Por Hugo Mendes | Segunda-feira, 10 Agosto , 2009, 11:52

«no meio da degradação económica e da indiferença, corroem-se as qualidades necessárias para uma sociedade democrática saudável, dinâmica e próspera, em particular a responsabilidade. Falo da responsabilidade que cada vez menos marca os nossos comportamentos e atitudes na nossa profissão, na vida familiar, na esfera pública, na escola; falo da responsabilidade que traz rigor e exigência, sem a qual toda a conversa sobre excelência não passa de propaganda rasca; falo da responsabilidade que nos leva a assumir os fardos da vida colectiva».
 

Isto é parte do texto do Miguel Morgado no "Diário Económio" de hoje.

 

Isto pode ser defeito de profissão, mas alguém tem aí algum instrumento para medir os níveis de "responsabilidade" na sociedade portugesa - na profissão, na família, na escola, and so on?

 

Se há, adorava ver. Se não há, esta opinião vale exactamente o mesmo que a opinião oposta.

 

Mas fica sempre bem dar lições de moral aos outros, os "irresponsáveis".

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Por João Galamba | Sexta-feira, 07 Agosto , 2009, 12:04

"Envolto em números e estatísticas, este governo tem conseguido a proeza de desviar o seu olhar da realidade, preferindo governar para um país desenhado com gráficos bonitos."

 

As críticas do Alexandre são todas declarativas: o estado social está falido, não há dinheiro, a realidade é uma fantasia. Como já escreveu o Hugo Mendes, o artigo do Alexandre Homem de Cristo podia ter sido escrito em qualquer década posterior à segunda guerra mundial. Mas o mais extraordinário é o facto do Alexandre considerar que as estatísticas são irrelevantes. Reparem que nunca é dito que as estatísticas são falsas nem se procura avançar com dados alternativos. Não, toda a gente sabe que a realidade não é aquilo que os números dizem. Este toda a gente sabe  corresponde a uma sacralização do irracional e do intuitivo, o que leva a uma desvalorização do debate político e substitui toda e qualquer racionalidade argumentativa por estados de alma não falsificáveis. E assim se vai fazendo oposição em Portugal.


Por Hugo Mendes | Sexta-feira, 07 Agosto , 2009, 02:59

O artigo do Alexandre Homem Cristo no Diário Económico de hoje podia ter sido escrito sobre o Estado Social de qualquer país da Europa Ocidental na década de 1950, 1960, 1970, 1980, ou 1990. Quem conhece um pouco o tema já sabe que este discurso tem mais de meio século. Ele é feito de uma retórica intemporal que dispensa, naturalmente, estatísticas, estimativas, a análise desagregada da despesa, etc..

 

Do ponto de vista da análise das políticas públicas de combate às desigualdades e à pobreza - da sua equidade, da sua eficácia, da sua sustentabilidade, etc. - é completamente irrelevante, não fosse o ruído e o preconceito (mesmo que com pedigree filosófico) que introduz na discussão.

 

Sobretudo, ignora o essencial: o Estado contemporâneo é, no universo da OCDE, cada mais "Estado Social" (ou seja, o peso das despesas sociais é hoje mais forte do que as despesas no sectores empresarial, militar, etc.).  Por muito que custe a alguns, o "Estado Social" está para ficar e provou, no último quarto de século, ser reformável (veja-se a reforma do sistema de pensões realizado por este Governo e elogiada pela OCDE). Para ter isto em conta, porém, é preciso olhar para a realidade empírica e abandonar os discursos fechados sobre si próprios.


Por Mariana Vieira da Silva | Quinta-feira, 30 Julho , 2009, 18:47

A intervenção de Manuela Ferreira Leite na conferência  "Transformar Portugal", promovida pelo Diário Económico, foi muito rica em frases para coleccionar. Na minha pasta recortes de imprensa estão arquivadas, para memória futura, duas das frases citadas hoje pelo JN e pelo DE:

"Não creio que o sistema fical possa fazer política nesse sentido [segundo a própria, retirar determinado tipo de benefícios aos mais ricos]"

 

"Não considero aceitável que os políticos falem em privilégios ou criem dicotomias como ricos e probres" 

 

Que uma política [ou, como Cavaco, dirá que não o é?] não considere que a redução das desigualdades é uma das suas tarefas e a redistribuição e o sistema fical uma das suas principais ferramentas já me parece bastante grave; que considere que são os políticos que criam estas dicotomias está um pouco para lá de grave. Shiuuuuuu, não falem sobre pobreza. Vão ver que resolve.  


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