Por Eduardo Pitta | Sábado, 19 Setembro , 2009, 19:18

No domínio da cultura, a direita tem como prioridade o património e a esquerda a criação. São realidades distintas. Verdade que não podemos deixar os monumentos ruir. Do mesmo modo que as artes performativas não podem ficar por conta do arbítrio. Em Portugal criou-se o mito dos subsídios. A opinião pública de direita exige subsídios à agricultura, mesmo sabendo que nabos e hortaliças têm mercado garantido. Mas arranca os cabelos se o Estado criar condições para levar o Emmanuel Nunes a Braga ou a Évora, que por acaso até são cidades universitárias. E quem diz o Emmanuel Nunes diz a Olga Roriz ou o Ângelo. Num país como o nosso, a música, o bailado e a pintura são privilégios das elites. E de elites em sentido muito estrito.

 

O que a experência nos mostra é que os governos do Partido Socialista têm tido o bom senso de equilibrar uma coisa e outra. Nem o património é abandonado à sua sorte, nem a criação fica nas mãos do mecenato privado. Seria fácil comparar números, pois na cultura o investimento dos governos de direita é sempre residual. Mas nem é aí que reside o problema. Trata-se de educar pelo hábito quem não pode ir a Glyndebourne ou ao MOMA. A educação tem custos. Antes de ser outra coisa, a cultura é o resultado de uma educação.

 

Hoje no Económico.

 


Por Tiago Julião Neves | Quarta-feira, 09 Setembro , 2009, 18:19

A sacralização da tecnologia conjugada com a ignorância cultural das elites e das classes dirigentes é uma receita desastrosa. A humanização da sociedade requer um bailado de disciplinas em pé de igualdade, das ciências à história e da filosofia à cultura.

 

A aposta na cultura e nas ciências sociais é tão essencial como o (excelente) investimento feito na área da ciência e da tecnologia pelo actual Governo. Ambas devem informar as políticas públicas e em conjunto contribuem para sociedades mais justas e equilibradas.

 

O PS já reconheceu que poderia ter feito mais pela cultura e assumiu que esta será uma preocupação central nos próximos quatro anos.

 “A cultura constituirá, na legislatura de 2009/2013, uma prioridade do Governo do PS, no quadro das políticas de desenvolvimento, qualificação e afirmação do País.

São três os nossos compromissos centrais:

• Reforçar o orçamento da cultura durante a legislatura, de modo a criar as condições financeiras para o pleno desenvolvimento das políticas públicas para o sector;

• Assegurar a transversalidade das políticas culturais, garantindo a coordenação dos ministérios e departamentos envolvidos em políticas sectoriais relevantes para a cultura;

• Valorizar o contributo decisivo da criação contemporânea para o desenvolvimento do País, fomentando a constituição de redes ou parcerias, e promovendo o aumento e diversidade das práticas culturais, através de políticas transparentes de apoio aos criadores, à formação de públicos e a uma maior interacção entre cultura, ciência e educação.”

Programa do Partido Socialista, pág. 55

 

A especialização exagerada em fases formativas é errada porque nos desumaniza. Permitir que relações humanas onde a confiança e a empatia são fundamentais (como na relação médico-doente) se reduzam a relações tecnológicas é grave. Combater a hiper-especialização precoce é prevenir o risco de viver numa sociedade de técnicos competentíssimos, mas adultos disfuncionais, seres unidimensionais política e socialmente inaptos.

 

Precisamos de indicadores quantitativos como o número de consultas, mas também de indicadores qualitativos que acomodem aspectos complexos em time-frames  mais longos. A saúde física e mental que se reflecte no bem-estar das pessoas parece-me um excelente exemplo dessa necessidade. À semelhança de outros países europeus, deveríamos incorporar a Psicologia no SNS porque vivemos num mundo cada vez mais acelerado que dificulta a interiorização das vivências diárias e onde os complexos sobre a importância da saúde mental não devem ter lugar.

 

Também algumas terapias holísticas e alternativas (medicina chinesa, reiki, acupunctura, ayurvédica, homeopatia, etc.)  deveriam eventualmente ser integradas no SNS, porque a medicina ocidental tradicional é insuficiente na resposta a muitas das doenças modernas. Não falo de susbstituição mas de complementaridade em tratamentos específicos e da importância de sacudir o monopólio da medicina tradicional, obrigando-a a competir e a actualizar-se permanentemente.

 

Ciência, prática ou cultura: fundamental é ter humildade e fomentar a diversidade do conhecimento, avaliando os processos e os resultados.


Por Ana Paula Fitas | Segunda-feira, 03 Agosto , 2009, 00:00

Em Portugal, como aliás por toda a Europa, problematiza-se, debate-se e equaciona-se a identidade política da Esquerda, processo com o qual a direita se regozija (o caso mais recente veio de Itália), proclamando a inexistência de um projecto europeu de esquerda para a União Europeia ou sequer para a governação nacional de cada um dos países que a constituem... um contributo para a reflexão pode ler-se AQUI.


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