Por Hugo Mendes | Sexta-feira, 07 Agosto , 2009, 02:59

O artigo do Alexandre Homem Cristo no Diário Económico de hoje podia ter sido escrito sobre o Estado Social de qualquer país da Europa Ocidental na década de 1950, 1960, 1970, 1980, ou 1990. Quem conhece um pouco o tema já sabe que este discurso tem mais de meio século. Ele é feito de uma retórica intemporal que dispensa, naturalmente, estatísticas, estimativas, a análise desagregada da despesa, etc..

 

Do ponto de vista da análise das políticas públicas de combate às desigualdades e à pobreza - da sua equidade, da sua eficácia, da sua sustentabilidade, etc. - é completamente irrelevante, não fosse o ruído e o preconceito (mesmo que com pedigree filosófico) que introduz na discussão.

 

Sobretudo, ignora o essencial: o Estado contemporâneo é, no universo da OCDE, cada mais "Estado Social" (ou seja, o peso das despesas sociais é hoje mais forte do que as despesas no sectores empresarial, militar, etc.).  Por muito que custe a alguns, o "Estado Social" está para ficar e provou, no último quarto de século, ser reformável (veja-se a reforma do sistema de pensões realizado por este Governo e elogiada pela OCDE). Para ter isto em conta, porém, é preciso olhar para a realidade empírica e abandonar os discursos fechados sobre si próprios.


ruy a 7 de Agosto de 2009 às 11:35
O PS depois da crise conómica, financeira e social que caiu de modo repentino e inesperado, volta a falar em Estado Social quando até aqui, nos três anos e meio de governação, tudo fez para para implantar medidas politicas neoliberais e portanto em total desencontro com o que agora é apregoado. desde as novas leis laborais que limitam a força do trabalho, à redução do Estado na Saude e na Educação, e tantas outras "reformas" ou tentativas de "reformas" com a mesma lógica neoliberal de criação da "modernidade ou ficariamos afastados da Europa". Tudo "reformas" do figurino neoliberal.
Deviam ter vergonha!

JPP a 7 de Agosto de 2009 às 11:51
Deviam era ver os dados do PIB de 2011-17 da OCDE. A crescer a uma média anual de 1,5% é que não vamos longe. Portugal precisa de menos estado e de uma privatização da saúde, educação e segurança social. O estado social é um fardo que destrói uma economia. Pode ser "porreiro" defender um estado social mas o facto é que este é um modelo insustentável numa economia que se quer moderna. Eu acho que o PS devia assumir-se como defensor da economia planificada.

Lúcia Duarte a 7 de Agosto de 2009 às 13:06
Caro Hugo Mendes,

É incrível como AHC consegue dizer o trivial sobre o assunto, num discurso gasto e desfasado da realidade empírica, como refere. Mas é um discurso para dentro do PSD cuja matriz cavaquista de MFL ainda está agarrada a um modelo económico que já deu provas de um tremendo fracasso na gestão das políticas públicas.
Por outro lado, acho mto interessante o discurso de desconfiança do PSD em relação às pessoas em geral e à sua tendência para se encostar ao Estado, caso se fomentem políticas que promovam a igualdade social.
A confiança cega do actual PSD na capacidade da economia resolver todos os males da sociedade só revela o quanto não aprenderam as lições da actual crise, e estão eivados de preconceitos teóricos e autismo social, o que compromete drasticamente a sua capacidade crítica e analítica.
Pergunto se estes analistas não leram os jornais, a mão à palmatória de Greenspan e as análises drásticas das políticas neoliberais de muitos economistas conservadores?
Para além de tudo há uma matriz no PSD que não deveremos ignorar e que se traduz numa incoerência inconciliável. A descrença (tão religiosa aliás, Weber analisa bem esta questão) em relação ao homem e a fé (cavaquista) nas virtualidades da economia e nos seus grupos económicos.
Ora a ironia conduz-me à seguinte questão: e os grupos económicos são geridos por Deus?
Serão os apologistas deste modelo económico, logo de sociedade, homens que acreditam piamente na capacidade que o mercado tem de resolver os pecados (mortais) cometidos pelos homens dos negócios? E quando esses homens cometem esses tais pecados prejudicando uma vasta maioria da população (os milhões que o Estado depositou nos bancos), nós só teremos que nos conformar (deterministicamente) e acreditar que um dia o paraíso do mercado nos salvará?
Por que haveríamos de confiar mais nos homens da economia do que nos homens da política?
Há que encontrar um meio termo: nem um Estado asfixiante e fomentando a dependência sem vigilância, nem uma sociedade inteiramente dependente das supostas virtualidades da economia.
Em todo o domínio da actividade do Homem deveremos investir numa vigilância ética das actividades que de alguma forma se inscrevam em domínios em que a luta de interesses esteja presente.
Enfim, vigiar comportamentos, implementar políticas que promovam o bem-estar geral da população, incentivar uma cultura de autonomia e capacidade crítica em relação à sociedade em geral, capacitar e transformar a cidadania numa realidade social e não numa pretensa "benesse" que o Estado nos concede, tudo com rigor, capacidade de aprender com as perversões que advêm da implementação prática de determinados discursos e esperança na capacidade dos portugueses.
O discurso miserabilista e autoritário em relação aos portugueses em geral é uma realidade que interessa a todos aqueles que pretendem usufruir de determinadas vantagens contribuindo activamente para as desvantagens da maioria.
Infelizmente este discurso miserabilista também já invadiu muitos responsáveis políticos e analíticos do PS.
Criar um objectivo para a população em geral, e mobilizá-la para o desenvolvimento (político, social e económico) e fomentar a esperança num futuro melhor poderá ser uma forma interessante de abordar a questão.
As elites, infelizmente, pensam que só se pode governar um país concedendo regalias a todos quantos sabem rodear-se do contacto certo na hora certa. Esta é uma realidade que atravessa todo o espectro político e é, tb , contra esta realidade (anti-social) que o PS terá de lutar.

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