Acompanhei com bastante interesse o debate do círculo de Santarém na RTPN. O conhecimento do terreno dos 21 concelhos do distrito dos cabeças de lista nas legislativas do PSD, CDU, BE e CDS era risível. Alguns deles pareciam conhecer tanto do Ribatejo como eu da China.
Este combate, que se adivinhava agressivo e difícil, acabou com alguma vantagem para José Sócrates, que conseguiu desmontar a enorme demagogia de Portas em relação à segurança: fazer perceber aos eleitores que as acusações do CDS em relação ao aumento da insegurança pela alteração às leis penais foi, ao fim e ao cabo, aprovada no Parlamento pelo CDS.
Foi um momento de enervação extrema para Paulo Portas que disparou em todas as direcções, agarrando rapidamente o discurso dos idosos sem direito à reforma. Só comparável à pergunta mortal que Vasco Rato fez a Aguiar Branco, no debate do referendo da IVG. Aguiar Branco, depois de ter defendido que a pergunta apresentada no referendo não tinha qualquer sentido, teve que confessar que a tinha votado favoravelmente.
A hipotética pulverização das âncoras do centro político em Portugal provoca, em período pré-eleitoral, a inflação eleitoral dos partidos das franjas. Esse é um terreno propício à exploração de ideias que concorrem, mais do que qualquer solução, para a disputa de um populismo em prol de nichos eleitorais que só é superado pelo aprofundamento de mais populismo e mais populismo. Será sempre esse o centro de gravidade da acção política dos partidos mais radicais que, à esquerda e à direita, se apresentam ao eleitorado.
Vem isto a propósito da mais recente campanha de rua do CDS-PP. Não me recordo, em tempos recentes, de uma campanha tão boçal e radicalmente populista. E não me estou a esquecer do PNR, porque o papel do CDS-PP na política portuguesa permite que a sua mensagem seja naturalmente mais divulgada e naturalizada.
Recorrendo à demagogia mais baixa, o CDS-PP demonstra que o seu pensamento político está ao nível de uma taberna. O populismo, as mensagens políticas baseadas na exploração da falsidade e não em argumentos racionais, em dados e em factos reais, é uma das práticas dos partidos extremistas. O CDS, mais do que nunca, situa-se entre eles. Quando as sondagens identificam um cenário de ingovernabilidade com o reforço destes partidos numa vasta coligação anti-PS, sustentam também a vertigem populista e esta forma de fazer política radical, sem rumo nem sentido, que só se agravará até ao dia das eleições. E depois dele?
Tomás Belchior, Rua Direita
É salutar que o Tomás reconheça que o PS tomou medidas "bondosas" na área da natalidade. Mas, e apesar dos elogios, o Tomás não se dá por satisfeito, e critica o PS pela redução das pensões e pela recessão e, acrescento eu, tudo o que de negativo existe em Portugal. E assim se entra no campo da demagogia pura. Importa recordar que a diminuição das reformas a que o Tomás se refere está associada à reforma da segurança social, que procurou garantir a sustentabilidade do sistema. Que a medida tenha sido amplamente elogiada - em Portugal e no exterior - parece ser irrelevante. Se a crítica do Tomás fosse para levar a sério, ficariamos a saber que o CDS e o PCP partilham a mesma luta - e que se dane a sustentabilidade a médio longo prazo da segurança social. Já em relação à recessão, nem sei bem o que lhe diga. Segundo o Tomás, a recessão foi produzida pelo PS e por Sócrates - aqui e no mundo todo, claro. Houvesse recessão em Marte e a culpa também seria do PS. Já agora, e para terminar, deixo aqui uma perguntinha ao Tomás Belchior: aceitando a premissa que o CDS é o campeão das medidas pró-natalidade, como é que isso joga com o seu discurso anti-emigração?