Por Carlos Manuel Castro | Quinta-feira, 06 Agosto , 2009, 15:27

Não raras vezes se fala do isolamento do interior, da sua perda de competitividade em relação ao litoral, mas tudo fica por palavras, sem consequência.

 

Ora, este mandato governativo marca uma nova era, na coesão territorial e aproximação do litoral ao interior.

 

Apesar do ponto nem sempre merecer  grande atenção, especialmente nos meios urbanos litorais, é de realçar a construção da auto-estrada Bragança - Vila Real.

 

Agora, todos os distritos passam a ter auto-estrada. Algo que o distrito de Bragança, o único do País que ainda não tinha um único quilómetro, passa a ter... 35 anos depois da conquista da Liberdade, como bem disse José Sócrates, acerca deste novo troço, esta é a "auto-estrada da Justiça".


Daniel João Santos a 6 de Agosto de 2009 às 15:46
Tem razão!

Enquanto aqui no litoral urbano tenho de me desviar dos buracos aqui da estrada da minha zona, como sou egoísta não reparo nessas grande obras.

Carlos Dias Ferreira a 6 de Agosto de 2009 às 16:04
Carlos:

Mas então o betão agora já serve?
Precisamos de gente com memória e se for preciso recordo esta frase:
" O país não precisa de tanto betão e autoestradas só irão desertificar o interior do país", foi dita em 1994 pelo candidato a PM na altura que era socialista e que se chamava A. Guterres.
Giro que 14 anos passados sirva de propaganda às hostes socialistas chama-se a isto o quê?
E atenção concordo com a AE para Bragança já deveria existir ao mesmo tempo que outras que entretanto já funcionam.
Rigor e verdade precisa-se disso no PS e não meras acções de propaganda.
Abraço.

henrique pereira dos santos a 6 de Agosto de 2009 às 16:13
Coincidência.
Hoje também escrevi um post no blog onde escrevo sobre o isolamento.
Está aqui:
http://ambio.blogspot.com/2009/08/em-louvor-de-thomas.html
E a minha perspectiva é realmente outra: olhemos para o Plano de Desenvolvimento Rural, porque é aí que estão as opções sobre o mundo rural e o interior.
E essas opções (que não são muito diferentes das dos governos anteriores nessas matérias) são trágicas para o mundo rural.
As auto-estradas tenho a maior dúvida de que sejam a solução para o interior.
Ainda no ano passado ia e vinha de Lisboa a Bragança no mesmo dia de quinze em quinze dias. Tinha várias alternativas e com a auto-estrada em vez de demorar as cinco horas que costumava demorar iria provavelmente demorar quatro horas e meia, mais coisa, menos coisa.
É isso a questão central do desenvolvimento no interior?
henrique pereira dos santos

Joao Santos a 6 de Agosto de 2009 às 18:35
Passe no eixo Castelo Branco - Fundão - Covilhã e pergunte como era antes da A 23.
E digo-lhe uma coisa, tb só se pouparam uns 15 minutos para chegar lá, indo de Lisboa.
E olhe que o mundo rural está bem melhor do que o pintam.

henrique pereira dos santos a 6 de Agosto de 2009 às 19:11
Caro João Santos,
Tem a certeza de que a diminuição do tempo entre Lisboa e Castelo Branco provocada pelo IP6 foi só um quarto de hora? A informação que tenho, entre Lisboa e Castelo Branco, portanto menos, bastante menos, que para o Fundão e Covilhã, é que a redução foi de três quartos de hora. Mas isso não é o essencial porque a base económica de Castelo Branco/ Fundão/ Covilhã está muito longe de ser a mesma de Bragança, como sabe.
Quanto ao efeito do IP6 talvez citando um comentário despretensioso de um blog do Sabugal, como poderia citar dezenas de estatísticas:
"Mantém-se e, infelizmente, agrava-se a evolução da população residente no Concelho do Sabugal.
O Instituto Nacional de Estatística divulgou recentemente as estimativas demográficas de 2007.
No Quadro mostra-se a evolução havida desde 2001, para o conjunto NUT III Beira Interior Norte, a que juntaram os concelhos de Belmonte e Penamacor que é constituída pelos concelhos de Almeida, Celorico da Beira, Figueira de Castelo Rodrigo, Guarda, Manteigas, Meda, Pinhel, Sabugal e Trancoso, os quais tiveram na década 1991/2001 uma evolução demográfica que pode ser assim caracterizada:
(falta aqui o quadro mas pode procurar quaisquer estatísticas de evolução da população que todas lhe dirão o mesmo)
Da análise deste Quadro retiram-se as seguintes conclusões principais:
– Acentua-se a diminuição da população da Beira Interior Norte (-4,11 por cento) com diminuição do peso relativo no seio da Região Centro, dado que a população desta Região sobe no mesmo período 1,6 por cento.
– Acentuação da concentração da população da Beira Interior Norte no núcleo urbano principal – Guarda com 40,12 por cento do total.
– Manutenção da tendência de evolução negativa da população do Concelho do Sabugal com claros sinais de agravamento – decréscimo havia sido de 12,1% entre 1991 e 2001, diminuindo 9 por cento nestes seis anos.
– Evolução fortemente negativa de Penamacor, mas positiva, invertendo a tendência da década anterior, para Belmonte.
– O Concelho do Sabugal mantém-se como o segundo concelho da BIN com maior número de habitantes.
Saliente-se, por fim que da análise das estatísticas demográficas referentes a 2007, ressalta um dado que deve levar a pensar quanto à importância das ligações a eixos viários principais, como é o caso da A23.
Na verdade e analisando a evolução dos Concelhos melhor servidos por esta via – Guarda, Fundão, Covilhã e Castelo Branco –, conclui-se que, no seu conjunto, os mesmos registaram uma evolução negativa de cerca de 2 por cento entre 2001 e 2007, com especial destaque para a Covilhã que perdeu 3,6 por cento da sua população.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos"
Aliás, se assim não fosse, não teria sido adoptada a política de fecho de serviços públicos que nenhum governo gosta de adoptar.
Gosto do seu optimismo mas infelizmente a realidade tem o mau gosto de não se impressionar com as nossas opiniões e desejos.
henrique pereira dos santos

Joaquim a 6 de Agosto de 2009 às 17:13
Tribunais? Escolas? Centros de Saúde?

Carlos Manuel Castro a 7 de Agosto de 2009 às 00:16
Espantoso!
A maioria dos comentários, sobre um ponto muito concreto deste texto, a ligação por auto-estrada ao distrito de Bragança, o único distrito do País sem um único quilómetro de auto-estrada, não reconhece qualquer mérito.

henrique pereira dos santos a 7 de Agosto de 2009 às 06:32
O que me parece espantoso é usar esse argumento. E é um argumento tão absurdo que nem em pareceu que valesse a pena responder. Então fazem-se investimentos públicos não em função da sua utilidade pública mas em função do estatuto de uma divisão adminsitrativa qualquer?
Com certeza são precisas acessibilidades, mas o IP4 entre Vila Real e Bragança tem meia dúzia de pontos que precisam de ser melhorados mas serve perfeitamente as necessidades de acessibilidade da região.
O que falta à região é emprego, é iniciativa empresarial, é produção de riqueza.
Se para isto as acessibilidades estiverem a ser um estrangulamento, pois com certeza, resolvam-se as acessibilidades.
Agora se não estão, e eu não estou convencido de que estejam a ser, a ser um problema, argumentar com único distrito sem um quilómetro de estrada é um argumento completamente vazio.
Insisto, se querem de facto aumentar a coesão nacional, vão bater à porta do Ministério da Agricultura e perguntar por que razão o PRODER usa o dinheiro do mundo rural a apoiar os sectores competitivos (que por serem competitivos não precisam do dinheiro do Estado) em vez de o usar para pagar os serviços prestados, sobretudo os servições ambientais e de gestão do território, pelas actividades cuja remuneração no mercado não é possível por serem bens comuns diicilmente transacionáveis (como a diversidade genética, a qualidade da água, o controlo de cheias, a gestão do fogo e etc.).
Aí sim, o distrito, que fortementem dador desses bens para o todo nacional, veria compensada a sua contribuição para o país e viabilizadas muitas actividades geradoras de emprego.
henrique pereira dos santos

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