Por Hugo Costa | Domingo, 02 Agosto , 2009, 02:00

 

 


António C. Caldas a 2 de Agosto de 2009 às 11:03
Não se percebe este post. Concorde-se ou não com a posição de MFL sobre o tema, parece-me que apresenta a sua opinião de forma serena. O que se pretende ilustrar com este post e o seu título?

Hugo Costa a 2 de Agosto de 2009 às 12:05
Limito-me a mostrar o conservadorismo de Ferreira Leite. Pode dizer as coisas com calma. Mas defender que se estão grávidas...azar o delas...é de um conservadorismo enorme.

Joaquim Amado Lopes a 2 de Agosto de 2009 às 12:49
O Hugo esquece um pequeno detalhe: a gravidez pode ser evitada.

A Lei anterior já previa o aborto nas situações em que a gravidez era uma violência sobre a mulher.
E, nas raríssimas situações em que a gravidez ocorre apesar das precauções e considerando o que significa abortar um feto saudável, aplica-se totalmente o que Manuela Ferreira Leite disse.

Quem ache que uma mulher deve poder abortar, a expensas do Estado e com licença de maternidade, um feto saudável, fruto de uma gravidez que não fez por evitar e estando numa situação familiar, profissional e financeira estável, as palavras de Manuela Ferreira Leite podem parecer fruto de conservadorismo.
Mas, pelo menos nesta questão em particular, o "modernismo" não tráz nada de bom. Apenas desresponsabilização e desvalorização da vida.

Núncio a 2 de Agosto de 2009 às 20:34
Novo objectivo/promessa/compromisso: acabar com os conservadores.
O progressismo no seu pior.

Vera Santana a 2 de Agosto de 2009 às 13:55
Uma mulher pode engravidar, não obstante o uso de métodos contraceptivos eficazes. A contracepção tem sido um responsabilidade sobretudo feminina. É tempo de começar a ser também uma responsabilidade masculina. Há "pílula" para homens. Usai-a! Aqui fica a injunção.

Uma gravidez deve ser vista à luz de uma ética da responsabilidade. O casal deve perguntar-se: "somos capazes de dar a este futuro filho boas condições para o seu crescimento e desenvolvimento?". Está colocada a questão; a resposta não me cabe a mim, mas sim ao casal (ou à mulher se estiver sozinha).

Joaquim Amado Lopes a 2 de Agosto de 2009 às 16:28
O roubo, a corrupção, a fraude, o homicídio, o infanticídio, a violação e a pedofilia também devem ser vistos "à luz de uma ética da responsabilidade"?

A sociedade tem Leis precisamente porque pessoas diferentes têem uma visão diferente da ética e da responsabilidade. Para estabelecer um padrão mínimo a partir do qual se possa construir uma sociedade em que a liberdade de uns não comprometa a liberdade ou a segurança dos outros, particularmente dos mais fracos.
Nas questões em que não há consenso e em que estão em jogo vidas humanas, impõe-se o princípio da precaução, o de não avançar por caminhos de que não haja caminho de volta.

Que casal pode responder com um mínimo de certeza à pergunta "somos capazes de dar a este futuro filho boas condições para o seu crescimento e desenvolvimento"?
Quem pode garantir que as circunstâncias não evoluem, para o melhor ou para o pior?

Um casal que, no início da gravidez, responda afirmativamente à pergunta que colocou pode passados alguns meses tomar a decisão inversa? Apenas antes do parto ou também depois? Até quanto tempo depois do parto?

Deve uma família poder perguntar-se algo de semelhante relativamente a um idoso ou um doente?

A Vera deve tomar em consideração que a Lei actual não foi feita para proteger quem opta pelo aborto em caso de necessidade. Foi desenhada especificamente para quem quer abortar sem ser em caso de necessidade.

Alguns argumentarão que esse é o preço por não ser legítimo questionar uma mulher pelo que a leva a tomar a "decisão mais difícil que uma mulher pode tomar". Mas esse argumento não é sustentável.
Uma decisão muito difícil para uns é extremamente fácil para outros. E a experiência mostra-nos que há quem não tenha qualquer problema em optar pelo aborto, mesmo não se encontrando em situação de dificuldade.

Esta decisão em particular envolve terceiros, que não podem ser ouvidos e que o Estado devia ser obrigado a proteger.

Há pessoas para quem o feto é como um dente, que pode ser arrancado e deitado para o lixo sem quaisquer problemas de consciência.
Mas, a seguir esse critério, convém definir muito bem quando é que um feto deixa de ser como um dente, por que razão deixa de o ser e por que razão deixa de o ser nesse momento em particular.
Essa discussão foi sempre recusada pelos defensores do aborto a pedido mas não pretenda que é uma discussão que não tem que ser feita. E, até ser feita, a opção pela despenalização do aborto a pedido, pago e promovido pelo Estado, é irresponsável.

Vera Santana a 2 de Agosto de 2009 às 19:17
Joaquim Amado Lopes,

Tudo o que disse tem muita relevância. Porque não quero dialogar consigo, sobre este tema, de um modo rápido e leviano, permita-me que lhe responda "em diferido" pois esta questão é muito, demasiado profunda. As minhas ideias são muito claras e resultam de muita reflexão. Quero expô-las calmamente.

Até breve,

Vera

Stran a 2 de Agosto de 2009 às 21:00
Joaquim,

A vida não é branca nem preta, mas sim uma palete bem diversificada de cores.

Eu já o disse no meu blogue e não tenho medo de repetir aqui para compreender que existem vários estilos de vida:

- Eu não quero ter filhos.

Posto isto o que é que sugere, que eu entre em abstinência? E se acontecer todos os metodos contraceptivos falharem, devo ser obrigado a ter o filho mesmo sendo contra a minha vontade? Ou está a sugerir que eu devo ser obrigado a fazer uma operação cujo o efeito na minha sexualidade é desconhecida e que é irreversível?

Com efeito há muitos estilos de vida, e há pessoas mais informadas e menos informadas. Ter um filho nunca deve ser uma obrigação, mas o fruto de uma vontade.

Quanto à questão que coloca:

"Mas, a seguir esse critério, convém definir muito bem quando é que um feto deixa de ser como um dente, por que razão deixa de o ser e por que razão deixa de o ser nesse momento em particular"

Eu diria que será a partir da altura que o feto tem a capacidade de sentir dor (os cientistas apontam 26ª semana), no entanto, e como julgo neste tema deve existir prudência julgo que a 12ª semana é mais que razoável pois é a partir desta semana que deixa de ser um embrião e passa a feto.

"Esta decisão em particular envolve terceiros, que não podem ser ouvidos e que o Estado devia ser obrigado a proteger."

Esta questão de terceiros é uma interpretação sua, não tenho qualquer problema que a tenha, mas não tem é qualquer legitimidade a forçar outros a ter.

E já agora:

"Deve uma família poder perguntar-se algo de semelhante relativamente a um idoso ou um doente?"

Um idoso ou um doente é uma pessoa de pleno direito, no entanto, e abrindo uma outra frente, julgo que o idoso ou o doente deve decidir se quer continuar ou não a viver.

Joaquim Amado Lopes a 2 de Agosto de 2009 às 23:28
"Eu não quero ter filhos.
Posto isto o que é que sugere, que eu entre em abstinência? E se acontecer todos os metodos contraceptivos falharem, devo ser obrigado a ter o filho mesmo sendo contra a minha vontade?"
A gravidez é uma das consequências possíveis da relação sexual. Outra é a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis.

De certeza que o Stran não quer ter uma doença sexualmente transmissível mas, pelo que se depreende das suas palavras, está disposto a correr o risco. Naturalmente, toma as devidas precauções para reduzir o risco ao mínimo mas assume que continua a existir um risco.

Se se fôr minimamente responsável (o que se exige a todos os adultos), a possibilidade de gravidez é ínfima, com os meios actualmente disponíveis.

Ter relações sexuais é uma opção consciente e deliberada. Assumir a responsabilidade pelas suas consequências não pode ser uma opção, é uma obrigação.

Ser membro de uma família e de uma sociedade trás responsabilidades e deveres. O Stran pode não querer criar uma criança que gerou mas tem responsabilidades para com essa criança, da mesma forma que pode não querer cuidar dos seus pais ou irmãos doentes mas tem responsabilidades para com eles.

É contra essa ideia de que só temos que estar à altura das responsabilidades que a cada momento escolhemos que eu me revolto.

Quanto a ter a criança, há uma diferença substancial entre "ter" a criança e "criar" a criança.
Ter a criança é passageiro e de certeza não ter que acabar com uma vida em formação mais do que compensa o "sacrifício".
E há muitíssimos casais desesperados à procura de uma criança para criar.

"o feto tem a capacidade de sentir dor - os cientistas apontam 26ª semana"
Os mesmos cientistas apontam um momento anterior a esse para a viabilidade do feto.

"terceiros" não é uma interpretação. É uma posição/opinião.
E devolvo o comentário, não apenas em relação ao feto mas também em relação à pedofilia, p.e.

E os idosos e os doentes devem poder decidir se querem continuar a viver. Mas, pergunto eu, mesmo quando tomam a decisão "motivados" por se sentirem um peso para as respectivas famílias por estas fazerem questão de que eles se sintam assim?

Repito o que escrevi antes:
Nas questões em que não há consenso e em que estão em jogo vidas humanas, impõe-se o princípio da precaução, o de não avançar por caminhos de que não haja caminho de volta.

Stran a 3 de Agosto de 2009 às 11:35
Meu caro Joaquim,

Tenho de dizer que tem algumas frases que espelham um pouco a emotividade e pouca racionalidade com que se debate estes temas (o que não é necessariamente mau).

Comecemos pelo fim:

"Nas questões em que não há consenso..."
Existem questões em que nunca vão existir consensos, esta é uma dela. Mas eu sou contrário à visão consensual da sociedade. Ela leva à normalização que apaga a individualidade e liberdade de uma pessoa. Eu não quero neste debate mudar a sua opinião, pois trata-se da sua visão do mundo e não é superior ou inferior a nenhuma outra. O que está em causa é a imposição de uma posição sobre a outra. Com esta lei o que acontece é que quem tem uma visão faz uma IVG enquanto quem tem outra visão (como a sua) não a faz.

"...e em que estão em jogo vidas humanas..."

Não estamos a falar de vidas humanas. Mas responda-me a uma coisa: qual é mais importante a vida do feto ou da mãe?

"impõe-se o princípio da precaução"

É por isso que o limite não é de 26 semanas.

Agora avancemos para o inicio:

"A gravidez é uma das consequências possíveis da relação sexual. Outra é a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis."

Julgava que quem era a favor de não criminalização de IVG é que era apelidado de desumano. Não sei se sabe mas gravidez não é uma doença!

"Ter relações sexuais é uma opção consciente e deliberada."

Eu não sei para si, mas ter relações sexuais não é uma coisa mecanica. Se bem que concordo em abstrato com esta visão ela não deve ser vista como algo que seja só isso, envolve muitas mais emoções que uma simples "opção consciente e deliberada" não engloba.

"O Stran pode não querer criar uma criança que gerou mas tem responsabilidades para com essa criança"

É interessante como se passa de embrião, para feto, para criança. E aqui tem toda a razão, para com a criança sim. Mas não é de crianças que estamos a falar pois não?

"Se se fôr minimamente responsável (o que se exige a todos os adultos), a possibilidade de gravidez é ínfima, com os meios actualmente disponíveis."

Dois pontos:

a) e se não for adulto?

b) "infima" não significa impossível. Para mim é bastante simples (dentro da simplicidade que se pode ter): enquanto não inventarem um botão "on-off" (que estaria no modo normal em "off") para parar a parte reprodutiva é muito dificil que eu seja contra a IVG. Isto porque eu acredito piamente que um filho deve ser fruto de um desejo, de um projecto, deve ser uma opção consciente e responsável e não um "precalço" como a MFL diz. A diferença entre fazer uma IVG e ter um filho, é que num interrompe-se um processo que conduzirá a uma vida humana (não se trata de um terceiro nem de matar ninguém), enquanto no outro significa trazer a este mundo um ser humano que tem uma existência, emoções, que terá expectativas, tristezas e alegrias. E isso tem de ser sempre uma decisão e não uma obrigação derivada de um "precalço"!

"É contra essa ideia de que só temos que estar à altura das responsabilidades que a cada momento escolhemos que eu me revolto."

E faz bem! Só que está a partir do pressuposto que o IVG é um acto irresponsável, muitas das vezes o acto irresponsável é continuar a gravidez!

"Os mesmos cientistas apontam um momento anterior a esse para a viabilidade do feto."

Um favor que lhe pedia era quando comentasse o que escrevi, não se desviasse do próprio tema que questionou. É que facilita... Recordando você questionou-se sobre o que é que fazia a diferença (a que eu respondi)e acrescentei a data de ocorrência desse ponto. Não falei em viabilidade. Mas já que trouxe essa situação para a "mesa" de discussão eu diria que a viabilidade começa com a existência de capacidade reprodutiva (sem isso nada é viavel), depois aumenta com a ejaculação no periodo fértil da mulher, aumenta mais ainda com a fecundação (nota que até aqui foi a minha opinião pessoal), e vai aumentando com o passar dos dias até atingir os 50% por volta da 24ª semana (e esta é a parte da biologia).

(continua)

Joaquim Amado Lopes a 4 de Agosto de 2009 às 18:42
Meu caro Stran,

"Tenho de dizer que tem algumas frases que espelham um pouco a emotividade e pouca racionalidade com que se debate estes temas (o que não é necessariamente mau)."
Emotividade, aceito. Pouca racionalidade? Esta é uma matéria em que a racionalidade não se pode concretizar em escolher arbitrariamente (ou conforme o que dá mais jeito) que aspectos discutir ou ignorar.

"Não estamos a falar de vidas humanas."
Pois eu acho que estamos precisamente a falar de vidas humanas.
A mãe é humana e está viva. O pai é humano e (supostamente) está vivo. O feto é humano e está vivo.
São 3 vidas humanas e, segundo a Lei actual, só a primeira conta. E não é como se a primeira fosse mais importante (entre as várias opiniões/direitos prevalecer o da primeira) mas sim que a segunda (o pai) é simplesmente ignorada e a terceira (o feto) é como se não existisse. E não é a vida, é a decisão da primeira que se sobrepõe a tudo o resto.

Mas, se acha que o feto não é vida humana, peço-lhe que me diga qual é o critério que seguiu para chegar a essa conclusão.
É que, se acha que o feto não é vida humana e não tem qualquer valor nem merece qualquer protecção, esta discussão é completamente estéril.

"Mas responda-me a uma coisa: qual é mais importante a vida do feto ou da mãe?"
E em que parte da discussão do aborto por opção da mulher é que essa questão se coloca?
O aborto a pedido não tem nada a ver com perigo para a vida ou para a saúde física ou psíquica da mulher. O aborto a pedido é precisamente para quando não se tem que fazer essa ou qualquer outra escolha.

"Julgava que quem era a favor de não criminalização de IVG é que era apelidado de desumano. Não sei se sabe mas gravidez não é uma doença!"
O que escrevi é por demais explícito e a sua "conclusão/interpretação" é ridícula. O ponto que pretendi apontar tem simplesmente a ver com duas consequências possíveis da relação sexual e o aceitar o risco inerente à opção pela actividade sexual.

JAL "Ter relações sexuais é uma opção consciente e deliberada."
"Eu não sei para si, mas ter relações sexuais não é uma coisa mecanica. Se bem que concordo em abstrato com esta visão ela não deve ser vista como algo que seja só isso, envolve muitas mais emoções que uma simples 'opção consciente e deliberada' não engloba."
Mecânico ou não, com muitas ou poucas emoções à mistura, não se tem sexo por acidente nem por acaso. Podemo-nos colocar numa situação em que o nosso julgamento está afectado e fazermos algo que não fariamos em circunstâncias normais. Mas não apenas há soluções para esses casos como somos tão responsáveis pelo que fazemos nesse estado alterado como pelo que fazemos no nosso estado normal.

Alguém que não queira de forma alguma ter uma criança, faz o que tiver que fazer para não a ter. Começa por não a gerar.
Falhando a contracepção, o aborto até pode ser uma opção a considerar mas, se se aceitar que estão vários valores em jogo (os motivos para não ter a criança, por um lado, e o feto, pelo outro), então a decisão não pode ficar unicamente nas mãos de uma das partes interessadas.
Aqui, a questão chave é saber se o feto é ou não um valor.

JAL "O Stran pode não querer criar uma criança que gerou mas tem responsabilidades para com essa criança"
"É interessante como se passa de embrião, para feto, para criança. E aqui tem toda a razão, para com a criança sim. Mas não é de crianças que estamos a falar pois não?"
Criança foi usado como termo genérico, não com um significado científico. Até porque não estou habituado a ouvir conversas de/sobre grávidas em que se use os termos "embrião" ou "feto".

(continua)

Joaquim Amado Lopes a 4 de Agosto de 2009 às 18:43
JAL "Se se fôr minimamente responsável (o que se exige a todos os adultos), a possibilidade de gravidez é ínfima, com os meios actualmente disponíveis."
"Dois pontos:
"a) e se não for adulto?"
A Lei anterior já previa uma excepção para o caso de a gravidez constituir um risco para a sua saúde (física ou psíquica) da mulher/jovem. Convém não misturar situações de força maior com "por opção da mulher".

"b) "infima" não significa impossível. Para mim é bastante simples (dentro da simplicidade que se pode ter): enquanto não inventarem um botão "on-off" (que estaria no modo normal em "off") para parar a parte reprodutiva é muito dificil que eu seja contra a IVG. Isto porque eu acredito piamente que um filho deve ser fruto de um desejo, de um projecto, deve ser uma opção consciente e responsável e não um "precalço" como a MFL diz. A diferença entre fazer uma IVG e ter um filho, é que num interrompe-se um processo que conduzirá a uma vida humana (não se trata de um terceiro nem de matar ninguém), enquanto no outro significa trazer a este mundo um ser humano que tem uma existência, emoções, que terá expectativas, tristezas e alegrias. E isso tem de ser sempre uma decisão e não uma obrigação derivada de um "precalço"!"
Ponto 1. A cada momento da nossa vida tomamos decisões baseadas na nossa análise pessoal do custo/benefício ou risco/recompensa. O Stran pode querer escolher as opções que lhe sejam colocadas mas isso quase nunca é possível. Não quer de forma alguma ter uma criança? Existem meios/opções para garantir que nunca seja colocado perante essa situação. Nenhuma das opções é aceitável para si? Então aceita o risco de gerar uma criança (ou feto, se preferir). Gerou a criança mas não a quer criar? Dê-a para adopção. Não a quer criar nem dá-la para adopção? Chegou ao ponto em que a sociedade tem que dizer:
a) Vai em frente e aborta ou
b) Lamentamos mas existem alternativas em que o custo para a sociedade é menor e não podemos deixá-lo fazer isso.

O Stran defende que a sociedade diga a). Eu, pelo que essa opção isso representa em termos de violação do princípio da protecção da vida humana, acho que "porque não quero" não é motivo aceitável, considerando as alternativas.

Ponto 2. Essa do "não se trata de matar ninguém" não é consensual. Naturalmente, não se pretende igualar o valor de uma vida humana formada, consciente e actuante com a de um feto, um ser humano em formação. Mas não realizar um aborto cuja única justificação é "por opção da mulher" não condena nenhuma vida nem tráz consequências necessariamente nefastas para ninguém.

Ponto 3. A "IVG" (como é que se pode dizer que é uma "interrupção" se não se pode recomeçar?) é "interromper um processo que conduzirá a trazer a este mundo um ser humano que terá existência, emoções, que terá expectativas, tristezas e alegrias".

Ponto 4. Muitíssimos nascimentos são fruto de "percalços", seja pela não-opção consciente e responsável, seja pela oportunidade.

JAL "É contra essa ideia de que só temos que estar à altura das responsabilidades que a cada momento escolhemos que eu me revolto."
"E faz bem! Só que está a partir do pressuposto que o IVG é um acto irresponsável, muitas das vezes o acto irresponsável é continuar a gravidez!"
E o Stran está a partir do pressuposto de que a "IVG" nunca é um acto irresponsável.

JAL "Os mesmos cientistas apontam um momento anterior a esse para a viabilidade do feto."
"Um favor que lhe pedia era quando comentasse o que escrevi, não se desviasse do próprio tema que questionou. (...) Não falei em viabilidade."
Mas eu comentei o que escreveu. Não sendo médico, parece-me muito pouco provável que um feto/criança/o_que_lhe_quiser_chamar tenha os órgãos suficientemente desenvolvidos para poder sobreviver fora do útero mas seja ainda incapaz de sentir dôr.
Quanto mais não seja porque, segundo http://www.webmd.com/baby/healthtool-fetal-development-timeline, às 12 semanas o feto começa a fazer movimentos e às 20 o sistema nervoso começa a funcionar.
Nunca viu imagens de fetos a reagirem a estímulos exteriores? Eu já. E tinham muito menos de 26 semanas.

(continua)

Joaquim Amado Lopes a 4 de Agosto de 2009 às 18:44
O feto pensa? Está consciente do mundo exterior e pode caracterizá-lo? Não. Mas uma pessoa não é apenas um corpo que apenas tem valor quando está vivo.

O Stran fica indiferente com o que se faz a um cadáver humano, incluíndo desmembramento, profanação, exibição pública, ser usado como comida para animais, ...? Se calhar sim. Mas o mais provável é que isso o choque. E chocá-lo-á porque uma pessoa é mais do que um corpo, é uma ideia, tem um valor que transcende a mera existência "terrena" e merece respeito e protecção. E não, não estou a falar de alma nem de espírito. (só para evitar comentários idiotas sobre "impôr aos outros visões religiosas pessoais", sou agnóstico)

Stran a 3 de Agosto de 2009 às 11:53
(Continuação)

"""terceiros" não é uma interpretação. É uma posição/opinião.
E devolvo o comentário, não apenas em relação ao feto mas também em relação à pedofilia, p.e.""

E uma opinião é o quê? Quanto à pedofilia peço-lhe o favor de desenvolver o raciocinio, é que se já foi desconcertante a comparação entre gravidez e doenças, esta deixou-me completamente baralhado...

"E os idosos e os doentes devem poder decidir se querem continuar a viver. Mas, pergunto eu, mesmo quando tomam a decisão "motivados" por se sentirem um peso para as respectivas famílias por estas fazerem questão de que eles se sintam assim?"

Obviamente não estava a me referir a esses casos, mas vamos explorar este seu exemplo. No caso que referiu existe uma clara prática de um crime, pois:

a) existe uma acção pensada e deliberada por parte dos familiares para induzir a uma situação de depressão e suicidio - eu julgo, e é uma opinião pessoal, existe aqui matéria criminal para ser punida. Em nada difere do agora famoso "bullying" e com as mesmas consequências;

E agora lanço-lhe o seguinte desafio:

- imaginemos que a situação é detectada, e existem as punições devidas e deixa de existir esse bullying, o idoso recebe apoio psicológico mas não consegue recuperar da depressão, por mais tentativas que existam, entretanto, e para agravar a situação o idoso contrai uma doença incapacitante fisicamente. O idoso pede então para morrer através de uma morte medicamente assistida. Qual é a sua opinião, deve ou não o seu desejo ser realizado?

Vera Santana a 3 de Agosto de 2009 às 15:31
Joaquim Amado Lopes,

Vou ser concisa.

1. Votei a favor do SIM à despenalização do aborto.

2. Relativamente à pergunta que eu acho que deve ser colocada por quem se encontra na situação de uma gravidez indesejada, digo o seguinte:

2.a . não faz para mim qualquer sentido a linha divisória que separa o embrião do feto; 2.b. a IVG deve ser feita o mais precocemente possível;
2.c. a decisão de fazer/não fazer uma IVG é por mim colocada num ponto em que a ética da convicção - "trata-se de uma vida futura" - se encontra com a ética da responsabilidade - "e eu/nós posso/podemos dar um futuro a essa vida futura"?.

3. Somos seres dotados de alguma racionalidade, o que quer dizer que somos capazes de projectar um futuro possível (com graus de erro) e de agir - não só mas também - em função dessa antevisão racional do futuro.

Pelo que fica dito, transparece, creio, que eu penso que fazer um IVG é uma opção trágica mas, por vezes, necessária. Como na guerra, quando um comandante tem de se decidir por uma estratégia delineando um cenário segundo o qual morrerá o menor número possível de pessoas. Se, inversamente, o tal comandante for pelo caminho único da ética da convicção pode levar o regimento (ou o batalhão) todo à morte.

4.Sou pelo direito à eutanásia.



Vera Santana a 3 de Agosto de 2009 às 15:13
Joaquim Amado Lopes,

Vou ser concisa.

1. Votei a favor do SIM à despenalização do aborto.

2. Relativamente à pergunta que eu acho que deve ser colocada por quem se encontra na situação de uma gravidez indesejada, digo o seguinte:
[Error: Irreparable invalid markup ('<br [...] <a>') in entry. Owner must fix manually. Raw contents below.]

Joaquim Amado Lopes, <BR><BR>Vou ser concisa. <BR><BR>1. Votei a favor do SIM à despenalização do aborto. <BR><BR>2. Relativamente à pergunta que eu acho que deve ser colocada por quem se encontra na situação de uma gravidez indesejada, digo o seguinte: <BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>2.a</A> . não faz para mim qualquer sentido a linha divisória que separa o embrião do feto; <BR><BR>2.b. a IVG deve ser feita o mais precocemente possível; <BR><BR>2.c. a decisão de fazer/não fazer uma IVG é por mim colocada num ponto em que a ética da convicção - "trata-se de uma vida futura" - se encontra com a ética da responsabilidade - "e eu/nós posso/podemos dar um futuro a essa vida futura"?. <BR><BR>3. Somos seres dotados de alguma racionalidade, o que quer dizer que somos capazes de projectar um futuro possível (com graus de erro) e de agir - não só mas também - em função dessa antevisão racional do futuro. <BR><BR>Pelo que fica dito, transparece, creio, que eu penso que fazer um IVG é uma opção trágica mas, por vezes, necessária. Como na guerra, quando um comandante tem de se decidir por uma estratégia delineando um cenário segundo o qual morrerá o menor número possível de pessoas. <BR><BR>Se, inversamente, o tal comandante for pelo caminho único da ética da convicção pode levar o regimento (ou o batalhão) todo à morte.

Carlos Faria a 2 de Agosto de 2009 às 16:18
Por norma sou muito liberal em termos de decisões e comportamentos privados, bem como na separação do estado - religião.
nada tenho a opor ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, nada me choca com uma liberalização do divórcio, até nem sou um adversários de alguma liberalização de drogas leves (desde não fumem em recintos fechado públicos),são decisões de adultos que não envolvem mais ninguém nem potencialmente a vida de futuros seres humanos.
mas sempre tive algum aversão que nos tempos que correm, com tanta metodologia anticoncepcional e ainda a pílula do dia seguinte, além dos casos de violação, risco de saúde materna, malformação do feto e quiçá gravidez muito precoce (pode todavia ser incluída no segundo caso) se diga que uma pessoa é conservadora apenas porque considera que a livre opção não deve ser suficiente para que com os dinheiros públicos (que resultam dos meus impostos) se deva pagar um aborto decidido apenas pela ideia livre opção da mulher.
Se criticar-se uma pessoa que pensa assim é necessário para o rótulo de liberal ou progressista, então eu sou conservador com muito gosto e não sei onde começa a tolerância desse lado.
Tal não impede de que MFL seja conservadora, mas não é pelo conteúdo deste vídeo que se pode considerá-la assim

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