portela menos 1 a 30 de Julho de 2009 às 22:35
pergunta(s):
já se demitiu o presidente do IPS? se não, quando vai ser demitido?
ou será que para tratar deste assunto o PS transforma-se em PSD do Largo do Rato* ?
* última página da Visão de hoje!
james a 30 de Julho de 2009 às 22:59
Mas quem é que já disse que dar sangue era um DIREITO?
Penso que a Sofia ainda veio introduzir maior ruído na comunicação quando, na verdade, a sua intenção era outra...
Tenho um grande interesse em vir a contar os comentários que este poste possa vir a receber que se refiram e rebatam um ou vários dos aspectos científicos da doação de sangue que foram aqui realçados.
A minha aposta é que tendencialmente serão zero. No fim far-se-ão as contas.
Vasco Rosa a 31 de Julho de 2009 às 00:09
Felicito Sofia Loureiro dos Santos pelo seu post, precisamente porque privilegia interesse público e ciência médica à estridência e ao quase histerismo gay de certo activismo político.
E felicito o Simplex por acolher esse debate que parecendo interno é afinal do interesse de todos, apoiantes ou adversários de Sócrates e do PS.
Espero que outros de dentro e de fora reconheçam o acerto da posição da Sofia e aceitem discutir um assunto tão relevante sem cederem ao sound bite de MVA e Cia. Limitada, claro.
portela menos 1 a 31 de Julho de 2009 às 00:51
(...) sem cederem ao sound bite de MVA e Cia. Limitada (...)
MVAj á deve ter começado a perceber onde se meteu!
Vasco Rosa a 31 de Julho de 2009 às 02:02
Acho que MVA obteve mais um palco para defesa das suas posições. Espero que, eleito deputado, se interesse por mais do que isso e participe de decisões úteis à nação
Apesar de antropólogo, o que lhe daria uma perspectiva privilegiada sobre muitos assuntos, reconheço que as suas intervenções públicas estão tão nitidamente focadas que tenho pouca confiança que ele vá fazer algo mais.
Um deputado deve representar a nação, não uma pequena parte dela. Por mais assanhada que seja!
Esteja descansado, tratarei de outras coisas. É natural que os jornalistas me procurem mais por coisas LGBT. E, claro, tenho a minha "dama", quem não tem? Nunca ninguém se queixa quando alguém só fala de economia...
Não, Miguel Vale de Almeida, não vai fazer nada mais do que isso, isso da sua "dama", e sabe muito bem porquê: porque vai calar o que tiver a dizer sobre o que eventualmente o "ofenda". Como já está calado sobre uma questão gravíssima como o Código do Trabalho do PS - e está calado ou porque não o leu, não o conhece, ou porque com ele concorda (há "gostos" para tudo, realmente).
Penso que a Sofia não leu a entrevista. Se tivesse lido teria reparado que o Presidente do IPS não usa os argumentos que aqui enuncia.
Repare nesta frase: «Quando uma pessoa se apresenta assumidamente como homossexual e quer dar sangue, eu interpreto como uma provocação.»
Isto significa que um homossexual que NUNCA tenha tido sexo com outro homem está impedido de dar sangue. Se isto não é homofobia, temos que redefinir conceitos.
A entrevista está cheia de outros exemplos homofóbicos. Acrescento que tenho vários amigos que dão sangue (eu não posso porque tive uma neoplasia hematológica) e a quem nunca foi perguntado se fazem sexo seguro.
Mais: um indivíduo homossexual em relação monogâmica há 10 anos com parceiro do mesmo sexo é excluído enquanto um indivíduo que teve 3 parceiras há 7 meses não é excluído. É preciso dizer mais alguma coisa sobre gestão do risco?
O que é facto, é q a população homo tem uma tx de HIV+ superior à população hetero e por isso é excluida.
Ao direito da população a ter acesso a uma transfusão de sangue o mais segura possivél, sobrepõe-se ao direito da população homo dar sangue.
Pedro, podias continuar com os exemplo, este, por exemplo, é um mimo " Homens que foram violados, não devem ser excluídos.", como escrevi noutro sítio parece que o vírus a evitar é afinal o da "paneleirice"? É que, diz-me o bom senso, se há ocasiões em que o sexo não protegido abunda é quando estamos em presença de uma violação, ora, que eu saiba, critério maior de exclusão é ter havido relações não protegigas com um parceiro não habitual e, salvo raras excepções, o violador não é o parceiro habitual.
E já que cita a comunidade científica, ficava-lhe bem reconhecer que a comunidade científica já não fala em «escolhas de orientação sexual»...
Sofia,
Os dados científicos sobre doação de sangue e as práticas recomendadas que deles resultam - trazidos para este blogue por si - são importantíssimos para colocar a questão num locus correcto que compreende 3 momentos: a dádiva, a recolha e a recepção de sangue.
Quem recebe tem direitos, como diz. Quem recolhe tem deveres para com quem recebe e para com a sociedade. A recolha é feita com dinheiros públicos (nossos) pelo que devem ser introduzidos critérios de racionalidade capazes de diminuir os gastos.
Repito aqui o que deixei noutro espaço "virtual": seria interessante analisar o questionário passado pelo IPS aos candidatos a dadores de sangue para:
1. listar os grupos sociais e os praticantes (habituais ou esporádicos) de comportamentos de risco cujo sangue o IPS não recolhe;
2. analisar o modo como as perguntas são colocadas ao candidato a dador de sangue, no questionário português do IPS ;
3. saber como é feita a selecção dos candidatos pelos
clínicos que os entrevistam (qual é o guião da entrevista?)
4. saber se os procedimentos de triagem - a nível da recolha e da posterior análise de sangue doado - são eficazes e se os pré-requesitos (a não aceitação de sangue de pessoas com comportamentos de risco, tal como "ter mudado de parceiro sexual nos últimos 6 meses") introduzem ou podem introduzir diminuição dos custos.
Trata-se de trabalho de jornalismo de pesquisa. Alguém o quer/pode fazer? Eu não sou jornalista, a Sofia também não. Depois de estarmos na posse destes e de outros dados, poderemos equacionar a questão.
Saudações,
Vera
IPS - Instituto Pportuguês de Sangue
Vera Santana, obrigada. Tem toda a razão.
Sofia,
percebo lindamente os seus argumentos. Acontece que a realidade do Reino unido, por exemplo, e só para citar o argumento usado pelo próprio Ministério da saúde em resposta ao João Semedo, tem uma realidade epidemiológica completamente diferente da nossa. Ora existindo dados nacionais sobre prevalência e incidência do HIV podemos - e devemos. acho eu de que - usá-los para a nossa realidade, não concorda?
Para além de tudo o mais as barbaridades e incongruências patentes na presente entrevista são de bradar aos céus! Um homem violado, tadinho , até pode dar sangue, alguém que faça sexo oral fica automaticamente excluído. God ...
E depois aquela fantástica frase do retirámos o termo homossexual por ser politicamente incorrecto mas, na verdade, continuámos a dizer a mesma coisa só me faz lembrar o Pedro Nunes a propósito das alterações do Código Deontológico...
Ana Matos Pires
Não sei qual é a prevalência da infecção por HIV na população portuguesa. Tentei procurar estudos na internet (procurei no PUBMED ) e não os encontrei. As análises que encontrei são gerais e referem-se à Europa, indicando que Portugal é um dos países com maior prevalência de infecções. Pelo menos não estão publicados em revistas indexadas. Gostaria que mos indicasse. No entanto, mesmo existindo alguns estudos sobre a realidade portuguesa em relação à prevalência dos vários tipos de HPV , a decisão de aplicar a vacina, esta vacina (para os tipos 16 e 18) foi baseada em estudos internacionais de prevalência em várias áreas da Europa e nos EUA.
Todas as regras científicas são mutáveis, desde que haja evidência científica para as mudar.
Quanto à maior ou menor infelicidade da entrevista de Gabriel Olim , não me parece comparável a qualquer declaração que Pedro Nunes tenha feito em relação ao código deontológico.
Olá Sofia,
De fugida aqui ficam os últimos dados da CNI VIH/Sida "A situação em Portugal a 31 de Dezembro de 2008"
http://www.sida.pt/default.aspx.
Quanto á comparação Olim/Pedro Nunes, referia-me àquela coisa de "dizer o mesmo mas de forma diferente".
Um abraço,
ana
Ana Matos Pires
Agradeço a informação. Tinha acabado de a descobrir e já fiz uma adenda. No entanto esse relatório apenas revela os dados estatísticos, em números absolutos e percentuais, dos casos notificados em 2008, comparando-os com outros anos. Não relata as prevalências.
Por outro lado não consigo encontrar informação sobre as percentagens de homossexuais masculinos e femininos na população portuguesa, com excepção da que está no site portugal.gay e que regista dá um intervalo de 1 a 20%!!
Sofia,
Acho que a CNI tem esses dados epidemiológicos (já os consultei mas não os encontro agora grrrrrrrrrrrrr)
Quabto à % de homossexuais... nem em Portugal nem em nenhum local do mundo eheheh
Sim, 10% é a estimativa percentual mais amplamente usada, but... fazendo um bocadiho de humor e usando o Miguel (VA) como exemplo, a Sofia acredita que será ele o primeiro homossexual masculino a sentar-se na AR? ;-)
Ana Matos Pires
Usando os dados do INSA, Infecção VIH/SIDA (doc. 40), actualizados a 31/12/2009, os cálculos de incidência (em 2008) e de prevalência (de 1983 a 2008), considerando a existência de 7,5% de população homossexual (feminina e masculina) e/ou bissexual (média das referências nas sociedades ocidentais – 2 a 13% na wikipédia – homosexuality), os valores encontrados são: incidência (2008) - 6 por 100.000 habitantes na população homo/bissexual e 3 por 100.000 habitantes na população heterossexual; prevalência (1983/2008) – 256 por 100.000 habitantes na população homo/bissexual e 130 por 100.000 habitantes na população heterossexual. Ou seja, existe O DOBRO da prevalência e da incidência da infecção VIH/SIDA na população homossexual/bissexual quando se compara com a população heterossexual.
Mas se considerarmos as percentagens estimadas da população homo/bissexual (2,2%) no trabalho de que é co-autor o Miguel Vale de Almeida (que já citei mais acima), a prevalência seria 874 por 100.000 e a incidência 21 por 100.000 habitantes, SETE VEZES SUPERIORES aos da população heterossexual.
E estamos apenas a falar da infecção VIH/SIDA. Faltam as hepatites (B, C, D, …), os Herpes Vírus (HHV-8, HHV-2), etc.
"Infecção VIH/SIDA (doc. 40), actualizados a 31/12/2009"
Há aqui um gato qq, Sofia, ainda só estamos a 1/8/2009 (eheh); não consigo descobrir o doc. 40, será que quer referir-se ao doc. 140? Ajude-me aí, palize.
ana
Ana Matos Pires, desculpe. Estou muito adiantada no tempo.
Claro que os dados são actualizados a 31/12/2008 e que o doc. é o 140 (www.sida.pt - documentos e informação- dados vih/sida - dados nacionais - Infecção VIH/sida (CVEDT/INSA) - Titulo: Dados VIH/sida Doc. 140 2009-05-20 - A situação em Portugal a 31 de Dezembro de 2008.
Pronto, Sofia, acho que não vale a pena continuar esta discussão consigo. Amabas sabemos que encontrar valres de incidência e prevalência com base em "façamos um assuponhamos", como dizem os alentejanos, não é muito lícito e a Sofia sabe disso.
Já agora, e porque tenho estiam e consideração por si, sugiro-lhe que corrija de novo a segunda adenda que fez ao seu post - o Miguel Vale de Almeida esteve no painal de apresentação do trabalho que refere, não é co-autor do mesmo - aliás isso mesmo é referido no texto que linca: "O inquérito ‘Comportamentos Sexuais e a infecção HIV/Sida em Portugal’ compreendeu a realização de 3643 inquéritos num universo de indivíduos com idades entre os 16 e os 65 anos, residentes em Portugal Continental. Foi levado a cabo por uma equipa do ICS, coordenada pelos investigadores Manuel Villaverde Cabral e Pedro Moura Ferreira, e da qual fizeram parte Sofia Aboim, Duarte Vilar, Alexandre Lourenço e Raquel Lucas.
Este estudo é apresentado amanhã no auditório do ICS pelos investigadores envolvidos no projecto e inclui debates e comentários de personalidades como Francisco Allen Gomes (psiquiatra e sexólogo), Jorge Branco (presidente da Comissão Nacional da Saúde Materna e Neonatal), Henrique Barros (Coordenador Nacional para a infecção VIH/Sida) e Miguel Vale de Almeida (antropólogo)."
Nem sempre concordamos, não é grave ;-)
Um abraço,
ana
Ana Matos Pires
Agradeço a correcção à segunda adenda. Não funciono muito bem após uma determinada hora. Vou fazer as ditas correcções. E peço desculpa pública aos autores e a Miguel Vale de Almeida.
Concordo que não devemos fazer cálculos com base num suponhamos. Por isso mesmo é que, na minha opinião, enquanto não houver dados nacionais seguros que nos permitam mudar os critérios existentes, se devem continuar a utilizar os indicadores internacionais.
Um abraço,
Sofia
O mais engraçado nesta interessante troca de uma dúzia de comentários que se processa acima entre os comentários de Ana Matos Pires (AMP) e da autora do poste, Sofia Loureiro dos Santos (SLS), é que a primeira começa por se pronunciar pela preferência por dados especificamente nacionais sobre incidência e prevalência do HIV na população:
“Ora existindo dados nacionais sobre prevalência e incidência do HIV podemos - e devemos. acho eu de que - usá-los para a nossa realidade, não concorda?” (31 de Julho, 02H52)
Mas depois reconhece que não existem números fiáveis sobre a população homossexual:
“Quanto à % de homossexuais... nem em Portugal nem em nenhum local do mundo eheheh” (1 de Agosto, 19H38)
E acaba no final por vir a dizer que, afinal, não se devem fazer cálculos de incidência e prevalência com base em estimativas
“Ambas sabemos que encontrar valores de incidência e prevalência com base em "façamos um assuponhamos", como dizem os alentejanos, não é muito lícito” (2 de Agosto, 10H31)
Ora como os cálculos para a prevalência e incidência de uma doença como o HIV numa população precisam necessariamente dos dados sobre a quantidade dessa população, resta-nos duas razões para que Ana Matos Pires se tenha começado por referir aos dados nacionais sobre a prevalência e incidência do HIV para depois mudar de opinião:
a)Por desonestidade intelectual, admitindo que Ana Matos Pires sabia que nunca se poderiam obter dados rigorosos a esse respeito
b)Por ignorância científica, admitindo que se referiu a eles de boa-fé, mas que não fazia a mínima ideia como se calcula uma prevalência ou uma incidência…
Mas é com muita satisfação que reconheço que perdi a minha aposta feita num comentário anterior (30 de Julho, 23H47), quanto à inexistência de comentários sobre qualquer um dos vários aspectos científicos da doação de sangue
Nem uma coisa nem outra, A. Teixeira, até porque também escrevi a 1 de Agosto de 2009 às 19:38 "Acho que a CNI tem esses dados epidemiológicos (já os consultei mas não os encontro agora grrrrrrrrrrrrr)".
Desculpar-me-á Ana Matos Pires, mas poder-me-á dizer se esse grrrrrrrrrr que emprega na sua citação prtende ser uma onomatopeia do ruído do seu cérebro a trabalhar naquele preciso momento?
Este texto é impressionante. Junta tanta palha sem ir cerne da questão:
"Persons whose sexual behaviour puts them at high risk of acquiring severe infectious diseases that can be transmitted by blood."
Pois é exactamente isso que se tem dito. Que o 'ser homossexual' não é o factor de risco. O factor de risco são os comportamentos.
Se, por exemplo, houve sexo anal desprotegido nos últimos seis meses, e esse é um comportamento de risco, então é isso que tem que ser perguntado, e não se a pessoa é homossexual. A menos que, Sofia Loureiro dos Santos nos consiga dizer um único estudo científico que nos diga que, mantendo tudo o resto constante, um homossexual apenas por ser homossexual, tem uma maior predisposição a contrair a doença...
Cumprimentos