Por João Paulo Pedrosa | Quarta-feira, 29 Julho , 2009, 00:14

Ainda há bem pouco tempo, esperar  por uma consulta num centro de saúde  não era muito diferente daquilo que se passa em qualquer país do terceiro mundo.  Era preciso passar a noite inteira à porta do centro e, com muita sorte, alcançar uma consulta médica. 

 Com a reforma dos cuidados de saúde primários, mais de 200 mil pessoas passaram a beneficiar,  o que não acontecia, de  médicos de família. Mas mais, passaram a utilizar o SNS, com a criação das Unidades de Saúde Familiar, através de consultas ora programadas, ora no próprio dia.

A criação das USF, ou seja, melhor dito, a organização do funcionamento dos centros de saúde em função dos doentes, é o maior ganho nos cuidados de saúde desde a criação do SNS.

O BE, tal como toda a direita, foi contra esta decisiva reforma do sistema público de saúde.

Há, agora, à esquerda do PS, alguém que pense que se pode voltar para trás?

Não creio! O caminho a seguir é completar a rede de USF a todo o país e redimensionar a concentração escandalosa, dispendiosa e improdutiva de recursos  médicos de especialidade nos grandes hospitais públicos.

 

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Rita Sezardini Graça a 29 de Julho de 2009 às 01:08
Pois, agora já nem esperam: em muitas aldeias e vilas já nem há médico de família.
Coisa escrita por um pequeno funcionário de mangas de alpaca. Vale-lhe mais um pontito na escala.

João Paulo Pedrosa a 29 de Julho de 2009 às 11:03
cara Rita, vá, não precisa de se zangar...
você diz, "já nem têm médico de família" , mas alguma vez tiveram?

António da Costa a 29 de Julho de 2009 às 10:06
O que melhoraram nos grandes centros pioraram nas vilas e aldeias de pequena dimensão onde a grande maioria da população são idosos com parcas reformas e que para irem ao médico têm de fazer mais de 20 Km.

João Paulo Pedrosa a 29 de Julho de 2009 às 11:19
caro António, isso carece de demonstração, como deve saber é nos grandes centros que há carência de médicos de família e não nos meios rurais, há, no interior do país sap a funcionar 24 h por dia com a média de 1 utente/ano e tb para a grandes distâncias há já hoje boas soluções com a ajuda das autarquias

Rita Sezardini Graça a 29 de Julho de 2009 às 12:08
Não há carência de médicos nos "meios rurais"? Já não há "meios rurais". Há aldeias envelhecidas e empobrecidas nas quais há desgraçados que não têm médico há meses, e em alguns casos há anos.
Isto o aparelhito não lhe ensina, pois não?

João Paulo Pedrosa a 29 de Julho de 2009 às 12:44
vejo que continua zangada, cara rita, mas ainda assim deixe-me dizer-lhe que vivo em meio rural, tenho casa onde permanentemente cheira a bosta de vaca e que, ainda assim, conheço bem o meio, agradeço a sua boa vontade em me querer ensinar isso

António da Costa a 1 de Agosto de 2009 às 17:52
João Paulo

Você mora onde? eu estou a falar no interior nas beiras em trás-os-montes aquilo que diz existe nas situações que apareceram nas televisões mas isso não é norma é a excepção.

ana a 29 de Julho de 2009 às 13:01
"são idosos com parcas reformas e que para irem ao médico têm de fazer mais de 20 Km ."
E antes faziam quantos? 15? Queria um centro de saúde em cada monte? Conheço zonas de interior em que as autarquias (sim, aquelas que não fazem só rotundas) providenciam transporte para consultas e fisioterapia. Vá lá perguntar aos velhotes se querem transporte à porta ou preferem ir a pé por caminhos de cabras, por muito próximo que esteja o centro de saúde. Aproveite e pergunte também àquelas mulheres de elvas que faziam manifestações espontâneas à porta da maternidade se não gostaram de ir ter os filhos a espanha . Por que razão a comunicação social, tão lesta na altura em ouvir as contestatárias, não vai agora pedir-lhes a opinião?

António da Costa a 1 de Agosto de 2009 às 17:49
A Ana parece um daqueles políticos a quem lhe " pisaram os calos", Ana não se "amofine" olhe o coração a hipertensão o colesterol e outras coisas.

Eu conheço, eu sei, eu posso provar-lhe que foram fechados centros médicos que disponibilizavam serviços de proximidade a aldeias, os idosos, porque são aldeias envelhecidas, não faziam 15 nem 10 nem 5 nem 3 nem 2 nem1 km o centro médico estava ali o médico ia lá 1 ou 2 ou 3 vezes por semana.

António da Costa a 3 de Agosto de 2009 às 22:29
Vem hoje no Publico

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1394443&idCanal=62

Carlos Albuquerque a 29 de Julho de 2009 às 12:33
Há mais de dois anos que não tenho médico de família. O que havia reformou-se e o substituto não aparece. Tentei (e tento) a USF mais próxima mas não há vagas!
Resultado: consultas a privados e, de seguida, a corrida ao Centro de Saúde para que me passem os exames pedidos. Por algumas das credenciais, quando se trata de exames mais dispendiosos, como uma TAC, por exemplo, chego a esperar mais de uma semana! Isto para não falar da relutância com que algumas clínicas aceitam as credenciais do SNS.
Algo não bate bem!

João Paulo Pedrosa a 29 de Julho de 2009 às 12:47
como vê as USF revolveriam o problema, já o resolveram a 200 mil, esperamos que o possam vir a resolver em breve, caso o PS ganhe as eleições, como é óbvio :)

Isaura Martinho a 29 de Julho de 2009 às 14:09

Como técnica de saúde a> não posso deixar de comentar este post .
A reforma dos cuidados primários é tão necessária como o pão para a boca. Este governo começou essa reforma mas está ainda aquém das necessidades. Não se deve á falta de vontade politica mas sim, em parte, á falta de recursos humanos. Temos pois que formar mais médicos coisa que ,como todos sabem, tem sido um boicote permanente.
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<BR>Como técnica de saúde a&gt; não posso deixar de comentar este post . <BR>A reforma dos cuidados primários é tão necessária como o pão para a boca. Este governo começou essa reforma mas está ainda aquém das necessidades. Não se deve á falta de vontade politica mas sim, em parte, á falta de recursos humanos. Temos pois que formar mais médicos coisa que ,como todos sabem, tem sido um boicote permanente. <BR class=incorrect <a name="incorrect">Óbviamente</A> que há falta de médicos em todo o país mas principalmente no interior. É sabido que as especialidades medicas concentram-se nos grandes centros. Também sabemos que os recursos do nosso país são escassos e por isso é preciso rentabilizar-tos . Este governo fechou varias unidades de saúde a&gt; que tinham que ser fechadas mas as razões não foram devidamente explicadas á população. O desgaste foi tanto que levou á demissão do Correia de Campos. <BR class=incorrect <a name="incorrect">Alguem</A> escreveu neste post que demorava muito para ter uma TAC etc etc . Tudo bem mas não podemos esquecer que em país nenhum se gasta tanto em MCD. Por tudo e por nada se faz uma "chapa". Um pezinho torcido leve logo a uma urgência hospitalar e um RX e se calhar uma RM . <BR>Temos que ter consciência que o Serviço Nacional de Saúde é um bem inestimável mas também não devemos esquecer que pode entrar em colapso. <BR>Tanta coisa para falar sobre saúde a&gt; ................

João Paulo Pedrosa a 29 de Julho de 2009 às 14:45
obrigado Isaura, partilho da sua reflexão, volte sempre

Carlos Albuquerque a 29 de Julho de 2009 às 13:03
As USF resolveriam...mas não resolveram. Ao que lá me disseram, talvez daqui a um ano! No Centro de Saúde, ainda pior quanto a médico de família. O que eu quero é que se dê a volta a isto, com empenhamento e olhar atento, indo mais longe do que já se foi. Quanto às eleições, meu caro, claro que o PS as vai ganhar. Torço por isso, caramba!

João Paulo Pedrosa a 29 de Julho de 2009 às 14:44
Caro Carlos, estamos de acordo. as USF resolveram o problema a 200 mil pessoas, agora é necessário ir mais além, o PSD não pretende nada disto, como sabe, e é essa informação que é necessário dar às pessoas
volte sempre

Maria Neves a 29 de Julho de 2009 às 16:16
E onde vão arranjar médicos? Do Uruguai? Podemos agradecer aos politicos muito competentes do PS/PSD (vira o disco e toca o mesmo) que cederam aos interesses da classe médica. Coitadinhos estão muito preocupados porque se à muitos médicos ficam no desemprego, muita concorrência e os já instalados podem ficar sem os tachos usuais. E em outras profissões também não existe desemprego? Estes politicos deviam era ter proporcionado a formação de muitos médicos, pois o mercado dos países lusófonos é enorme e até era uma acção humanitária. Enfim, quem é que pode confiar nesta gente que só liga aos interesses económicos, esquece a ética e o interesse público...e não vê o caminho para além dos passos.

João Paulo Pedrosa a 29 de Julho de 2009 às 17:00
cara Maria Neves, vou ver se lhe arranjo um gráfico que nos mostra o número de alunos que entraram em medicina nos últimos 30 anos e esse gráfico é bem demonstrativo. O ano em que entraram menos (cerca de 200) foi em meados da década de 80 com Cavaco Silva, nestes último anos de governação PS o número vai quase nos 2000, uma enorme diferença.

Isaura Martinho a 29 de Julho de 2009 às 22:49
É verdade que os governos socialistas criram mais vagas para medicina. Não chega. E se tivermos que recorrer a profissionais do Uruguai ou outro sitio qualquer é-me indiferente. Só sei que o PS tem que marcar a diferença e focar-se nas pessoas e na forma de melhorar a qualdidade de vida dessas mesmas pessoas

horacio lima a 29 de Julho de 2009 às 19:44
Sr João Paulo Pedrosa há quanto tempo não vai a um centro se saúde ou então CSI ou USF como pomposamente se chamam agora? O sr deve ser um daqueles com seguro de saude que nunca põe os pés num serviço publico. Porque cresceram os hospitais privados nos ultimos anos? Eu respondo: pk a qualidade dos serviços publicos baixou.

Isaura Martinho a 29 de Julho de 2009 às 22:43

Permita-me que discorde de si porque não é totalmente verdade aquilo que acabou de afirmar. No nosso sistema de saude há serviço publico e o serviço privado e ambos funcionam em paralelo e é indiferente quem presta o serviço desde que seja de qualidade. Como defensora do SNS luto para que os meus impostos sejam devidamente aproveitados. E sendo beneficiaria de outro sub sistema a minha primeira escolha é o sns. E nunca tive problemas em lado nenhum. Sei que quando recorro a uma urgencia ( felizmente vou pouco pq sou uma menina saudavel) vou ter que esperar 3 h pelas analises e mais 2 para ser atendida. Esta demora não é explicada ás pessoas mas efectivamente o resultado duma analise pode demorar 3 ou mais horas. Aqui entra a falta de humanização dos serviços que é uma lacuna.
Antes de criticar aquilo que é nosso devemos olhar para o que se passa nos EUA onde quem não tem seguro morre.
Vamos reclamar os nossos direitos mas também os nossos deveres .

João Paulo Pedrosa a 30 de Julho de 2009 às 01:45
caro horácio, claro que vou aos centros de saúde e não lhe posso dar mais argumentos a esse respeito pq há aqui uns patrulheiros que se eu digo algo de pessoal nos comentários me acusam logo de usar o argumento de autoridade. tb não sei como é que se podem usar argumentos desta natureza se não se conhecerem as realidades, enfim...Olhe que não, olhe que não, os hospitais privados estão a fechar e vão ainda fechar mais alguns nos próximos tempo, esteja atento

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