Por João Paulo Pedrosa | Domingo, 02 Agosto , 2009, 02:45

Em torno deste episódio JAD, aquilo que mais inquieta, confesso, é a total indulgência com que Louçã é tratado, da esquerda à direita, não há, de facto, excepções. Isto diz muito também sobre a facilidade com que o seu discurso demagógico e  populista tem entrado na vida política portuguesa sem combate nem oposição.

  O assunto está, efectivamente, esclarecido, JAD foi abordada (ou mesmo até convidada) por Paulo Campos para fazer parte das listas do PS, como aconteceu, aliás, com muito mais gente em muitos outros locais e da parte de todos os partidos políticos.

Não vale, pois, a pena crucificar JAD, discutir o seu carácter ou a sua culpa, já que só ela não percebeu que, depois de ter apoiado Mário Soares contra Louçã, pagaria um preço muito alto por isso e, por conseguinte, não há redenção que lhe valha. Humanamente, apenas podemos lastimar…   

Este episódio não merecia nenhuma relevância pública se não tivesse sido aproveitado por Louçã para fortalecer e alargar o populismo com que gere a sua intervenção na vida pública portuguesa.
É bom lembrar, com todo o rigor o que disse Louçã a este propósito:
Perante estas palavras constata-se que  Louçã mentiu intencionalmente, com total despudor e com um único propósito político, a saber, desacreditar a democracia, as instituições políticas, o primeiro-ministro e abalar confiança (já pouca) que os cidadãos têm na democracia parlamentar. Ele é, portanto, o fautor desta grande mentira política e está a passar ao lado dela sem escrutínio, sem evidência comunicacional, crítica política ou censura pública. E contra isso todos nos devemos insurgir. 
O populismo é o maior inimigo da democracia. É-o hoje, da mesma forma que o foi no passado. A História, infelizmente, desde a “lenda da punhalada” está cheia de exemplos de democracias que pereceram ao som de palavras melífluas.  
A comiseração de Manuela Ferreira Leite pelos impostos dos ricos, a indignação de Paulo Portas pelas sondagens que não o favorecem, as manifestações de Mário Nogueira ou as diatribes de João Jardim contra os cubanos são, neste contexto, assuntos sem qualquer relevância.
Acima de tudo, Louçã personifica um combate político que hoje, como sempre,  vale muito a pena travar - salvar a democracia do populismo.

 

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amália a 2 de Agosto de 2009 às 07:10
Apoiado. Que pena o BE ter enveredado por tais caminhos, Eu até já votei neles. Agora estou hesitante. Mas a verdade é que o bota-abaixo, a má-língua, a insinuação, a hipocrisia, tudo isso me irrita e cansa.

Fernando Penim Redondo a 2 de Agosto de 2009 às 08:18
Todo este caso da JAD é essencialmente ridículo mas tem uma implicação grave.
Quanto maior for o nível de agravos entre Louçã e Sócrates menos provável é, aos olhos dos portugueses, uma já improvável solução de esquerda na próxima legislatura.
Escuso de dizer quais são as consequências.

Rui Herbon a 2 de Agosto de 2009 às 21:18
Meu caro, Fernando, esse é que é o busílis da questão.

closer a 2 de Agosto de 2009 às 09:23
Se populismo é denunciar que um governo do Partido Socialista ultrapassou pela direita tudo o que o PSD tinha feito, então eu sou populista; se populismo é denunciar os atentados ao código do trabalho revendo-o num sentido ainda mais gravoso que o de Bagão Félix, desconsiderar os professores, aumentar as desigualdades, não cumprir as promessas de referendo ao tratado de Lisboa, então eu sou populista. Não, meu caro amigo. O maior perigo para a democracia, vem de políticos desonestos como o seu mentor, de promessas não cumpridas, do aproveitamento do aparelho de estado como se fosse uma quinta privada. Vem da Sá Couto, da Mota- Engil, do BPN e afins. E já que me fala em populismo, pense duas vezes e não morda a língua. É que li algures que um certo político promete estágios remunerados para jovens, 200 euros por recém-nascido, prestações sociais qb e, vejam lá, até promete legalizar o casamento entre homossexuais que há bem pouco tempo recusou no parlamento.

João Paulo Pedrosa a 2 de Agosto de 2009 às 13:50
caro closer e se confinasse aos argumentos e deixasse os cliches, é que o que você diz é mera retórica sem ponta para discussão, procurei nos meus post-it colocar à evedência as suas falácias, aceito discutir consigo na base dessa minha contestação, prosseguir com cliches só dá mais força aos meus argumentos, se é isso que quer...

closer a 3 de Agosto de 2009 às 15:08
Meu caro amigo: não sei se temos que ir aos manuais de retórica (Aristóteles, Mayer, Perelman , etc ) para distinguir argumentos de clichés. O Sr. . João Paulo Barbosa é rápido a catalogar os argumentos dos outros como falácias: já agora que tipo de falácias?Não aceito sequer discutir contigo nessa base (e, provavelmente, em nenhuma). mas como sou uma alma caridosa deixo-lhe um conselho mais gratuito do que as taxas moderadoras do SNS: vá ler um manual de filosofia de 11º ano, antes de escrever os disparates que aqui li sobre argumentos, clichés e falácias. Aliás , este blog a que acedi por acaso, está definido e, decididamente, não me interessa. Passe bem!

amália a 2 de Agosto de 2009 às 10:14
Os meus comentários estão a ser inconvenientes? Publiquem ao menos este, que hoje faço anos.

António da Costa a 2 de Agosto de 2009 às 10:44
Este assunto necessita de ser aprofundado, não nos blogs mas sim por quem de direito, não está em causa JAD, está em causa o pressuposto da oferta de lugares na AP.

João Paulo Pedrosa a 2 de Agosto de 2009 às 12:53
caro António, tirando no tempo em que Louçã defendia o comunismo, uma mentira por muito que seja repetida não se torna numa verdade, a oferta de lugares não foi confirmada nem por JAD nem por Paulo Campos, logo é mais uma mentira de Louçã

António da Costa a 2 de Agosto de 2009 às 14:50
O João Paulo, como é evidente, estará mais bem informado que eu, no entanto para que não existam casos duvidosos eu gostaria de ver isto bem esclarecido.

joaninha a 2 de Agosto de 2009 às 15:53
Senhor António Costa, a Assembleia da República é um órgão de soberania, não é um órgão de administração pública.
Oferecer a hipótese de se candidatar a um lugar de deputado, que terá sempre de ser votado pela população, não tem nada a ver com o que o senhor diz e pelos vistos o sr Dr Louçã também não sabe distinguir.
Mas sobre o pudismo da Drª Joana Amaral Dias em ter sido contactada para o efeito, não lhe diz nada a si o facto de ela ter afirmado que antes de se pronunciar foi pedir a opinião do Dr Mário Soares?
E se ele lhe tivesse dito para aceitar, como estaria o assunto neste momento?

António da Costa a 2 de Agosto de 2009 às 17:00
Já vi que a joaninha anda a voar e não sabe que juntamente com o lugar de deputada vinha o lugar de responsável pelo IDT - Instituto da Droga e da Toxicodependência, isto pressupondo que o que dizem é verdade, e aquilo que me preocupa não é o lugar no Parlamento mas sim a possibilidade da "traficância de lugares na AP", no entanto quero aqui deixar expresso que me custa a querer que tudo isto seja verdade.

Nuno Matias a 2 de Agosto de 2009 às 12:27
Tenho para mim que Francisco Louçã é maior fraude política existente em Portugal . Parte de FL a maior ameaça a uma vitória folgada do PS nas próximas eleições, fundamental para uma verdadeira política de esquerda exequível e modernizadora e transformadora. E o que é mais engraçado é que essa ameaça parte de um populismo assustador, ameaça letal a qualquer democracia.

Apelo a todos que dia 27 não se deixem enredar por esta estratégia e votem no único partido que teve uma estratégia modernizadora para o país e que pode impedir que MFL e Paulo Portas voltem ao governo.

Cumprimentos

Paulo Garrido a 2 de Agosto de 2009 às 17:36
O Louçã e os seus apaniguados têm um pensamento e um rumo para o país. Esse pensamento e rumo é destruir a nossa democracia representativa. Eles, não se revêem nela. Para quem duvida disto, não prestou suficiente atenção a este episódio da JAD . Não se apercebeu como funciona a capciosa mentalidade de um Chavez à la portuga . E faz bem mal. O grupo do Louça, os Socialista Revolucionários, estão a começar por engolir as outras facções no interior do BE , isto porque, já lhes cheira a qq coisa. Agora essa coisa, que nenhum jornalista sério pergunta e que à bem pouco tempo foi questionado pelo Freitas do Amaral na Visão, tem precisamente que ver com o modelo de sociedade defendido pelo Louçã. Contudo, não esperem uma resposta simples de sim ou não. O senhor responde de forma redonda, a intenção é enganar. Onde ontem se dizia e defendia a democracia directa, dos chefes de bairro a limitar a liberdade, hoje, esconde-se isso e fala-se na podridão da economia e da politica. Esconde-se que, quem fala dos políticos desta forma, é politico à 40 anos.

Plúvio a 2 de Agosto de 2009 às 18:04
http://chovechove.blogspot.com/2009/08/dra-joana-amaral-dias-e-um-anjo.html

Luis Gonçalves a 2 de Agosto de 2009 às 18:40
Curioso. Pessoas que têm por nick "closer", estão dispostas a tudo. A fechar o país. Sim, acabe-se com os bancos, as empresas e tudo que cheire a dinheiro. Não há nada como o pensamento pré-claro do idiota útil.

Vera Santana a 2 de Agosto de 2009 às 19:41
Ora bem é isso mesmo: quem está disposto a tudo é um ser perigoso qe nada tem perder. Logo, um ser que nem amor próprio terá. Um terrorista suicida em potência.

Toupeira a 2 de Agosto de 2009 às 20:45
A Joana anda a fazer-se ao piso. Está mais no PS que no BE. A Joana quis ser deputada e não presidente de um instituto. Um cargo executivo dá muito trabalho. No entanto, o PS anda muito desesperado para querer roubar uma pessoa como a joana ao BE.

Luis Gonçalves a 2 de Agosto de 2009 às 21:14
Toupeira,

estás carregado de razão meu velho. Mesmo cegueta vês aquilo que quem fez o convite à tolinha armada em vedeta não viu.

josé Vladimiro a 2 de Agosto de 2009 às 21:42
Será que um socretino é menos cegueta que eu?

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