Por Tiago Julião Neves | Sábado, 19 Setembro , 2009, 00:37

“Current trends in energy supply and consumption are patently unsustainable – environmentally, economically and socially – they can and must be altered”.

 

A frase não é de um ecologista radical, mas do director executivo da Agência Internacional de Energia no lançamento do World Energy Outlook 2008. Nobuo Tanaka e a publicação de referência da AIE anunciam o que muitos sabem, mas poucos parecem aceitar, que o tempo do desperdício energético está a chegar ao fim.

 

O crescimento económico e demográfico das economias emergentes, da Índia ao Brasil, agravou a pressão sobre recursos cada vez mais escassos e fez disparar a procura mundial de energia. A oferta responde e na China o crescimento anual da produção de electricidade apenas, equivale a inaugurar duas centrais por semana.


 


Antes da crise e do arrefecimento da economia mundial, uma procura em alta, a guerra do Iraque e a instabilidade na Nigéria e na Venezuela levaram o preço do barril quase aos 144 USD (30-06-2008). Hoje o barril ronda os 70 USD, mas a benesse é temporária e fruto da recessão. Já o problema é estrutural e com a retoma  da economia mundial regressaremos a uma situação de procura crescente e oferta em esforço. A proximidade do Peak-Oil é indesmentível e o bom senso recomenda o desenvolvimento urgente de alternativas em larga escala.

 

 

Quem não o fizer estará mais exposto às variações do preço do petróleo e a sua economia sofrerá consequências mais graves no período pós-Peak-Oil, quer ao nível da inflação induzida (subida geral dos preços provocada pelo aumento do preço do petróleo e das matérias primas), quer ao nível do agravamento da balança de pagamentos.

 

No entanto ainda há quem deposite uma confiança cega nas benesses do comércio internacional e argumente que comprar gás aos oligarcas russos ad eternum é uma óptima solução. Ethical considerations aside este negócio é sempre bom para os russos e só não é ruinoso para Portugal enquanto os preços forem baixos (fim anunciado) e não houver problemas de abastecimento relacionados com a geopolítica da região.


As energias renováveis são atacadas frequentemente devido aos prémios pagos aos produtores de energia verde. Evidentemente a magnitude e a duração dos apoios devem ser revistos periodicamente para evitar a criação de rendas e o aparecimento de lobbies que procuram condicionar as politicas públicas. Mas não sejamos ingénuos, os lobbies do petróleo, carvão e nuclear são muito mais poderosos e prejudiciais. A crítica à subsidiação das energias renováveis é míope quando ignora:

  1. Décadas de subsidiação às energias convencionais através dos nossos impostos no passado, no presente e infelizmente também no futuro (descontaminação do planeta, recuperação dos ecossistemas e combate às alterações climáticas);

  2. Preço dos combustíveis fósseis e da energia convencional não reflectem todas as externalidades ambientais negativas (emissões, poluição ar, da água e dos solos) associadas à sua produção e consumo;
  3. O custo de oportunidade da depredação dos combustíveis fósseis está subavaliado porque a valorização das gerações futuras praticamente não é tida em conta nos preços actuais. Queimar a matéria-prima da nossa civilização à razão de 1 euro/litro não deve parecer bom negócio visto de 2100;
  4. A criação de clusters tecnológicos de elevado valor acrescentado, geradores de emprego e com potencial exportador como o Cluster Eólico Português;
  5. O desenvolvimento de projectos pioneiros, por exemplo na área da energia das ondas e marés, onde após um projecto de demonstração nos Açores, Portugal lançou o primeiro projecto comercial a nível mundial em Viana do Castelo. Apesar de amplamente elogiado na imprensa internacional, dificuldades financeiras do consórcio explorador obrigaram à suspensão do projecto, mas a filosofia de trial and error está correcta e deve ser mantida;
  6. Sinergias com outros projectos de elevado interesse estratégico como é o caso da rede nacional de mobilidade eléctrica;
  7. Os efeitos positivos ao nível da balança de pagamentos.

 

Gro Harlem Brundtland, ex-primeira ministra norueguesa e coordenadora do Brundtland Report (conhecido por Our Common Future, o mais conhecido documento sobre Desenvolvimento Sustentável) disse hoje o seguinte, no âmbito do Greenfest no Estoril: “Se eu fosse assessora do Governo português, não aconselharia a construção de uma central nuclear. Aconselharia o investimento em energias renováveis e eficiência energética”

 

Apoiar as energias renováveis além de ser a melhor solução a nível económico, social e ambiental, é também a solução mais justa em termos de diálogo norte-sul ou de equidade inter-geracional. Estamos a escolher entre um modelo de desenvolvimento que reconhece a existência de limites e outro que os ignora apesar destes serem cada vez mais visíveis.

 


Enrique a 21 de Setembro de 2009 às 13:58
O nosso modelo de crescimento é insustentável. Só não o vê e só não o sabe quem não pode ou não quer. No famoso livro Colapso, de Jared Diamond (estou agora a ler Armas, aço e germes, prémio Pulitzer), o autor propõe no epílogo uma medida que faria mais que muitos milhares de parques eólicos, carros eléctricos e ecopontos juntos: um filho por família. O problema principal é que somos muitos, cada vez mais, e por isso temso de produzir cada vez mais, consumimos cada vez mais, etc. Uma espiral frenética, infernal: insustentável mesmo. Se incentivarmos um filho por família, a redução demográfica seria mais eficaz que a maioria das medidas debatidas no G20, na AG da ONU, etc. Como não será tão fácil nem tão rápida a implementação do modelo unigénito (mas alguém terá de ser o primeiro, alguém terá de dar exemplo), é urgente também que nos habituemos a aceitar um cabaz de soluções energéticas com futuro. As renováveis tem potencial para abastecer milhares de vezes as necessidades dos humanos. Milhares de vezes, e não sou eu que o digo, mas sim os estudos que encontrei a cada vez que tive de trabalhar estas matérias (em trablahos de jornalismo ambiental). Com a geotermia e a energia solar seria mais do que suficiente. O nuclear, como diz Soromenho-Marques (da Gulbenkian), é um falso debate. Esta semana vou falar com Bjorn Lomborg, do Copenhagen Consensus Center... um tipo que defende a engenharia climática como solução urgente (e barata) para combater o aquecimento global. Medo. Depois conto como correu. Força aí nesses posts, dom Tiago. Um abraço, Quique

Tiago Julião Neves a 21 de Setembro de 2009 às 15:38
Obrigado Enrique,

O Lomborg é um impostor eloquente, e como 99% das pessoas não tem bagagem científica para questionar o que escreve, acaba por passar nos media como um tipo ponderado e conhecedor. Se leres o "Cool It" ou o "Skeptical Environmentalist" até concordas com muito do que lá vem, porque obviamente nem tudo são distorções e ele sabe vender o peixe. É o adepto das soluções fáceis e da crença ilimitada na tecnologia, música para os ouvidos dos think-tanks neoliberais que o financiam e para a enorme maioria das pessoas porque funciona como um ansiolítico em tempos conturbados.

Um filho por casal, Livra!!!
Sou contra por vários motivos desde a liberdade individual, ao facto dos filhos únicos serem uns grandes mimados :) como tu meu caro bem saberás. Não te esqueças que um casal em Angola com 3 filhos gasta muito provavelmente metade dos recursos de um celibatário norte-americano. Acresce que nem todos devemos ter filhos, é preciso estrutura psicológica e rede de suporte que infelizmente são aspectos ignorados por muita gente. Ter filhos não é uma leviandade nem deve ser alvo de uma quota tamagotchi, a quantidade de pais que não o merecem ser é que é muito elevada e essa sim devia ser reduzida.

A China faz isso desde 1979 com efeitos graves em termos demográficos, psicológicos e sociais, além de incentivar terríveis comportamentos criminosos. Quando o meu Pai era oficial do exército português em Goa, também havia políticas da União Indiana para controlo de população, e ofereciam um rádio aos homens que aceitassem ser esterilizados. Eu prefiro outra música.

A capacidade de carga do planeta é bem superior aos 6 biliões actuais (apesar de ao domingo na Caparica não parecer), andará pelos 14 milhões. A questão é que o consumo supérfluo e o perpetual upgrade no mundo ocidental são doutrinas sagradas. As regras do comércio internacional são uma desgraça para os países pobres que tem de combater políticas de subsídios com décadas dos EUA e Europa (estilo PAC que lixa os contribuintes europeus e os agricultores do resto do mundo).

Imagina 10 biliões de vegetarianos (ok bife ao fds) a ir de bicicleta para o trabalho, a viajar de comboio nas férias, e uma sociedade onde os produtos tivessem de ter garantias de durabilidade e environmental conformity bem maiores que as actuais. Gastaria de certeza muito menos recursos que os 6 biliões actuais, por isso penso que precisamos de políticas públicas boas e consistentes como de pão para a boca, mas essa não é uma delas.

Grande abraço

Enrique a 21 de Setembro de 2009 às 21:13
Incentivar um filho por casal não implica a esterilização de ninguém! Equiparar filhos únicos a desequilibrados criminosos parece-me um exagero: pelo contrário, os pais teriam mais tempo e energia para dar todas as atenções, e a solidão do filho resolve-se socializando: na escola, na vizinhança, etc. E não somos seis nem sete biliões, mas sim quase sete mil milhões de habitantes no planeta. Pareces muito seguro quando dizes que cabemos 14, mas o facto é que já somos muitos e alguma vez teremos de pensar em travar, não? Ou esperas chegar aos 14 e cortas por decreto? Guilhotina, talvez?

Tiago Julião Neves a 22 de Setembro de 2009 às 00:27
Sobre a lei na China, os criminosos não são os filhos únicos obviamente, são os Pais que matam as filhas. Sobre isto e o desequilíbrio entre sexos lê:

Journal of Medical Ethics
http://jme.bmj.com/cgi/content/extract/30/4/358-a

NBC
http://www.msnbc.msn.com/id/5953508

GENDERCIDE WATCH
http://www.gendercide.org/case_infanticide.html

"the number of "missing" women showed a sharp upward trend in the 1980s, linked by almost all scholars to the "one-child policy" introduced by the Chinese government in 1979 to control spiralling population growth. Couples are penalized by wage-cuts and reduced access to social services when children are born "outside the plan." Johansson and Nygren found that while "sex ratios [were] generally within or fairly near the expected range of 105 to 106 boys per 100 girls for live births within the plan ... they are, in contrast, clearly far above normal for children born outside the plan, even as high as 115 to 118 for 1984-87. That the phenomenon of missing girls in China in the 1980s is related to the government's population policy is thus conclusively shown." (Sten Johansson and Ola Nygren, "The Missing Girls of China: A New Demographic Account," Population and Development Review, 17: 1 [March 1991], pp. 40-41.)"

Tiago Julião Neves a 22 de Setembro de 2009 às 00:30
Enrique eu não tenho nada contra os filhos únicos, estava a gozar por causa da S., mas penso que é preferível uma socialização precoce com várias crianças que como dizes pode ser feita em sociedade. O problema é que a família extensa e a proximidade entre vizinhos quase não existem na sociedade actual.

Atenção à matemática, porque somos mesmo 6 ou 7 biliões porque 6x10^9 = seis biliões = seis mil milhões
"In modern (short scale) English language usage, it is usually called a billion (although in many other languages and long scale usage, a billion means 1,000,000,000,000 - a million millions)."

Não estou nada seguro, estou a citar de cor, mas os estudos que já vi davam esse valor tomando como base consumo médio per capita dos recursos naturais disponíveis no Planeta, assumindo um comportamento mais verde do que o actual. Neste momento estamos claramente em over-shooting, mas lê o meu segundo post sobre limites do crescimento http://simplex.blogs.sapo.pt/295104.html, estão lá links sobre steady-state que talvez te interessem, quiça para uma reportagem dia 25 Set vê aqui http://www.footprintnetwork.org/en/index.php/GFN/page/earth_overshoot_day_media
Ab

Guilhotina não porque não gosto do barulho e acabaram-se os cestos. Mas o modelo chinês nunca e se pensares bem 2 filhos por casal nem sequer assegura a reposição da geração anterior.

Ab

José M. Sousa a 21 de Setembro de 2009 às 23:08
Não me parece que Jared Diamond recomende em Colapso a política de filho único. No último capítulo do livro não há nenhuma recomendação desse tipo. Uma média de 2 filhos por casal é suficiente para obter uma redução da população. A política de filho único na China não é propriamente um sucesso.
De qualquer modo, o problema, como aliás refere Jared Diamond, é População * recursos consumidos per capita. Há aqui dois factores. E este último é o principal problema, sobretudo por causa dos países industrializados.
Basta olhar para a pegada ecológica pelo mundo fora:
http://www.footprintnetwork.org/en/index.php/GFN/page/footprint_for_nations
Ver país a país.
Ler este artigo sobre o assunto: http://climateandcapitalism.com/?p=689


Vera Santana a 22 de Setembro de 2009 às 00:57
Brincando, parece que escolha vai ser entre bifes e filhos. Ou comemos apenas um bife por semana ou temos apenas um filho para a vida. 5 mil bifes ou um filho / por pessoa / vida.

Brinco porque o caso está muito sério. O do Planeta. E não só. Brincando à superfície mantém-se (mais facilmente) a sanidade nas profundezas da alma.

Vera Santana a 22 de Setembro de 2009 às 14:13
No topo da factura da EDP vem escrito o seguinte:

A electricidade facturada foi produzida a partir das seguintes fontes de energia:

Hídrica - 9,1%
Carvão - 22,2%
Gás Natural - 35,7%
Fuel - 1,6%
Nuclear - 7,1%
Hídrica PRE - 0,3%
Eólica - 13,6%
Cogeração e microprodução PRE - 8,2%
Outras - 2,2%

Alguém quer comentar?

António a 23 de Setembro de 2009 às 09:56
à informação sobre as fontes de produção de energia eléctrica evidenciada nas facturas de qualquer fornecedor chama-se «rotulagem» da electricidade

vamos à rotulagem

(mas... o tema dos filhos por casal é o mais interessante deste post, sendo que merecia a indagação básica "defina filhos" e "defina casal" já para não falar em "defina por"... mas sempre é falar de incentivar a ter filhos, o que já vinha na Bíblia apesar da noção de limites quantitativos nesse tema ter chegado à discussão algo mais adiante! e adiante...)

pois a rotulagem da electricidade é um excelente produto das bem pensantes cabeças comunitárias e das igualmente bem intencionadas cabeças transpositoras para o ordenamento interno de todo o aparato normativo produzido pelo rolo UEcompressor

de modo que, a nossa ERSE (entidade reguladora dos serviços energéticos, que em Portugal tem a obrigação de regular as actividades económicas dos sectores da electricidade e do gás natural) definiu a forma como os comercializadores de energia eléctrica (by the way, livremente escolhidos pelos consumidores) devem exprimir, nas facturas que apresentam aos seus clientes

ou seja, há um conjunto de regras e factores publicados pela ERSE e que os comercializadores de electricidade são obrigados a seguir, sendo os resultados monitorados pela ERSE

funcionamento básico da coisa: os comercializadores de electricidade, para terem a energia que fornecem aos seus clientes, têm que se abastecer, pelo que adquirem electricidade a um ou mais produtores ou em mercado, diário ou a prazo

em Portugal, o mercado diário é o OMEL (sim, a energia eléctrica que utilizamos é transaccionada em Madrid) que é uma plataforma onde os produtores de electricidade de Portugal e Espanha colocam a sua produção e onde os comercializadores de electricidade adquirem a energia para fornecerem aos seus clientes - embora o mercado seja diário, a energia é (para simplificar) adquirida com um dia de antecedência, essencialmente, sendo depois no próprio dia ajustada em mercado intradiário - isto porque a electricidade não é armazenável, oops ! pelo que as quantidades produzidas têm que coincidir com as quantidades consumidas, enfim, uma especificidade do sector e deste estranho produto que é a luz da electricidade, eh eh ...

e produtores e comercializadores também transaccionam electricidade em mercados a prazo (forward, para melhor compreensão de todos) que no caso de Portugal e Espanha é o OMIP, em Lisboa, havendo também leilões de capacidade e de quantidade numa diversidade que esta breve conversa ao pode bem dispensar

então, a proveniência a electricidade que utilizamos quando acendemos a luz do hall de entrada ou a que faz funcionar o frigorífico, é determinável com recurso a alguma abstracção: é tentar saber, em cada período considerado (dia, mês, trimestre, ano, etc, tendo a escolha recaído em actualizações trimestrais, também para simplificar) qual o somatório de mercados a que um comercializador recorreu para se abastecer, de modo a poder fornecer os seus clientes) e, em cada mercado, qual o somatório das instalações de produção que nele colocaram a sua energia

simples?

por isso consumimos uma quantidade variável de energia nuclear (energia eléctrica produzida em centrais termoeléctricas a tecnologia e combustível nuclear) e assim vem rotulado nas facturas emitidas por todos os comercializadores

nas contas deveria entrar também a electricidade importada, isto é, a proveniente de França e, eventualmente, de Marrocos - como Portugal e Espanha funcionam em mercado, o MIBEL, para este efeito não há propriamente importação nem exportação, é tudo energia que acorre aos mercados

é certo que podemos fazer as nossas próprias contas, com base nos dados disponibilizados pelos mercados (OMEL, OMIP, leilões) e tentar aferir do grau de aproximação à realidade da metodologia definida, em dado momento, pela ERSE - e cada um acredita nas suas "contabilidades" mais ou menos que nas "contabilidades" alheias - pode também fazer-se uma média e apostar almoços, eh eh ...

mas enfim, qualquer que seja a metodologia, mais ou menos acertada, sabemos que o grau de precisão será sempre difícil e o processo de cálculo será sempre complexo

o problema é se falta a electricidade - e maior se faltar a LUZ !!!

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