Por Porfírio Silva | Domingo, 20 Setembro , 2009, 09:14

Depois de, na passada sexta-feira, ter vindo a público informação relevante sobre a "inventona das escutas", indiciando, por um lado, a existência de comportamentos reprováveis de assessores poderosos em Belém (e, talvez, também do próprio PR), e, por outro lado, um comportamento desajustado do jornal Público nesse caso - veio o director desse mesmo Público dar em directo perante o país um degradante espectáculo da sua irresponsabilidade.

De facto, o sr. Fernandes, visto estar a tornar-se impossível esconder os métodos daquilo que, nas palavras do Provedor do Leitor do próprio Público, será "a agenda política oculta" desse periódico, decide-se pelo processo da lama na ventoinha para tentar disfarçar. Entre outras pérolas dessa sexta-feira negra, o sr. Fernandes lança a ideia de que as notícias que não lhe convinham teriam origem numa acção dos "serviços secretos" "controlados" pelo governo. Ainda no próprio dia teve de engolir a graça e reconhecer que isso não tinha qualquer fundamento. Mas entretanto já tinha anunciado que iria fazer uma auditoria às comunicações da empresa para apurar da putativa intrusão.

Seguindo o método muito em voga nos últimos tempos - pelo qual os dirigentes políticos da oposição se prestam a dar a benção a qualquer atoarda que lhes pareça servir para denegrir José Sócrates, o governo ou o PS - Manuela Ferreira Leite e Jerónimo de Sousa fazem declarações em que a irresponsabilidade leva a palma à pura demagogia. O líder dos comunistas fala da governamentalização dos serviços de informações, assim dando cobertura vermelha ao dislate. A líder do partido de Jardim e Preto declara-se mais ou menos aterrorizada com um país onde directores de jornais são espiados. Pura pirueta de inversão das questões - mas confia-se em que os portugueses não percebam nada de lógica e não topem essa minudência.

Pelo meu lado, cá no meu cantinho, a questão política essencial parecia-me outra: como é que o país removerá um PR que venha a ser identificado como tendo encomendado uma operação clandestina e desleal contra outro órgão de soberania? Sou destas coisas: interessa-me o funcionamento das instituições...

Ao mesmo tempo, e sobre a específica atoarda do sr. Fernandes acerca da espionagem e a auditoria às comunicações que pretendia fazer para dela apurar, continuava eu a cismar no meu cantinho (desta vez no Twitter): Inventona das escutas: o sr. Fernandes já pediu uma auditoria às comunicações da empresa. É para saber quem deixou fugir a informação?

Talvez isso tenha parecido tonto a alguns.

Entretanto, hoje de manhã cedo leio que  Joaquim Vieira, Provedor do leitor do Público, escreve nesse jornal: "Na sexta-feira, o provedor tomou conhecimento de que a sua correspondência electrónica, assim como a de jornalista deste diário, fora vasculhada sem aviso prévio pelos responsáveis do PÚBLICO (certamente com a ajuda de técnicos informáticos), tendo estes procedido à detecção de envios e reenvios de e-mails entre membros da equipa do jornal (e presume-se que também de e para o exterior)."

Afinal, aquela minha tola suspeita tinha sentido. Há mesmo espionagem, há mesmo quem espiolhe os outros - mas esses actos têm como autores os que mais berram contra eles.

O senhor Jerónimo e a doutora Manuela são esperados na reunião da coligação negativa, esse encontro permanente de "esquerda" e "direita" com o único fito de atacar o PS, para dizerem umas palavras sobre estes métodos de asfixa democrática. Afinal, quem muito fala desses métodos sabe do que fala. Por ter a mão na massa. Pelo menos, pelos vistos, no caso do sr. Fernandes.

 

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