Por Sofia Loureiro dos Santos | Quinta-feira, 30 Julho , 2009, 22:03

 

A propósito da entrevista dada pelo Presidente do Instituto Português do Sangue, na sequência das notícias veiculadas a 17 de Julho pelos meios de comunicação, acendeu-se de novo a polémica à volta dos critérios de exclusão de dadores de sangue.

 

A transformação deste assunto em problema político, em bandeira de defesa dos direitos dos homossexuais, acusando o Instituto Português de Sangue e o seu responsável de homofobia, exigindo a sua demissão, é uma forma totalmente desfocada de olhar para a realidade.

 

Não se trata de discriminação dos comportamentos ou das escolhas de orientação sexual, trata-se de usar os meios aos dispor da comunidade científica para a redução máxima do risco de um acto médico, que tem sempre riscos, por mínimos que sejam.

 

A existência de critérios de exclusão é um meio de assegurar a quem necessita de transfusões sanguíneas o menor risco possível de contaminação por agentes infecciosos: HIV, HCV, HBC, HHV-8, HHV-2, priões, etc. Existem grupos nacionais e internacionais que analisam os vários contributos científicos em cada área, as consequências para a população, éticas, sociais e de saúde pública, e definem orientações (guidelines)  para cada caso.

 

Podem consultar-se as guidelines da Cruz Vermelha Americana que estipulam as várias circunstâncias em que as pessoas não devem doar sangue. Por exemplo qualquer pessoa que tenha recebido um transplante de dura-mater (membrana que cobre o cérebro) ou hormona de crescimento não pode dar sangue; os familiares em primeiro grau de uma pessoa com a doença de Creutzfeld-Jacob não podem dar sangue; em relação ao risco de HIV/SIDA diz o seguinte:


You should not give blood if you have AIDS or have ever had a positive HIV test, or if you have done something that puts you at risk for becoming infected with HIV.

You are at risk for getting infected if you:


- have ever used needles to take drugs, steroids, or anything not prescribed by your doctor

- are a male who has had sexual contact with another male, even once, since 1977
- have ever taken money, drugs or other payment for sex since 1977
- have had sexual contact in the past 12 months with anyone described above
- received clotting factor concentrates for a bleeding disorder such as hemophilia
- were born in, or lived in, Cameroon, Central African Republic, Chad, Congo, Equatorial Guinea,Gabon, Niger, or Nigeria, since 1977.
- since 1977, received a blood transfusion or medical treatment with a blood product in any of these countries, or
- had sex with anyone who, since 1977, was born in or lived in any of these countries.

 

Pode também consultar-se o Annual Meeting de 2008 da American Medical Association (AMA) - REPORTS OF THE COUNCIL ON SCIENCE AND PUBLIC HEALTH – que (páginas 421 e 428) faz uma revisão das guidelines actuais:
 

CONCLUSIONS (pág. 426)


Men who have had sex with men since 1977 are currently permanently deferred from blood donation. This FDA policy recommendation has generated controversy due concerns that it may be discriminatory and that it stigmatizes the MSM population. It is clear that a policy change with respect to blood donation deferral is a risk management decision wherein the risks of ntroducing additional infected units for transfusion over the current residual risk must be alanced against the benefits of increasing the pool of blood donors. Also important are ethical and societal factors, which this report does not address. Any policy decision on blood donation deferral of the MSM population must be governed by the best available scientific evidence but there are inherent weaknesses in mathemathical models used in the risk assessments on this issue that continue to generate some uncertainty. With respect to the MSM population, it appears that a policy change from a permanent lifetime deferral to a 5-year deferral following the last MSM contact may be supportable, but societal and ethical consequences must be analyzed should this decision be advanced. Such an analysis should include discussion of what society would consider acceptable risk with respect to safety of the blood supply, as that will determine to what extent a precautionary principle must be factored into any policy decision. Finally, should such a policy change occur, blood collection agencies must be marshaled to collect data that will provide actual data for future risk assessments to improve decision-making on this issue.


RECOMMENDATION (pág. 427)
The Council on Science and Public Health recommends that the following statement be adopted in lieu of Resolution 515 (A-07), and that the remainder of this report be filed:

That our American Medical Association (AMA) recognize that based on existing scientific evidence and risk assessment models, a shift to a 5-year deferral policy for blood donation from men who have sex with men is supportable.

 

Há ainda uma directiva da União Europeia (EC Directive 2004/33) que, no anexo III, define quem está permanentemente excluído de doar sangue:

 

Persons whose sexual behaviour puts them at high risk of acquiring severe infectious diseases that can be transmitted by blood.

 

Em Março de 2008 o Conselho Europeu produziu a Resolution on Donor Responsibility and Limitations of the Right to Donate Blood or its Components - Resolution CM/Res (2008)5 - que conclui que:

 

(...) the fundamental right of the patient to receive the safest possible blood overrides all other considerations, including individuals’ willingness to donate blood. This resolution was adopted by all Member States. (...)

 

Nesse mesmo documento existe uma tabela com os Estados membros que seguem o critério de exclusão de homens que têm sexo com homens (MSM) e os que não seguem, quais os motivos e quais as orientações seguidas. De um total de 27 países, 9 não seguem as guidelines (este documento é de Março de 2009).

 

 

Dar sangue não é um direito. O que é um DIREITO e DE TODOS é o de RECEBER SANGUE com a menor probabilidade possível de conter riscos infecciosos. Cabe aos organismos de saúde pública a responsabilidade de garantirem, tanto quanto os conhecimentos científicos o permitam, que quem o recebe está salvaguardado de doenças futuras, directamente relacionadas com a transfusão. Para isto existem critérios científicos que não se devem misturar com activismo político.

 

Nota: também aqui.

 

Adenda (1) (01/08/2009) - os dados e estatísticas nacionais em relação à infecção HIV/SIDA estão no site da Coordenação Nacional para a infecção HIV/SIDA, no separador documentação e informação, Infecção VIH/sida (CVEDT/INSA) - Dados VIH/sida Doc. 140 - A situação em Portugal a 31 de Dezembro de 2008.

 

Adenda (2) (01/08/2009) - usando os dados do INSA, Infecção VIH/SIDA (doc. 140), actualizados a 31/12/2008, os cálculos de incidência (em 2008) e de prevalência (de 1983 a 2008), considerando a existência de 7,5% de população homossexual (feminina e masculina) e/ou bissexual (média das referências nas sociedades ocidentais – 2 a 13%) os valores encontrados são:

  • Incidência (2008) - 6 por 100.000 habitantes na população homo/bissexual e 3 por 100.000 habitantes na população heterossexual
  • Prevalência (1983/2008) – 256 por 100.000 habitantes na população homo/bissexual e 130 por 100.000 habitantes na população heterossexual

Ou seja, existe o dobro da prevalência e da incidência da infecção VIH/SIDA na população homossexual/bissexual quando se compara com a população heterossexual.

 

Mas se considerarmos as percentagens estimadas da população homo/bissexual (2,2%) num trabalho do ICS, coordenado pelos investigadores Manuel Villaverde Cabral e Pedro Moura Ferreira, do qual fizeram parte Sofia Aboim, Duarte Vilar, Alexandre Lourenço e Raquel Lucas (já citado anteriormente), apresentado em Maio do ano passado no auditório do ICS,  com debate integrado por várias personalidades, entre as quais Miguel Vale de Almeida, a prevalência seria 874 por 100.000 e a incidência 21 por 100.000 habitantes, 7 vezes superiores aos da população heterossexual.

 

E estamos apenas a falar da infecção VIH/SIDA. Faltam as hepatites (B, C, D, …), os Herpes Vírus (HHV-8 e HHV-2), etc.

 

Adenda (3) (02/08/2009) - Agradeço à Ana Matos Pires a  chamada de atenção em relação à incorrecção da adenda 2, já corrigida, que dava como co-autor do trabalho do ICS Miguel Vale de Almeida. Aos autores e ao Miguel Vale de Almeida peço desculpa pelo erro.

 


portela menos 1 a 30 de Julho de 2009 às 22:35
pergunta(s):
já se demitiu o presidente do IPS? se não, quando vai ser demitido?
ou será que para tratar deste assunto o PS transforma-se em PSD do Largo do Rato* ?

* última página da Visão de hoje!

james a 30 de Julho de 2009 às 22:59
Mas quem é que já disse que dar sangue era um DIREITO?

Penso que a Sofia ainda veio introduzir maior ruído na comunicação quando, na verdade, a sua intenção era outra...

A.Teixeira a 30 de Julho de 2009 às 23:47
Tenho um grande interesse em vir a contar os comentários que este poste possa vir a receber que se refiram e rebatam um ou vários dos aspectos científicos da doação de sangue que foram aqui realçados.

A minha aposta é que tendencialmente serão zero. No fim far-se-ão as contas.

Vasco Rosa a 31 de Julho de 2009 às 00:09
Felicito Sofia Loureiro dos Santos pelo seu post, precisamente porque privilegia interesse público e ciência médica à estridência e ao quase histerismo gay de certo activismo político.

E felicito o Simplex por acolher esse debate que parecendo interno é afinal do interesse de todos, apoiantes ou adversários de Sócrates e do PS.

Espero que outros de dentro e de fora reconheçam o acerto da posição da Sofia e aceitem discutir um assunto tão relevante sem cederem ao sound bite de MVA e Cia. Limitada, claro.

portela menos 1 a 31 de Julho de 2009 às 00:51
(...) sem cederem ao sound bite de MVA e Cia. Limitada (...)

MVAj á deve ter começado a perceber onde se meteu!

Vasco Rosa a 31 de Julho de 2009 às 02:02
Acho que MVA obteve mais um palco para defesa das suas posições. Espero que, eleito deputado, se interesse por mais do que isso e participe de decisões úteis à nação

Apesar de antropólogo, o que lhe daria uma perspectiva privilegiada sobre muitos assuntos, reconheço que as suas intervenções públicas estão tão nitidamente focadas que tenho pouca confiança que ele vá fazer algo mais.

Um deputado deve representar a nação, não uma pequena parte dela. Por mais assanhada que seja!

Miguel Vale de Almeida a 31 de Julho de 2009 às 12:44
Esteja descansado, tratarei de outras coisas. É natural que os jornalistas me procurem mais por coisas LGBT. E, claro, tenho a minha "dama", quem não tem? Nunca ninguém se queixa quando alguém só fala de economia...

Carlos Vidal a 3 de Agosto de 2009 às 00:05
Não, Miguel Vale de Almeida, não vai fazer nada mais do que isso, isso da sua "dama", e sabe muito bem porquê: porque vai calar o que tiver a dizer sobre o que eventualmente o "ofenda". Como já está calado sobre uma questão gravíssima como o Código do Trabalho do PS - e está calado ou porque não o leu, não o conhece, ou porque com ele concorda (há "gostos" para tudo, realmente).

Pedro Morgado a 31 de Julho de 2009 às 01:33
Penso que a Sofia não leu a entrevista. Se tivesse lido teria reparado que o Presidente do IPS não usa os argumentos que aqui enuncia.

Repare nesta frase: «Quando uma pessoa se apresenta assumidamente como homossexual e quer dar sangue, eu interpreto como uma provocação.»

Isto significa que um homossexual que NUNCA tenha tido sexo com outro homem está impedido de dar sangue. Se isto não é homofobia, temos que redefinir conceitos.

A entrevista está cheia de outros exemplos homofóbicos. Acrescento que tenho vários amigos que dão sangue (eu não posso porque tive uma neoplasia hematológica) e a quem nunca foi perguntado se fazem sexo seguro.

Mais: um indivíduo homossexual em relação monogâmica há 10 anos com parceiro do mesmo sexo é excluído enquanto um indivíduo que teve 3 parceiras há 7 meses não é excluído. É preciso dizer mais alguma coisa sobre gestão do risco?

HAL_9000 a 31 de Julho de 2009 às 11:51
O que é facto, é q a população homo tem uma tx de HIV+ superior à população hetero e por isso é excluida.

Ao direito da população a ter acesso a uma transfusão de sangue o mais segura possivél, sobrepõe-se ao direito da população homo dar sangue.

Shyznogud a 31 de Julho de 2009 às 12:51
Pedro, podias continuar com os exemplo, este, por exemplo, é um mimo " Homens que foram violados, não devem ser excluídos.", como escrevi noutro sítio parece que o vírus a evitar é afinal o da "paneleirice"? É que, diz-me o bom senso, se há ocasiões em que o sexo não protegido abunda é quando estamos em presença de uma violação, ora, que eu saiba, critério maior de exclusão é ter havido relações não protegigas com um parceiro não habitual e, salvo raras excepções, o violador não é o parceiro habitual.

Pedro Morgado a 31 de Julho de 2009 às 01:35
E já que cita a comunidade científica, ficava-lhe bem reconhecer que a comunidade científica já não fala em «escolhas de orientação sexual»...

Vera Santana a 31 de Julho de 2009 às 01:51
Sofia,

Os dados científicos sobre doação de sangue e as práticas recomendadas que deles resultam - trazidos para este blogue por si - são importantíssimos para colocar a questão num locus correcto que compreende 3 momentos: a dádiva, a recolha e a recepção de sangue.

Quem recebe tem direitos, como diz. Quem recolhe tem deveres para com quem recebe e para com a sociedade. A recolha é feita com dinheiros públicos (nossos) pelo que devem ser introduzidos critérios de racionalidade capazes de diminuir os gastos.

Repito aqui o que deixei noutro espaço "virtual": seria interessante analisar o questionário passado pelo IPS aos candidatos a dadores de sangue para:

1. listar os grupos sociais e os praticantes (habituais ou esporádicos) de comportamentos de risco cujo sangue o IPS não recolhe;
2. analisar o modo como as perguntas são colocadas ao candidato a dador de sangue, no questionário português do IPS ;
3. saber como é feita a selecção dos candidatos pelos
clínicos que os entrevistam (qual é o guião da entrevista?)
4. saber se os procedimentos de triagem - a nível da recolha e da posterior análise de sangue doado - são eficazes e se os pré-requesitos (a não aceitação de sangue de pessoas com comportamentos de risco, tal como "ter mudado de parceiro sexual nos últimos 6 meses") introduzem ou podem introduzir diminuição dos custos.

Trata-se de trabalho de jornalismo de pesquisa. Alguém o quer/pode fazer? Eu não sou jornalista, a Sofia também não. Depois de estarmos na posse destes e de outros dados, poderemos equacionar a questão.

Saudações,

Vera



IPS - Instituto Pportuguês de Sangue

Sofia Loureiro dos Santos a 31 de Julho de 2009 às 21:54
Vera Santana, obrigada. Tem toda a razão.

Ana Matos Pires a 31 de Julho de 2009 às 02:52
Sofia,

percebo lindamente os seus argumentos. Acontece que a realidade do Reino unido, por exemplo, e só para citar o argumento usado pelo próprio Ministério da saúde em resposta ao João Semedo, tem uma realidade epidemiológica completamente diferente da nossa. Ora existindo dados nacionais sobre prevalência e incidência do HIV podemos - e devemos. acho eu de que - usá-los para a nossa realidade, não concorda?

Para além de tudo o mais as barbaridades e incongruências patentes na presente entrevista são de bradar aos céus! Um homem violado, tadinho , até pode dar sangue, alguém que faça sexo oral fica automaticamente excluído. God ...

E depois aquela fantástica frase do retirámos o termo homossexual por ser politicamente incorrecto mas, na verdade, continuámos a dizer a mesma coisa só me faz lembrar o Pedro Nunes a propósito das alterações do Código Deontológico...

Sofia Loureiro dos Santos a 31 de Julho de 2009 às 21:51
Ana Matos Pires

Não sei qual é a prevalência da infecção por HIV na população portuguesa. Tentei procurar estudos na internet (procurei no PUBMED ) e não os encontrei. As análises que encontrei são gerais e referem-se à Europa, indicando que Portugal é um dos países com maior prevalência de infecções. Pelo menos não estão publicados em revistas indexadas. Gostaria que mos indicasse. No entanto, mesmo existindo alguns estudos sobre a realidade portuguesa em relação à prevalência dos vários tipos de HPV , a decisão de aplicar a vacina, esta vacina (para os tipos 16 e 18) foi baseada em estudos internacionais de prevalência em várias áreas da Europa e nos EUA.
Todas as regras científicas são mutáveis, desde que haja evidência científica para as mudar.

Quanto à maior ou menor infelicidade da entrevista de Gabriel Olim , não me parece comparável a qualquer declaração que Pedro Nunes tenha feito em relação ao código deontológico.

Ana Matos Pires a 1 de Agosto de 2009 às 19:12
Olá Sofia,

De fugida aqui ficam os últimos dados da CNI VIH/Sida "A situação em Portugal a 31 de Dezembro de 2008" http://www.sida.pt/default.aspx.

Quanto á comparação Olim/Pedro Nunes, referia-me àquela coisa de "dizer o mesmo mas de forma diferente".

Um abraço,
ana

Sofia Loureiro dos Santos a 1 de Agosto de 2009 às 19:31
Ana Matos Pires

Agradeço a informação. Tinha acabado de a descobrir e já fiz uma adenda. No entanto esse relatório apenas revela os dados estatísticos, em números absolutos e percentuais, dos casos notificados em 2008, comparando-os com outros anos. Não relata as prevalências.

Por outro lado não consigo encontrar informação sobre as percentagens de homossexuais masculinos e femininos na população portuguesa, com excepção da que está no site portugal.gay e que regista dá um intervalo de 1 a 20%!!

Ana Matos Pires a 1 de Agosto de 2009 às 19:38
Sofia,

Acho que a CNI tem esses dados epidemiológicos (já os consultei mas não os encontro agora grrrrrrrrrrrrr)

Quabto à % de homossexuais... nem em Portugal nem em nenhum local do mundo eheheh

Sofia Loureiro dos Santos a 1 de Agosto de 2009 às 19:47
Encontrei um artigo num site http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=26198&op=all, que cita um estudo de 2008 (efectuado por, entre outros, Miguel Vale de Almeida, que estima homossexuais em 0,7% e bissexuais em 1,5%. Também encontrei, no site http://aphm.no.sapo.pt/a_tematicas/m-factos.html, uma estimativa internacional de 10%.

Ana Matos Pires a 1 de Agosto de 2009 às 20:03
Sim, 10% é a estimativa percentual mais amplamente usada, but... fazendo um bocadiho de humor e usando o Miguel (VA) como exemplo, a Sofia acredita que será ele o primeiro homossexual masculino a sentar-se na AR? ;-)

Sofia Loureiro dos Santos a 1 de Agosto de 2009 às 23:22
Ana Matos Pires

Usando os dados do INSA, Infecção VIH/SIDA (doc. 40), actualizados a 31/12/2009, os cálculos de incidência (em 2008) e de prevalência (de 1983 a 2008), considerando a existência de 7,5% de população homossexual (feminina e masculina) e/ou bissexual (média das referências nas sociedades ocidentais – 2 a 13% na wikipédia – homosexuality), os valores encontrados são: incidência (2008) - 6 por 100.000 habitantes na população homo/bissexual e 3 por 100.000 habitantes na população heterossexual; prevalência (1983/2008) – 256 por 100.000 habitantes na população homo/bissexual e 130 por 100.000 habitantes na população heterossexual. Ou seja, existe O DOBRO da prevalência e da incidência da infecção VIH/SIDA na população homossexual/bissexual quando se compara com a população heterossexual.

Mas se considerarmos as percentagens estimadas da população homo/bissexual (2,2%) no trabalho de que é co-autor o Miguel Vale de Almeida (que já citei mais acima), a prevalência seria 874 por 100.000 e a incidência 21 por 100.000 habitantes, SETE VEZES SUPERIORES aos da população heterossexual.

E estamos apenas a falar da infecção VIH/SIDA. Faltam as hepatites (B, C, D, …), os Herpes Vírus (HHV-8, HHV-2), etc.

Ana Matos Pires a 1 de Agosto de 2009 às 23:59
"Infecção VIH/SIDA (doc. 40), actualizados a 31/12/2009"

Há aqui um gato qq, Sofia, ainda só estamos a 1/8/2009 (eheh); não consigo descobrir o doc. 40, será que quer referir-se ao doc. 140? Ajude-me aí, palize.
ana

Sofia Loureiro dos Santos a 2 de Agosto de 2009 às 00:10
Ana Matos Pires, desculpe. Estou muito adiantada no tempo.

Claro que os dados são actualizados a 31/12/2008 e que o doc. é o 140 (www.sida.pt - documentos e informação- dados vih/sida - dados nacionais - Infecção VIH/sida (CVEDT/INSA) - Titulo: Dados VIH/sida Doc. 140 2009-05-20 - A situação em Portugal a 31 de Dezembro de 2008.

Ana Matos Pires a 2 de Agosto de 2009 às 10:31
Pronto, Sofia, acho que não vale a pena continuar esta discussão consigo. Amabas sabemos que encontrar valres de incidência e prevalência com base em "façamos um assuponhamos", como dizem os alentejanos, não é muito lícito e a Sofia sabe disso.

Já agora, e porque tenho estiam e consideração por si, sugiro-lhe que corrija de novo a segunda adenda que fez ao seu post - o Miguel Vale de Almeida esteve no painal de apresentação do trabalho que refere, não é co-autor do mesmo - aliás isso mesmo é referido no texto que linca: "O inquérito ‘Comportamentos Sexuais e a infecção HIV/Sida em Portugal’ compreendeu a realização de 3643 inquéritos num universo de indivíduos com idades entre os 16 e os 65 anos, residentes em Portugal Continental. Foi levado a cabo por uma equipa do ICS, coordenada pelos investigadores Manuel Villaverde Cabral e Pedro Moura Ferreira, e da qual fizeram parte Sofia Aboim, Duarte Vilar, Alexandre Lourenço e Raquel Lucas.

Este estudo é apresentado amanhã no auditório do ICS pelos investigadores envolvidos no projecto e inclui debates e comentários de personalidades como Francisco Allen Gomes (psiquiatra e sexólogo), Jorge Branco (presidente da Comissão Nacional da Saúde Materna e Neonatal), Henrique Barros (Coordenador Nacional para a infecção VIH/Sida) e Miguel Vale de Almeida (antropólogo)."

Nem sempre concordamos, não é grave ;-)
Um abraço,
ana

Sofia Loureiro dos Santos a 2 de Agosto de 2009 às 12:33
Ana Matos Pires

Agradeço a correcção à segunda adenda. Não funciono muito bem após uma determinada hora. Vou fazer as ditas correcções. E peço desculpa pública aos autores e a Miguel Vale de Almeida.

Concordo que não devemos fazer cálculos com base num suponhamos. Por isso mesmo é que, na minha opinião, enquanto não houver dados nacionais seguros que nos permitam mudar os critérios existentes, se devem continuar a utilizar os indicadores internacionais.

Um abraço,
Sofia

A.Teixeira a 2 de Agosto de 2009 às 15:40
O mais engraçado nesta interessante troca de uma dúzia de comentários que se processa acima entre os comentários de Ana Matos Pires (AMP) e da autora do poste, Sofia Loureiro dos Santos (SLS), é que a primeira começa por se pronunciar pela preferência por dados especificamente nacionais sobre incidência e prevalência do HIV na população:

“Ora existindo dados nacionais sobre prevalência e incidência do HIV podemos - e devemos. acho eu de que - usá-los para a nossa realidade, não concorda?” (31 de Julho, 02H52)

Mas depois reconhece que não existem números fiáveis sobre a população homossexual:

“Quanto à % de homossexuais... nem em Portugal nem em nenhum local do mundo eheheh” (1 de Agosto, 19H38)

E acaba no final por vir a dizer que, afinal, não se devem fazer cálculos de incidência e prevalência com base em estimativas

“Ambas sabemos que encontrar valores de incidência e prevalência com base em "façamos um assuponhamos", como dizem os alentejanos, não é muito lícito” (2 de Agosto, 10H31)

Ora como os cálculos para a prevalência e incidência de uma doença como o HIV numa população precisam necessariamente dos dados sobre a quantidade dessa população, resta-nos duas razões para que Ana Matos Pires se tenha começado por referir aos dados nacionais sobre a prevalência e incidência do HIV para depois mudar de opinião:

a)Por desonestidade intelectual, admitindo que Ana Matos Pires sabia que nunca se poderiam obter dados rigorosos a esse respeito

b)Por ignorância científica, admitindo que se referiu a eles de boa-fé, mas que não fazia a mínima ideia como se calcula uma prevalência ou uma incidência…

Mas é com muita satisfação que reconheço que perdi a minha aposta feita num comentário anterior (30 de Julho, 23H47), quanto à inexistência de comentários sobre qualquer um dos vários aspectos científicos da doação de sangue

Ana Matos Pires a 2 de Agosto de 2009 às 20:42
Nem uma coisa nem outra, A. Teixeira, até porque também escrevi a 1 de Agosto de 2009 às 19:38 "Acho que a CNI tem esses dados epidemiológicos (já os consultei mas não os encontro agora grrrrrrrrrrrrr)".

A.Teixeira a 2 de Agosto de 2009 às 23:43
Desculpar-me-á Ana Matos Pires, mas poder-me-á dizer se esse grrrrrrrrrr que emprega na sua citação prtende ser uma onomatopeia do ruído do seu cérebro a trabalhar naquele preciso momento?

Artur Sousa a 31 de Julho de 2009 às 04:40
Este texto é impressionante. Junta tanta palha sem ir cerne da questão:

"Persons whose sexual behaviour puts them at high risk of acquiring severe infectious diseases that can be transmitted by blood."

Pois é exactamente isso que se tem dito. Que o 'ser homossexual' não é o factor de risco. O factor de risco são os comportamentos.
Se, por exemplo, houve sexo anal desprotegido nos últimos seis meses, e esse é um comportamento de risco, então é isso que tem que ser perguntado, e não se a pessoa é homossexual. A menos que, Sofia Loureiro dos Santos nos consiga dizer um único estudo científico que nos diga que, mantendo tudo o resto constante, um homossexual apenas por ser homossexual, tem uma maior predisposição a contrair a doença...

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