Por Bruno Reis | Quinta-feira, 17 Setembro , 2009, 14:58

Segundo Vasco Graça Moura – com o seu jeitinho sempre tão tolerante – só um burro iliterato é que não percebe sempre o que Manuela Ferreira Leite tem para dizer.

 
 
Eu proporia, antecipando o clima de democracia “à madeirense” que o PSD de MFL se propõe promover em Portugal, que sejam decretado a seguintes adenda ao Dicionário de Português das Academia da Ciências, para que todos sejamos suficientemente literatos em Manuelaferreirês (essa variante tão rica do português):
 
Asfixia democrática: Segundo MFL o regime política vigente em Portugal continental durante o governo de José Sócrates.
 
Autenticidade Depois de MFL passou a designar aquilo que anteriomente se designava por gafes, asneiras, erros, confusões, ignorância, mau uso do português.
 
Coerência Circunstancial: Designa aquela pessoa que é coerente em cada circunstância, é, portanto, coerente no contexto de cada momento, no devir. Como “todo o Mundo é composto de mudança, tomando, sempre tomando, novas qualidades” (Camões), isto significa que MFL pode ser sempre, em verdade, coerente na sua incoerência. Neologismo cunhado para designar a atitude política de MFL.
 
Democracia: Segundo MFL regime político vigente na Madeira sob Alberto João Jardim.
 
Privatizar: antes de MFL dizia-se do acto de tornar propriedade privada entidades e serviços anteriormente na posse do Estado, e.g. privatizar empresas públicas. Depois de MFL privatizar significa manter em mãos privadas o que já está em mãos privadas. 
Foi no famoso debate entre a licenciada em Economia Manuela Ferreira Leite e o mestre em Gestão José Sócrates que MFL brilhantemente explicou que quando afirmara preto no branco, em verdade, coerentemente que se podia privatizar tudo (excepto as funções de soberania, incluindo portanto a saúde, a segurança social e a educação) significava afinal -não que o Estado iria entregar a empresas privadas partes ou a totalidade da educação, assistência social e saúde públicas ou dos respectivos orçamentos - que nestas áreas continuarão a existir a empresas privadas que já existem sem nenhuma alteração na gestão e financiamento público.
Foi a propósito desta diferença fundamental entre PS e PSD que José Sócrates mais revelou a incompreensível iliteracia relativamente ao Manuelaferreirês que tanto irritou Vasco Graça Moura.
 
Jamé: o mesmo que jamais. Este francesismo foi patrioticamente nacionalizado pelos seguidores de MFL na elegante forma – jamé – geralmente seguido de ponto de exclamação.
 
Mabalarismo: antes de MFL malabarismo. Designa aquilo que Manuela Ferreira Leite faz com tanta literacia, sabedoria e jeito no seus uso da língua portuguesas e nas sua proposta políticas.
 
TVG: antes de MFL conhecido por TGV: comboio que alegadamente dizem ser da alta velocidades mas que é demasiado caro para Portugal suportar o seus custos com fundos da UE, e cuja construção só serve os interesses dos imigrantes ucranianos e cabe-verdianos e dos espanhóis (os quais note-se têm pouca ou nenhuma literacia em português). Um francesismo que MFL tratou patrioticamente e em verdade de  tornar uma palavra bem portuguesa.

 

 

PS : Imagem do Príncipe Filipe de Edimburgo (um bom par para MFL) in http://myfunnybusiness.com 


Misugi a 17 de Setembro de 2009 às 17:05
Como exercício de estilo o post está fantástico !

Mas digo-lhe; eu não levo a politica muito a sério...são mais ou menos todos a mesma coisa...e como diz Eça :
"Politicos e crianças devem ser trocados pelas mesmas razões".
Mas consigo entender a Sra. MFL parece-me que fala Português claro e correcto...
Não percebo como é que a Madeira não é uma democracia ! O Sr. Jardim tem sido sempre eleito pelos madeirenses e o Funchal deve ser a cidade mais civilizada de Portugal...
Quanto ao comboio....bem, há coisas que fazem mais falta! E não vejo os Espanhóis com tantas preocupações em relação ao TGV. Alias, as cidades fronteiriças Espanholas têm ligações muito más com a restante Espanha, o que revela a preocupação Espanhola com as ligações a Portugal...
Mas enfim...eu sou pouco inteligente, deve ser por isso que não entendo a excelência da politíca do Sr. Sócrates.

jrrc a 17 de Setembro de 2009 às 22:26
O Parlamento, no Continente, tem sido eleito pelos Espanhóis?

Da inteligência, não falo...mas vês mal...isso é certo..


Misugi a 18 de Setembro de 2009 às 16:12
Caro jrrc,
Respondo-lhe como aprendi na primária:
O Parlamento no Continente é eleito pelos Portugueses !
Mas por em causa a democracia na Madeira (tal como a história da "asfixia") é de muito mau gosto ! E efectivamente, vive-se muito bem na Madeira!

E efectivamente vejo mal, uso óculos...
Devo ser por isso, que não entendo esse brilhante politico e pensador do Sec . XXI que se chama Sócrates!

Mas eu só percebo de Física...a politica é para os iluminados!

Bruno Reis a 18 de Setembro de 2009 às 12:47
Cara Misugi

Obrigado quanto estilo. Quanto às dúvidas substantivas:

Uma democracia é mais do que eleições, é um conjunto de regras, nomeadamente de respeito pela oposição. Na Madeira Há algum pluralismo, mas o peso do Partido dominante é tal no Estado e na sociedade que por meios legais e ilegais não dá real hipótese à oposição.

As políticos e sobretudo as políticas não são todas iguais. Eu não peço perfeição ou moral exemplar pois isso não existe em lado nenhum. Mas por exemplo o PSD quer reduzir o investimento público numa altura de crise, quer privatizar mesmo que parcialmente a segurança social, se o deixarem. Isso do meu ponto de visto é um erro que nos pode sair muito caro.

Precisamos de TGV? Precisávamos de comboios no século XIX? Deram lucro? Nuns sítios sim, noutros não. Mas evitaram que tivessemos ficado ainda mais periféricos. E acha que o PSD não vai avançar com o TGV se chegar ao poder? Eu aposto que ao fim de um ano de mais estudos e mais dinheiro gasto, irá acabar por ser forçado a avançar. O argumento da "província espanhola" é incompreensível e só mostra complexos de inferioridade.

Misugi a 18 de Setembro de 2009 às 14:47
Caro Bruno Reis.
Obrigado pelo tempo despendido com o meu comentário.
Consigo entender o seu ponto de vista. Em relação á Madeira seguindo o raciocínio de "respeito pela oposição" não vejo muita diferença em relação ao Continente, aliás, vejo uma: eles vivem melhor do que nós ! E isso é mérito das benesses que o Sr. Jardim tem conseguido com mais ou menos democracia.
Quanto ao investimento publico e privatização da segurança social concordo consigo, também não creio que seja uma boa política. Gostava era que os partidos fizessem um " Pacto de Regime" em relação a algumas pastas: finanças, saúde, educação e Justiça. Se sentassem a uma mesa e pensassem :
" Em relação a estas pastas vamos fazer assim durante 8, 12 anos, seja qual for o governo"...mas isso é sonhar demasiado alto. Infelizmente, não vejo inteligência nos políticos Portugueses para pensarem no país...ou então o país deles não vai além da Lapa e do Gambrinus ! O que é manifestamente pouco !
O TGV até pode ser bom. Mas penso que existem outras prioridades. Não consigo conceber o TGV quando vejo pessoas que não comem para comprar medicamentos, enquanto vejo hospitais entupidos e os cidadãos a serem mal tratados em repartições publicas, enquanto vejo entidades do tipo ANF, OE e ordens afins a funcionarem como cartel. Não concebo o TGV enquanto sobre a Justiça pairar o espectro da...injustiça ! Enquanto as escolas não funcionarem bem, enquanto as nossas Universidades continuarem a licenciarem desempregados...sinceramente, não tenho a classe politica em boa conta! E quando vejo o que os nossos gestores públicos auferem...penso que nasci no Bangladesh !
Com estas situações resolvidas e compreendidas venha o TGV !
A minha politica é muito terra-a-terra ...quero viver bem, poder ir de férias descansado e quero que o mesmo para os meus concidadãos...com mais ou menos democracia, TGV ou coisa que o valha!
Obrigado!

Joaquim Amado Lopes a 17 de Setembro de 2009 às 17:38
Deixo aqui a pergunta porque não sei de outro local onde a deixar:
Já foi publicado no Simplex algum post sobre as entrevistas de José Sócrates feitas por Maria Flor Pedroso e Ricardo Araújo Pereira?

Ou a agressividade e intolerância despropositadas, o sentido de humor artificial e os vários "esta teve graça. não teve?" até aos Simplexes embaraça?

Filipe a 17 de Setembro de 2009 às 18:12
Excelente!
Muito bem apanhado!

João Antunes a 17 de Setembro de 2009 às 18:48
"iliterato" - adj. e subst. masculino
m. q. iletrado
1 - que ou aquele que, alfabetizado, é pobre de cultura literária; iliterato
2 - que ou aquele que não tem instrução escrita, não lendo nem escrevendo; analfabeto (ou quase).
(cf. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa)
Deixem o Dicionário da Academia de Ciências que é discutida e comprovadamente uma aberração. É preferível consultar o G.D. da Porto Editora, ou o Aurélio, ou o mencionado Houaiss.

jrrc a 17 de Setembro de 2009 às 19:42
"Não se aguenta o exercício, aliás deliberado, de iliteracia pura de um sujeito que finge não perceber o que os adversários dizem para, em seguida, distorcer tudo, à falta de melhor tema de campanha."

Ora, não houve distorção maior que aquela conhecida como o "Jamais"...

Fui explicar isso ao tal fulano, em comentário, e aproveitar para o chamar de idiota, adjectivo utilizado pelo próprio...

Mas aquilo é uma manada..e eu não sou nenhum campino...


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