Por Porfírio Silva | Terça-feira, 15 Setembro , 2009, 08:50

Os períodos eleitorais favorecem os contrastes simples: a verdade de um lado, o erro do outro. Céptico quanto à pureza química em política, prefiro tentar compreender qual é em cada momento a combinação virtuosa de continuidade e mudança.

 

Revolucionários e messiânicos desprezam o valor da continuidade. Só vêem virtude em que tudo mude e acham que prometer a possibilidade de todas as mudanças é o que rende em todos os momentos. Erro deles. Por exemplo, que Portugal nunca tenha tido hesitações fatais acerca do seu empenhamento na União Europeia deve-se ao famigerado “bloco central”. À direita e à esquerda, nem sempre todos perceberam isso – alimentando o autêntico desporto nacional que consiste em diabolizar os factores de continuidade.

 

Não existindo sociedades perfeitas, haverá sempre mudanças necessárias. Por exemplo, hoje necessitamos alterar significativamente o equilíbrio dominante no mundo do trabalho, articulando várias mudanças: aumentar o emprego, reduzir a precariedade, melhorar a produtividade e a competitividade, elevar as qualificações, promover a melhoria sustentada dos salários, reduzir mais as desigualdades. Essa mudança articulada é necessária tanto por razões de eficiência económica como de justiça social. Concretizá-la, sem estatizar a economia nem mercantilizar a sociedade, tem de passar pelo reforço do diálogo social, da contratação colectiva e da participação dos trabalhadores. Esses são elementos de uma mudança de que necessitamos como pão para a boca.

 

O ponto, a meu ver, é que, presentemente, a força capaz de concretizar a equação certa de continuidade e mudança é o PS. E Sócrates, sem nunca ter sido um líder iluminado pelos deslumbrantes amanhãs que cantam, mostrou que é capaz de contribuir para fazer evoluir a própria equação da continuidade e da mudança. Em vez de tentar mexer na equação andando com o tempo para trás, o que alguns físicos chegaram a achar credível – e alguns políticos ensaiam agora outra vez. E este é um ponto muito mais importante do que colocar bem as mãos ou os olhos ou a gravata em qualquer debate televisivo.

 

(versão de um depoimento publicado hoje no Diário Económico, aqui)
 


Tiago Julião Neves a 15 de Setembro de 2009 às 15:48
Excelente texto Porfírio. Parabéns!

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