através da educação semeando Novas Oportunidades.


Por Gonçalo Pires | Terça-feira, 21 Julho , 2009, 17:16

Dizem-nos que devemos gostar do bom gestor, do tipo grave, sério e com ar competente. Gostamos que nos digam que não se deve confiar em políticos, mesmo que dito por aqueles que se candidatam a lugares políticos. Gostamos que nos convençam que deveremos ser um bom aluno da Europa e vamo-nos entretendo, neste fado lusitano, imitando os crescidos na piscina das crianças. Dizem-nos que a retoma virá, mas que, como manda a prudência, o melhor é continuar a viver dentro das nossas possibilidades. 

 

 


Por Porfírio Silva | Terça-feira, 21 Julho , 2009, 14:40

Tem sido muito repetido que a crise internacional abanou fortemente a ortodoxia dominante. Que, curto e grosso, se resume ao "salve-se quem puder e vivam os vencedores". E esse abanão existe - e é salutar.

Não deixa de ser, contudo, menos certo que outras ortodoxias, vistas como menos dominantes por estes lados, também merecem cautelas. É que, apesar de ora arejarem os paletós e descerem à praça como se fossem os novos donos do reino, não ganharam na circunstância nenhuma legitimidade para tal. Pela simples razão de que a história mais recente, dos últimos meses ou anos, não deve fazer-nos esquecer as lições apenas um tudo nada menos recentes. Por exemplo, o fracasso das soluções centralistas e das visões que encarregam o Estado de tomar conta de tudo o que mexe. O que é o caso quando se sugere que certas empresas, dando lucro e pertencendo a sectores estratégicos, deviam "ser de todos" (c'est à dire, nacionalizadas) apenas por isso, como alguns sugeriram recentemente acerca da GALP e da EDP. Quando isso é puro esquecimento de que o mundo já mostrou ser mais complicado do que a cartilha promete.

É que, quem queira ousar governar, tem de saber evitar as armadilhas das ortodoxias fechadas - e não apenas das mais recentes. Para não nos acharmos, daqui a meio ano, suspensos sobre o nada e pendurados por frágeis lianas. Porque a pior esquerda do mundo continua a ser a esquerda que odeia os que tentam governar.


Por Carlos Manuel Castro | Terça-feira, 21 Julho , 2009, 01:55

           

 

Após a convocação das eleições, para 27 de Setembro, começou-se a ouvir toda a oposição ainda mais empenhada em xingar o Governo, o PS e José Sócrates.

O único objectivo, a única causa que move todos os partidos, do CDS ao BE, passando pelo PPD e PCP, é derrubar o PS. Custe o que custar.

Há uma sede obsessiva de condenar e derrubar a governação socialista.

Nunca, como hoje, houve tanto empenho da oposição em querer derrotar um Governo com tanta obra feita.

Há pouco mais quatro anos, quando o País despejou Santana Lopes e o seu Governo de direita, tal se deveu a uma profunda vontade de querer recuperar o crédito das instituições e legitimar um Governo que operasse uma efectiva mudança no País. Tudo o que a direita não fizera, pois anunciara a tanga e desbaratou as finanças, desacreditou o ensino e quase desmantelou a Segurança Social, desprezou a Saúde e ignorou a Economia. Ingredientes suficientes para afundar Portugal.   

Sócrates apresentou cinco grandes medidas, para dar um rumo ao País: Plano Tecnológico; Inglês no Básico; Retirar 300 mil idosos da pobreza; Criar o Cartão Único; e, criar 150 mil postos de trabalho.

Sócrates cumpriu o prometido, à excepção da medida de emprego, que só não a completou - e é importante referir que foram criados ao longo destes anos mais de 100 mil novos postos de trabalho, por que a crise global, que afecta tudo e todos, ao mesmo tempo, não permitiu a concretização desta medida na actual legislatura.

Infelizmente, a demagogia de toda a oposição faz de conta que não há uma crise global e que esta não tem impacto no nosso País. Como se no mundo actual algum Estado estivesse a criar ondas massivas de postos de trabalho.

O PS prometeu um rumo em 2005 e este foi concretizado.

Temos boas razões para considerar que o saldo desta governação socialista foi bastante positivo.

Somos admirados e reconhecidos no mundo por termos políticas exemplares, como a educativa e energética, que foram, e bem, concretizadas entre 2005 e 2009.

Mas, agora, é tempo de exigir mais. É tempo de o PS dar ainda mais ao nosso País. E fazê-lo progredir para níveis qualidade ainda mais elevados.

Os últimos anos elevaram os nossos patamares de desenvolvimento, mas precisamos de mais e melhor, de modo a continuar nesta senda, de criar um Portugal mais progressista e justo.

É preciso continuar a dar apoio ao rumo que se abriu em 2005, para que não recuemos.


Por Tomás Vasques | Segunda-feira, 20 Julho , 2009, 17:58

 

Quer queiramos quer não, a crise que nos bateu à porta, por via do sub-prime, e que atingiu em primeiro lugar o sistema financeiro antes da economia real, inédito em todas as crises anteriores (e foram mais de 30 nos últimos 250 anos), ainda está longe do seu fim. Mesmo que a actual crise já tivesse «batido no fundo», como alguns optimistas nos dizem, a experiência diz-nos que, a ser assim, ainda faltam quase dois anos para a economia real se recompor, o desemprego abrandar e o consumo reagir positivamente. Até lá é preciso governar atendendo às circunstâncias, sobretudo em matéria de investimento público e de sensibilidade social. Ora, quem não conhece as circunstâncias: o PSD, pela boca da sua líder, já demonstrou que está a leste de tudo isto, quando classificou esta crise – uma das mais profundas de sempre - como um «abalozinho» (e não nos venham exigir «interpretação especial» para as suas palavras, porque aqui há ignorância ou má-fé, e mais nada); quem não tem norte, nem rumo em relação ao investimento público; e, quem, quanto à sensibilidade social, não tem uma ideia, tendo a líder do PSD afirmado que «não há nenhuma medida anunciada por este Governo qual a qual discorde», governar significaria o desastre, sobretudo para quem mais sofre as consequências desta crise. A incapacidade de resposta por parte do PSD transforma-o num perigo para os portugueses, caso ganhasse as próximas legislativas. O desvario e as suas consequências seriam de tal ordem que, três meses depois, já estavam a dar o dito por não dito, e a proclamar que o «abolozinho» era, afinal, a maior crise dos últimos dois mil anos. Nós temos memória!


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