Por João Paulo Pedrosa | Sexta-feira, 31 Julho , 2009, 01:33

No Barómetro Sic/Expresso/Eurosondagem que dá a vitória ao PS, Francisco Louçã é o líder da oposição com melhor registo de opiniões favoráveis.

Na Marinha Grande, terra de ancestrais tradições operárias, o BE supera já em eleições (nalgumas freguesias) o próprio PCP. Para quem acompanha de perto a acção do PCP, concorde-se ou não com as suas causas (e eu quase nunca concordo), a verdade é que o PCP tem rostos concretos na acção política local, defende ideias políticas e assume causas públicas que procuram ir ao encontro dos interesses dos cidadãos.

O BE e Francisco Louçã são, para a Marinha Grande ou para qualquer localidade deste país, dois minutos, todos os dias, nos telejornais. Não têm rostos, nem propostas na acção política no país e quanto às causas, exceptuando a defesa de polícias sem pistola, produtos agricolas sem adubo e drogas que não agarram, tudo o resto é uma miserável exploração da inveja social e populismo. 

A manter-se este resultado, a votação no BE impossibilita a maioria do PS e  torna o país ingovernável e à beira do abismo. Desde a criação do regime democrático em 1974, nunca estivemos numa encruzilhada tão grande. É por isso que pergunto:  

Quais as razões para uma escolha política que passe pelo BE e Francisco Louçã?

Agradeço os contributos.

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tric a 31 de Julho de 2009 às 02:28
"(...)tudo o resto é uma miserável exploração da inveja social e populismo. "

tipo ricos(>=5000€ ) e pobres ?

Levy a 31 de Julho de 2009 às 02:31
O voto de protesto é uma razão. É legitimo e pode não ter uma explicação.
Se o eleitorado está descontente com o PS é natural que mude o sentido do voto. Não costumo faze-lo, mas posso dar o meu exemplo pessoal: fui um dos que nunca tinha votado no PS, e que o fiz em 2005, contribuindo assim para a maioria absoluta. Na altura isso fazia sentido, por uma série de motivos, ao longo de quase 5 anos, fui sucessivamente defraudado. O que é que eu ganho em votar no PS outra vez? Nada. Se um governo de maioria absoluta me desagradou e foi muito mau para o país, porque hei-de estar preocupado com a estabilidade governativa? Que garantias há, depois deste governo absolutamente falhado, que um governo minoritário é pior?
Tal como eu, muitos outros eleitores não serão sensíveis ao argumento da estabilidade. É por isso natural que o PS desça, e os outros subam. Até é possível que o PSD ganhe, se eu e outros indecisos decidirmos votar neles. Já é um pouco tarde de mais para levantar os argumentos da instabilidade, pelo menos da minha parte, pois o meu voto há muito que está perdido, e por muitos e longos anos.

BO a 31 de Julho de 2009 às 03:44

Cada vez mais, verifico que as pessoas votam no partido em que mais confiam, fartos do voto útil e de maiorias absolutas mais absolutistas do que democráticas.

























Artur Sousa a 31 de Julho de 2009 às 05:46
"exceptuando a defesa de polícias sem pistola, produtos agricolas sem adubo e drogas que não agarram, tudo o resto é uma miserável exploração da inveja social e populismo."

Assim ainda é mais complicado qualquer diálogo à esquerda, como já era difícil arranjar um mínimo multiplicador comum entre esquerdas com século e meio de divergências acumuladas.
Expressões como 'inveja social' apenas revelam a absorção da ideologia dominante por parte dos amigos da terceira via, que entendem que é feio querer equilibrar as dispersões remuneratórias. Acham eles que elas resultam do 'mérito', deitando para o caixote do lixo todo o pensamento de esquerda e as contradições do actual sistema. Não tarda temos gente de esquerda a defender a flat tax .
Vejo que foi muito simpático com o PCP mas apenas por uma questão de contrapeso. É óbvio que o BE não tem essa implantação, nem precisa de a ter, porque para mim as propostas e a luta institucional valem por si. Eu concordo com muitas das propostas do PCP, como do BE , e acho paradoxal que seja um partido leninista a ter que defender as tarefas da social-democracia, e não os sociais-democratas ou socialistas. Dirão os apparatchiks : "É porque não governam..." significando que estão de acordo com elas mas impossibilitados de mais fazer... Resta perguntar o que os impede.
Essa hemorragia à esquerda que pretende coagular acontece pelo simples facto de o BE ter suavizado os aspectos doutrinários dos seus grupos de origem, excepto a PXXI , e ter captado esse eleitorado, que não sendo leninista nem trotskista, pretende o reforço do Estado social, expurgando-o dos grupos rentistas . Por exemplo, aqueles que defendem que faz sentido a existência de um Sector Empresarial do Estado, que são contra o aumento das propinas, a favor do encerramento dos offshores , contra o aumento da idade da reforma e a favor de novas formas de financiamento da segurança social, a favor da taxação dos pára-quedas dourados, contra a redução do período para a caducidade das convenções colectivas, etc.

Cumprimentos

ds a 31 de Julho de 2009 às 06:18
«Maioria do PS» ?! Caro «camarada» que pertence à ala «direita do PS», olhe que o que essa sondagem mostra é que o resultado do PS nas eleições legislativas ainda vai ser mais desastroso que o das europeias.
Nas europeias a eurosondagem (do amigo Oliveira e Costa) previa que o PS teria 36% dos votos, quando teve apenas 26,6%. Agora prevê 33% o que quererá provavelmente dizer que o PS irá ter um resultado à volta dos 23%, se não for pior.
Eu considero, assim, que as razões e a utilidade do voto no BE (ou no PCP, ou em qualquer partido que não o PS) serão, pelo menos, as de reduzir a tal ala direita do PS à expressão mínima que merece.
Acredito que o «camarada» sinta que está numa «encruzilhada», mas vai ver que é melhor assim, pois este resultado tornará mais fácil a sua transferência para a ala «esquerda» do PSD.

portela menos 1 a 31 de Julho de 2009 às 08:51
a encruzilhada foi o PS que a alimentou durante os últimos 4 anos.
habituem-se!

Stran a 31 de Julho de 2009 às 10:10
"Quais as razões para uma escolha política que passe pelo BE e Francisco Louçã?

Agradeço os contributos."

Então farei aqui o meu contributo para esclarecer. Não esquecer que este é o meu caso particular e não sei até que ponto se pode participar.

A possibilidade de eu escolher o BE, começa há algum tempo e teve dois tempos:

1. Socrates em campanha disse que não iria aumentar a idade de reforma a pessoas que estivessem perto da reforma. Ora eu tenho uma pessoa amiga que estava em duvida se iria votar ou não e acabou por votar PS precisamente por causa deste compromisso. Ora pouco depois de chegado ao poder Socrates "rasgou" esse compromisso e aumentou efectivamente a idade de reforma a quem estava perto da mesma.
Ora isso para mim foi algo que honestamente achei algo perto do intolerável numa democracia e num partido democrático. No entanto e dado a crise, embora me tenha feito ponderar se o meu voto foi correcto, dei o beneficio de duvida.

2 - Depois veio o que "blindou" a minha decisão. A reforma na educação. E não estou a falar dos diplomas que foram feitos (isso é tema de outro debate), mas a forma como foi conduzida. Existe algo que eu respeito acima de tudo: a dignidade humana, e sou daqueles "utopicos" que julga que os fins por si só não justificam quaisquer meios. E a forma como foi feita um verdadeiro atentado a pessoas que deram um contributo enorme ao país (mesmo que não o tivessem dado não seria diferente). Desde as insinuações ao mais puro dos insultos foi feito um pouco de tudo, e por demasiado vezes foi veinculado a ideia de que quem era contra as politicas do ME não queria ser avaliado, ou por exemplo que não queria trabalhar.

Esta ultima actitude, com a cumplicidade do PM, fez com que decidisse não votar PS caso fosse Socrates a se candidatar.

Posto isto fiquei "orfão" de quem naturalmente votaria. Assim tenho de olhar para o espectro politico e tenho:

PP - só por estupidez é que votaria em quem lesou o Estado, em quem é conservador e populista, portanto nunca votaria no PP;

PSD - Além de tudo o anterior que referi ao PP, aqui tem o agravante de poder colocar no poder alguém muito imcompetente;

PCP - por principio não voto em partidos que apoiam ditaduras pelo que o PCP está fora das minhas opções.

MMS e MEP - O primeiro é um não partido e o segundo tem ligações muitos estreitas com a Igreja Católica, também não recebem o meu voto.

Resta então o BE e o voto em branco. Por tradição não costumo votar em branco (só o fiz uma vez) pelo que a questão é merece ou não o BE o meu voto?

Ainda não respondi a esta questão, mas a verdade é que têm feito um excelente trabalho como partido de oposição. Lembro perfeitamente da Ana Drago interpelar a Ministra da Educação. Ou as diversas intervenções do BE, ou mesmo a forma como o BE tem preparado novos deputados descentralizando o poder. O meu maior problema é mesmo com Francisco Louçã, alguém que admiro mas com quem não politicamente não concordo com a sua visão. Mas julgo que fará um excelente partido da oposição, muito melhor que o PSD.

Desculpa pelo longo comentário, mas queria, dentro do espaço de um comentário, fazer a descrição mais detalhada possível para compreenderes bem como alguém que votou PS chega ao voto no BE.


Vera Santana a 31 de Julho de 2009 às 11:46
Stran ,

Não ficou orfão, fugiu de casa. Tem esse direito. Bem como o de enviar postais à casa paterna (ou materna?).

Estou plenamente de acordo consigo relativamente a uma importante (a meu ver) afirmação que fez neste blogue "os fins não justificam os meios" e a uma outra que li en passant " no seu blogue, declarando-se "marginal".

Continuemos a postalar " i.e. emailar "...

Vera

Stran a 31 de Julho de 2009 às 14:58
Oi Vera,

Antes demais se me quiser tratar por "tu" esteja à vontade (para ser honesto até prefiro).

E muito obrigado pelas suas palavras.

Sim fui um fugitivo, mas que neste momento se tornou emigrante (mas o meu partido de destino não será o BE). Mas como bom emigrante guardo as minhas raizes, e obviamente enviarei sempre postais à minha excelente casa materna e paterna.

E concordo consigo na importância dessa frase. É que o fim, dá apenas o destino onde queremos chegar mas é "os meios" que nós temos que viver e conviver.

É a minha opinião pessoal obviamente, mas deveria ser um principio que norteasse a politica (ou as pessoas num todo) independentemente do partido politico.

E muito obrigado por ter passado no meu blogue e pelo que disse!

Um abraço,
Stran

P.S. Tenho de confessar existem momentos que fazem valer a pena, e o ler o seu comentário foi um desses momentos (mas sobre isso escreverei no meu blogue :-))

João Neto a 31 de Julho de 2009 às 10:35
Oh! A Eurosondagem ! A Eurosondagem !!!...

Alguém se lembra das previsões das Eurosondagem para as Europeias e dos resultados de 7 de Junho? Até acertaram nos mais de 4% de vantagem...devem é ter trocado alguma letra...


João Paulo Pedrosa a 31 de Julho de 2009 às 11:40
Agradeço os comentários, já há matéria muito interessante para responder, vou aguardar mais alguns contributos e depois procurarei responder em forma de post.
obrigado a todos

Carlos Albuquerque a 31 de Julho de 2009 às 11:42
Contributos.
Aqui deixo o meu, passando pela leitura do comentário de STRAN, pedindo-lhe, desde já, que me perdoe a intromissão.
CDS/PP, PSD, PC, MMS e MEP. Há outros mas bastam estes. Completamente de acordo. Resta a questão da “escolha política que passe pelo BE e Francisco Louça”, já que o voto em branco não é para aqui chamado. STRAN diz admirar Louçã mas não concordar com a sua visão política, julgando, contudo, que “fará um excelente partido da oposição, muito melhor que o PSD”. Deixou de admirar Sócrates e por isso lhe retira o voto, eventualmente, abrindo caminho a que “alguém muito incompetente” chegue ao poder. É-me lícito concluir que tal não o preocupa porque poderemos contar com uma excelente oposição. O problema é que será a incompetência a governar.
Só voto desde o 25 de Abril. Antes (já tenho uns anitos!) o meu exercício de soberania pautava-se pela não ida às urnas, por não querer ser cúmplice da ditadura que me asfixiava. De há duas eleições para cá o meu voto vai para o PS. Continuará a ir. Agora não quero contribuir para a entrega do poder ao PSD e à sua franja mais direitista, o CDS/PP que acabará, se lhe dermos asas, com o Estado Social que defendo e, estou certo, STRAN também. Já ouvimos, ambos, o PSD dizer que, se for necessário, suspende a democracia e, mais recentemente, que as festas dos ricos (contra os quais nada tenho) e a compra de iates (contra os quais igualmente nada tenho. Sou a favor da propriedade privada e da economia de mercado devidamente regulada), criam trabalho, geram emprego! Seria assim um mundo em que, de repente, tivéssemos todos ensandecido!
Li num dos comentários que o autor do post é da “ala direita” do PS. As “alas” pouco me importam. Quero que nos partidos haja opinião, como acontece no PS, e não seguidismo. No BE? Basta ver o que Louçã fez a Joana Amaral Dias.



Stran a 31 de Julho de 2009 às 19:09
Carlos,

Não há mesmo motivo nenhum de pedir desculpa. Pelo contrário, eu é que agradeço que o tenha feito.

Gostava por esclarecer algo porque provavelmente induziu em erro: quando escrevi "admiro" quer dizer respeito, isto é, não é algo de culto de personalidade, nem de o colocar num "pedestal" mas considero o Louçã um excelente economista, com uma enorme capacidade de análise e com uma elevada inteligência. Politicamente não concordo com as posições do mesmo.

Mas isto tem a ver com uma pessoa, e um partido não é uma pessoa, mas um conjunto de pessoas que trabalham para um fim comum. Posso não gostar das opções politicas de uma pessoa do partido mas valorizar o partido em si, pelo trabalho que teve.

"...abrindo caminho a que “alguém muito incompetente” chegue ao poder..."

É um risco que estou a tomar, mas obviamente julgo que esse risco é baixo. Eu acho, e pode ser erro meu, que alguém muito incompetente não ganha eleições. Além de que se eu votar tendo em linha de conta as decisões dos outros e se ponderar que as decisões dos outros dependem da minha, não saio de casa, pois nunca consigo resolver o problema. Por isso eu tenho que escolher activamente em quem votar. E quando faço isso corro o risco de realmente uma pessoa muito incompetente ganhar.

Mas eu não posso tomar a minha decisão por causa do medo, é um erro se o fizer. Ser-se controlado pelo medo é meio caminho andado para o erro.

E existe um outro risco, o de ganhar o BE.

São os dois riscos que tenho de ponderar até Setembro, sendo que por uma questão de principio (como expliquei anteriormente) não voto PS.

"Quero que nos partidos haja opinião, como acontece no PS, e não seguidismo."

A verdade é que no PS também existe seguidismo, embora, tenho de dar reconhecer o mérito de que é muito menos que nos outros partidos. (mas acho o BE ainda uma incognita).

Para finalizar apenas dizer duas coisas:

- julgo que em vez de continuarmos a apontar defeitos é melhor ter uma opinião mais positiva, defeitos e virtudes todos temos;

- enquanto o BE não ocupar uma posição com peso e responsabilidade (por exemplo 2º ou 3º partido), é pura especulação determinar-se qual será o comportamento do BE.


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