Por Eduardo Pitta | Quarta-feira, 23 Setembro , 2009, 20:57

A direita, em particular o PSD, diabolizou o computador Magalhães. Engodo, trafulhice, contrafacção, negócio escuro, propaganda, tudo serviu de pauta. As crianças assim, as crianças assado. Comentadores conspícuos escreveram artigos e deram entrevistas de que um dia vão ter vergonha. A mim, por ter escrito que a iniciativa de distribuir computadores pelas escolas teria efeitos equivalentes ao de uma campanha de alfabetização maciça que tivesse sido feita em 1900 (não foi, o que explica o nosso atraso endémico), chamaram-me os nomes do costume.

 

Eis senão... que hoje se soube que os computadores previstos para distribuir no presente ano lectivo vão chegar com algumas semanas de atraso, isto é, na vigência do próximo governo (as eleições são daqui a quatro dias). E não é que caiu o Carmo e a Trindade?

 

Pode lá ser, grita o PSD, gritam os professores da Fenprof, gritam os sindicalistas social-democratas, gritam todos à vez. A engenhoca, que ainda há 24 horas não servia para nada, mobiliza a oposição de direita: as crianças estão em transe, os pais viram as expectativas goradas, o melhor mesmo é suster o ano lectivo! Dirigentes do PSD falam de «desculpas de mau pagador» para justificar o inadmissível atraso.

 

Ainda me lembro das manchetes aleivosas, corroboradas na televisão por gente respeitável... «Magalhães à venda na Feira da Ladra» / «Os miúdos estragam aquilo e depois vão vender à Feira da Ladra». Bora portanto ao Campo de Santa Clara!

 


Por Palmira F. Silva | Sábado, 05 Setembro , 2009, 11:05

 

Há uns tempos escrevi um post na jugular que aborda o que se pensa ter sido a primeira guerra da propaganda, com os resultados, catastróficos, que podem ser apreciados em San Giminiano na Toscana. Esta forma de combate político medieval, assente na maledicência e destruição do trabalho do oponente, deu um contributo não despiciendo para que a cidade que era um dos mais florescentes centros italianos à época seja hoje uma pequena vila medieval com interesse apenas turístico.

 

Naquele que se pensa ser o primeiro cartaz de propaganda da História,  os apoiantes do papado romano acusavam os seus rivais seculares, os gibelinos, de promoverem o «pecado» considerado mais herético, «o agir contra natura, desarmonia, e falta de sentimento de comunidade». Por outras palavras, os guelfos, assentes na mitologia então dominante, lançavam um boato infundado sobre os seus oponentes políticos e acusavam-nos de fomentarem o colapso civilizacional.

 

Os últimos episódios da politiquice nacional, em que, à falta de ideias, se ululam, com estridência e grandes rasgos de vestes, acusações análogas - com o intuito de obnubilar a discussão e induzir enviesamento cognitivo no eleitorado -, fizeram-me recordar estes métodos de propaganda política. Em particular, fizeram-me recordar as consequências deste tipo de irresponsabilidade política.

 

Lançar suspeições totalmente infundadas em todas as direcções e esperar que pelo menos algumas peguem, não é debate político admissível no século XXI, muito menos na grave situação em que o país se encontra. Que ficará certamente certamente mais grave se continuarmos o que comentadores sortidos se devotaram ontem em todas as televisões: discussão de boatos e teorias da conspiração em vez de debate de ideias. Se não pretendermos pôr em causa o futuro do país, importa recentrar no que é realmente importante. E importa sobretudo recordar as lições da História e ter presentes as torres de San Giminiano...


Por Tiago Julião Neves | Sexta-feira, 04 Setembro , 2009, 16:18

As últimas semanas mostraram ao país um novo e arrojado PSD, um partido que corajosamente rejeita o logro da discussão de ideias e envereda destemido pela fascinante selva da intriga e da suspeição. A novela MMG é apenas a mais recente aquisição.

 

Esta delta force da guerrilha ideológica sabe que os factos não interessam e que as ideias são a arma dos fracos. Um ataque pessoal bem medido ao estilo Palin-McCain e é sucesso pela certa.

 

Ergueram um véu de ignorância (que de original não tem nada) e esperam que este os abrigue da lama que projectam e disfarce a mediocridade dos líderes que os conduzem.

 

Sugiro que deixemos o PSD moralista e cínico a brincar sozinho e nos concentremos na discussão de propostas para a sociedade, economia, ambiente e cultura nos próximos 4 anos. Se tivermos intervenientes dignos que apoiam outros partidos óptimo! Senão ao menos teremos cumprido o nosso dever.


Por Palmira F. Silva | Quinta-feira, 03 Setembro , 2009, 23:55

Não sei porquê, entre a prestação de Portas no debate de ontem e algumas reacções ao não-caso Manuela Moura Guedes, isto não me sai da cabeça  ...


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