Por Leonel Moura | Sábado, 19 Setembro , 2009, 20:31

Duas coisas vão ficando muito claras nesta campanha.
A primeira é que o PSD de Manuela Ferreira Leite se tornou num partido ideologicamente à direita do CDS. As declarações com sabor a extrema-direita não param de suceder.
A segunda é que, a cada dia que passa, mais o Bloco de Esquerda revela aquilo que na realidade sempre foi e é. Uma clique de excitados agitadores políticos, mas muito conservadores no que respeita à vidinha.

 

 

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Por Porfírio Silva | Quarta-feira, 09 Setembro , 2009, 11:29

 

Louçã tem feito nas últimas semanas o que constitui o ataque mais cerrado das últimas décadas, vindo de qualquer força política das actualmente em liça, de esquerda ou de direita, ao PS. Deu múltiplas entrevistas e definiu implicitamente o objectivo de desmembrar o PS, para “baralhar e voltar a dar”, tudo embrulhado na sua aspiração de liderança como candidato a primeiro-ministro. O frentismo, misturado com populismo, é o cimento dessa ofensiva: é o que fica à vista na insistência de que o BE não é bem um partido, mas mais um movimento de tipo novo. Piscando o olho, até, ao sentimento anti-partidos.

 

Ontem, no debate com Sócrates, Louçã teve a ideia (correcta) de que seria contraproducente mostrar essa face de inimigo assanhado do PS ali à frente de toda a gente. E tentou inicialmente moderar ligeiramente o seu discurso. Mas essa postura a-fazer-de-moderado era postiça e não durou.

 

Primeiro, Louçã prosseguiu a sua tentativa de se mostrar como paladino das novas aventuras à esquerda. Esqueceu-se, contudo, de que algumas das suas ideias, em vez de novas e inovadoras, são velhas demais para esquecermos a sua história. Sou dos que admitem que as nacionalizações podem ser necessárias e úteis e que o Estado não deve em princípio prescindir dessa possibilidade. Mas não é preciso ter memória de elefante para saber que o controlo generalizado da economia (e da sociedade) pelo Estado é um caminho que provou não ser menos problemático que a mão invisível. Louçã fala muito da história recente mas parece ter perdido os primeiros volumes da série. Mostrou, assim, arrogância política – porque imaginou que, invocada a ideologia, as suas propostas não teriam que passar o crivo da análise pragmática e concreta.

 

Segundo, Louçã continuou a sua cruzada moral. Tentou, de novo, encostar o PS à imagem de um bando de vendilhões do templo que trocam o interesse público pelos favores aos amigos e respectivas empresas. Claro, na base desse raciocínio está a ideia profunda e subliminar de que as empresas são pecaminosas e que “os negócios” e o lucro são coisa do diabo. Desta vez, para isso, foi buscar mais um “caso”. Uma adjudicação inexistente. Mas que Louçã insistia que sim, que estava consumada. Mais uma vez, a chave é a mesma: Louçã, na sua arrogância, achava que a palavra dele contra a de Sócrates tem de ser fatal a Sócrates. Uma mera afirmação de Louçã seria suficiente para desmentir Sócrates, porque – como outras vezes FL fizera antes – o pressuposto era que JS mente sistematicamente. Também nesse ponto este debate foi paradigmático dos últimos anos: o veríssimo Louçã mentia, o seu suspeito do costume falava verdade.

 

Tudo isto para dizer o quê? Para dizer que não desprezo o contributo do BE para um debate à esquerda. Que acharia um erro monumental se o PS não procurasse compreender, por exemplo, o contributo crítico do que tenho chamado “esquerda académica”, que está a ajudar a falsificar os dogmas neoclássicos em economia e a contrariar os paladinos da mercantilização da sociedade. Para dizer que precisamente os socialistas são aqueles que estão em condições de dar bom uso a essa reflexão, levando-a ao governo do país.

 

Mas tudo isto também para dizer que o facto de certos dirigentes da “esquerda da esquerda” serem intelectual e politicamente arrogantes – não nos deve convencer de que a arrogância seja uma virtude da esquerda. Bem pelo contrário. Temos é que nos livrar das amálgamas entre arrogância (moral e ideológica) e políticas de esquerda. Por serem ilegítimas essas amálgamas. E porque elas só podem abrir a porta ao regresso do neo-cavaquismo: por causa do carácter essencialmente arrogante do próprio cavaquismo, que assim encontra uma (inesperada?) bênção à esquerda.

 

Adenda: Louçã não aprende. Foi do debate com José Sócrates para um comício onde voltou a mentir. "Esta noite já ganhámos 500 milhões de euros, porque já não vai ser possível o senhor primeiro-ministro manter o negócio com Jorge Coelho", afirmou Louçã no momento que se tornou o mais aplaudido do seu discurso. Já tinhamos o PSDV (PSD de Verdade). Agora temos o BEV (BE de Verdade). Ler e ver aqui, para verificar como em poucos minutos Louçã despe o manto diáfano da falsa cordialidade e volta ao papel que gosta: o de acusador sem contraditório. Fazia bem, ontem, Judite de Sousa, quando perguntou quem falava verdade e quem mentia. Já Judite tem a sua resposta?

 

(uma versão alternativa: pornografia e livres philosophiques)


Por Leonel Moura | Domingo, 30 Agosto , 2009, 18:42

Tive a paciência de ouvir o discurso de Francisco Louçã na rentrée do Bloco. A grande maioria do tempo foi ocupado com historietas a casa de banho de Loureiro, os contentores de Alcântara, os milhões desbaratados do BPN, a venda da casa de Damásio, as parvoíces da Nogueira Pinto, enfim. É este o homem que vai reconstruir a esquerda em Portugal? Um entertainer? Um cómico político?

De ideias ficou o ódio aos ricos e a defesa dos pobres. É pouco. Infelizmente Portugal tem muita miséria, mas felizmente é muito mais do que isso. O país real não é só pobreza, é sobretudo, na sua maioria, uma sociedade avançada que quer mais, melhor e evoluir positivamente.

Na minha modesta opinião o Bloco só é efectivamente concorrencial com as Misericórdias. Até no linguajar de seminarista de Louçã.

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Por Leonel Moura | Sábado, 29 Agosto , 2009, 20:39

O Bloco de Esquerda vai recolhendo algumas vantagens com a velha receita reaccionária das posições contra a política e os políticos. Com mais charme do que o caquético PC, o Bloco vai crescendo por via do negativismo e de uma capacidade de dizer mal que fascina gente confusa, sem verdadeira orientação política e, em grande medida, bastante ignorante e irresponsável quanto às consequências dos actos cívicos em democracia. Quantos dos seus eleitores são realmente tão radicalmente contra a Europa? Quantos acreditam mesmo que se deve tudo subsidiar e tudo financiar? Quantos defendem, de facto, que Portugal deve enveredar por um regresso civilizacional e excluir a excelência, a escala, a modernização e a inovação tecnológica?

O Bloco ilude-se com o seu sucesso conjuntural. Mas, na verdade, e vendo bem o efectivo apoio social que tem, trata-se de um fenómeno semelhante ao PRD. Vai esfumar-se ao primeiro abanão da pequena história.

De momento, presta-se para já ao sujo serviço de tudo fazer para que o PSD regresse ao poder.

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Por João Galamba | Terça-feira, 18 Agosto , 2009, 15:50

O Bloco não é de meias medidas: quer tudo, aqui e agora. Quer o pleno emprego, quer o fim da precariedade e dos recibos verdes, quer aumentar o salário mínimo para 600 euros, quer aumentar pensões, quer dar subsídio de desemprego a todos os desempregados, quer nacionalizar bens públicos, etc. O Bloco quer tudo isto, mas desvaloriza o processo de construção da realidade que tornaria os seus desejos possíveis. O Bloco acha que o contexto onde certos desejos são postos em prática é irrelevante e que a Vontade é soberana. Por outras palavras: querer é poder. Um exemplo: as nacionalizações. Quando confrontado por um jornalista do Público sobre a exequibilidade das suas ideias, Francisco Louçã diz que essa questão é irrelevante; só interessa o princípio geral: bens públicos devem ser nacionalizados. Sobre custos, riscos e afins, nada. A pureza dos ideais não é compatível com pragmatismo. Nem, acrescento eu, com o governo de um país.


Por Bruno Reis | Sexta-feira, 14 Agosto , 2009, 16:53

Os comentários que o Rui Tavares não sabe se fez à Visão, mas que lá apareceram publicados, realmente apenas são surpreendentes por virem de quem vêm. E a mim supreenderam-me e desgostaram-me, mesmo passado dias de terem sido divulgados. Talvez não os tenha feito, e convinha então que os desmentisse claramente. Geralmente os ataques ad hominem são especialidade de quem não pode mais em termos de argumentos.

 

Um primeiro ponto é o do desinteresse e partidarite dos blogues de causas como o Simplex. A isso responderia que têm a vantagem da honestidade - assumem claramente um objectivo político. O que não faltam são blogues bem partidários, mas que negam esse facto. Eu nunca senti aqui qualquer pressão no setindo de ter de alinhar por uma qualquer agenda partidária aquilo que escrevo.

 
Mas este tipo de declarações não surpreendem porque, como expliquei no meu primeiro poste neste blogue, uma das razões para arriscar tornar público o meu apoio ao PS nas legislativas é precisamente o facto de considerar que ainda só vivemos em meia-democracia. Não é possível apoiar um partido que esteja no governo - sobretudo se for de esquerda - sem se ser acusado sistematicamente de oportunismo, carreirismo e outros insultos semelhantes. Muita da "análise política" divulgada na nossa imprensa há já algum tempo que insiste nesse brilhante raciocínio.
 
É realmente natural que haja oportunistas em torno dos partidos de poder. Como é natural que haja ineptos frustrados, demagogos populistas e velhos do Restelo deslocalizados nos partidos de oposição mais ou menos permanente. Porém reduzir o debate político - seja em blogues, seja em qualquer meio de comunicação -  a esses chavões é afundar a  política na falta de senso e no mau gosto. É sobretudo ou não perceber ou não aceitar algo essencial para o bom funcionamento de uma democracia: o respeito por pontos de vista diferentes e a capacidade de os debater sem descer aos ataques pessoais.

 


Por Vera Santana | Sexta-feira, 14 Agosto , 2009, 14:02

 

Bloco cerâmico (também há em betão, etc ...)

 

 

No dicionário on-line

 

Bloco

 

1. Massa (porção volumosa e sólida).
2. Paralelepípedo de betão utilizado nas construções.
3. Conjunto de folhas de papel destinadas à escrita e unidas numa das extremidades por canhoto agrafado ou pregado, cabeceira encolada ou por sistema de espiral de arame ou plástico.
4. Coligação de elementos políticos.
 
: bloco, caderno ou livro, com folhas descartáveis, destinadas a reter apontamentos ou informações.

 
 

 

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